Publicidade

A OMS considera o uso do celular “possivelmente cancerígeno”

PARIS – Os peritos internacionais, reunido por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), decidiram nesta terça-feira que o uso de telefones celulares pode ser cancerígeno. Eles defenderam a utilização do SMS.

“As provas que continuam a acumular-se, são suficientemente fortes para justificar” a classificação do celular como “possivelmente cancerígeno para os seres humanos”, disse Jonathan Samet, presidente do grupo de trabalho de trinta especialistas que estiveram reunidos durante oito dias em Lyon.

Estes especialistas se reuniram sob os auspícios da Agência Internacional para pesquisa sobre o câncer (IARC), órgão da OMS, para investigar o risco de câncer apresentado pelos “campos eletromagnéticos de radiofrequência”. Eles analisaram todos os estudos realizados sobre o assunto.

A classificação utilizada é baseada em “Estudos epidemiológicos que mostraram um aumento do risco de glioma, um tipo de câncer no cérebro associados ao uso de telefones celulares”, disse Samet, durante uma conferência da imprensa telefônica.

Risco possível

Esta classificação significa que “pode haver um risco, e que, portanto, temos de acompanhar de perto a relação entre os celulares e o risco de câncer”, disse Samet.

Segundo Gerard Lasfargues, diretor-geral adjunto da Agência de Segurança Sanitária do Ambiente, a classificação da IARC foi até agora um passo adiante. A nova classificação é idêntica à da lã de vidro e vapores de gasolina.

“’É importante que pesquisas complementares sejam realizadas sobre o uso intensivo ao longo do tempo dos telefones celulares”, disse Christopher Wild, diretor da IARC. “Enquanto aguarda a disponibilização de tais informações, é importante tomar medidas pragmáticas para reduzir a exposição (onda)”, acrescentou.

Kurt Straif, IARC falou sobre maneiras de reduzir a exposição. “Se você usar o telefone celular para mandar mensagens (SMS), ou como alto-falantes para chamadas, você diminui a exposição em até 10 vezes”, acrescentou.

Os especialistas consideraram que, se houve uma possível ligação de gliomas e neurinoma, não foi possível tirar conclusões para outros tipos de câncer.

O grupo de trabalho não quantificou o risco. Segundo o professor Lasfargues, eles se basearam no estudo Interphone, que analisou o uso do celular desde 2004, no qual houve um aumento de 40% de risco de glioma entre os maiores usuários (definido como o uso para uma média de 30 minutos por dia durante 10 anos).

Dados antigos

Dr. Robert Baan, pesquisador do IARC, destacou a dificuldade do exercício com base em um estudo relativamente antigo.

“Em relação aos fortes usuários, deve-se ter cautela, porque os dados epidemiológicos datam de 10 anos. Entretanto, a tecnologia evoluiu e os telefones modernos têm emissões muito mais baixas do que os antigos”, disse ele.

“Há uma tecnologia melhor, mas há também um aumento no uso, é difícil o equilíbrio entre os dois”, acrescentou.

Os especialistas, que também estudaram os riscos colocados por outros campos eletromagnéticos, tais como: radar, micro-ondas, rádio ou transmissores de televisão, consideraram que as provas não eram suficientes nesse caso.

Criasaude.com.br, 11 de junho de 2011.

Esta informação foi útil?

Observação da redação: este artigo foi modificado em 14.04.2017

Publicidade