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Hipertensão, um mal silencioso

Hipertensão, um mal silenciosoSÃO PAULOImagine o coração como uma bomba, que impulsiona o sangue por todo o corpo. A pressão arterial é a força de impulsão do sangue, com valores normais de 120 mmHg de pressão sistólica e 80 mmHg de pressão diastólica, resumidamente, 12 por 8. O problema acontece quando esse nível de pressão ultrapassa 14 por 9. Nesse estágio, o paciente é já é hipertensão.

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A doença tem números alarmantes. No mundo, estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas sejam hipertensas. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 milhões têm pressão alta. Os dados também mostram que o Rio de Janeiro (RJ) é a capital com maior proporção de hipertensos, 28,0%, seguido de Recife (PE) com 27,6%, Campo Grande (MS) e São Paulo (SP) com 26,5% cada.

Um mal silencioso

Em cerca de 90% dos casos de hipertensão não apresentam sinais claros, o que a torna mais perigosa. Entretanto, alguns sintomas inespecíficos podem aparecer como dor de cabeça, tonturas, vertigens, dor no peito e falta de ar.

Pacientes que não controlam a pressão têm expectativa de vida 40% menor que um indivíduo sadio ou controlado. Os males provocados pela doença são vários, no coração, pode causar infarto e insuficiência cardíaca; nos rins, leva à insuficiência renal; no cérebro, causa derrames ou AVC; nos olhos, a pressão alta lesiona a retina e faz perder a visão. Além disso, tromboses, aneurismas na aorta e hemorragias podem acontecer.

Mudando de hábitos

A hipertensão está intimamente associada à dieta e estilo de vida que se adotam. O sobrepeso é um dos principais fatores de risco, assim como o consumo exagerado de sal de cozinha. Outros  intens que devem ser controlados são: gorduras, açúcar refinado e bebidas alcoólicas. Se você tem uma carga genética que já favoreça o aparecimento da hipertensão (como parentes hipertensos), tenha ainda mais controle!

O estresse e nervosismo diários são apontados como importantes agravantes da hipertensão. Cigarro também é contra-indicado, pois, além de estar associado a diversas doenças coronárias, causa a liberação de substâncias que aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e a resistência dos vasos à passagem do sangue. O sedentarismo e a falta de atividade física também aumentam as chances de desenvolvimento da doença.

Atenção mulheres: após a menopausa o risco de hipertensão aumenta, pois os estrógenos, hormônios femininos, deixam de ser produzidos e os vasos sanguíneos passam a relaxar menos.

Casos especiais

Em cerca de 10% dos quadros de hipertensão, a causa não está relacionada com dieta, estilo de vida ou genética. Nesses casos, a doença tem causas secundárias como problemas hormonais (doenças da tireóide), distúrbios no sistema renina-angiotensina, insuficiência renal e uso de medicamentos (corticóides, descongestionantes nasais e inibidores de apetite). Antiinflamatórios como diclofenaco e piroxicam, quando tomados em excesso por muito tempo, podem aumentar a pressão arterial e comprometer o bom funcionamento dos rins.

Perigosa, mas controlável

Embora grave, a hipertensão arterial pode ser controlada. Mudanças no hábito de vida são a primeira medida para se chegar a um bom resultado. Além disso, médicos podem receitar remédios para auxiliar no tratamento.

Os diuréticos ajudam a reduzir o volume de água e sódio circulantes no corpo. Medicamentos beta-bloqueadores também estão dentre os indicados, pois auxiliam na abertura dos vasos e reduzem a carga de trabalho do coração. Outra classe eficaz na redução da pressão são os bloqueadores de canais de cálcio, que relaxam os músculos dos vasos e reduzem a frequência cardíaca. Alguns podem ser resistentes a diversos tratamentos. Nesses casos, o médico deve investigar quais causas estão por trás do aumento da pressão e recomendar a melhor conduta.

Alternativamente, plantas medicinais ajudam no tratamento, como o alho. Folhas de oliveira, cacau, ômega-3 e ácido alfa-linolênico também têm eficácia comprovada na melhora da saúde dos vasos.

Independentemente de qual medida se adote, mudanças na dieta e estilo de vida, redução do consumo de álcool e cigarro,melhor manejo do estresse são sempre as medidas iniciais para manter a pressão controlada.

Por Xavier Gruffat, farmacêutico. Criasaude.com.br, 20 Fevereiro de 2011

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 16.09.2017

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