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Resumo - Doença de Alzheimer

A doença ou mal de Alzheimer é uma doença crônica que atinge, principalmente, a população idosa. Trata-se de uma forma de demência que afeta a memória, as funções congnitivas e capacidades de realizações de tarefas dos seus portadores. Caracteriza-se por uma perda de neurônios colinérgicos, o que reduz o número de conexões cerebrais. Estima-se que cerca de 1,2 milhões de pacientes no Brasil possuam a doença, com o aparecimento de 100 mil novos casos por ano. Os indivíduos mais afetados são idosos, entretanto há uma forma que atinge pessoas com idade inferior a 65 anos, conhecida como Alzheimer precoce ou familiar.

alzheimer resumo doença de AlzheimerEmbora as causas ainda não sejam bem conhecidas, atribui-se a fatores genéticos, ambientais e estilo de vida os desencadeadores da doença de Alzheimer. Certamente a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, entretanto outras variáveis podem contribuir para o seu aparecimento como o tabagismo, história familiar de Alzheimer e diabetes. Os sintomas iniciais incluem perda de memória. À medida que a doença evolui, outras habilidades do paciente ficam comprometidas, como a capacidade de fazer julgamentos e raciocínio, orientação espacial e equilíbrio.

O diagnóstico é realizado por neurologistas através de diversos exames do status mental, neuropsicológicos e exames de imagem. Complicações incluem o aumento da incidência de quedas e de doenças infecciosas do trato respiratório.

Os tratamentos atuais se baseiam no uso de inibidores de acetilcolinesterase (galantamina, donepezila e rivastigmina) e antagonista do receptor NMDA (memantina). Suplementos alimentares (como vitamina B e vitamina E) e extratos de plantas medicinais (como huperizina A) podem ajudar na deterioração das funções mentais.

É importante que o cuidador do paciente com Alzheimer tenha consciência que essa é uma doença grave e que o doente necessitará de sua total ajuda. Estabelecer um ambiente agradável e seguro, fornecer alimentação adequada, estimular o paciente a praticar exercícios e dar regularmente os medicamentos são práticas que melhoram o quadro geral do paciente. Algumas medidas preventivas como o abandono do tabagismo, prática regular de exercícios físicos e uma dieta saudável podem se mostrar benéficas.

Ler a seqüência: definição Alzheimer

Entrevista com Dr. Thiago Vinicius Nadaleto Didone CRF: 61376/SP - Farmacêutico e Aprimorando do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG) de São Paulo - SP

Dr. Thiago, há algum teste ou exame que mostre se a pessoa possui alguma pré-disposição para a Doença de Alzheimer?

Primeiramente precisamos definir “pré-disposição”. Por exemplo, para desenvolvermos uma gripe é necessário ser infectado por um tipo de virus. Entretanto, fatores como uma baixa imunidade podem facilitar a infecção viral e o aparecimento da gripe. Neste caso, a baixa imunidade seria um fator de risco para a gripe pois pré-dispõe a pessoa à doença. Alguns fatores de risco já são conhecidos por estarem relacionados ao aparecimento da Doença de Alzheimer (DA). São eles: hipertensão arterial, Acidente Vascular Encefálico (AVE, mais conhecido por derrame), diabetes, hipercolesterolemia desenvolvida na vida adulta, consumo de álcool, tabagismo e obesiade. Além disso, há algumas mutações gênicas e algumas combinações de alelos em determinados genes que aumentam o risco para a DA. Por exemplo, atualmente pode-se tipar a apolipoproteína E presente no sangue. Pessoas com a presença do tipo E4 têm uma pré-disposição maior ao desenvolvimento da DA. Mas cuidado! A presença de um ou mais dos fatores de risco acima não significa que a pessoa terá a DA. Muitas pessoas que tomaram conhecimento de que têm um ou os dois alelos E4 passaram por significativo abalo emocional e depressão, ambos desnecessários já que não há garantia que terão a doença. Logo, não faz sentido realizar este tipo de tipagem sanguínea antes do aparecimento dos sintomas da DA.

Quais os medicamentos atuais indicados para o Alzheimer? Eles curam a doença?

Atualmente o tratamento da DA se baseia no uso de medicamentos inibidores de uma enzima cerebral, a acetilcolinesterase (AChE). Tais medicamentos aumentam a quantidade de acetilcolina no cérebro (substancia degradada pela AChE). Porém, estes fármacos promovem um tratamento apenas sintomático e paliativo. Ainda não há medicamento disponível que reduza ou interrompa a degeneração cerebral causada pela DA. Os inibidores da AChE disponíveis no mercado são a donepezila, a rivastigmina e a galantamina. O efeito desses medicamentos começa a aparecer após 8 a 12 semanas do início do tratamento, e deve-se sempre tentar atingir a dose máxima tolerada (dose máxima em que ainda não aparecem reações adversas). Isso é feito para tentar conseguir a máxima melhora funcional possível para o doente. Muitas pessoas com DA não respondem a ao tratamento inicial com um dos inibidores da AChE. Nesses casos pode-se tentar utilizar outro medicamento desta mesma classe ou associar o medicamento inibidor da AChE com a memantina. A memantina, medicamento disponível para o tratamento da DA desde 2003, diminui a velocidade do declínio cognitivo em pacientes com DA moderada a grave e reduz distúrbios comportamentais e agitação psicomotora. Os inibidores da AChE são indicados para o tratamento da DA nas fases iniciais a moderada.

O tratamento, qualquer que seja, deve ser iniciado por médicos especializados no cuidado de pacientes com demência, como neurologistas, psiquiatras e geriatras. O tratamento e o esquema terapêutico devem ser reavaliado a cada 6 meses - também por um especialista - por avaliação global, funcional e comportamental do paciente geriátrico, e pelo teste do MEEM (Miniexame do Estado Mental) ou do CDR (Clinical Dementia Rating). Enquanto houver benefício clínico o tratamento deve ser continuado.

Drogas antipsicóticas são usadas comumente para tratar agitação, agressão e psicose com eficácia moderada. Alguns aticonvulsivantes como a carbamazepina também têm sido usados com esta finalidade. Para o tratamento da depressão associada podem ser usados antidepressivos como o citalopram e a sertralina. A maioria destes medicamentos são usados na DA de modo off-label (isto é, sem indicação para pacientes com DA na bula).

Se os medicamentos atuais não curam a doença, qual o benefício deles para o paciente?

Embora o tratamento farmacológico da DA não modifique ou interrompa a doença, ele melhora significativamente a qualidade de vida do paciente e do cuidador em todas as fases da doença. Além disso, os sintomas pioram progressivamente se a DA não for tratada. O tratamento com medicamentos inibidores da AChE é sintomático; eles melhoram moderadamente as funções cognitivas, o humor (especialmente a apatia), a interação social e as atividades de vida do dia a dia. A memantina melhora a função e cognição, e alguns estudos mostram que ela talvez seja benéfica na prevenção e tratamento da agitação, agressão e outros distúrbios comportamentais.

O Mal ou Doença de Alzheimer é genético?

A maior parte das pessoas com DA tem a forma esporádica da doença, que se inicia mais tarde (depois dos 65 anos de idade) e na qual não existe um padrão de herança genética. Já a forma familiar é rara (corresponde a 8% dos casos de DA), geralmente se inicia antes dos 65 anos de idade (pode aparecer aos 35 anos por exemplo) e tem um padrão genético autossômico dominante.

No caso familiar, se um dos pais tem a doença, a chance que o filho também a tenha é de 50%. Para este tipo da doença já há alguns testes que detectam as mutações que são transmitidas dos pais para o filho, porém este teste é feito apenas em alguns lugares do mundo.

A forma esporádica pode estar associada à mutações gênicas e à combinações específicas de alelos, e parece que a presença dos alelos E4 é o risco que está mais consistentemente associado à DA. Rapidamente falando, existem 3 tipos de alelos para codificar a apolipoproteína E, presente no sangue: E2, E3 e E4. Pessoas com os dois alelos E4 (um herdado do pai e outro da mãe) têm 7 vezes mais chance de ter DA do que pessoas com outras combinações de alelos. Mutações em outros genes (por exemplo Tau, DYRK1A, TOMM40, CLU e PICALM) também são fatores de risco baixos para o desenvolvimento da DA. Porém devo lembrar que o fator de risco apenas aumenta a pré-disposição individual a ter a doença e não quer dizer, em hipótese alguma, que a pessoa terá a doença.

O paciente com Alzheimer pode viver quanto tempo?

Geralmente a DA apresenta progressão lenta com duração média de 5 a 15 anos entre o diagnóstico e a morte. No entanto, o ganho sintomático obtido com o tratamento farmacológico muitas vezes está associado a uma melhora das funções cognitivas e das atividades de vida do dia a dia, atrasando assim a evolução da doença. Não obstante, o acompanhamento médico regular e o tratamento não farmacológico também parecem contribuir para a sobrevida do paciente. Já o não tratamento, doenças concomitantes e o consumo de muitos medicamentos podem acelerar o declínio das funções cognitivas, acelerando o prejuízo mental da DA.

Muitos pesquisadores têm considerado a área da prevenção como a mais promissora na pesquisa das demências, pois muitos fatores têm se mostrado protetores para ela. Pessoas com atividade intelectual intensa estabelecem mais sinapses (estruturas destruídas na DA) e por isso desenvolvem a DA mais tardiamente e, pelo menos no início do aparecimento da doença, os sintomas parecem progredir mais lentamente. Não devemos contudo pensar que a atividade intelectual atua como uma vacina contra a DA. Muitas pessoas extremamente inteligentes têm a doença, porém a maneira como ela se apresenta pode ser menos danosa que o habitual. Outra maneira de tentar adiar a DA é promover a boa circulação cerebral através do controle da hipertensão, do diabetes e dos nível elevados de colesterol. A realização de atividade física regular, o tratamento da depressão, evitar o tabagismo e evitar o abuso no consumo de álcool parecem também atuar como fatores protetores para a DA e também para muitas outras doenças crônicas.

Quais os primeiros sintomas da doença de Alzheimer? Eles aparecem normalmente em qual idade?

Os sintomas presentes na DA, como por exemplo o prejuízo de funções cognitivas (geralmente e especialmente a memória), não são específicos pois podem estar associados ao uso de medicamentos tranquilizantes e/ou que induzem o sono, algumas doenças (por exemplo o hipotiroidismo), depressão e outros tipos de demência. Logo, é sempre importante desconfiarmos de outras causas antes de pensarmos em DA.

Geralmente uma pessoa com DA na fase inicial apresenta alteração de memória principalmente para fatos recentes e desorientação espacial. Futuramente começa a surgir o comprometimento de funções elaboradas como gerenciar as próprias finanças, planejar uma viagem ou até mesmo preparar uma refeição leve. Entretanto, o médico desconfia de DA quando estes sintomas iniciam entre os 40 e 90 anos; mas é frequentemente após os 65 anos que os sintomas da DA começam a aparecer. O início súbito da doença e achados neurológicos focais (como por exemplo hemiparesias, alterações de sensibilidade e dos campos visuais, sinais cerebrais e crises convulsivas) no início da doença ou muito precoces no seu curso geralmente não condizem com o quadro de DA, tornando seu diagnóstico improvável ou incerto.

Qual dica o doutor oferece para os pacientes e para os cuidadores para que eles tenham uma melhor qualidade de vida?

O treinamento cognitivo em pacientes nos estágios iniciais da DA parece ser interessante para a melhora cognitiva na evolução da doença. Assim, é fundamental que sejam estimuladas as funções cognitivas dos pacientes (atenção, memória, linguagem etc.) seja por psicólogos, terapeutas ocupacionais ou mesmo pelos cuidadores. É também de extrema importância que o cuidador preserve ao máximo a independência e autonomia do paciente. Muitas vezes o cuidador acaba facilitando ou até mesmo executando as atividades diárias do doente, como por exemplo alimentá-lo na cama. Isso é um erro. O doente passa a ser infantilizado, sua identidade é deixada de lado, e suas capacidades não são estimuladas, o que o torna um inválido. A preservação da independência mantém a auto-estima e também diminui a carga de trabalho do cuidador. Paralelamente, o idoso muitas vezes perde a disposição para realizar algumas atividades, mas cabe ao cuidador e ao familiar estimulá-lo. Entretanto tenha cuidado com atividades fora do alcance do paceinte; ele vai acabar se frustrando por não conseguir realizá-la, gerando depressão, isolamento e raiva. As atividades realizadas devem ser agradáveis para o paciente, não devem ser muito complexas nem muito simples, e precisam ter algum significado para ele. Para isso é importante levar em conta os interesses prévios do paciente, coisas que ele costumava e se interessava em fazer.

O fator inter-geracional deve sempre ser trabalhado! A interação do doente com netos e bisnetos deve ser encorajada. Isso melhora a aceitação e o respeito por parte das crianças e adolescente, e o idoso mantém contato com as gerações mais recentes.

Na maioria das vezes os cuidadores acabam dividindo suas tarefas de cuidador com suas atividades diárias e com o cuidado de filhos e outros parentes. Há então uma sobrecarga de trabalho, o que pode levar a um isolamento afetivo e social do cuidador bem como a uma exaustão. Os sinais geralmente associados à exaustão sã fadiga permanente, irritabilidade, explosões de choro ou raiva por qualquer motivo, tristeza e choro sem motivo. Assim, é importante que o cuidador participe de atividades e grupos de apoio, e, se possível, faça acompanhamento com médico, educador físico e psicólogo. O cuidador deve também buscar serviços médicos de apoio ao paciente com DA - como programas ambulatoriais e serviços em regime de hospital-dia - a fim de reduzir a carga de cuidado. Do mesmo modo, cabe a ele dividir o cuidado com outros membros da família; por exemplo, os familiares que moram longe podem contribuir com o dinheiro das despesas dos cuidados e os familiares mais atarefados podem contribuir nas atividades periódicas como idas ao médico e ao laboratório para a realização de exames. Não exclua a possibilidade de contratação de um cuidador pago, nem que pelo menos durante um dos períodos do dia. E cuidador, lembre-se: o ato de cuidar e conviver com o paciente com DA irá certamente lhe proporcionar sentimentos únicos de crescimento e transformação, e não deixe de reservar períodos do dia e da semana para praticar suas atividades de interesse pessoal, que não tenham relação alguma com o paciente com DA.


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    Ola , tenho 16 anos .. e percebi pequena bolhas nos lábios que lembram espinhas .. ultimamente sinto dores de cabeça insuportável que nenhum medicamento resolver ! pode ser herpes ? e as dores de cabeça tem a ver com as bolhas ? .
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