Vacinação, o que falamos?
A vacinação do latim “vacca” significa “vaca”, já existe há séculos sobre diferentes formas e práticas até um pouco ancestrais. Ela tem evoluído progressivamente ao longo dos anos e hoje é uma prática essencial para estimular as defesas naturais do organismo. É evidente que a vaca teve um papel importante nesta grande descoberta.
Em que consiste a vacinação?
A vacinação é um método para proteger o organismo contra as doenças infecciosas através da introdução de um agente externo, geralmente uma forma enfraquecida de um patógeno, cujo papel é fortalecer o sistema imunológico. Esta é a vacina. Graças ao antígeno, o organismo irá gerar uma resposta imune permitindo que o corpo se defenda quando exposto a determinadas doenças. Além disso, um mecanismo para memorizar o antígeno mobilizado é ativado a fim de acelerar sua ação em uma contaminação real. Vacinas podem ser divididas em quatro tipos de acordo com seu método de preparação: agentes infecciosos inativados, subunidades de agentes infecciosos, os agentes vivos atenuados e toxinas inativadas.
Através da vacinação, o corpo irá produzir anticorpos projetados para lutar contra patógenos muito específicos. É por essa razão que uma vacina corresponde a uma doença específica. Você deve lembrar que o corpo não produz permanentemente a mesma quantidade de anticorpos, eles diminuem gradualmente, reduzindo a eficácia da vacina em um período mais curto ou mais longo. Pelo contrário, algumas vacinas como a BCG e a antituberculosa não induzem a produção de anticorpos, mas provocam uma reação de proteção celular.
Vacinas recomendadas – Calendário de vacinas
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°Difteria |
°Tétano |
°Poliomielite |
Coqueluche |
°*Tuberculose (BCG) |
Haemoph. Inf. Tipo b (pode causar pneumonia) |
Pneumococos (antipneumocócica conjugada heptavalente) |
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Recém Nascido |
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1ª dose |
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2 meses |
1ª dose
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1ª dose
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1ª dose
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1ª dose
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1ª dose
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1ª dose
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4 meses |
2ª dose |
2ª dose
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2ª dose
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2ª dose
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2ª dose
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2ª dose |
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6 meses |
3ª dose |
3ª dose |
3ª dose
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3ª dose
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3ª dose
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3ª dose
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12 meses |
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Reforço |
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15-24 meses |
Reforço |
Reforço
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Reforço
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Reforço
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Reforço |
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4-7 anos |
Reforço
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Reforço
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Reforço
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Reforço
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11-15 anos |
Reforço
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Adultos |
Reforço
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≥ 65 anos |
Reforço
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Reforço |
°DTP: Para a DTP (difteria, tétano e poliomielite), é aconselhável fazer um reforço a cada 10 anos para adultos.
°*Tuberculose: A vacina intradérmica contra a tuberculose chamada BCG é indicada em crianças com alto risco de tuberculose. Efetuar a vacina, se possível, ao nascer ou durante os primeiros meses do bebê. Pode-se realizar a vacinação até os 15 meses.
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Meningócocos C |
Hepatite B °°° |
Sarampo/Caxumba/Rubéola = Tríplice viral |
°°Varicela |
Gripe |
*Zona |
**Papilomavírus hum. (HPV) |
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Recém Nascido |
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1ª dose
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2 meses |
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2ª dose
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3 meses |
1ª dose
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| 5 meses |
2ª dose
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6 meses |
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3ª dose
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12 meses |
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1ª dose
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1ª dose
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12-15 meses |
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15-18 meses |
Reforço
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4-5 anos |
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2ª dose
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2ª dose
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11-12 anos |
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3 doses
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Adultos |
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Eventualmente Reforço |
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≥ 65 anos |
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1 dose por ano |
*
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* Zona: Também conhecida como herpes zoster. É recomendada nos EUA
** HPV: Para adolescentes antes do início da vida sexual.
°° Varicela: Recomendada para adolescentes sem antecedentes de varicela.
°°° Hepatite B: É recomendada em alguns países a vacinação de 3 doses para crianças (ex. Brasil), a fim de se protegerem contra a hepatite B (Fonte: OMS, julho de 2011).
Outras vacinas que devem ser realizadas: se informe em função do país
- Febre Amarela (no Brasil, em geral 1ª dose aos 9 meses)
- Hepatite A
- Febre Tifóide
- Rotavirus (gastroenterite)
- Cólera
- Raiva
Informe-se sobre as vacinas que devem ser tomadas dependendo da região que for viajar. Certas regiões, como o Norte do país, possuem doenças endêmicas, como a febre amarela. Informe-se no posto de saúde de sua cidade quando a vacina deve ser tomada.
E atenção: a partir do segundo semestre de 2012, o Ministério da Saúde irá introduzir duas novas vacinas no Calendário Básico de Vacinação da Criança, uma contra a poliomielite e outra pentavalente contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenza tipo b e hepatite B.
A introdução da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), com vírus inativado, vem ocorrendo em países que já eliminaram a doença. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no entanto, recomenda que os países das Américas continuem utilizando a vacina oral, com vírus atenuado, até a erradicação mundial da poliomielite, o que garante uma proteção de grupo. O vírus ainda circula em 25 países. O Brasil utilizará um esquema sequencial, com as duas vacinas, aproveitando as vantagens de cada uma, mantendo, assim, o país livre da poliomielite. A VIP será aplicada aos dois e aos quatro meses de idade e a vacina oral será utilizada nos reforços, aos seis e aos 15 meses de idade.
Quando inocular uma vacina e quais são os diferentes modos de administração?
Para serem eficazes, as vacinas devem ser inoculadas em um indivíduo saudável para evitar qualquer risco de efeitos colaterais. No entanto, mesmo pessoas que sofram de doeças crônicas ou pré-existentes, como algumas doenças respiratórias, podem ser vacinadas. Este é, por exemplo, o caso da vacinação antigripal.
A vacinação também pode ocorrer de duas maneiras, dependendo se ela se destina a prevenir a doença ou para estimular a produção de anticorpos utilizados para lutar contra uma doença que já existe. No primeiro caso, a vacina é preventiva, ou seja, é inoculada antes do surgimento da doença. No segundo caso, fala-se de uma vacina terapêutica, também conhecida sob o nome de imunoterapia ativa. A função dessa vacina é promover a produção de anticorpos para ajudar as pessoas já afetadas pela doença.
Na maioria dos casos, as vacinas são inoculadas por injeção, mas isso não exclui algumas vacinas administradas por via oral (famosas "gotinhas").
Vacinação da sua origem até os dias atuais – História da vacinação
A primeira forma de vacinação surgiu no século XVI, na China. Ela consistia em inocular uma forma de varíola considerada menos virulenta e, que em contato com uma pessoa, servia para imunizá-la. No entanto, este método ainda não estava totalmente desenvolvido e o risco de contaminação ainda estava presente, resultando em 1-2% de taxa de mortalidade. Esta prática se espalhou de forma progressiva e sua utilização tem se mostrado cada vez mais eficaz. A ideia da possibilidade de imunizar seres humanos contra certas doenças foi desenvolvida. O reconhecimento do efeito benéfico da inoculação de um germe atenuado para ajudar o organismo a reconhecer um germe específico e defender-se contra ele, foi se desenvolvendo.
Foi a partir de 1760 que começaram a surgir os primeiros experimentos. Daniel Bernoulli demonstrou que a extensão desta prática é propícia para uma melhoria na expectativa de vida ao nascer, apesar dos riscos. Naquela época, a inoculação da varíola era uma fonte de controvérsias tanto na França como em outros países. Entre 1770 e 1791, várias pessoas fizeram um teste para verificar o efeito imunizante da inoculação da varíola de vacas. Edward Jenner, médico inglês, confirmou essa descoberta em 1796 e apoiou até que a eficácia fosse oficialmente reconhecida. Em 14 de maio desse mesmo ano, ele inoculou em uma criança saudável de oito anos, James Phipps, pus extraído da mão de um fazendeiro que sofria de varíola da vaca. Depois de três meses, ele inoculou a varíola na criança e demonstrou que a imunização era real. Ele entendeu que a vacina poderia ser uma forma mais branda do vírus da varíola. A partir disso, a vacinação tem trilhado seu caminho e se espalhado por toda a Europa.
Mais tarde, estudos efetuados por Louis Pasteur e seus colaboradores sobre a relação entre os micróbios e as doenças refinaram a técnica de vacinação. Após a experiência de Jenner, a primeira vacina foi a da raiva. Foi administrada com sucesso a uma criança, Joseph Meister, antes de ser mordido por um cão. A partir dessa experiência nascera a vacinação moderna que conhecemos hoje.