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Clamídia

Resumo sobre clamídia

A clamídia é uma doença sexualmente transmissível (DST) que pode levar a graves complicações como a esterilidade. A espécie Chlamydia trachomatis afeta principalmente órgãos genitais, e é por isso que em inglês dos Estados Unidos falamos principalmente de Chlamydia trachomatis e não apenas de Chlamydia para qualificar esta DST1. Neste artigo, utilizaremos Chlamydia ou clamídia como sinônimo de Chlamydia trachomatis.

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A transmissão é através do contato com secreções, ejaculações ou feridas de pessoas infectadas. Também pode ocorrer transmissão vertical, de mãe para filho. Objetos, como acento de banheiro, não transmitem a doença.

Os sintomas são inconstantes, podendo nunca aparecer. Homens e mulheres podem apresentar manifestações diferentes, mas as mais comuns são: dor ao urinar, aumento de secreções e feridas.

Infecções não tratadas em mulheres podem levar a gravidez tubária, infertilidade e dores pélvicas crônicas. Nos homens, a clamídia pode causar uretrites, epididimites agudas (inflamações agudas do epidídimo), infertilidade, prostatites (inflamação da próstata), artrite reativa e estenose uretral (estreitamento da uretra).

Os exames mais usados no diagnóstico desta doença é a coleta de secreções para as mulheres e exame de urina para os homens.

O tratamento é feito através da antibioterapia, os antibióticos mais usados são: doxaciclina e axitromicina. É muito importante seguir corretamente as instruções do médico para evitar o surgimento de resistência bacteriana.

Esta doença é muito fácil de prevenir, use camisinha e não mantenha relações sexuais com muitos parceiros e parceiros desconhecidos.

Definição

A clamídia é uma bactéria responsável por diversas infecções:

1.  oculares (tracoma)

2.  nas mucuosas (uretrites)

3.  ganglionárias (linforreticulose benignas)

4.  genitais

5.  nos pulmões (pneumonia)

No quadro de infecções genitais por clamídia, falamos de doença sexualmente transmissível (DST).

As infecções por clamídia são graves, pois são a causa mais freqüente de cegueira no mundo e a primeira causa de esterilidade feminina.

Duas espécies de clamídia são patógenas para o homem:

1.  Chlamydia trachomatis (Clamídia trachomatis, responsável por infecções genitais e oculares).

2.  Chlamydia pneumoniae (Clamídia pnemoniae, responsável por pneumopatias e bronquites).

Existe ainda uma terceira espécie de clamídia (Chlamydia psittaci), encontrada em animais e suscetível de provocar ocasionalmente infecções respiratórias no homem.

Epidemiologia

– Segundo a OMS, 131 milhões de pessoas são infectadas com clamídia a cada ano.

– Em 2016, o número de novos casos de DST atingiu níveis recorde nos Estados Unidos, com mais de 2 milhões de casos de clamídia, gonorreia e sífilis, de acordo com um relatório anual dos centros americanos de controle e prevenção de doenças (U.S. Centers for Disease Control and Prevention ou CDC) publicado no final de setembro de 2017. Os números de novos casos de clamídia em 2016 totalizaram 1,6 milhões, de gonorreia 470.000 e de sífilis 28.000. Este é o maior número de DSTs de todos os tempos, de acordo com este relatório. Cerca de metade dos casos de clamídia foram diagnosticados em mulheres jovens. Um número significativo de novos casos de gonorreia ocorreu em homens que fazem sexo com homens. A maioria dos casos de sífilis foi encontrada em homens homossexuais e bissexuais. O relatório também menciona mais de 600 casos de sífilis em recém-nascidos (sífilis congénita), com mais de 40 mortes. Entre 2015 e 2016, o aumento no número de casos de sífilis aumentou 18% sempre de acordo com o CDC.

Causas

Chlamydia trachomatis
A clamídia (Chlamydia trachomatis) é transmitida sexualmente. A clamídia é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais comuns.
A bactéria Chlamydia trachomatis é frequentemente disseminada durante o sexo vaginal, oral e anal.

Outras bactérias: 
Existem diferentes espécies de bactérias clamídia, 3 podem ser patogênicas em humanos: Chlamydia trachomatis, Chlamydia pneumoniae e Chlamydia psittaci. A Chlamydia trachomatis afeta particularmente os órgãos genitais e os olhos. Os outros dois causam principalmente pneumonia.

Período de incubação:        
O período de incubação da bactéria é cerca de uma semana, que é o tempo entre a contaminação (infecção) e o aparecimento dos primeiros sintomas. As infecções por clamídia às vezes são assintomáticas (leia mais abaixo em Sintomas), por isso é possível infectar seu parceiro sem saber.

Grupos de risco

Os fatores que aumentam o risco de contrair clamídia (Chlamydia trachomatis) incluem:
– Ser sexualmente ativo antes dos 25 anos
– Ter múltiplos parceiros sexuais
– Não usar camisinha sistematicamente
– Um histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs ou DSTs)

Sintomas

A clamídia se manifesta de forma diferente em homens e mulheres. Se os sintomas estiverem presentes, é possível observar:

Infecção por clamídia em homens:
– Queimação urinária, incluindo uretrite
– Corrimento turvo mais ou menos purulento do pênis (em inglês: discharge from the penis)
– coceira
– Dor e inflamação dos testículos

Infecção por clamídia em mulheres:
Corrimento vaginal (em inglês: vaginal discharge)
– Uma leve dor ao urinar
Febre
– Dor no abdômen e pelve
– Sangramento após a menstruação e após o sexo
– Dor durante relação sexual
– Irritações, coceira na área genital

Sintomas em outros lugares:
A clamídia (Chlamydia trachomatis) também pode infectar o reto e levar a dor retal, secreção ou sangramento. Também é possível que haja o desenvolvimento de conjuntivite, especialmente por contato com fluidos corporais infectados.

Esses sintomas podem aparecer juntos, individualmente ou, como visto antes, não surgirem. A inconsistência dos sintomas dificulta o diagnóstico, atrasa o tratamento e causa complicações. Leia abaixo para obter mais informações sobre as Complicações da clamídia

Frequentemente o homem sinaliza 
Em 80% dos casos, o sinal de alerta da clamídia vem do homem, pelo menos no Brasil, segundo artigo publicado no site de referência brasileiro UOL.com.br em fevereiro de 2021 que cita um médico urologista. De fato, alguns dias ou semanas após a transmissão, o homem pode notar uma queimação e uma secreção clara no pênis. Como essa situação o incomoda, talvez mais do que uma mulher acostumada a ter corrimento vaginal por outros motivos, ele vai ao médico.

Diagnóstico

Os testes de diagnóstico para clamídia são os seguintes:

Em homens e mulheres, a bactéria pode ser detectada no primeiro jato de urina. Uma amostra de urina é testada em laboratório para a presença desta infecção.

Nas mulheres, o médico pode colher uma amostra das secreções do colo do útero para realizar uma cultura ou um teste de antígeno para clamídia. Isso pode ser feito durante um teste de Papanicolaou de rotina. Algumas mulheres preferem fazer elas mesmas uma amostra vaginal.

Nos homens, o médico insere um cotonete fino na extremidade do pênis para obter uma amostra da uretra. Em alguns casos, o médico colherá uma amostra do ânus.

Observações: 
– Se a bactéria que causa a clamídia for detectada, geralmente também é necessário procurar outras DSTs (ISTs) comuns, como a gonorreia.
– Um outro recurso é a sorologia, utilizada para ajudar a diagnosticar formas complicadas de infecções por clamídia, como infecções genitais superiores ou pneumonia neonatal.
– De todos os testes de diagnóstico na busca de bactérias, parece que o mais confiável é o PCR em tempo real (ex. da marca Abbott).
– Se você foi tratado para uma primeira infecção por clamídia, deve fazer o teste novamente depois de três meses.

Complicações

As complicações da clamídia, principalmente da bactéria Chlamydia trachomatis são:

Nas mulheres:
– Esterilidade. As infecções por clamídia – mesmo aquelas sem apresentar quaisquer sinais ou sintomas – podem causar cicatrizes e bloqueio das trompas de Falópio, o que pode tornar as mulheres inférteis.
– Doença inflamatória pélvica (DIP). A DIP é uma infecção do útero e das trompas de Falópio que causa dor pélvica e febre. Infecções graves podem exigir hospitalização para administração de antibióticos intravenosos. A DIP pode danificar as trompas de Falópio, ovários e útero, incluindo o colo do útero.
– Gravidez ectópica. Isso acontece quando um óvulo fertilizado se implanta e se desenvolve fora do útero, geralmente em uma trompa de Falópio. A gravidez deve ser removida para evitar complicações com risco de vida, como ruptura do tubo. A infecção por clamídia aumenta esse risco.
Transmissão vertical (recém-nascidos):
A infecção por clamídia pode passar do canal vaginal para o bebê durante o parto, causando pneumonia ou uma infecção ocular grave.

Em homens:
– Inflamação da uretra.
– Epididimite. É uma infecção nos testículos. Essa infecção pode causar febre, dor escrotal e inchaço.
Prostatite. A prostatite pode causar dor durante ou após o sexo, febre e calafrios, dor ao urinar e dor lombar.

Em ambos os sexos:
– Artrite reativa (em inglês: Reactive arthritis). Pessoas com clamídia (Chlamydia trachomatis) têm maior risco de desenvolver artrite reativa, também conhecida como síndrome de Reiter. Essa condição geralmente afeta as articulações, os olhos e a uretra, o tubo que transporta a urina da bexiga para o exterior do corpo.
– cegueira

Tratamentos

A infecção por clamídia é tratada com antibióticos específicos para esse tipo de bactéria.

Infecção não complicada:
Os antibióticos que dão bons resultados neste tipo de infecção são:
– Tetraciclinas
– Macrolídeos (geralmente azitromicina, comprimido de 1000 mg em dose única)
– Fluoroquinolonas de última geração (por exemplo, ciprofloxacina)
Em uma infecção genital não complicada por Chlamydia trachomatis, o tratamento recomendado geralmente é a azitromicina em dose única. Às vezes, outros antibióticos são usados, ao longo de vários dias (5 a 10 dias).
Observações:
– Na maioria dos casos, a infecção se resolve dentro de uma a duas semanas após o início do tratamento com antibióticos2.
– Ter clamídia ou ter sido tratado no passado não impede que você contraia novamente.

Infecções complicadas ou graves:
Em casos de infecções graves, os pacientes devem ser hospitalizados para receber antibióticos intravenosos.

Tratamento do/a parceiro/a:
É essencial tratar o/a parceiro/a, mesmo que não apresente sintomas, para:
– prevenir a infecção naquela pessoa
– prevenir a reinfecção (círculo vicioso)
– prevenir a disseminação futura da bactéria

Falta de vacina:
Atualmente, na data de realização deste artigo, em fevereiro de 2021, não há vacina para prevenir a clamídia.

Bons conselhos (dicas)

Se o tratamento da infecção por clamídia for feito através de antibioterapia, é necessário assegurar que o medicamento seja tomado corretamente:

– respeite a posologia indicada (horários corretos da tomada: antes/durante/depois das refeições, beber bem, interação com outros medicamentos).

– é imprescindível terminar a embalagem caso seja a recomendação do médico e não interromper no meio do tratamento, mesmo que os sintomas tenham desaparecido.

– trate o/a parceiro/a

– siga atentamente os conselhos dados pelo especialista que recomendou o medicamento.

– evite as relações sexuais sem proteção enquanto não tiver certeza de que está curado.

Esses conselhos te ajudaram a obter uma boa recuperação. Caso os antibióticos não sejam tomados corretamente, as bactérias podem não morrer com o tratamento e além de tido criar resistência ao medicamento, o que quer dizer que este antibiótico não fará mais efeito e você terá que tomar outro.

Evitar as relações sexuais com o seu parceiro que provavelmente também está infectado, mesmo se os dois estiverem realizando tratamento, evita a re-infecção.

Prevenção

Como a clamídia é uma bactéria que provoca DST, a prevenção desta infecção é feita essencialmente pela luta das doenças venéreas.

– educação sexual

– utilize preservativos em relações sexuais

– evite se relacionar sexualmente com muitos parceiros

– faça exames ginecológicos regularmente

– trate também o seu/sua parceiro/a

– não tenha relações sexuais caso seu parceiro apresente secreções anormais, queimação ao urinar ou erupções cutâneas ou ulceras genitais

– controle sistemático em relações sexuais com numerosos parceiros, mesmo na ausência de sintomas (devido ao possível caráter assintomático da doença).

– nas mulheres, evite duchas vaginais. A ducha diminui o número de bactérias boas na vagina, o que pode aumentar o risco de infecção.

Fontes & Referências:
Mayo Clinic

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Fotolia.com

Atualização:
Este artigo foi modificado em 20.04.2021

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Fontes de rodapé:

  1. Artigo da Mayo Clinic datado de 20 de fevereiro de 2020, site acessado pelo Criasaude.com.br em fevereiro 24 de 2021, o link estava funcionando nesta data
  2. Artigo da Mayo Clinic datado de 20 de fevereiro de 2020, site acessado pelo Criasaude.com.br em 24 de fevereiro de 2021, o link estava funcionando nessa data
Observação da redação: este artigo foi modificado em 20.04.2021

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