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Menopausa

Resumo da menopausa

A menopausa não é uma doença, mas um período da vida de uma mulher que surge em média aos 51 anos (com diferenças muito grandes entre as mulheres de países distintos). Ao nível fisiológico, existe a cessação da secreção de hormônios do ovário, incluindo estrogênios e de progesterona. Falamos em menopausa, quando a mulher não teve nenhum período menstrual por 12 meses consecutivos.

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Em algumas mulheres, os sintomas podem ocorrer devido a essas mudanças hormonais.

Os principais sintomas da menopausa são as famosas ondas de calor, mas também o ganho de peso (frequentemente na região abdominal), pele e vagina seca, osteoporose ou problemas psicológicos.

O tratamento da menopausa depende dos sintomas e se baseia em várias terapias. De um lado estão às terapias convencionais ou químicas e do outro os tratamentos mais alternativos, incluindo medicamentos à base de plantas.

Nos tratamentos convencionais incluem os hormônios de substituição (no entanto, atenção para as mulheres em situação de risco, leia nosso artigo de contra-indicações), bem como os antidepressivos, a gabapentina, tratamentos contra a osteoporose ou terapias locais como o estrogênio vaginal.

Do lado dos tratamentos naturais, há plantas medicinais que podem ter um efeito benéfico especialmente sobre as ondas de calor, como a cimicifuga ou sálvia. A soja é sempre menos recomendada na menopausa devido à falta de comprovação de eficácia e até mesmo indícios de ineficácia.

Além das ondas de calor, um grande problema da menopausa é o ganho de peso. A menopausa exige o controle do peso ou até  mesmo a perda de peso, seja sozinha ou com a ajuda de um médico ou nutricionista, de preferência. Uma recomendação interessante é evitar a ingestão de açúcar à noite, opte por frutas, legumes e proteínas.

A prática de esportes ou exercícios físicos é altamente recomendada para mulheres na pós-menopausa perder peso e ter uma melhor saúde cardiovascular (a gordura abdominal observada em muitas mulheres na pós-menopausa pode representar um importante risco cardiovascular). Para perder ou manter o peso, os médicos recomendam fazer pelo menos 30 minutos de exercícios a cada dia, por exemplo, caminhar rapidamente ou dançar.

Estudo interessante efetuado em 6’000 mulheres brasileiras na menopausa

Estudo realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, em mulheres com mais de 40 anos, durante 10 anos.

Aqui estão os dados e os resultados interessantes obtidos através desse estudo:

– mais da metade das mulheres estavam com sobrepeso ou obesas na idade da menopausa.

– dois terços das mulheres tinham sintomas vasomotores com as famosas ondas de calor

– em média, as brasileiras (segundo o estudo) têm a menopausa com 48 anos

– 81.5% das mulheres com menopausa sofrem com outras doenças crônicas como a hipertensão, diabetes, tumores (câncer) ou ainda problemas da tireóide.

– as ondas de calor, as palpitações e tristeza (depressão), são sintomas que aparecem mais em mulheres mais novas que acabam tendo a menopausa. Mas após vários anos de menopausa (pós-menopausa, segundo a terminologia), estes sintomas tendem naturalmente em diminuir.

– o ganho de peso durante a menopausa aumenta os sintomas como as ondas de calor e a depressão, assim como as dores articulares e/ou musculares.

Definição

A menopausa é caracterizada por uma interrupção fisiológica dos ciclos menstruais, devido à interrupção da secreção hormonal dos ovários (estrógenos e progesterona) e o encerramento da ovulação. Falamos em menopausa quando uma mulher não menstrua mais durante 12 meses consecutivos.

Idade da menopausa

Alguns livros americanos (da Mayo Clinic) relatam que os sintomas da menopausa podem surgir em mulheres com menos 40 e com mais de 55 anos. É importante distinguir a menopausa dos sintomas (ver em diagnóstico para mais informações), pois os sintomas da menopausa ou pré-menopausa podem se manifestar antes (ex: 12 meses consecutivos sem menstruação).

Resumindo, podemos dizer que a menopausa se desenvolve em duas etapas (conjunto chamado perimenopausa), ou seja:

– a pré-menopausa (que pode durar vários meses ou anos), com possíveis sintomas da menopausa.

– a menopausa (que dura entre 6 meses e 1 ano). O período que segue é a pós-menopausa (com possíveis sintomas da menopausa).

Antigamente, poucas mulheres viviam após a menopausa.

Epidemiologia

A Universidade de Pittsburgh, que realizou um levantamento sobre as ondas de calor em 2016 (leia mais em Sintomas, abaixo), estima que quase 80% das mulheres podem sofrer de ondas de calor, transpiração noturna ou ambos durante a menopausa.

Causas

A menopausa afeta todas as mulheres e é um processo hormonal natural. É uma interrupção fisiológica dos ciclos menstruais e é causada pela cessação da secreção de progesterona e de estrogênio pelos ovários. A menopausa marca o fim do período da menstruação e da fertilidade.

O ganho de peso muitas vezes observado na menopausa, devido à queda na concentração de estrogênio, provoca uma diminuição na massa muscular. Sabemos que há uma queima de calorias do músculo antes da gordura, portanto, há uma diminuição da massa muscular, isso requer uma redução na ingestão calórica diária.

Na menopausa é essencial comer alimentos com menor teor calórico, mudando alguns hábitos alimentares. É particularmente aconselhável consumir alimentos com baixo índice glicêmico.

Causas das ondas de calor
Novo fármaco promissor mata o câncer estimulando a produção de proteínas
– Em outubro de 2016, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e publicado na revista especializada Menopause, mostrou que as ondas de calor e também os episódios de transpiração noturna podem ser provenientes de variantes genéticas, 14 variações para ser mais preciso e todas localizadas no cromossomo no 4. Estas variantes afetam um receptor no cérebro que regula a liberação de estrogênio, o que causaria os sintomas vasomotores da menopausa (ondas de calor e transpiração noturna).
– Um estudo publicado em maio de 2017 mostrou que as mulheres que sofrem de obesidade (IMC superior a 30) sofreram mais com as ondas de calor na menopausa do que mulheres mais enxutas. Uma possível explicação para esses sintomas mais pronunciados em mulheres obesas é que o tecido adiposo atua como um forte isolante térmico. Esse isolamento torna a distribuição do calor mais difícil, o que faz com que as mulheres obesas sofram mais ondas de calor. Este estudo foi publicado em 29 de maio de 2017 no jornal científico americano Menopause.

Ler: 8 fatores que favorecem as ondas de calor

Sintomas

Em primeiro lugar, os sintomas da menopausa variam de uma mulher para outra, o que significa que algumas terão sintomas marcados e severos, enquanto outras terão somente sintomas leves, se houver.
Também deve ser sabido que a cirurgia que remove o útero e os ovários causa menopausa sem fase de transição (sem pré-menopausa). Neste caso, os sintomas geralmente são marcados com, em particular, ondas de calor significativas.

Também distinguimos os sintomas da pré-menopausa (1) e da menopausa (2).

1. Possíveis sintomas da pré-menopausa (antes e/ou após a menopausa)

– menstruações em geral irregulares (muito abundantes ou ao contrário, pouco abundantes), menstruações muito curtas com sangramentos possíveis entre as elas;

– distúrbios psíquicos: irritabilidade, ansiedade, tristeza;

– distúrbios físicos: seios doloridos, cefaléias, enxaquecas, aumento de peso, ondas de calor irregulares ou cistitesmais freqüentes;

– possíveis distúrbios idênticos aos da menopausa (ver abaixo);

2. Possíveis sintomas da menopausa

amenorréia (ausência de menstruações ou interrupção destas).

– ondas de calor (em inglês, hot flashes) e episódios noturnos de transpiração.
As ondas de calor ocorrem em particular após um distúrbio na secreção de hormônios catecolaminas. Mais informações sobre as causas em nosso arquivo completo sobre a menopausa

Principais sintomas das ondas de calor
As ondas de calor são intensas, especialmente no rosto, pescoço e no peito. A pele pode ficar vermelha. Como a febre, as ondas de calor também podem levar a calafrios com uma sensação de suores frios. A transpiração causada pelas ondas de calor às vezes são tão intensas que a cama fica ligeiramente molhada.

  • Um estudo americano realizado pela Wake Forest Baptist Medical Center na Carolina do Norte (EUA), em fevereiro 2015, mostrou que mais da metade das mulheres com menopausa sofrem por mais de 7 anos com os sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e os  episódios de transpiração noturna. Este é um estudo interessante, porque mostra a longa duração desses sintomas típicos da menopausa. O estudo publicado no JAMA Internal Medicine (versão online) também mostrou que as mulheres que entraram na menopausa precoce tendem a sofrer destes sintomas por longos períodos, cerca de 12 anos;
  • Um estudo realizado pela Universidade de Pittsburgh mostrou que as ondas de calor e também a transpiração noturna não se manifestam da mesma forma em todas as mulheres. Os pesquisadores confirmaram os resultados mencionados acima; as ondas de calor tendem a durar em média entre 7 e 10 anos após a última menstruação. Neste estudo foram incluídas cerca de 1.500 mulheres que estavam em média (mediana para ser preciso) entre 15 anos antes e durante a menopausa. Eles descobriram que havia diferenças significativas entre os grupos étnicos, pesos e outros hábitos de vida. Por exemplo, as mulheres obesas tiveram uma probabilidade maior do que a média de sofrer os sintomas de menopausa precocemente (por exemplo, antes de entrar na menopausa real). As mulheres que bebem álcool moderadamente ou frequentemente foram mais propensas a sofrer os sintomas da menopausa durante um período maior, incluindo ondas de calor. Este estudo foi publicado na edição de julho de 2016 da revista especializada Menopause: The Journal of the North American Menopause Society;

– sinais cutâneo-mucosos (alergias).

– atrofia dos órgãos genitais.

secura vaginal, pode acontecer dores e dificuldades durante o sexo.

– problemas urinários: cistites, infecções do trato urinário ou incontinência urinária mais frequente. A incontinência urinária durante a menopausa ocorre principalmente devido à perda de elasticidade nos tecidos da vagina e da uretra. Às vezes, uma simples tosse ou risada promove a incontinência urinária.

– distúrbios psíquicos: irritabilidade, ansiedade, tristeza e depressão.

– distúrbios físicos: seios doloridos, cefaléias, enxaquecas.

– aumento de risco cardiovascular (infarto).

– aumento de peso; e particularmente o aumento da gordura abdominal.

Ganho de peso durante a menopausa
Nos Estados Unidos estima-se que aos 50 anos de idade as mulheres ganham em média 0,5 kg por ano a partir do terceiro ano após o início da menopausa, caracterizado geralmente pelo aumento da gordura abdominal (muitas vezes há um aumento de gordura nas coxas). A diminuição da concentração de estrogênio neste período de vida da mulher explicam essas alterações. Em 2008, nos Estados Unidos 73,8% das mulheres com mais de 60 anos sofriam de obesidade abdominal (excesso de gordura abdominal). Isso representa um aumento no risco de desenvolvimento de diabetes e de doenças cardiovasculares (como o enfarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, etc.). Ler também embons conselhos menopausa sobre o risco de consumir excesso de açúcar à noite.

pele seca (diminuição das glândulas sebáceas); olhos secos;

osteoporose (em longo prazo). Para sua informação, esta doença não pode ser tratada (ver em tratamento) com um tratamento de substituição hormonal (TRH), no entanto, a tomada de bifosfotos pode ter um efeito positivo (melhora de 70% da calcificação e da densidade óssea).

– cabelos mais finos.

– distúrbios do sono.

diabetes tipo 2. Segundo um estudo publicado em julho de 2016 na revista especializada Menopause, as mulheres que entram na menopausa antes dos 46 anos (lembre-se que nos Estados Unidos a idade média da menopausa é 51 anos) foram 25% mais propensas a sofrer de diabetes tipo 2 em comparação com aquelas que entram na menopausa entre os 46 e 55 anos. As mulheres que entram na menopausa após os 55 anos foram 12% mais propensas a sofrer com esta forma de diabetes. O estudo foi conduzido pelo Dr. Erin LeBlanc da Kaiser Permanente dos Estados Unidos e incidiu sobre a análise de mais de 124.000 mulheres (provenientes da base de dados americana Women’s Health Initiative).

Nota sobre os sintomas psicológicos da menopausa
Clonazepam: entrevista com psiquiatra – são paulo – sp– Um estudo suíço publicado em 2016, que analisou 168 mulheres, mostrou que mulheres na pós-menopausa não sofrem mais de depressão e outras doenças mentais como ansiedade antes deste período da vida de uma mulher. Em outras palavras, a menopausa não teria impacto sobre a saúde psicológica da mulher. Duas instituições suíças, a Clínica Psiquiátrica da Universidade (PUK) e o ZHAW Zurique, realizaram o estudo publicado na revista World Psychiatry, em Junho de 2016.
Note-se que antes deste estudo suíço de 2016, outros estudos americanos tinham sugerido uma ligação entre a menopausa eo risco aumentado de depressão e outras doenças mentais, como ansiedade.

Diagnóstico

Apesar de não se tratar de uma doença, a menopausa pode ser “diagnosticada” pelo médico.

Falamos em menopausa quando uma mulher não menstrua por 12 meses consecutivos. Atenção, é possível ter os sintomas da menopausa muito antes da idade desta (a menopausa e os sintomas são coisas distintas). Algumas mulheres sentem os sintomas a partir dos 30 ou 40 anos (por ex. irregularidades na menstruação).

Em Junho de 2010, pesquisadores iranianos disponibilizaram umsimples teste sanguíneo que indica com precisão quando uma mulher iráantingir a menopausa. Este teste é baseado nas taxas do hormônio anti-Mülleriano (AMH), secretado pelos ovários e pode ser útil para muitas mulheres, que poderão planejar melhor as suas vidas (quando pretendem ter filhos…). Até o momento, não sabemos se e quando este teste será comercializado.

Para a identificação de mulheres na pré-menopausa, primeiro deve-se eliminar a existência de alguma lesão pré-cancerosa ou presença de câncer do endométrio, que podem se manifestar da mesma maneira.

Portanto exames adicionais são necessários para ter certeza de que é um estado de pré-menopausa com seus sintomas característicos (e não uma doença como o câncer).

Tratamentos

O objetivo principal dos tratamentos é aliviar e reduzir os sintomas da menopausa.

Terapia hormonal:
O médico pode prescrever terapia de reposição hormonal (TRH). No entanto, algumas mulheres em risco (por exemplo, com casos de câncer de mama na família) devem evitar aderir à TRH.
Estudo de 2017 sobre TRH
A TRH não aumenta o risco de morte prematura nas mulheres, seja por causas gerais ou especificamente por câncer ou doença cardíaca, de acordo com um estudo publicado em setembro de 2017. Estes resultados de longo prazo vieram do maior ensaio clínico sobre TRH já realizado. As mulheres que tomaram estrogênio por uma média de 7 anos ou uma combinação de estrogênio e progesterona por uma média de 5 anos não mostraram aumento no risco de mortalidade durante o acompanhamento (follow-up) que durou 18 anos, isso quando comparadas com as mulheres que receberam um placebo (medicamento inativo). Mais de 27 mil mulheres participaram deste estudo. Os pesquisadores apenas analisaram as mulheres que estavam sob TRHs contendo estrogênio ou progesterona em forma de comprimido (pill em inglês) e não em outras formas de dosagem, como gel, adesivos ou spray. Este estudo foi conduzido pelo Brigham and Women’s Hospital em Boston, nos Estados Unidos, e publicado em 12 de setembro de 2017 na revista científica Journal of the American Medical Association (DOI: 10.1001 / jama.2017.11217).
Leia também abaixo em Observações para obter mais informações sobre TRH.

Além dos TSH, existem remédios alternativos (leia em fitoterapia menopausa), além dos listados abaixo:

– antidepressivos leves, como a venlafaxina (Efexor). Este medicamento ajuda a reduzir as ondas de calor em 60% e pode ser comprado através de uma prescrição médica, no entanto, ele pode ter efeitos secundários (ex: náuseas, vertigens,…). Converse com o seu médico.

Em agosto de 2013, a paroxetina teve nos EUA, pelo FDA, sua indicação estendida a para o tratamento de ondas de calor. A dose recomendada é de 7,5mg na hora de dormir (fonte: Pharmavista.net, 10/08/2013). Dois estudos clínicos demonstraram a superioridade deste fármaco em comparação com o placebo.

– gabapentina (Neurotin). Este medicamento ajuda a acalmar as dores e pode ter um efeito positivo sobre as ondas de calor. Consulte o seu médico.

– tratamentos  para a osteoporose (ex: bifosfonatos)

– estrogênios vaginais (em forma de comprimidos, anel, creme vaginal,…) para combater a secura vaginal que pode perturbar as relações sexuais. Os estrogênios vão agir diretamente sobre a secura vaginal, converse com o seu médico a respeito. Além disso, para combatê-la, é possível utilizar também um gel lubrificante, que pode ser adquirido em farmácias sem necessidade de prescrição.

Nos casos com sintomas significantes de menopausa, a TRH continua sendo uma boa opção quando usada em baixas doses e por um período de tempo curto.

Somente o seu médico pode prescrever tratamentos apropriados à base de hormônios após ter verificado o conjunto dos riscos e benefícios.

Observações sobre os THS:

Quando se deve tomar hormônios de substituição (TRH)
– Os tratamentos de hormônios de substituição (ou TRH) na menopausa obtiveram novas recomendações durante o ano de 2004 (renovado por um estudo francês do Inserm, em 19 de novembro de 2005). Todavia, segundo uma nova pesquisa do Inserm (2005), os TRH não são todos idênticos, distinguimos também os TRH com estrógeno ou os TRH com combinações de estrógenos e progesterona micronizada (de estrutura idêntica à progesterona natural). Estes dois tratamentos (estrógeno único e hormônios micronizados) não apresentariam nenhum risco (ou menos risco) de provocar câncer de mama para as pacientes em relação aos tratamnetos com THS clássicos.
– Para os TRH clássicos (associação de estrógenos aos progestativos de síntese), os médicos recomendam tomar hormônios para a menopausa somente se a paciente sentir ondas de calor. Além disso, a paciente não precisa de contra-indicações (>> ver abaixo) e deveria ser sempre informada pelo médico dos prós e contras da prescrição hormonal de substituição (TRH), e a duração do tratamento não deveria passar de 3 anos. É também possível, com o acordo do seu médico, sondar uma alternativa natural à base de planta.
– Tal prudência na prescrição dos TRH ocorre devido ao aumento de 40% dos casos de câncer de mama sob tratamento TRH. 40% pode parecer muito, mas falamos de 5 entre 1000 mulheres com 55 anos que desenvolverão câncer de mama com ou sem TRH. Podemos falar de 7 mulheres, ou seja 2 a mais com TRH, o que é muito e pouco, por isso a dificuldade da decisão de tomar ou não um TRH em caso de sintomas graves da menopausa. Porém somente o seu médico poderá realmente lhe informar sobre este risco-benefício.
– A tomada de hormônios para combater a osteoporose não está comprovada, então para essa única indicação não é aconselhado tomar hormônios de substituição.

Uma vez tomada à decisão de utilizar a TRH, deve-se considerar o tipo de hormônio e a forma de administração.

O estrógeno está disponível em muitas formas: oral, transdérmico, gel e loção tópicos, creme e capsulas intravaginais e anéis vaginais. Em alguns países, o estrógeno pode ser administrado através de implantes subcutâneos.  Os estrógenos mais utilizado são os orais e os transdérmicos.

Estrógenos orais: tem um maior efeito sofre o fígado, aumenta a produção de alguns produtos hepáticos como algumas globulinas, triglicérides, colesterol HDL, fatores de coagulação, esses produtos são mininamentes aumentados nos transdérmicos.

Os estrógenos transdérmicos são utilizados quando os efeitos listados pelo oral não são desejáveis. O transdérmico pode diminuir a massa gorada e aumentar a massa magra do corpo.

Os diferentes tipos de estrógenos têm eficácia semelhante.

A adição de progesterona ao tratamento de TRH é recomendada para mulheres não histectomisadas, o que diminui a probabilidade de câncer endometrial. Mas para mulheres histectomisadas o uso de progesterona, não é recomendado.

O uso de testosterona em casos de perda de libido pode ser considerado, mas deve ser bem estudo, pois apresenta diversos efeitos colaterais.

Contra-indicações à tomada de hormônios de substituição

– Mulheres que não tomaram hormônios de substituição durante os cincos anos posteriores ao início da menopausa (por exemplo, se uma mulher de 60 anos que teve a menopausa aos 50 anos decide tomar um TRH, existe uma contra-indicação, pois faz mais de cinco anos, neste caso, dez anos, que ela não teve contato com hormônios, os seus ou os TRH);

– Tabaco, se a mulher for fumante;

Hipertensão;

– HDL: colesterol inferior a 0.9 mmol/l;

– Colesterol superior ou igual a 6.2mmol/l;

– Triglicérides superior ou igual a 2.2 mmol/l

lista não completa de todas as contra-indicações. Para uma informação completa queira ler a bula da embalagem do seu THS.

2. TRH e sono: nota interessante

Um estudo realizado pela instituição médica de referência americana Mayo Clinic descobriu que a terapia hormonal com baixa dose melhorou a qualidade do sono em mulheres na pós-menopausa. Neste estudo, cientistas americanos levaram em consideração 2 formas de terapia hormonal, uma preparação oral de estrogênio (estrogênio equino conjugado, em inglês: conjugated equine estrogen) e um adesivo (17 beta-estradiol), para conhecer sua utilização e o efeito na qualidade do sono. Um placebo também foi entregue aos participantes. Os cientistas descobriram que as mulheres que utilizaram terapia hormonal com baixa dose por mais de 4 anos, citadas acima, tiveram uma melhor qualidade de sono. A melhora no sono foi 2 vezes maior com terapia hormonal em comparação com o grupo placebo.

Este estudo foi publicado na revista científica Menopause: The Journal of the North American Menopause Society em 21 de agosto de 2017. É importante considerar, no entanto, que um estudo publicado em 2005 pela Universidade de Michigan chegou a uma conclusão diferente, acreditando que a terapia hormonal não teve impacto nos distúrbios do sono.

Fitoterapia

Os fitoterápicos mais conhecidos e eficazes contra os sintomas da menopausa são os que contêm os fitoestrógênos e uma das suasvantagens é que diminui o risco de câncer de mama, no entanto são mais fracos que o estrógeno humano.

Os fitoestrógenos são hormônios vegetais, substâncias esteróides que ocorrem naturalmente nas plantas, e que podem exercer efeitos similares aos dos hormônios femininos (estrógenos) no organismo da mulher. Inúmeros fitoestrógenos já foram descobertos, principalmente em grãos como a soja, linhaça e nozes, e em diversas plantas medicinais.

O mais potente dos fitoestrógenos são as isoflavoas, que podem ser encontradas na *soja, grão de bico e lentilhas. As lignanas, outro fitoestrógeno, são encontradas na linhaça, grãos, lentilhas, frutas e legumes.

* atenção: há alguns estudos que citam um efeito positivo do uso de isoflavonas da soja, já outros são mais críticos (um estudo de 2011 mostrou a ineficácia do uso da soja na menopausa), principalmente entre as mulheres diagnosticadas com câncer de mama, consulte o seu médico.

Em função dos sintomas da menopausa, diferentes plantas podem ser utilizadas.

A cimicifuga racemosa (Erva-de-São-Cristóvão) permanece, todavia a planta mais eficaz para tratar os distúrbios da menopausa, tendo um efeito global sobre os principais sintomas (ondas de calor,…).

Um estudo publicado em 21 de junho de 2016, na revista especializada JAMA, mostrou que a utilização de plantas medicinais como soja, cimicífuga, trevo vermelho, determinadas plantas da medicina tradicional chinesa ou moléculas provenientes de plantas como as isoflavonas que são fitoestrógenas estava associado a uma modesta diminuição na frequência de ondas de calor e de falta de lubrificação vaginal em mulheres na menopausa. Em contrapartida, o efeito dessas plantas ou remédios naturais na sudorese noturna era insignificante, segundo os pesquisadores.
Este trabalho de pesquisa realizado notadamente pela Erasmus University Medical Center, em Roterdã (Países Baixos), analisou mais de 60 pesquisas publicadas sobre este tema, totalizando mais de 6.00 mulheres.

Remédio caseiro

Dicas

Conselhos de como previnir os sintomas da menopausa

– Conversar com seu médico sobre alterações que você tenha percebido em relação ao seu ciclo menstrual, humor, dores, ele irá prescrever  a medicação correta, assim como solicitar exames, podendo inclusive prevenir doenças e sintomas posteriores.

Não fumar, controlar peso, a pressão arterial, níveis de colesterol no sangue, prevenindo assim as doenças cardiovasculares.

– Fazer exercícios físicos regularmente (caminhadas, musculação, pedalar bicicleta, etc.)

– Dieta balanceada, rica em cereais integrais, leite desnatado ou de soja, iogurte, queijo branco, frango, peixe, feijão de soja, tofu, linhaça, lentilha, frutas, grão de bico.

Um estudo publicado na revista Menopause em 2012, mostrou que as mulheres na pós-menopausa que consomem mais frutas, legumes e cereais, tiveram uma diminuição de peso e também notadamente uma diminuição das ondas de calor.

Conselhos em caso de ganho de peso e menopausa

No período da pré-menopausa e da menopausa o metabolismo da mulher muda. A massa gordurosa aumenta e os gastos energéticos são diferentes.

Para resumir e simplificar, a mulher terá tendência a ganhar peso também em caso de alimentação com muito açúcar.

É por isso que é recomendado não comer açúcar (açúcar rápido como o chocolate, refrigerantes) à noite, uma vez que nesse período há pouco gasto de energia. O ganho de peso por comer açúcar à noite ocorre, pois há estocagem e transformação de açúcar em gordura, além da ausência de gasto energético.

É, portanto, aconselhado reduzir o consumo de açúcar à noite, mas isso não significa que não se deve mais comer açúcar (necessários ao organismo), apenas que é melhor comer esse tipo de alimento no período da manhã. Em média, os especialistas estimam que se a alimentação for muito rica em açúcar, principalmente à noite, uma mulher ganhará 6 kg em um ano.

As mulheres ganham em média 0,5 kg por ano a partir dos 50 anos de idade, caracterizado principalmente por um rápido aumento na gordura abdominal, a partir do terceiro ano após o início da menopausa. As mesmas mudanças são observadas entre as mulheres de diferentes regiões do mundo.

Em 2008 nos Estados Unidos verificou-se que a obesidade abdominal afetava 65,5% das mulheres com idades entre 40-59 anos e 73,8% das mulheres com mais de 60 anos. O acúmulo de gordura abdominal acarreta num aumento no risco do desenvolvimento de diabetes e de doenças cardiovasculares, sendo esta a principal causa de morte das mulheres na pós-menopausa.

– Adote uma alimentação saudável, rica em frutas e procure comer regularmente ômega-3. Um bom equilíbrio alimentar permite regular melhor o peso. Coma mais frutas, legumes e grãos (ver acima)

– Pratique esportes ou exercícios físicos regularmente para limitar o ganho de peso.

– Evite consumir bebidas quentes (durante as ondas de calor), álcool ou pratos apimentados.

– Regule a temperatura do seu quarto, e se possível deixe o ambiente mais fresco.

– O consumo de 400 UI de vitamina E por dia ajuda a diminuir as ondas de calor da menopausa, mas cuidado para não consumí-la em excesso (consulte o seu médico ou farmacêutico).

– Faça controles periódicos da sua saúde. Estudos indicam que mais de 80% das mulheres com menopausa sofrem de outras doenças como diabetes, hipertensão e problemas da tireoide. Portanto, uma visita periódica ao médico é aconselhável.

Conselhos em caso de ondas de calor

Em caso de ondas de calor, você pode seguir alguns conselhos práticos:

– Evite o uso de certos tipos de roupas, como vestimentas muito quentes ou em material sintético, como os à base de nylon.

– Utilize compressas de gelo no corpo. Você pode também tomar uma ducha fria ou aplicar água fria. O objetivo é que o seu entorno seja o mais frio possível.

– Procure relaxar, não hesite em utilizar técnicas de relaxamento (como por regulação da respiração).

– Evite fumar (isso pode favorecer as ondas de calor)

– Pratique esportes ou exercícios físicos regularmente. Segundo estudos, as mulheres que praticam esportes com mais freqüência têm menos e mais curtas ondas de calor.

– Utilize eventualmente terapias à base de plantas, como medicamentos à base de cimicufuga racemosa (ação entre outras contra as ondas de calor).

Diabetes tipo 2 e a menopausa

– Se você entrar na menopausa antes dos  46 ou depois dos 55 anos (leia a seção acima de Causas para ter mais informações) o risco de diabetes tipo 2 aumenta. Para limitar este risco, inclua(incorpore?) a luta contra a obesidade e o sobrepeso, alimentação saudável e exercício físico regular. Estes são meios eficazes para prevenir o aparecimento de diabetes do tipo 2.

Fontes:
Mayo Clinic

Fotos:
Fotolia.com

Update:
21.02.2021

Ler: 10 dicas de como lidar com a menopausa – 8 fatores que favorecem as ondas de calor

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 21.02.2021

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