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Depressão

Resumo sobre depressão

Depressão resumoA depressão é uma doença muito comum, especialmente no mundo ocidental. O estresse e a solidão são provavelmente dois elementos importantes desta verdadeira epidemia global. Segundo a OMS, em 2030 poderá até mesmo ser a doença mais comum no mundo, na frente de certas doenças cardiovasculares. Atualmente, mais de 5% da população mundial é afetada pela depressão, mais mulheres do que homens.   
As causas da depressão são numerosas, como fatores externos (morte, solidão), causas genéticas, o consumo de substâncias como drogas, alimentação, estresse, outras doenças, etc . Ao nível fisiológico, a depressão é causada por um desequilíbrio hormonal no cérebro.

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Os pesquisadores avançam cada vez mais para uma causa inflamatória em alguns pacientes com depressão.

A depressão é caracterizada por um estado patológico com um humor triste e doloroso, associado a uma redução da atividade física e psicológica. Outros sintomas frequentemente associados são a insônia e a ansiedade.

É importante distinguir uma tristeza passageira após momentos difíceis da vida (morte, separação, desemprego) e uma depressão. Neste último caso, os sintomas de tristeza duram muitos meses ou mesmo anos e as razões são mais difíceis de identificar do que durante um momento de tristeza.

O diagnóstico de depressão é geralmente realizado por um clínico geral ou um psiquiatra. O clínico ou médico da família faz geralmente a prescrição de antidepressivos, enquanto o psiquiatra pode praticar psicoterapia e/ou uso de medicamentos contra a depressão. Por isso, algumas pessoas acreditam que a depressão deva ser tratada por um psiquiatra para uma terapia mais completa e eficaz.

A depressão é uma doença potencialmente muito grave, podendo levar ao suicídio. Por isso é muito importante que todas as pessoas que sofrem desta doença sejam acompanhadas por um médico. As pessoas do entorno também devem forçar qualquer pessoa com sintomas depressivos a procurar atendimento médico.

Resumo depressãoOs principais tratamentos para a depressão são medicamentos e psicoterapia.
Em se tratando de medicamentos, conhecidos como antidepressivos, os médicos têm muitas opções. Estes tratamentos são geralmente bem tolerados pelos pacientes e com efeitos comprovados cientificamente.
Provavelmente a classe mais utilizada de medicamentos são os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), como a fluoxetina, o citalopram e a paroxetina. Você pode encontrar mais informações na seção de tratamento da depressão

Existem também métodos alternativos para tratar esta doença como a mudança no estilo de vida (mais prática de exercícios) e fitoterapia, especialmente o hipérico. Atenção, o uso desta planta é reservado para casos de depressão leve a moderada.

Para prevenir e tratar a depressão existe várias dicas eficazes para complementar a terapia convencional, como fazer exercícios regularmente, tomar sol e lutar contra a solidão.

Notícias: 10 alimentos contra a depressãoDepressão, a privação de sono trata

Definição

 Depressão definiçãoA depressão ou depressão nervosa é um estado patológico com um humor triste edolorosoassociado à redução da atividade psicológica e física. A pessoa afetada pela depressão se sente impotente e a doença vem quase sempre acompanhada de outros sintomas, como a ansiedade ou a insônia (ver todos os sintomas).
A depressão pertence ao grupo de doenças do nosso tempo e segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde, em Genebra), ela está entre as três doenças que agravam cada vez mais a qualidade de vida das pessoas. Ressaltamos também que a depressão afeta duas vezes mais as mulheres do que os homens.

Antidepressivo

O primeiro antidepressivo, a iproniazida (um IMAO) surgiu na década de 1950, e foi colocado no mercado em 1958. Esta molécula foi originalmente destinada para a luta contra a tuberculose, mas uma “felicidade inapropriada” e euforia em pacientes que utilizaram este medicamento deram a ideia para os cientistas e médicos de utilizarem este medicamento para tratar a depressão. Para mais informações clique aqui (em Inglês)

Epidemiologia

– De acordo com a OMS, estima-se que 350 milhões de pessoas, cerca de 5% da população mundial, sofram de depressão a cada ano [fonte: OMS, dados de 2012].

– No Brasil, 12 milhões de brasileiros têm depressão e estima-se que 6% da população sofram de depressão. A doença representa quase um quarto dos atendimentos ambulatoriais e hospitalares em saúde mental no SUS (fonte: Ministério da Saúde, abril 2017).

– Nos Estados Unidos, estima-se que 7% da população sofram de depressão.

– Na França, estima-se que a depressão afeta cerca de 8% da população entre 15 e 75 anos, as mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens.

– Na Itália, um estudo publicado em outubro 2014 mostrou que cerca de 8% da população sofre de depressão. Em 10 anos (2004-2014) a taxa de depressão dobrou na Itália.

– No Japão, estima-se que 4,5% da população sofram de depressão.

Causas

Por trás da depressão se escondem causas muito diferentes.

Depressão causas– Causas externas: luto, estresse (incluindo estresse no trabalho, ver também Síndrome de Burnout), problemas profissionais ou privados, como divórcio, a solidão ou um rompimento amoroso que leva ao sofrimento. O risco de depressão aumenta em 20 vezes durante o ano seguinte a um rompimento amoroso, segundo o Dr. Leonie Koban da Universidade do Colorado, em Boulder, que se pronunciou em um comunicado à imprensa de um estudo científico publicado em abril de 2017.
Ler: Funcionários públicos: excesso de trabalho dobra o risco de depressão
– Causas hormonais: gravidez, menopausa, problemas na glândula tireoide.
– Problemas físicos ou doenças como acidente vascular cerebral, infecções, herpes.
– Fatores genéticos (hereditários).
– Falta de luz solar. Leia também Um pouco de luminoterapia enquanto aguardam ônibus no inverno sueco
– Idade avançada.

– Consumo excessivo de substâncias tóxicas como álcool, certos medicamentos e maconha (geralmente após o consumo em longo prazo).

– Um estudo publicado em 2009 mostrou que a depressão em adultos jovens pode ser causada por exposição excessiva à televisão e ao computador, e parece ser mais pronunciada nos homens do que nas mulheres.

– Má alimentação: um estudo espanhol de 2011 (janeiro) mostrou que o consumo de ácidos graxos trans e gorduras saturadas, presentes em frituras, aumentam o risco de depressão. Em contrapartida, o azeite e outros produtos que contenham gorduras insaturadas reduzem o risco desta doença mental.

– Inflamação. Alguns pesquisadores acreditam que a depressão pode ter, em alguns pacientes, uma origem inflamatória.Na realidade, os cientistas observaram que 40% dos pacientes psiquiátricos (incluindo depressão) tinham níveisexcessivos de moléculas típicas de uma reação inflamatória (por ex. citocinas, proteína C-reativa) no seu sangue.

– Efeitos colaterais de certos medicamentos, como contraceptivos hormonais, medicamentos para pressão arterial e coração, inibidores da bomba de prótons (IBPs) como o omeprazol, antiácidos e analgésicos.
De acordo com um estudo publicado em 12 de junho de 2018 na revista da Associação Médica Americana – Journal of the American Medical Association (DOI: 10.1001/jama.2018.6741) e realizado por pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago, mais de 200 medicamentos comumente utilizados tem como potencial efeitos colaterais depressão ou suicídio. Os resultados mostram que o uso concomitante de vários desses medicamentos, chamado de polifarmácia (polimedicação), está associado a uma maior probabilidade de depressão.

É por isso que os psiquiatras não hesitam em prescrever medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), tais como a aspirina ou celecoxib no tratamento da depressão. Leia mais em tratamento da depressão

Somente um médico pode fazer um diagnóstico preciso, com base na causa da depressão, e oferecer uma terapia eficaz, aconselhamos consultar um médico o mais rápido possível se você suspeitar de depressão.

Origem fisiológica da depressão

No nível fisiológico, a depressão é causada por um desequilíbrio hormonal no cérebro. Alguns cientistas acreditam que os neurotransmissores, tais como dopamina, serotonina  e noradrenalina podem ter um papel chave. Outros cientistas são mais cautelosos e expressam algumas dúvidas sobre os mecanismos e as origens bioquímicas da depressão, eles acreditam que a depressão é uma doença ainda pouco compreendida.

Grupos de risco

Pessoas que acabaram de perder um ente querido, pessoas estressadas no trabalho, dependentes de álcool ou drogas, etc. são mais suscetíveis em desenvolver uma depressão.

Sintomas

Depressão sintomasA depressão é difícil de ser reconhecida, uma vez que pode ser confundida com a melancolia ou tristeza passageira, que geralmente duram alguns dias.
A depressão é muitas vezes longa (semanas ou meses) e é frequentemente associada com a ansiedade. Além disso, muitas vezes é difícil para o médico fazer a distinção entre a depressão e a ansiedade.
Os distúrbios do sono e de dores são muitas vezes presentes em casos de depressão.

Em detalhe, os principais sintomas da depressão são:

– Sinais físicos: distúrbios do sono como a insônia, a pessoa deprimida acorda no meio da noite (das 00h às 04h da manhã) e o sono pode estar associado a sonhos angustiantes. Entre os vários sintomas físicos encontra-se a perda de apetite (que é caracterizada por perda de peso), distúrbios digestivos, perda de desejo sexual (libido), fadiga e perda de energia.

– Sinais psicológicos (alterações de humor): muitas vezes há uma constante sensação de falta de prazer (a pessoa sente uma perda de interesse na maioria das atividades da vida diária), tristeza, sensação de desespero e dificuldade em expressar os sentimentos. A ansiedade muitas vezes está presente.

Executar tarefas diárias se torna difícil e requer grande esforço.

Pode-se observar também um confinamento e mudança nas relações próximas.

– pensamentos negativos: os pensamentos negativos ocorrem repetidamente, por vezes associados a uma diminuição na percepção da realidade. Em alguns casos, podem ocorrer pensamentos suicidas.

A detecção precoce da doença (consulte um médico ou psicólogo o mais rápido possível) é altamente recomendada. Na verdade, muitas vezes o paciente deprimido é levado ao médico por sua família ou pessoas próximas, porque ele mesmo perdeu o senso crítico.

Você deve saber que existem diferentes formas de depressão e que a doença pode variar bastante, dependendo de cada caso: além da chamada depressão nervosa clássica, há também a depressão pós-parto (baby-blues), transtorno bipolar (maníaco-depressivo), depressão sazonal ou Desordem Afetiva Sazonal (DAS), síndrome pré-menstrual, cansaço vital, etc…

Depressão em idosos

A depressão em idosos deve ser descrita separadamente e com critérios de julgamento diferentes das outras formas de depressão.

Nos idosos, muitas vezes é difícil reconhecer a depressão, porque os sintomas são facilmente confundidos com o processo normal de envelhecimento e com certas doenças típicas da idade, como Parkinson e Alzheimer.

Você deve saber que na idade avançada, a atividade do cérebro diminui devido a uma diminuição no aporte de oxigênio, o que pode favorecer o desenvolvimento da depressão.

As pessoas mais velhas muitas vezes enfrentam situações difíceis e dolorosas como a perda de um ente querido, o início de doença física e a dificuldade de dar um sentido à vida. O isolamento social, a solidão e a falta de apoio dos membros da família também são fatores agravantes em nossas sociedades modernas cada vez mais ocidentais.

Diagnóstico

Um método interessante desenvolvido por uma equipe de médicos suíços em 2012, com base em um teste rápido que permite um clínico geral detectar a depressão por meio de duas perguntas simples: “No último mês, você sentiu-se muitas vezes triste, deprimido ou sem esperança? ” e “Você já sentiu a falta de interesse e de prazer na maioria das atividades que normalmente você gosta?”.

O teste é considerado positivo (a pessoa sofre de depressão), quando o paciente respondeu positivamente a, pelo menos, duas perguntas.

Segundo os médicos que desenvolveram este teste, estas duas perguntas podem detectar depressão maior em nove de cada dez casos.

Complicações

A depressão pode ser uma doença muito grave, e no pior caso ela pode levar ao suicídio. Por isso há a necessidade, para o paciente e seu entorno, de tratar essa doença o mais cedo possível.

Outras complicações da depressão podem ser:

– acréscimo do risco de sofrer doenças cardíacas;

– dores de cabeça e dores em geral;

– distúrbios do sono (insônia, dificuldade para adormecer,…);

– dificuldades na vida sexual

Tratamentos

Para tratar a depressão, o médico pode utilizar medicamentos (antidepressivos) e tratamentos psicológicos focados na palavra: psicoterapia e psicanálise, bem como tratamentos novos e originais (privação de sono, dieta, prática de esportes, impulsos elétricos e magnéticos).

O médico (geralmente um psiquiatra) pode associar diferentes tratamentos, como terapia medicamentosa e psicoterapia. Você deve saber que o uso de medicamentos combinado à psicoterapia fornece os melhores resultados para a depressão (estudo com jovens norte-americanos revelou uma taxa de sucesso de 85% utilizando estas duas terapias combinadas, em comparação aos 69 e 64% de sucesso, respectivamente, utilizando antidepressivos ou psicoterapia).

Estima-se que 60 a 80% dos pacientes podem alcançar a cura da depressão e de seus sintomas com os tratamentos atuais.

Antidepressivos

Depressão tratamento Aqui iremos detalhar os possíveis tratamentos para a depressão (estritamente sob prescrição médica, somente o seu médico pode prescrever estes medicamentos, com exceção do hipérico ou erva-de-são-joão, que é de venda livre). Esta classe de medicamentos é geralmente dividida nos seguintes tipos de antidepressivos:
Tricíclicos, por exemplo, a amitriptilina, clomipramina e doxepina. Estas moléculas ou medicamentos são relativamente eficazes, mas cuidado com os efeitos colaterais como boca e olhos secos, constipação, ganho de peso, sonolência, etc.
IMAO (inibidores da Mono Amino Oxidase). As moléculas desta classe são, por exemplo, iproniazida (primeiro antidepressivo no mercado), fenelzina e selegilina (IMAO tipo B, utilizado, sobretudo na doença de Parkinson). O médico deve escolher de preferência IMAO qualificado como reversível (existem 2 tipos de IMAO, os reversíveis e os irreversíveis).

Estas moléculas ou medicamentos são relativamente eficazes, mas cuidado com os efeitos colaterais como: ganho de peso, sonolência, ansiedade, etc.

Serotoninérgicos ou inibidores seletivos da recaptura de serotonina (ISRSs): tais como citalopram,fluoxetina, sertralina e paroxetina. São medicamentos eficazes e muito prescritos para o tratamento da depressão. Esta classe de medicamentos pode levar a efeitos colaterais como: insônia, náuseas e disfunção erétil em homens.

– Nova geração de antidepressivos: estes novos medicamentos possuem menos efeitos colaterais e ação rápida, também são conhecidos como antidepressivos atípicos. Nesta classe podemos encontrar a venlafaxina, duloxetina, bupropiona, etc.

A venlafaxina e a duloxetina pertencem à classe de medicamentos dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e norepinefrina (em inglês: SNRIs).
A bupropiona pertence aos inibidores seletivos da recaptação de norepinefrina e dopamina (em inglês: NDRIs ). Ela é um dos poucos antidepressivos que não afetam a sexualidade.
Os medicamentos atípicos, que são difíceis de classificar, são a trazodona, a mirtazapina ou a  vilazodona.

Os efeitos colaterais variam de acordo com cada molécula, por favor, leia a bula e consulte o seu médico ou farmacêutico.

Hipérico (também conhecido como erva-de-são-joão): planta medicinal útil para depressão leve a moderada. Para mais informações sobre o hipérico, clique aqui.

Notas importantes sobre antidepressivos

– A maioria dos antidepressivos não faz efeito imediatamente. Estes medicamentos requerem geralmente vários dias (10 a 20 dias) para o efeito se instaurar. Portanto, fique paciente e pergunte ao seu médico ou farmacêutico se os efeitos são muito perceptíveis ou não.
No entanto, há diferenças importantes entre as os medicamentos, por favor, leia a bula e consulte um especialista.

– Em cerca de 20% a 40% dos pacientes, o tratamento convencional (medicamentos e psicoterapia) não tem qualquer efeito. Nestes casos, o médico irá procurar tratamentos mais originais (pulso elétrico ou magnético) e psicoterapia.

– Pesquisadores alemães mostraram que cada pessoa reage de forma diferente aos antidepressivos, pelo menos com aqueles que foram testados (citalopram e amitriptilina). Esta diferença é devido a uma diferença na expressão genética.

Ler: Os americanos cada vez mais viciados em antidepressivos

– Um relatório divulgado em 15 de agosto de 2017 pelos U.S. Centers for Disease Control and Prevention mostrou que o número de americanos que alegaram ter usado um antidepressivo no mês anterior aumentou 65% entre 1999 e 2014. Em 2014, cerca de 1 em cada 8 americanos maiores de 12 anos relataram o uso recente de um antidepressivo. As mulheres tinham cerca de 2 vezes mais chances de tomar um antidepressivo que os homens, com 16,5% das mulheres tomando esse tipo de medicamento em comparação com 9% dos homens.

– Taxa de mortalidade dos antidepressivos
Um estudo canadense publicado em setembro de 2017 mostrou que tomar antidepressivos durante um longo período de tempo aumenta a taxa de mortalidade. A maioria dos antidepressivos é conhecida por bloquear a reabsorção de serotonina pelos neurônios. É importante saber que a maioria dos órgãos (coração, rim, fígado, pulmões) usam serotonina proveniente da corrente sanguínea. O problema é que os antidepressivos também bloqueiam a absorção de serotonina nesses órgãos. Os pesquisadores alertam que os antidepressivos podem aumentar o risco de morte ao impedir que os órgãos funcionem adequadamente. Pesquisadores da Universidade McMaster do Canadá revisaram (review em inglês) estudos que continham centenas de milhares de pessoas. Eles descobriram que aqueles que tomaram antidepressivos tiveram um risco 33% maior de morte do que aqueles que não tomaram esses medicamentos. Aqueles que tomaram antidepressivos também apresentaram 14% mais risco de ter eventos cardiovasculares como acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio. No entanto, os pesquisadores descobriram que, para pessoas com doenças cardíacas ou diabetes, os antidepressivos não aumentaram a taxa de mortalidade. Isso faz sentido porque os antidepressivos têm efeitos de fluidificação (do sangue) que são úteis no tratamento dessas doenças. Este estudo foi publicado em 14 de setembro de 2017 na revista científica Psychotherapy and Psychosomatics.

– Uma alternativa ao uso de antidepressivos químicos (medicamentos) é a privação do sono (em inglês: sleep deprivation). Este método permite uma resposta rápida com uma melhora nos sintomas de depressão, muitas vezes, em até 24 horas.

Cetamina, tratamento alternativo contra a depressão

– A cetamina, é basicamente uma molécula utilizada como anestésico geral, também pode ser utilizada contra a depressão. O psiquiatra americano Dr. Carlos Zarate teve experiências positivas com esta molécula na lutar contra a depressão. A cetamina afeta a regulação do neurotransmissor glutamato.
– Em 2017, uma equipe do Departamento de Farmácia da Universidade da Califórnia, em San Diego, analisou uma série de relatórios do FDA (FDA Adverse Effect Reporting System) de pacientes que sofriam de sintomas de depressão e tomavam cetamina para controlar dor.
– Os cientistas californianos descobriram que a depressão era 2 vezes menos comum entre os 41.000 pacientes que tomavam cetamina, em comparação com pacientes que tomavam outro medicamento ou um conjunto de medicamentos para controlar a dor.
Conforme relatado pelos pesquisadores de San Diego em um comunicado à  imprensa de maio de 2017, a cetamina é uma molécula bastante barata. Este estudo foi publicado em 3 de maio de 2017 na revista científica Scientific Reports.
– Um estudo australiano publicado em junho de 2017 na revista científica American Journal of Geriatric Psychiatry (Revista Americana de Psiquiatria Geriátrica) mostrou que a cetamina é eficaz em pessoas deprimidas com 60 anos ou mais que não responderam a outros tipos de tratamento para depressão. O estudo incluiu 16 participantes, 14 completaram o procedimento. Destes 14 participantes, os pesquisadores observaram que 7 estavam em remissão após o tratamento com cetamina e 5 com doses de cetamina inferiores a 0,5mg/kg. Este foi um estudo duplo-cego, controlado, de múltiplo cruzamento com acompanhamento de 6 meses.
Cetamina e diminuição dos pensamentos suicidas
Um estudo publicado online em 5 de dezembro de 2017, na revista científica American Journal of Psychiatry (DOI: 10.1176/appi.ajp.2017.17060647), mostrou que a cetamina pode reduzir pensamentos suicidas. Os antidepressivos convencionais também podem reduzir pensamentos suicidas, mas geralmente levam várias semanas para agir, por isso a cetamina parece ser uma alternativa interessante. Este estudo realizado pelo Columbia University Medical Center de Nova York mostrou que a cetamina foi significativamente mais eficaz na redução de pensamentos suicidas em pacientes deprimidos do que um sedativo comumente prescrito, o midazolam. Os pesquisadores americanos também descobriram que o efeito anti-suicídio da cetamina aparece apenas algumas horas após a sua administração (em injeção).

Tratamento da depressão à base de anti-inflamatórios

Como indicado em causas, a depressão pode ter uma origem inflamatória em cerca de 40% dos pacientes. Somente aqueles que apresentarem quantidade anormal de moléculas inflamatórias (citocinas, proteína C-reativa) no sanguepodem ter proveito do efeito anti-inflamatório de alguns medicamentos. Em outras palavras, em pacientes que não têmmoléculas inflamatórias em excesso no sangue, um tratamento anti-inflamatório é ineficaz.

Os tratamentos usados na depressão, em indivíduos com um perfil inflamatório, são à base de anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) como aspirina e celecoxib. Em alguns casos, os médicos têm observado que após alguns dias de tratamento com AINEs, os sintomas depressivos reduzem significativamente.

Privação de sono durante a depressão
A privação do sono (em inglês: sleep deprivation) pode revelar-se um método eficaz, pelo menos, para alguns pacientes. A privação do sono pode ser parcial (dormir 3 a 4 horas, seguido de um despertar forçado de 20 a 21 horas) ou total (privação de sono por 36 horas). De fato, uma meta-análise (revisão de estudos) publicada em 2017 mostrou que a privação de sono parcial ou total reduziu rapidamente os sintomas de depressão em aproximadamente 50% dos pacientes com a doença. Este estudo foi realizado por pesquisadores da Perelman School of Medicine da Universidade da Pensilvânia (University of Pennsylvania) nos Estados Unidos. A vantagem da privação do sono em relação aos antidepressivos é a sua velocidade, uma vez que os antidepressivos (químicos) muitas vezes levam semanas para serem efetivos, enquanto a privação do sono leva a efeitos nos sintomas de depressão frequentemente em menos de 24 horas.
Para chegar a essas conclusões, pesquisadores americanos analisaram 66 estudos publicados ao longo de um período de 36 anos (foram incluídos estudos posteriores ao ano de 1974). Este estudo foi publicado em 19 de setembro de 2017 na revista Journal of Clinical Psychiatry (DOI: 10.4088 / JCP.16r11332).

Nota sobre o tratamento da Desordem Afetiva Sazonal (DAS)

Para tratar a DAS um dos melhores tratamentos é a luminoterapia.

Fitoterapia (plantas medicinais)

Depressão fitoterapia– Utiliza-se muitas vezes a erva-de-São-João (hipérico), uma planta medicinal eficaz no tratamento de casos de depressão leve a moderada.
Atenção, o hipérico pode interagir com muitos medicamentos, fale com o seu médico ou farmacêutico. Leia também: Um estudo aponta o alto risco de interações com a erva-de-São-João (2014)
– Estudos também têm demonstrado um efeito positivo da erva-cidreira (melissa) e da genciana (foto) contra a depressão leve a moderada.

A ingestão de ómega-3 pode ter um efeito positivo sobre a depressão. O fato de agirem como anti-inflamatório talvez explique a sua eficácia. Leia sobre as Causas e os Tratamentos para entender melhor a relação entre a inflamação e depressão

– O mulungu: planta medicinal com efeito ansiolítico e antidepressivo.

Depressão e magnésio (estudo)
Um estudo publicado em junho 2017 mostrou que o magnésio consumido na forma de suplemento alimentar em comprimido foi tão eficaz no tratamento da depressão leve à moderada quanto os antidepressivos clássicos muitas vezes utilizados, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) tais como o citalopram ou a fluoxetina. Neste estudo clínico randomizado, uma parcela dos 126 pacientes com depressão leve à moderada recebeu 248 mg de magnésio elementar (500 mg de cloreto de magnésio) diariamente durante um período de 6 semanas ou nenhum tratamento. Os pesquisadores descobriram que em 112 dos participantes com dados utilizáveis, o consumo de cloreto de magnésio durante 6 semanas levou a uma melhora clínica significativa na medição dos sintomas de depressão e ansiedade. Outro resultado interessante deste estudo foi que o efeito antidepressivo do magnésio apareceu rapidamente, já após 2 semanas de tratamento e sem causar efeitos colaterais significativos. Este estudo foi conduzido por uma equipe da Universidade de Vermont nos Estados Unidos e publicado na revista especializada PLoS One em 28 de junho de 2017. Ler mais

Leia também: ômega-3

Dicas

Primeiramente a depressão é uma doença crônica grave que requer cuidado médico. Utilizam-se geralmente medicamentos e/ou psicoterapia. Os conselhos a seguir podem complementar o tratamento e ajudar a prevenir a doença.

– Em caso de depressão leve a moderada, pense em utilizar terapias à base de plantas (hipérico, etc.).

– Procure encontrar pequenos prazeres que lhe deixarão mais feliz com a sua vida (esporte, encontro com os amigos, hobbies, jardinagem, família, etc.) e pense também em sua alma (religião, filosofia) para encontrar um equilíbrio entre prazer e problemas existenciais.

– Pratique esportes ou exercícios regulares, além de serem bons para a saúde em geral, agem em diversas condições como na doença cardiovascular; a atividade física contribui para a liberação de endorfinas (hormônios produzidos pelo cérebro, próximo da família dos opiáceos). Estas moléculas favorecem certa euforia e agem contra os sintomas depressivos. Prefira uma atividade física que você goste, seja ela caminhada, corrida, natação, etc.

– Tenha boas noites de sono, uma chave para melhorar os sintomas da depressão. No entanto, em alguns casos graves dedepressão ou resistência a tratamentos convencionais, a privação do sono pode ter o efeito oposto e melhorar os sintomas.

– Procure ter projetos, trace objetivos. Mais cuidado para não estabelecer metas muito ambiciosas.

– Não hesite em pedir ajuda em caso de suspeita de depressão, especialmente a um médico.

Você deve imaginar o depressivo como no fundo de um buraco sem quase nenhuma chance de sair por conta própria eque deve pedir ajuda.

É importante falar sobre os seus problemas com alguém em que você confia, seja um médico, um amigo, um membro da família, um líder religioso (pastor, padre), etc.

– Não hesite em se expor ao sol (com moderação e colocando protetor solar). Sabemos que a luz desempenha um papel importante.

– De acordo com um estudo publicado em outubro de 2013, as pessoas deprimidas podem melhorar seu humor pela privação do sono. De acordo com este estudo, com a privação de sono controlada, a maioria dos pacientes é acordada na segunda metade da noite e precisam ficar acordados até a noite seguinte, explica a Universidade de Zurique, na Suíça, que conduziu o estudo. O processo é repetido três ou quatro vezes. Seguindo este protocolo, 40 a 60% dos pacientes deprimidos têm uma melhora imediata no humor. Na maioria dos casos, no entanto, o efeito positivo dura apenas cerca de três dias.

– Tente socializar com as pessoas positivas, se possível, que entendem sua doença. Evite encontrar-se com pessoaspessimistas e que te fizeram mal. Você também pode tentar ajudar os outros, uma boa maneira de se socializar.

– Evite usar álcool e drogas. Essas substâncias podem agravar os sintomas de depressão.

– Utilize algumas técnicas de relaxamento como massagens. Elas são especialmente recomendadas para o tratamento deestresse e ansiedade.

Prevenção

– A prática regular de esportes ou exercícios físicos (veja também em Dicas acima), mesmo uma hora por semana já pode ter um efeito benéfico, conforme demonstrado por um estudo publicado em 2017 (leia abaixo).
Influência do exercício físico (estudo) 
Um estudo publicado em 2017 mostrou que praticar exercício físico somente 1 hora por semana já ajuda a prevenir a depressão. Este estudo, o maior realizado sobre este tema, focou na análise de 33.908 adultos noruegueses em relação a seus níveis de exercício, os sintomas de depressão e ansiedade que foram medidos ao longo de um período de 11 anos. Os pesquisadores descobriram que 12% dos casos de depressão poderiam ter sido evitados se as pessoas praticassem uma hora de atividade física por semana. No entanto, esta pesquisa não mostrou um efeito benéfico da prática de 1 a 2 horas de exercício por semana para evitar a ansiedade. Este estudo foi conduzido pelo Prof. Samuel Harvey, que trabalha em duas instituições australianas, o Black Dog Institute e a University of  New South Wales na Austrália. Este estudo foi publicado em 3 de outubro de 2017 na revista científica American Journal of Psychiatry (DOI: 10.1176 / appi.ajp.2017.16111223).

– De acordo com estudos, a solidão favorece o desenvolvimento da depressão. O homem é um ser social que precisa de companhia. Se você é sozinho, por que não imaginar viver com a família ou com amigos?

– Tente reduzir o stress da vida cotidiana, pois se trata de um fator de risco importante. Uma possível fonte de inflamação no corpo (leia em causas e tratamentos e origem inflamatória de alguns casos de depressão)

– Tente dormir o suficiente, uma boa noite de sono pode ser um meio de prevenção.

– De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Las Palmas, nas Ilhas Canárias (Espanha), com cerca de 15.000 pessoas, o risco de sofrer de depressão seria reduzido em 30% na dieta mediterrânica. Este estudo foi publicado 17 setembro de 2015 na revista BMC Medicine.

A dieta mediterrânea, às vezes chamada de dieta de Creta, é uma prática baseada no consumo de alimentos naturais, e é a base alimentar de muitos povos em torno do Mediterrâneo como os gregos, italianos, franceses, espanhóis, marroquinos, libaneses, etc. Este esquema é baseado no consumo regular e elevado de frutas, legumes, grãos, peixes e gorduras poli-insaturadas, encontradas em especial no azeite de oliva, além de um baixo consumo de carne, ovos, produtos lácteos, doces e alimentos industrializados. O azeite é a fonte de gordura principal. O álcool é geralmente consumido em quantidades moderadas, sendo o vinho muitas vezes a bebida de escolha.

Como agir em relação a aqueles que sofrem de depressão?

– É importante não culpar o doente, devemos reconhecer a doença e não a pessoa que sofre (como você faria, por exemplo, com uma pessoa com diabetes ou hipercolesterolemia)

– Tenha cuidado ao dar conselhos e recomendações, deve-se evitar fazer “sermões”, pois pode agravar a depressão e levar o paciente a sentir-se incompreendido. Lembre-se que a pessoa está sofrendo e ela quer se curar. O “deve” e o “tem que” não são úteis em geral.

– Encontre o equilíbrio entre estar disposto a ouvir atentamente e mostrar compreensão, mas evite fazer muito pelo o paciente, pois este também pode fazê-lo, especialmente no final de sua doença, ao se reinserir na sociedade, por vezes hostil e com pouca tolerância a doenças psíquicas.

– Não “apressá-lo” muito. Por exemplo, convidá-lo para um período de férias pode ser mais estressante do que ficar em casa, no seu ambiente habitual. Lembre-se que um paciente deprimido muitas vezes sofre de ansiedade.

– Não tenha medo de falar abertamente sobre o suicídio, se a pessoa deprimida o quiser. O pensamento suicida é um dos sintomas da depressão, e a conversa só pode fazer bem para a pessoa, que pode se sentir aliviada. No entanto, pergunte a um médico sobre como abordar adequadamente esta questão.

Ler também: 10 alimentos contra a depressão

Fontes:
Mayo Clinic, Psychotherapy and Psychosomatics, Journal of Clinical Psychiatry (DOI: 10.4088 / JCP.16r11332), American Journal of Psychiatry (DOI: 10.1176/appi.ajp.2017.17060647), Journal of the American Medical Association (DOI: 10.1001/jama.2018.6741)

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Fotolia.com/Adobe Stock

Atualização:
18.11.2019

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 18.11.2019

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