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Enxaqueca

Resumo sobre enxaqueca

Resumo sobre enxaquecaA enxaqueca é uma doença caracterizada por fortes e repetidas dores de cabeça. Ela pode ser ou não acompanhada por aura e é dividida em diversos tipos. Cerca de 20% da população sofre com a doença, sendo que o número de mulheres é maior que o de homens. No Brasil, esse índice chega a 15,2% e a região Sudeste apresenta o maior número de casos.
As causas ainda não são totalmente conhecidas, entretanto, acredita-se que fatores genéticos e causas externas (como alterações hormonais e no sono, consumo de certos alimentos, etc), desencadeiem a doença.

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Grupos de risco da doença incluem mulheres, gestantes, pessoas abaixo de 40 anos e pessoas com histórico familiar de enxaqueca. Os sintomas incluem fortes dores de cabeça, sensibilidade à luz, náuseas e vômitos, podendo ou não ser precedidos por aura. Exames diagnósticos incluem a tomografia computadorizada, ressonância magnética e punção lombar. Algumas complicações são provenientes do uso dos medicamentos para controle da dor.

Os tratamentos para enxaqueca atuais podem ser com analgésicos, triptanos orais, ergotamina ou opióides. Medicamentos preventivos incluem antidepressivos, anti-epilépticos e betabloqueadores.

Resumo enxaquecaPlantas medicinais como a matricária, camomila e hortelã podem auxiliar no tratamento, bem como produtos homeopáticos, tais como Iris versicolor, Thea e Sanguinária.
Para o paciente com enxaqueca, é importante que ele saiba quais os fatores que desencadeiam as crises para que possa evitá-los. Manter um diário das dores de cabeça ajuda a estabelecer critérios de prevenção. Outras dicas incluem a prática de esportes, evitar o consumo de certos medicamentos e alimentos e controlar flutuações hormonais.

Definição

A enxaqueca é uma doença caracterizada por acessos repetitivos de dores de cabeça que em geral são muito violentas e pulsáteis. Na maioria dos casos ela é acompanhada de outros sintomas como náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz.

Alguns tipos de enxaqueca são precedidos de sintomas sensoriais que alertam que a pessoa terá uma dor de cabeça. Esses sinais são conhecidos como aura.

Há diversos tipos de enxaqueca, cada qual variando com relação aos sintomas. Alguns exemplos são:

– Enxaqueca menstrual (ou catamenial);

– Enxaqueca com ou sem aura;

– Enxaqueca oftalmoplégica: quando associada a paralisia do 3º, 4º ou 6º nervos cranianos;

– Enxaqueca hemiplégica familiar: quando há fraqueza motora durante a aura;

– Enxaqueca retiniana: com perda momentânea da visão;

– Enxaqueca transformada: também conhecida como Cefaléia Crônica Diária e pode acontecer diariamente ou quase todos os dias (mais de 5 vezes na semana);

– Status enxaquecoso: crises de enxaqueca de longa duração, que pode durar de 4 a 72 horas e é também chamada de enxaqueca crônica.

Epidemiologia

– A enxaqueca pode atingir adultos e crianças de ambos os sexos. Dados mostram que dos 20% da população mundial que tem a doença, cerca de 6% são homens e 14% são mulheres. Alguns números mostram que a incidência é 3-4 vezes maior nas mulheres que nos homens. Em crianças até 12 anos, a incidência de enxaqueca é igual em meninos e meninas.

– Nos Estados Unidos, cerca de 36 milhões de americanos sofrem de enxaqueca, de acordo com o Wall Street Journal de 30 de novembro de 2017.
De acordo com um artigo de 2018 da revista Prevention, 2 a 3 milhões de americanos sofrem de enxaqueca crônica. Pessoas com enxaqueca crônica sofrem por pelo menos 15 dias com uma crise de enxaqueca e suas consequências a cada mês.

– Do total de pacientes que apresentam enxaqueca, uma parcela de 15-20% apresenta sintomas com aura. Os sintomas da enxaqueca são mais frequentes em pacientes abaixo dos 40 anos de idade, sendo que a incidência maior ocorre entre os 30-39 anos.

– Um estudo realizado no Brasil durante 1 ano pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 3848 pessoas entre 18 e 79 anos de idade apontou que a prevalência geral de enxaqueca na população é de 15,2%. Segundo um estudo realizado, a região com mais casos de enxaqueca no país é a Sudeste, com 20,5% de prevalência, seguida pela região Sul, com 16,4%, Nordeste com 13,6%, Centro-Oeste com 9,5% e Norte com 8,5%. Outro dado interessante desse estudo é que indivíduos que não praticam esportes ou atividades físicas regulares têm 43% mais chances de terem enxaqueca quando comparados aos que praticam.

Causas

Uma das causas da enxaqueca é a constituição genética de cada indivíduo. Primeiramente existe uma pré-disposção genética em aproximadamente 70% dos casos.

Influência genética: 
Vários estudos mostraram a influência dos genes no desenvolvimento da enxaqueca. Um estudo finlandês publicado em 3 de maio de 2018 na revista científica Neuron (DOI: 10.1016 / j.neuron.2018.04.014) levou em conta mais de 1.500 famílias e 8.300 pessoas finlandesas que sofrem de enxaqueca. Comparando esta coorte de famílias com outra coorte geral de 15.000 participantes (chamada FINRISK), incluindo 1.100 pessoas com enxaqueca, os pesquisadores observaram um aumento geral no escore de risco genético em casos de enxaqueca familiar em comparação com enxaqueca da população geral. Em outras palavras, a influência genética ou hereditária é óbvia. Neste estudo, os cientistas também descobriram que a enxaqueca hemiplégica foi causada principalmente por variações genéticas, provavelmente causadas por variantes patogênicas raras em três genes diferentes.

No entanto, outros fatores (em 30% dos casos) externos ou não genéticos também podem desencadear as enxaquecas. Esses diferentes fatores podem ser:

– o estresse físico e psicológico

– a falta de sono (insônia)

– a desidratação (falta de água). Nesse caso, recomenda-se beber pelo menos 2 litros de água por dia

– as variações climáticas, devido à pressão do ar (em cerca de 50% dos casos)

– flutuações hormonais nas mulheres, principalmente nos níveis de estrógeno. Dessa forma, muitas mulheres reportam enxaqueca durante o período menstrual ou durante a gravidez. O uso de medicamentos anticoncepcionais também podem desencadear os sintomas, entretanto, em alguns casos, seu uso pode ser benéfico

– uso de medicamentos para reposição hormonal durante a menopausa. Um recente estudo feito pela Nashville Neuroscience Group revelou que dos hormônios utilizados, o estrógeno parece ser o maior vilão

– o consumo de álcool

– tabagismo (ato de fumar)

– mudança no padrão de sono, como dormir demais ou não conseguir dormir

– fatores físicos, como práticas físicas extenuantes

– uso de determinados medicamentos

– a depressão (existe um debate controverso entre os médicos e cientistas que acreditam que a depressão pode provocar enxaquecas e os que creem o contrário: que é a enxaqueca que pode favorecer o desenvolvimento da depressão, devido às dificuldades quase que psíquicas resultantes desta. No entanto, está comprovado que de fato existe uma relação entre as duas doenças)

Além dos fatores citados acima, a alimentação desempenha um fator muito importante nas causas da enxaqueca. Os alimentos que podem desencadear a doença são:

Causas enxaqueca

Os alimentos ricos em sal e industrializados, bem como aqueles que contêm adoçantes e conservantes também podem aumentar o risco de enxaqueca

A lista de alimentos que podem causar enxaqueca é grande, mas ela varia de pessoa para pessoa.

É importante ressaltar que a enxaqueca ocorre devido a uma combinação de fatores genéticos e causas externas.

Observação interessante:
Um estudo efetuado na Inglaterra em 2010 mostrou que as sinapses das pessoas que sofriam de enxaqueca apresentavam uma hiperexcitabilidade aos neurotransmissores, portanto novos medicamentos poderiam bloquear esses neurotransmissores, e no futuro melhorar a terapia da enxaqueca.

Grupos de risco

Alguns grupos de risco apresentam maior incidência de desenvolverem enxaqueca, dentre eles:

– Pacientes com histórico familiar de enxaqueca;

– Pessoas com menos de 40 anos de idade;

– Mulheres;

– Pacientes que apresentem variações hormonais, como grávidas;

– Mulheres que fazem tratamento de reposição hormonal para menopausa.

É importante lembrar que esses grupos de risco apresentam maior predisposição à doença, mas não necessariamente irão desenvolvê-la.

Sintomas

Os sintomas da enxaqueca mais típicos são:

– violentas dores de cabeça (que praticamente incapacitam o doente)

– náuseas com ou sem vômito

– fotofobia (sensibilidade à luz) e sensibilidade ao som

– dor que piora com a pratica de atividades físicas

Estes sintomas ocorrem frequentemente e podem se durar um grande período (de 4 a 75 horas) e às vezes precedidos por “aura”. Os sintomas da aura podem incluir alterações na visão, como visualização de flashes luminosos, ou outras alterações sensoriais, como sensação de agulhadas nos membros.

Com ou sem aura, os pacientes podem apresentar alguns sintomas de premonição da enxaqueca, tais quais:

– Intensa energia e sentimento de alegria;

– Compulsão por doces;

– Sede;

Tontura;

– Irritabilidade ou depressão.

Enxaqueca vestibular
Algumas pessoas com enxaqueca podem sofrer de enxaqueca vestibular (em inglês, vestibular migraine ) com uma presença de tonturas. Esses episódios de tonturas podem durar horas ou até dias. Dores de cabeça podem estar presentes, mas nem sempre.

Diferença entre a enxaqueca e a dor de cabeça

Segundo a Sociedade Internacional de Cefaléias, falamos em enxaqueca (ao invés de dores de cabeça ou cefaléia, por exemplo), quando:

A Houver no mínimo 5 crises de enxaqueca que podem ser enquadradas no critérios B, C e D.
B A duração da crise é de 4 a 72 horas.
C A “dor de cabeça” (enxaqueca) tem pelo menos duas das seguintes características:

– localização em apenas um lado da cabeça (unilateral).

– dor pulsátil (sensação de pressão ou aperto na cabeça).

– intensidade média a forte, que impede ou dificulta as tarefas diárias.

– agravação da enxaqueca nas tarefas cotidianas, como por exemplo, subir uma escada.

D Ao menos um sintoma associado:
– náuseas e/ou vômitos.
– grande sensibilidade ao barulho e à luz.

Se você tiver alguma dúvida, converse com um médico ou farmacêutico.

Diagnóstico

O diagnóstico exato da enxaqueca é geralmente difícil de ser efetuado, pois não estão disponíveis testes específicos que a identifiquem. Entretanto, o médico pode lançar mão de exames complementares para verificar a doença.

Primeiramente, a história clínica do paciente, ou seja, os sintomas apresentados pelo indivíduo são de fundamental importância para o diagnóstico médico. A intensidade e duração das dores de cabeça são importantes para verificar se realmente é enxaqueca. Com base nisso, o médico pode solicitar exames complementares para averiguar quais as causas das dores. Eles incluem:

– Tomografia computadorizada;

– Imagem por Ressonância Magnética Nuclear;

– Punção lombar, sobretudo se há suspeita de meningite como causadora da enxaqueca.

Complicações

As complicações da enxaqueca podem incluir:

Vertigens

– Náuseas

– Cefaleia vascular

– Dor ocular

– Perda de visão

complicações enxaquecaOutras complicações da podem vir da tentativa do paciente tentar controlar a dor com o uso de alguns medicamentos. Esses podem ser:

– Problemas gastrintestinais provenientes do uso de anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno e aspirina.

– Síndrome serotoninérgica: essa síndrome é grave e pode ser desencadeada pelo uso de alguns medicamentos para enxaqueca, como zolmitriptan e sumatriptan e medicamentos das classes dos inibidores seletivos da recaptura de serotonina, como paroxetina e fluoxetina. A síndrome serotoninérgica é rara.

– Enxaqueca rebote: essa condição acontece quando se utiliza analgésicos para controlar a dor de cabeça durante um tempo prolongado. O medicamento além de não causar alívio da dor, desencadeia crises de enxaqueca.

– Sabemos, como indica a sociedade acadêmica americana de cardiologia American Heart Association (AHA) em um comunicado divulgado em fevereiro de 2014, que as mulheres com enxaqueca com aura devem parar de fumar para evitar o risco elevado de acidente vascular cerebral (AVC).

Distúrbios da mandíbula e enxaqueca
Um estudo brasileiro publicado em 2017 descobriu que crises de enxaqueca eram  mais comuns em casos de certos distúrbios mandibulares sérios, como a disfunção temporomandibular (em inglês: temporomandibular disorder ou TMD). De acordo com Lidiane Florencio, principal autora deste estudo, os pacientes com enxaqueca crônica (isto é, mais de 15 crises por mês) têm três vezes mais probabilidade de relatar sintomas mais graves de TMD do que pacientes com enxaqueca episódica. Este estudo da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) no Brasil foi publicado 06 de abril de 2017 na revista científica  Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics (DOI: 10.1016 / j.jmpt.2017.02 0,006).

Tratamentos

Existem dois tipos de tratamento para a enxaqueca:

A. Tratamentos da crise (sintomático e causal)

1. PRIMEIRA OPÇÃO EM CASO DE CRISE DE ENXAQUECA MODERADA

Analgésicos
ácido acetilsalicílico (AAS) de 500 mg a 1 g em comprimido.

ibuprofeno: 200 mg a 600 mg em comprimido. Nota: O ibuprofeno seria particularmente eficaz.

paracetamol: 500 mg a 1 g em comprimido ou supositório.

Antieméticos
– metoclopramida (comprovado em estudo em dezembro de 2004 como sendo um remédio que tem um papel benéfico no tratamento da crise da enxaqueca).

– domperidona (em comprimido ou supositório).

2. SEGUNDA OPÇÃO, CASO A PRIMEIRA NÃO FUNCIONE

Se houver uma crise média, náusea suportável (moderada) e se não houver vômito no início:

– Triptanos orais (em comprimido), contra-indicados em caso de insuficiência cardíaca.

– Ergotamina, sendo que esse medicamento é mais barato que os triptanos e tem eficácia semelhante. Estima-se que os derivados do ergot possam ser mais eficazes em pacientes com dor que duram mais de 48 horas.

– Combinação medicamentosa do butalbital com paracetamol.

– Opióides, como a codeína. Nos Estados Unidos, principalmente, certos derivados da morfina (como os opióides), podem ser prescritos pelo médico durante crises de enxaqueca severa e quando o paciente não pode tomar outros medicamentos. Cuidado com o grave risco de dependência dos opióides.

Em caso de forte crise, náuseas e vômitos logo no início:

– Triptanos subcutâneos (injeção), nasais ou retais em caso de séria crise e vômitos muito cedo. Contra-indicado em caso de insuficiência cardíaca.

Em caso de fortes crises, também pode ser utilizado:

– Aspirina® 500 mg a 1 g intravascular – Derivados do ergot de centeio, atenção, não abuse destes remédios.

3. NOVA CLASSE DE MEDICAMENTOS (DESDE 2018) – ANTI-CGRP:

Erenumabe
Desde 17 de maio de 2018 existe disponível nos Estados Unidos um novo medicamento que pertencente a uma nova classe de medicamentos contra a enxaqueca dolorosa e, em particular, refratária aos tratamentos convencionais. Este medicamento, erenumabe (Aimovig ™), registrado pela FDA em 17 de maio de 2018, foi desenvolvido pelas empresas farmacêuticas Amgen e Novartis. O Aimovig ™, um anticorpo monoclonal, é administrado por injeção uma vez por mês. O Aimovig ™ bloqueia o receptor peptídico ligado ao gene da calcitonina (em inglês CGRP-R). O peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) é uma molécula produzida nas células nervosas do cérebro e da medula espinhal que desempenha um papel fundamental em pessoas com enxaqueca. Ao longo dos anos de pesquisa, os cientistas descobriram que o CGRP ajuda a transmitir sinais de dor no cérebro e que os sofredores de enxaqueca costumam ter uma alta quantidade de CGRP. No nível celular ou fisiológico, o erenumabe (Aimovig ™) bloqueia o receptor do CGRP, chamado CGRP-R, que diminui o efeito prejudicial do CGRP na célula.

De acordo com um comunicado de imprensa [leitura viável em 18 de maio de 2018] da Novartis publicado em inglês em maio de 2018, foi demonstrado consistentemente que o Aimovig ™ reduz o número de dias de enxaqueca mensais, inclusive em populações mais difíceis de se tratar, muitos pacientes alcançaram uma redução de pelo menos 50%. Um editorial da revista JAMA estima que este novo medicamento seja um progresso, mas não uma panaceia.

Existem vários outros medicamentos anti-CGRP no mercado, particularmente nos Estados Unidos, ou em desenvolvimento avançado.

B. Tratamentos medicamentosos que previnem a crise de enxaqueca

Os medicamentos citados abaixo devem ser prescritos por um médico, aqui nós apenas estamos informando as terapias que estão disponíveis, apenas para conhecimento e para não gerar suspresa caso o seu médico lhe receite, por exemplo, um antidepressivo, pois isso é comum.

1. Betabloqueadores: por exemplo, o propranolol

2. Antagonistas de cálcio: p. ex. a flunarizina

3. Antidepressivos: p.ex. a amitriptilina

4. Antagonistas dos receptores 5-HT-2 de serotonina: p.ex. pizotifeno, metilsergida

5. Medicamentos antiepilépticos: p.ex. topiramato, gabapentina, ácido valpróico.

6. Ciproheptadina

Devemos mencionar que não se deve jamais prolongar um tratamento caso este não seja eficaz, pois ele pode agravar a patologia e provocar efeitos secundários.

Para finalizar esse assunto, saiba que existem tratamentos medicamentosos como a acupuntura, que também são eficazes no tratamento da enxaqueca.

Outra possibilidade é a técnica de automassagem chinesa conhecida como do-in. O do-in tem mostrado resultados satisfatórios na cura dos sintomas da enxaqueca e se assemelha à acupuntura por ser considerada uma técnica da medicina tradicional chinesa.

– Para especialistas: mecanismo reacional dos triptanos: Os triptanos agem sobre os receptores da serotonina 5-HT1D, eles são bastante seletivos (se comparados com os derivados do ergot de centeio, com efeitos sobre os vasos sangüíneos, risco de ergotismo = gangrena) e exercem um efeito constritor.

Riscos do uso de determinados medicamentos contra a enxaqueca

Os derivados do ergot de centeio (ou alcalóides do ergot de centeio) podem provocar gangrena, vômitos, e as prórias enxaquecas .
Portanto, se possível, aconselha-se evitá-los ou consumir muito pouco. Dê preferêcia aos analgésicos ou triptanos.

O uso excessivo de analgésicos (aspirina,…) também pode provocar enxaquecas ou cefaléias, e isso pode gerar um círculo vicioso. Converse com o seu médico se perceber que isso está acontecendo com você, ele com certeza encontrará uma boa solução para o seu caso.

Outros tratamentos básicos (na prevenção da enxaqueca):

Para lutar contra a enxaqueca, existem outros métodos como:
– Estimulação elétrica transcutânea. Este método pode ser eficaz para algumas pessoas.
– Botox. Sob a forma de injeções no crânio, indicadas especialmente durante a enxaqueca crônica.
– Cetamina, possível efeito em enxaquecas muito fortes, outros estudos são necessários para confirmar ou negar a sua eficácia. A cetamina é cada vez mais usada para tratar casos graves de depressão.
– Métodos contra o estresse: ex. yoga, meditação mindfulness, auto-hipnose, etc.
– Cirurgia. A cirurgia é um método raramente usado contra a enxaqueca, principalmente devido à falta de consenso em termos científicos. A cirurgia age em certos nervos. Pergunte ao seu médico ou neurologista para obter mais informações sobre isso.

Fitoterapia

As plantas medicinais citadas abaixo demonstraram eficácia no tratamento das enxaquecas, no entanto, esses medicamentos naturais não devem ser considerados como a primeira escolha de tratamento (caso dos triptanos, etc.)  e sim como uma alternativa ou complemento.

– o caféa ser consumido como bebida. Ele pode agir positivamente sobre a enxaqueca.

– a Butterbur (Petasites hybridus), para ser tomada na forma de comprimido.

– o hortelã (menta piperita), a ser utilizado como infusão ou óleo essencial.

– a matricária (feverfew),  a ser utilizada em forma de infusão ou cápsula.

– a camomila romana, a ser utilizada em forma de infusão ou óleo essencial.

Dicas

– Conheça bem as causas ou fatores desencadeadores da enxaqueca. Tenha uma agenda/diário onde você pode anotar quando teve suas últimas enxaquecas, assim como a sua alimentação e a meterologia que as precederam. É bom tomar todas as previdências possíveis para prevenir as causas (fatores desencadeadores) da enxaqueca e para que estas sejam identificáveis- Evite consumir muita cafeína (mais de 3 xícaras de café por dia) ou medicamentos à base de cafeína. Tomar no máximo um ou dois cafés por dia pode fazer bem.

– Evite consumir triptanos e outras ergotaminas em excesso, pois todos esses compostos podem favorecer a enxaqueca e as dores de cabeça.

– Utilize medicamentos para prevenir a enxaqueca (sob prescrição médica). Em determinados casos, o consumo da vitamina B2 (riboflavina) em alta dose, pode ter um efeito preventivo contra a enxaqueca. Outras técninas não medicamentosas como a acupuntura também podem ser eficazes.

– Utilize um gorro no inverno, pois o frio pode desencadear as enxaquecas.

– Quando tiver uma crise de enxaqueca, relaxe e repouse. Talvez seja necessário descansar em um quarto escuro com pouco ou nenhum barulho. O uso de bolsas de gele e leves massagens na cabeça podem ajudar a aliviar a dor.

– Busque tratamentos alternativos para a enxaqueca, como o do-in e a acupuntura. Muitos deles têm mostrado resultados satisfatórios na melhora dos sintomas e da qualidade de vida.

– Com exceções, evite ir ao pronto-socorro devido a uma enxaqueca, porque o departamento de emergência não é um local adequado, com frequência com muita luz e ruído (fatores de risco de enxaqueca).

Prevenção

– Pratique esportes (relato de estudos científicos). Segundo um estudo de uma universidade turca, a prática de esportes teria um efeito  profilático nas crises de enxaquecas. As Sociedades Alemãs de enxaqueca e dor de cabeça aprovaram esta descoberta. Do ponto de vista científico, acredita-se que a atividade física aeróbica (com oxigênio), como a corrida, o futebol e tênis, pode diminuir a freqüência das dores de cabeça, pois a taxa de beta-endorfinas – substâncias naturalmente secretadas pelo cérebro como antidor – aumentariam durante a prática regular destes esportes. No entanto, ainda são necessários outros estudos para avaliar o papel das endorfinas no aparecimento das crises de enxaquecas, todavia o esporte é asseguradamente benéfico na prevenção das doenças cardiovasvulares e não fazem nenhum mal.

– Evite, por exemplo, a ingestão de alimentos muito gordurosos e volumosos e o excesso de líquido no período da noite.

– Evite o estresse e grandes variações de humor. Terapias de relaxamento, acupuntura, tai chi e do-in ajudam nesse aspecto.

– Busque tratamento para depressão.

– Controle o consumo de álcool.

– Evite fumar.

– Regule o sono. Durma bem, mas não demais. Para isso, você pode recorrer à melatonina.

– Evite consumir muita cafeína ou medicamentos à base de cafeína.

– Evite comer os alimentos que você sabe que desencadeiam a enxaqueca, como alimentos que contém tiramina, embutidos e chocolate. Estabeleça uma dieta para a enxaqueca.

– Reduza os efeitos hormonais. Para mulheres, talvez seja interessante reduzir o efeito de medicamentos que alterem os níveis de estrógeno, como pílulas anticoncepcionais ou terapia de reposição hormonal.

– Consuma suplementos de vitamina B2 e magnésio.

Fontes e referências: 
Mayo Clinic, Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics (DOI: 10.1016 / j.jmpt.2017.02 0,006), The Wall Street Journal, Prevention, National Geographic.

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Fotolia.com/Adobe Stock

Atualização:
Este artigo foi modificado em 29.06.2020

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 29.06.2020

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