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Epilepsia

Resumo epilepsia

Resumo - EpilepsiaA epilepsia é uma doença neurológica que atinge inúmeras pessoas. Cerca de 1-2% da população mundial apresentam crises convulsivas, sendo que na infância e na velhice essas incidências são maiores. No Brasil, estima-se que 1,8 a 3,6 milhões de pessoas tenham epilepsia. Para cerca de 30% dos casos, as causas da epilepsia não são conhecidas. Entretanto para outra parte, alguns fatores podem influenciar como causas genéticas, fatores ambientais, traumas cranianos, infecções, tumores cerebrais, malformações vasculares e intoxicações, sobretudo por drogas de abuso, como LSD e cocaína. Uma causa particularmente comum em crianças é a febre. Embora assustadora para os pais, essa condição raramente causa danos cerebrais.

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Os sintomas variam de acordo com a região do cérebro atingida. Nesse aspecto, as crises podem ser divididas em parciais simples e complexas e generalizadas (ausência, atônica, mioclônica, tônico-clônica). O diagnóstico é feito com exames neurológicos e de imagem cerebral. É importante que o paciente seja tratado adequadamente, pois algumas complicações como quedas e convulsões em sequência (status epilepticus) podem comprometer a qualidade de vida do paciente, com dano cerebral irreversível.

Epilepsia resumoO tratamento é feito com drogas antiepilépticas, como fenobarbital e ácido valproico. Cirurgias também são indicadas em alguns casos, sobretudo para pacientes refratários aos tratamentos medicamentosos. Algumas plantas medicinais podem auxiliar o controle das crises, como a marcela e erva-cidreira. É importante citar que o paciente com epilepsia deve evitar o uso de fitoterápicos contendo ginkgo biloba. O tratamento homeopático pode ser feito com alguns medicamentos como Bufo Rana e Cuprum Metallicum.

É importante que o paciente siga corretamente as instruções do médico e tome regularmente os medicamentos. Parentes e amigos devem estar cientes para que possam ajudar em caso de uma crise convulsiva. O paciente também deve observar quais fatores podem desencadear epilepsia, como privação do sono ou contato com intensa luminosidade (videogames, computadores) para que ele possa modificar seus hábitos de vida.

Definição

A epilepsia é uma doença caracterizada por crises convulsivas provocadas por descargas elétricas em uma parte ou em todo o cérebro. A doença epilepsia é definida quando o paciente têm mais de um episódio de crise convulsiva sem que essa crise esteja associada a fatores externos como drogas, medicamentos ou traumas.

Existem diversos tipos de convulsão dependendo da parte do cérebro atingida e os sintomas gerados. Dessa forma, a epilepsia pode ser do tipo:

– Epilepsia focal simples (Epilepsia Jacksoniana)

– Epilepsia focal complexa

– Epilepsia tipo Grande Mal ou tônico-clônica generalizadas

-Epilepsia tipo Pequeno Mal ou Crise de ausência

Epidemiologia

– Em fevereiro de 2017, a OMS estimou que cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo eram afetadas pela epilepsia. Pode-se notar que isso é menos de 1% da população mundial. Segundo a OMS, essa condição pode ser tratada em cerca de 70% dos casos, mas cerca de três quartos dos afetados, nos países em desenvolvimento, não recebem o tratamento de que necessitam, segundo dados de 2017.

Causas

Em cerca de 30% dos casos de epilepsia, as causas não são conhecidas e a doença é chamada de epilepsia essencial. No restante dos casos, algumas causas podem ser:

– Causas genéticas: alguns casos de epilepsia são hereditários. Os cientistas estimam que mais de 500 genes possam estar relacionados com a epilepsia. Embora a bagagem genética pareça estar muito associada com o tipo de crise convulsiva desenvolvida, é importante ressaltar que não apenas a hereditariedade fará o indivíduo ser epiléptico ou não. Fatores ambientais e sociais são importantes para o desencadeamento da doença.

-Traumatismo na cabeça: traumas sofridos pela caixa craniana, como em acidentes e quedas, podem desencadear crises convulsivas.

– Acidentes vasculares e infartos: os acidentes vasculares cerebrais (AVC) são responsáveis por cerca de 50% dos casos de epilepsia em pacientes acima dos 65 anos.

epilepsia febre- Demência: os estados demenciais, como Alzheimer, são causas importantes de epilepsia em idosos.

– Infecções: doenças como meningite, AIDS e encefalite viral podem desencadear crises epilépticas.

– Danos pré-natais: infecções, danos causados por falta de oxigênio ou nutrição deficiente podem lesar o cérebro dos fetos. Alguns casos de epilepsia infantil estão associados à paralisia cerebral e outras desordens neurológicas.

– Intoxicações: agentes neurotóxicos podem propiciar o aparecimento das crises convulsivas. Alguns agentes tóxicos ao cérebro incluem drogas de abuso (cocaína, heroína, LSD), álcool, metais pesados, pesticidas e solventes químicos.

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epilepsia vasos- Febre alta: temperaturas muito altas suscitam as crises convulsivas, sobretudo em crianças. Embora esse seja um quadro particularmente assustador, as crises convulsivas derivadas de febre alta não deixam sequelas no cérebro.

– Desordens do desenvolvimento: condições como o autismo e a Síndrome de Down estão associadas com a epilepsia.

– Tumores cerebrais: alguns tumores que causam epilepsia são os astrocitomas, gangliomas, meningiomas, glioblastoma, etc.

– Malformações vasculares: cavernomas, malformações artério-venosas, sequelas de isquemia, etc.

Acredita-se que esses fatores produzam uma hiper excitabilidade dos neurônios cerebrais, fazendo com que estes propaguem muitos impulsos elétricos e iniciem a convulsão.

Grupos de risco

Qualquer pessoa pode apresentar uma crise convulsiva durante a vida, entretanto, para que isso possa ser caracterizado como epilepsia, essas crises precisam ser recorrentes. Alguns fatores podem aumentar o risco do desenvolvimento de convulsões. Sendo assim, alguns grupos e fatores de risco são:

– Homens têm um risco ligeiramente maior de desenvolverem crises convulsivas que mulheres.

– Embora a epilepsia possa acontecer em qualquer período da vida, idosos acima dos 65 anos e crianças apresentam risco maior, sobretudo as menores que 5 anos de idade.

infarto e epilepsia- Pessoas com histórico familiar de epilepsia.

– Pessoas que sofreram traumas cranianos, como acidentes de carros e quedas.

– Pacientes que já apresentaram AVC ou infarto.

– Pacientes com infecções cerebrais, como meningite.

– Pacientes com malformações cerebrais, incluindo malformações vasculares.

– Pacientes com tumores cerebrais.

– Viciados em substâncias químicas psicoativas, como LSD e cocaína.

– Autistas e pessoas com Síndrome de Down.

Sintomas

Os sintomas da epilepsia variam de acordo com os neurônios que estão em estado de hiper excitação. Os resultados podem ser de confusão temporária, ausência, movimentos musculares descoordenados e completa perda da consciência.

Quando as crises ocorrem apenas em parte do cérebro, elas são chamadas de crises convulsivas parciais podem ser divididas em:

– Crises convulsivas focais simples: nesse caso, não há perda de consciência do paciente. Entretanto, este pode relatar mudanças nas emoções ou em questões sensoriais, como paladar, olfato, visão e audição. Essa crise também pode resultar em movimentos involuntários dos membros e vertigens.

epilepsia_sintomas- Crises convulsivas focais complexas: nesses casos, há perda da consciência e o paciente pode apresentar movimentos não propositais, como andar em círculos e mastigar intensamente.

Quando a hiper excitação neuronal não se atém apenas a uma determinada região cerebral, há o que chamamos de crises convulsivas generalizadas e podem ser classificadas com

– Crises mioclônicas: é caracterizada por movimentos dos braços e pernas.

– Crises de ausência (Pequeno Mal): causa uma breve perda da consciência com súbito movimento do corpo. As crises de ausência têm duração curta, entre 3 a 30 segundos, e pode acontecer de 50 a 100 vezes por dia.

– Crises atônicas: são caracterizadas por quedas e perda do tônus muscular do corpo.

– Crises tônico-clônicas (Grande Mal): é o tipo mais intenso de crise convulsiva generalizada. Nela, o paciente apresenta perda de consciência, enrijecimento dos músculos, movimentos descoordenados e perda do controle da bexiga.

Diagnóstico

Antes de diagnosticar uma epilepsia é necessário pesquisar se existem anomalias biológicas ou tóxicas que poderiam provocar as crises convulsivas. Para isso, o médico pode solicitar um exame de sangue com a finalidade de verificar intoxicações, níveis de proteínas e enzimas, anemias, desnutrição, diabetes, etc.

Se nenhuma causa for revelada, será necessário recorrer a exames complementares que irão confirmar ou não a doença. O médico poderá realizar um exame neurológico para verificar os movimentos corporais e como a capacidade intelectual do paciente está afetada pelas crises convulsivas.

Exames cerebrais detalhados podem ser necessários para que o médico verifique se há alguma anormalidade como cérebro. Esses testes incluem:

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– Eletroencefalograma (EEG). O EEG permite, graças aos eletrodos, medir as ondas cerebrais e identificar os padrões (do inglês pattern). Pessoas com epilepsia frequentemente têm padrões de ondas cerebrais diferentes de pessoas que não têm a doença.

– Imagem por Ressonância Magnética (IRM). A ressonância magnética (RM) pode revelar anomalias cerebrais que podem ser a causa de crises epilépticas, como tumores, hemorragias e cistos, conforme revelado pela Mayo Clinic em um livro.

– Testes de QI, memória e linguagem.

– Tomografia por emissão de pósitrons.

– Ressonância Magnética Funcional, para verificar o fluxo sanguíneo no cérebro.

– Tomografia computadorizada por emissão de fóton único (em inglês SPECT). Um método para criar um mapa do fluxo sanguíneo do cérebro durante a crise epiléptica.

Complicações

O paciente com epilepsia pode apresentar algumas complicações durante a vida. Algumas dizem respeito a complicações nas atividades diárias do paciente, como quedas, risco aumentado de se envolverem em acidentes de carros e afogamento quando tomam banho ou nadam. O paciente pode também se chutar, arranhar ou se machucar durante as convulsões.

Além disso, mulheres com epilepsia podem ter complicações durante a gravidez que ponham em risco a vida do bebê e da mãe e certos medicamentos para convulsão não são aconselhados durante a gravidez.

Outras condições particularmente importantes para o paciente epiléptico são:

– Status epilepticus: nessa condição, o paciente apresenta um estado contínuo de convulsão que dura mais que 5 minutos ou tem freqüentes crises epilépticas com perda de consciência sem recobrá-la durante as crises. Pacientes com status epilepticus apresentam risco aumentado de terem danos cerebrais permanentes e virem a óbito.

– Morte súbita: pessoas com epilepsia de difícil tratamento apresentam risco de terem morte súbita durante uma crise convulsiva. Essa taxa é de menos de 1 caso em cada 1000, mas é mais comum em pacientes que não são controlados por nenhum tratamento e naqueles que apresenta crises generalizadas tônico-clônicas.

Tratamentos

Tratamento epilepsiaDe maneira geral, o tratamento para a epilepsia visa diminuir a excitabilidade neuronal e os disparos de impulsos elétricos no cérebro.
Muitos pacientes com medicamentos anticonvulsivantes podem vivem uma vida normal, sem apresentar nenhuma outra crise. Outros pacientes apresentam redução da freqüência e da intensidade das crises convulsivas. Algumas das drogas usadas para o tratamento da epilepsia são:

– fenobarbital

– ácido valpróico

– lamotrigina

topiramato

– carbamazepina

Um tratamento medicamentoso também utilizado na epilepsia é o levetiracetam.

É importante ressaltar que esses medicamentos, assim como qualquer outro, podem apresentar efeitos colaterais. Alguns dos mais comuns são:

fadiga;

– tontura;

– ganho de peso;

– rash cutâneo;

– falta de coordenação e problemas na fala;

depressão.

O tratamento é geralmente eficaz, mas para isso aconteça é essencial que o paciente tome regularmente os seus medicamentos.

Cirurgia
Para pacientes refratários às drogas, uma alternativa é a cirurgia. Ela se consiste na retirada da parte afetada do cérebro (desde que essa seja uma parte pequena e que não afete o funcionamento global do cérebro) ou na implantação de eletrodos que regulam os impulsos elétricos.
De acordo com a Mayo Clinic, a cirurgia é mais frequentemente realizada quando testes diagnósticos mostram que as convulsões se originam em uma área pequena e bem definida do cérebro que não interfere em funções vitais, como fala, linguagem, função motora, visão e audição.

Outras terapias adicionais incluem a estimulação do nervo vago e a dieta cetogênica. De acordo com a Mayo Clinic, essa dieta parece funcionar para algumas crianças com epilepsia.

Na estimulação do nervo vago, um implante é posto sob a pele do peito do paciente. Impulsos elétricos estimulam o nervo vago e esta estimulação reduz as convulsões de 30 a 40%.

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Dieta cetogênica

A dieta cetogênica é uma alimentação rica em lipídeos (90-92%), com baixa quantidade de carboidrato (2%) e quantidades normais de proteínas (8-10%). Muitos pacientes conseguem se manter livres de convulsões com esse tipo de dieta. Antes de adotar essa dieta, converse com um médico e um nutricionista para que ele possa ajustar as quantidades ideais de vitaminas, nutrientes e minerais em cada caso.

Os antigos gregos já sabiam que a alimentação pode controlar a epilepsia. Nos anos 1920 a 1950, a dieta cetogênica foi largamente utilizada, particularmente em crianças, antes de perder a sua importância com o advento dos medicamentos anti-epilépticos.

A dieta cetogênica é indicada para alguns pacientes epilépticos que não respondem aos medicamentos.

No entanto, somente um terço dos pacientes não responde ao tratamento medicamentoso. Um melhor entendimento das vias de sinalização que inibem certas áreas do cérebro, portanto, pode ajudar a encontrar terapias para controlar doenças tais como a epilepsia.

Em geral, em caso de crises convulsivas, não é aconselhado administrar medicamentos ao doente, pois existe o risco de perturbar o seu exame anterior. É, portanto, necessário administrar anti-convulsivos se a pessoa tiver crises sucessivas (Estado de Mal Epiléptico ou status epilepticus). Neste caso, o médico poderá administrar:

– fenobarbital

– diazepam

– clonazepam em altas doses.

Fitoterapia

As plantas medicinais são um tratamento auxiliar no controle das crises convulsivas. É importante que, antes de se utilizar alguma planta medicinal, o médico esteja consciente da escolha do paciente. Algumas das ervas medicinais que podem ter efeito benéfico na epilepsia são:

Marcela

– Marapuá-do-Campo

– Acácia Arábica

Tanchagem

Erva-doce

– Erva-cidreira

– Velame-do-Campo

Pacientes com crises convulsivas devem evitar o uso de ginkgo biloba. Segundo um estudo realizado na Alemanha, componentes dessa planta reduzem a eficácia dos medicamentos anticonvulsivantes. Estudos mostram que o ginkgo biloba induz o fígado a fabricar enzimas que metabolizam mais rapidamente os medicamentos para a epilepsia. Além disso, a semente da planta produz uma neurotoxina que desencadeia crises convulsivas.

Dicas terapia

O doente deve ser orientado para:

– reconhecer os sinais de uma crise epiléptica

– cuidar do seu tratament tomar corretamente e regularmente os seus comprimidos

– reconhecer os comportamentos desencadeadores (álcool, insônia, estimulação luminosa intensa: televisão, videogames, computadores).

É também importante que o paciente use um bracelete indicando que é epiléptico para que outras pessoas o ajudem caso haja uma crise.

Dicas para socorrer uma pessoa em plena crise de epilepsia

Quando um epiléptico estiver em plena crise, é essencial tomar as seguintes precauções:

– proteger o paciente de quedas de objetos e traumatismo, retirando, se possível, todo e qualquer objeto perigoso de sua passagem.

– afrouxe as roupas do paciente, como gravatas e colarinho.

– não tente segurar ou imobilizar o paciente com convulsão.

– não tente fazer com que o paciente recobre a consciente gritando ou chacoalhando.

– meça o tempo da convulsão. Isso poderá auxiliar futuros tratamentos.

Dicas terapia epilepsia

– quando a pessoa estiver inconsciente, coloque-a de ladopara que ela não se engasgue com a própria língua.

– conforte o paciente assim que este estiver retomando a consciência.

– mantenha a calma durante a crise convulsiva do paciente.

Nunca coloque nenhum objeto (toalha, guardanapo) na boca do paciente enquanto este estiver convulsionando. Esta falsa idéia não suaviza nada e pode causar sufocamento.

Estimule seus amigos e familiares a conhecerem mais sobre a epilepsia e tente superar preconceitos e reações negativas de outras pessoas. O paciente epiléptico pode levar uma vida independente e com qualidade desde que siga o tratamento corretamente e receba apoio de conhecidos.

Prevenção

É importante que o paciente saiba quais os fatores desencadeiam as crises convulsivas e faça o possível para evitá-los. Para isso, tente mudar hábitos de vida como:

– consumo excessivo de álcool e outras drogas, sobretudo as com efeitos estimulantes cerebrais (LSD, heroína, cocaína, etc). Se você trabalha se expondo a solventes químicos, pesticidas ou metais pesados, use proteção adequada;

– sobrecarga e fadiga, com noites mal dormidas;

– estimulação luminosa intensa: televisão, videogames e computadores, festas noturnas.

– Tenha uma alimentação saudável a fim de evitar problemas vasculares cerebrais, como AVC e infartos. Associado a isso, evite o sedentarismo e faça atividades físicas regularmente.

Para as crianças pequenas, é essencial administrar antipiréticos (medicamentos que diminuem a febre) quando a temperatura corporal estiver acima de 38,5°C. Uma temperatura acima pode provocar convulsões em crianças.

Fontes e Referências:   
Mayo Clinic, OMS

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 19.07.2018

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