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Gonorreia

Resumo sobre gonorreaia

A gonorreia ou blenorragia é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Esta DST pode afetar tanto homens quanto mulheres, embora os homens tenham maior risco de serem afetados pela doença. A doença atinge normalmente jovens adultos com vida sexual ativa, entre 15 e 29 anos de idade.

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A transmissão da doença pode ser através do sexo ou também através do parto, passando de mãe para filho. Os grupos de risco incluem pacientes com vida sexual ativa, homens, pessoas com múltiplos parceiros sexuais e neonatos.

Os sintomas são diferentes de acordo com a região do corpo atingida. A gonorreia normalmente causa uretrite, secreção semelhante a pus pela uretra, aumento do corrimento vaginal, micção dolorosa, dor pélvica, sintomas de infecção de garganta, coceira anal e conjuntivite (em neonatos).

A doença é normalmente diagnosticada coletando-se material da uretra, ânus ou garganta e analisando em laboratório para verificar a bactéria causadora dos sintomas. Quando não tratada adequadamente, a gonorreia pode causar infertilidade em homens e mulheres, além de outras complicações como disseminação para outros órgãos, cistite, infecções nas articulações etc. A bactéria tem se mostrado resistente a antibióticos e isso tem preocupado as autoridades em saúde.

O tratamento é feito à base de antibióticos, normalmente da classe das fluoroquinolonas, como o ciprofloxacino. Em certos países como na Austrália, na França, no Japão, na Noruega, na Suécia ou no Reino Unido, de acordo com a OMS, há casos de resistência às cefalosporinas. Em julho de 2017, a OMS publicou um comunicado relatando que devido à resistência aos antibióticos, ficou mais difícil e às vezes impossível tratar a gonorreia, segundo dados de 77 países.

Extratos vegetais estão sendo investigados contra a bactéria, como da planta Diospyros canaliculata. Além disso, medicamentos homeopáticos podem auxiliar no tratamento.

É importante que uma vez diagnosticado, o parceiro seja igualmente tratado para a gonorreia. Manter hábitos de higiene genital e educação sexual também previnem o contágio. Outra medida importante é o uso de preservativos em todas as relações sexuais.

Definição

A gonorreia ou blenorragia é uma DST (doença sexualmente transmissível) causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae (um gonococo Gram-negativo) e pode afetar tanto homens quanto mulheres.

A bactéria pode atingir a uretra, o reto, a garganta e, em mulheres, o colo do útero. No recém-nascido, a N. gonorrhoeae pode causar conjuntivite, denominada oftalmia neonatorum, que pode afetar permanentemente a visão da criança.

A gonorréia é uma das DSTs mais comuns entre a população sexualmente ativas. Ela se desenvolve de maneira diferente em homens e mulheres.

Epidemiologia

Em 2016, o número de novos casos de DST atingiu níveis recorde nos Estados Unidos, com mais de 2 milhões de casos de clamídia, gonorreia e sífilis, de acordo com um relatório anual dos centros americanos de controle e prevenção de doenças (U.S. Centers for Disease Control and Prevention ou CDC) publicado no final de setembro de 2017. Os números de novos casos de clamídia em 2016 totalizaram 1,6 milhões, de gonorreia 470.000 e de sífilis 28.000. Este é o maior número de DSTs de todos os tempos, de acordo com este relatório. Cerca de metade dos casos de clamídia foram diagnosticados em mulheres jovens. Um número significativo de novos casos de gonorreia ocorreu em homens que fazem sexo com homens. A maioria dos casos de sífilis foi encontrada em homens homossexuais e bissexuais. O relatório também menciona mais de 600 casos de sífilis em recém-nascidos (sífilis congénita), com mais de 40 mortes. Entre 2015 e 2016, o aumento no número de casos de sífilis aumentou 18% sempre de acordo com o CDC.

Causas

A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, um gonococo Gram-negativo. A bactéria pode infectar o reto, trato urogenital, traqueia e olhos, sobretudo de recém-nascidos. Uma vez no organismo, a bactéria começa a se multiplicar e causa os sintomas típicos da doença.

Transmissão da gonorreia

A forma de contágio mais comum é durante as relações sexuais sem nenhuma proteção, como sexo oral, vaginal ou anal. A localização da infecção (uretra, anus ou garganta), está relacionada à via de infecção e ao tipo de relação sexual. Embora menos frequente, a transmissão pode ocorrer de mãe para filho durante o parto. Nesse caso, a conjuntiva do bebê pode ser infectada, ocasionando a conjuntivite gonocócica.

Grupos de risco

A gonorreia atinge tanto a homens quanto mulheres. Alguns grupos de risco podem ser definidos para a doença:

– Jovens adultos com vida sexual ativa;

– Pessoas com múltiplos parceiros sexuais;

– Homens (maior incidência em homens do que em mulheres);

– Pacientes que não adotam práticas seguras durante as relações sexuais como uso de camisinhas;

– Neonatos (no caso da mãe ser portadora de gonorreia).

Sintomas

Os sintomas da gonorreia variam de acordo com a região do corpo atingida e começam cerca de 2 a 10 dias após o contágio.

Infecção no trato genital

No homem, se a infecção ocorrer no trato genital, os sintomas podem ser:

– Uretrite (inflamação da uretra): aparece geralmente 4 a 20 dias após a contaminação

A uretrite se manifesta através de uma urina:

> amarelada

> abundante

> que mancha as roupas

> com possível ardência e dor na micção

Além disso, pode haver inchaço nos testículos.

Geralmente os primeiros sintomas da gonorreia no homem são dor ao urinar.

Na ausência de tratamento adequado, a gonorreia pode levar a infertilidade no homem.

Na mulher, uma infecção no trato genital por gonorreia inclui:

– Micção dolorosa

– Dor abdominal

– Dor pélvica

– Aumento do corrimento vaginal

– Inflamações locais, como cistite

– Sangramento vaginal entre as menstruações

– Inflamações na vulva e na vagina

É importante ressaltar que os sintomas da gonorreia nem sempre são visíveis nas mulheres (assintomática).

Infecção no reto

Os sintomas de infecção no reto incluem coceira anal, corrimento semelhante a pus no reto, presença de sangue no papel higiênico após usar o banheiro, dor ao evacuar.

Infecção nos olhos

A gonorreia pode atingir os olhos de recém-nascidos através do parto, ocasionando a conjuntivite gonocócica. Em adultos, essa condição é rara. Os sintomas observados são: sensibilidade à luz e presença de secreções como pus em ambos os olhos.

Infecção na garganta

A bactéria causadora da gonorreia normalmente se instala na garganta através do sexo oral. Os sintomas incluem dor ao engolir, aumento dos linfonodos do pescoço, sintomas estes que são semelhantes a uma infecção de garganta.

Infecção nas articulações

Por vezes, a bactéria pode se instalar nas juntas, causando artrite séptica. Nesse caso, as articulações se apresentam doloridas, inchadas, quentes e vermelhas, especialmente durante os movimentos.

Diagnóstico

As mulheres com suspeita de gonorreia devem procurar um ginecologista ou um clínico geral, e os homens devem procurar um urologista ou então um clínico geral. Além disso, o médico infectologista também pode diagnosticar a doença.

Normalmente, o médico realiza um exame clínico baseado no histórico do paciente e observa alguns sinais como corrimento vaginal, presença de secreções semelhante a pus e dor ao urinar. O médico pode solicitar um exame de urina para identificar se a bactéria está instalada na uretra. Outro teste empregado é o uso do swab (aparelho semelhante a uma haste flexível com algodão na ponta) na região atingida, como reto, garganta ou vagina.

Tanto o teste de urina quanto o swab servem para identificar qual agente etiológico está causando os sintomas. Ademais, exames complementares para outras DSTs podem ser requeridos pelo médico, uma vez que a presença de gonorreia aumenta o risco de se contrair outras doenças, como clamídia.

Complicações

Quando não tratada, a gonorreia pode apresentar algumas complicações:

No homem

Em caso de ausência de tratamento, pode ocorrer uma prostatite, uma cistite e em um caso extremo, estreitamento uretral, que por sua vez pode causar dificuldades na micção.

Epididimite também pode ocorrer e, se não tratada, pode levar o homem à infertilidade.

Na mulher

– Em caso de ausência de tratamento, tratamento inadequado ou se a bactéria subir até os ovários e as trompas, causando a doença inflamatória pélvica, que pode resultar na esterilidade feminina. Além disso, a mulher pode infectar o bebê durante o parto.

– A endometriose é outra possível complicação da gonorreia em mulheres.

A doença pode ainda causar outras complicações no corpo. Uma vez na corrente sanguínea, a bactéria pode atingir articulações, causar sintomas como febre, rash cutâneo, dores nas juntas e outras infecções (como salpingite e peritonite).

A infecção por gonorreia aumenta os riscos de se contrair outras doenças sexualmente transmissíveis, como HIV eclamídia. Pessoas que têm HIV e gonorreia transmitem a doença mais facilmente a outros parceiros.

Em bebês, a conjuntivite gonocócica não tratada pode ocasionar cegueira. Além disso, a infecção pode levar complicações na pele e escalpo.

Uma complicação particular que têm preocupado as autoridades em saúde é a resistência adquirida a antibióticos que a bactéria tem adquirido. Um estudo revelou que cerca de 1,8% das amostras coletadas mostraram-se resistente ao ciprofloxacino e 9,4% à penicilina.

Tratamentos

O tratamento da gonorreia é basicamente feito pelo uso de antibióticos, uma vez que se trata de uma doença bacteriana. Em geral, o antibiótico escolhido é do grupo das quinolonas ou cefalosporinas (como ciprofloxacino, cefixima, etc).

Devido ao uso indiscriminado de antibióticos, muitas cepas bacterianas tornaram-se resistentes aos agentes antigos (como penicilina G). Portanto, é importante que se tenha critério ao usar um antibiótico e siga corretamente a forma de uso indicada pelo médico.

Dados recentes têm mostrado que cada vez mais a bactéria causadora da gonorreia está resistente aos antibióticos. Números do Centros de Controle de Doenças dos EUA mostram que 1/4 das cepas de bactérias são resistentes à penicilina. Nesse casos, os médicos evitam usar a penicilina para não criar bactérias ainda mais fortes. Uma opção é o uso de cefalosporina injetável.

Protocolo de tratamento em três estados brasileiros

No Brasil, um novo protocolo de tratamento desenvolvido pelo Ministério da Saúde foi introduzido em outubro de 2015 nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em uma contraindicação ao antibiótico ciprofloxacina, para reduzir casos da resistência aos antibióticos. De acordo com este protocolo, os médicos devem utilizar a molécula ceftriaxona de forma injetável para lutar contra gonorreia. Nestes três estados (SP, RJ e MG), os cientistas do Departamento de Saúde têm observado casos de resistência das bactérias que causam gonorreia à ciprofloxacina.

Em bebês, colírios antibióticos são usados para se tratar a conjuntivite gonocócica.

Em agosto de 2016, a OMS emitiu novas recomendações (guidelines em inglês) para tratar a gonorreia e agora não aconselha mais os médicos em todo o mundo para usar quinolonas, devido ao aumento de cepas resistentes a esta classe de antibióticos. A OMS recomenda que ao invés de usar quinolonas deve-se usar cefalosporinas.

Nota sobre o tratamento com antibióticos:

– É importante começar o mais cedo possível terapia.

– Siga as recomendações do médico e tome o número de comprimidos (antibióticos) prescritos na sua totalidade.

– Evite fazer sexo durante o tratamento. Evite o sexo desprotegido de qualquer maneira.

– O parceiro sexual também deve ser tratado de forma preventiva.

– A gonorreia é frequentemente associada à clamídia, o médico irá tratar as duas.

Dicas

– É importante começar a terapia o quanto antes.

– É necessário seguir corretamente as recomendações do médico e tomar a quantidade indicada de comprimidos prescritos (antibiótico).

– Durante o tratamento, as relações sexuais sem proteção devem ser evitadas.

– O parceiro/a sexual também deve se tratar como meio de prevenção.

– A gonorreia é frequentemente associada à clamídia, portanto o médico deverá tratar as duas doenças.

Além disso, algumas outras práticas auxiliam o paciente:

– Adote uma alimentação rica em líquidos e composta de alimentos nutritivos e saudáveis.

– Mantenha uma boa higiene dos órgãos genitais.

– Eduque sexualmente os seus filhos para que eles tenham cuidados durante as relações sexuais. Lembre-se: educação sexual começa em casa.

Prevenção

A prevenção da gonorreia é feita essencialmente através do combate às doenças venéreas, com a adoção das seguintes medidas:

– Educação sexual. Informe-se sobre os modos de contágio da doença e mantenha seus filhos, amigos e parentes sempre cientes.

– Uso de preservativo em todas as relações sexuais.

– Evitar ter muitos parceiros sexuais.

– Consultar um ginecologista periodicamente (no caso das mulheres) ou um urologista (no caso dos homens).

– Se você foi diagnosticado com gonorreia, trate também o parceiro/a.

– Controle regular e sistemático em caso de relações sexuais com inúmeros parceiros, mesmo na ausência de sintomas (lembre-se que a doença pode ser assintomática).

– Evite relações sexuais com pessoas que tenham sintomas de doenças venéreas ou algum outro sintoma desconhecido.

– Evite relações sexuais com desconhecidos.

Referências: 
CBSNews, OMS (WHO), NPR, CDC

Update:
30.09.2021

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 30.09.2021

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