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Câncer de mama

Definição

O câncer de mama é um tumor que se origina quando as células da mama começam a se dividir e multiplicar de maneira desordenada, originando uma neoplasia. Eles podem ocorrer tanto em homens quanto em mulheres, sendo que nas mulheres é muito mais freqüente. Os cânceres de mama podem ser:

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– Carcinoma ductal: quando as células envolvidas são os ductos mamários. Podem ser in situ, quando não ultrapassam as primeiras camadas de células, ou invasor, quando acomete tecidos vizinhos;

– Carcinoma lobular: quando as células são lóbulos (ou bulbos) que produzem o leite. Esse tipo de tumor também pode ser in situ ou invasor e normalmente acomete as duas mamas;

– Carcinoma inflamatório: é um tipo raro de câncer de mama que compromete toda a mama por ser altamente invasor, deixando-a quente, inchada e vermelha, como numa inflamação.

– Sarcoma de mama: são tumores originados dos tecidos conjuntivos (músculo ou gordura) da mama. Podem ser: fibro-histiossarcoma maligno, fibrossarcoma, leiomiossarcoma;

– Tumores raros de mama, como a doença de Paget, que se inicia no mamilo; linfomas, que acometem o sistema linfático da mama; carcinoma mucinoso, carcinoma medular, carcinoma tubular, carcinoma papilífero, tumor filóide maligno, dentre outros.

Epidemiologia

Frequência de mulheres e homens com câncer de mama

Estatísticas câncer de mamaO câncer de mama pode ocorrer tanto em homens como em mulheres, no entanto, é muito mais comum em mulheres (nos Estados Unidos, por exemplo, mil vezes mais mulheres são afetadas pelo câncer de mama do que homens).
Nos países ocidentais, este tipo de câncer é uma das principais causas de morte entre as mulheres.

O câncer de mama em relação a outros tipos de câncer

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum no mundo (isso pode variar dependendo do país) e tipo de câncer mais comum entre as mulheres, correspondendo a quase 22% dos novos casos de câncer.

Taxa de sobrevida no câncer de mama

A taxa de sobrevida de 5 anos é de 61% a nível mundial. Já em um país desenvolvido como os Estados Unidos, a taxa de sobrevida de 5 anos ao câncer de mama é de 89% (fonte: Webmd.com, outubro de 2012).

De acordo com pesquisadores americanos, em um artigo de junho de 2014 sobre a mamografia 3D, um novo método de triagem permite diminuir erros de diagnóstico (positivos e negativos). Eles também observaram a taxa de sobrevida, que em cinco anos foi de 97% se o câncer for detectado suficientemente cedo e ainda não ter se espalhado para além da mama.

Frequência na população

Nos Estados Unidos, uma em cada oito mulheres teve, tem ou terá câncer de mama. Em outros países, como o Japão, a proporção de mulheres afetadas pelo câncer de mama é menor (diferentes hábitos alimentares ou a genética podem explicar a discrepância).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de câncer de mama aumentou 10 vezes desde 1960 e 1970. No entanto, a partir dos anos 2000, houve uma estabilização nos números de casos (pelo menos nos países ocidentais), possivelmente devido a uma melhor triagem e detecção do câncer bem como a uma diminuição na adesão da terapia hormonal de substituição (THS).

– Nos Estados Unidos, a taxa de sobrevida de cinco anos para câncer de mama é de 90% no início de 2020, de acordo com um artigo do Wall Street Journal publicado em 10 de janeiro de 2020.

Número de casos de câncer de mama (diagnóstico e morte)

Em 2011, havia 1,5 milhões de pessoas diagnosticadas com câncer de mama no mundo [fonte: Relatório Mundial do Câncer de Mama 2012].

De acordo com a OMS, o câncer de mama provoca 450 mil mortes anualmente em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, em 2012, estima-se que houve 226.870 mulheres e 2.150 homens diagnosticados com câncer de mama. Estima-se também que neste mesmo ano, o número de mortes em decorrência do câncer de mama foi de 39.510 mulheres e 410 homens (fonte: Webmd.com, outubro de 2012).

Idade média no diagnóstico
Nos Estados Unidos, a idade média no diagnóstico do câncer de mama é 61 anos.

Causas

câncer de mama causasO câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores, tanto genéticos quanto ambientais, podem influenciar o aparecimento e o desenvolvimento do câncer de mama.
Cientistas estimam que 5-10% dos casos de câncer de mama estejam relacionados a mutações gênicas que foram transmitidas através da família, sobretudo os genes BRCA1 e BRCA2 que também podem aumentar as chances de câncer de ovário. A idade constitui outro fator de risco para a doença, uma vez que há um aumento rápido na incidência do câncer de mama à medida que se envelhece (principalmente após os 50 anos).

Outros fatores de risco que os cientistas acreditam estar relacionado ao câncer de mama são:

– Ser do sexo feminino;

– Exposição à radiação ionizante em idade inferior a 35 anos;

– Obesidade;

– Menarca precoce (idade da primeira menstruação);

– Menopausa tardia (idade da última menstruação);

– Ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos;

– Nuliparidade (não ter filhos);

– Fazer terapia de reposição hormonal pós-menopausa;

– Ingestão regular de álcool, mesmo em quantidades moderadas;

– Ocorrência anterior de câncer de mama, sendo esse um dos principais fatores de risco para desenvolvimento de uma nova doença;

– Trabalho no período noturno para mulheres (veja também pessoas em risco câncer de mama).

Microbiota e câncer de mama
Um estudo descobriu que as mulheres com câncer de mama tinham uma menor concentração de bactérias Metilbacterium no tecido mamário do que as mulheres sem câncer. O papel ou o efeito das bactérias no tecido mamário, também é conhecido como microbiota mamária, e no câncer de mama ainda não é conhecido. Este estudo, realizado principalmente pela renomada instituição americana Cleveland Clinic, foi publicado online em 5 de outubro de 2017 no periódico científico Oncotarget (DOI: 10.18632 / oncotarget.21490).

Grupos de risco

O câncer de mama pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres, entretanto, esse tipo de câncer é muito mais comum em pessoas do sexo feminino, sobretudo acima dos 60 anos, sendo esse o principal grupo de risco da doença.

Pacientes que tiveram na família casos de câncer de mama na mãe, irmã ou filha também constituem um grupo de risco para o desenvolvimento da doença. Outros grupos de risco incluem pacientes que tiveram menarca muito jovem ou menopausa muito tarde, pacientes sob tratamento de reposição hormonal ou tiveram exposição muito grande a hormônios femininos e pacientes com a primeira gravidez em idade avançada.

Grupos de risco câncer de mamaUm sumário dos principais fatores de risco para a doença está abaixo:
– Ser do sexo feminino
– Aumento de idade
– Histórico de câncer de mama na família
– Herança genética, sobretudo o gene BRCA1 e BRACA2
– Exposição à radiação na região torácica quando criança ou jovem
– Obesidade, uma vez que o tecido adiposo produz estrogênio que atua como na alimentação do tumor

É importante ressaltar que o câncer de mama é uma doença que depende de muitos fatores, tanto genéticos quando ambientais. Se você está em algum grupo de risco, consulte regularmente o seu médico e faça exames periódicos.

Fatores de risco para o câncer de mama

Recentemente um relatório avaliou fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Segundo o estudo, os fatores de risco mais importantes são: exposição a radiações de exames, tratamentos de reposição hormonal, excesso de peso, fumo passivo e consumo de álcool. A redução na exposição a esses fatores leva à redução do risco de desenvolvimento da doença. A pesquisa ainda aponta que há pouca informação sobre o risco de produtos químicos, muitos deles usados em plásticos ou como corantes, o que torna o seu uso preocupante.

Trabalho notuno para as mulheres, sem impacto segundo um estudo de 2016

– Um estudo francês publicado em junho de 2012 pelo INSERM (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) mostrou que o trabalho no período noturno para mulheres aumenta o risco de desenvolver câncer de mama em 30%. Segundo os pesquisadores, o trabalho noturno perturba o funcionamento normal do relógio biológico, que nas mulheres aumenta o risco de ficar doente. O ritmo circadiano regula o ciclo sono-vigília e muitas outras funções biológicas. O estudo (realizado em uma amostra de trabalhadores no centro-oeste da França), mostra que o risco de câncer de mama associado com o trabalho no período noturno é idêntico a outros fatores de risco conhecidos, tais como mutações genéticas, o tratamento hormonal ou a idade da primeira gravidez. Este estudo também mostrou que o risco é particularmente elevado entre as mulheres que trabalharam durante toda a noite por mais de quatro anos ou alternando com períodos de dia e de noite. O risco é ainda maior, de 50% em vez de 30% entre as mulheres que começaram a trabalhar a noite antes de sua primeira gravidez.

– No entanto, um estudo publicado em outubro de 2016 na revista cintífica  Journal of the National Cancer Institute estima que o impacto do trabalho noturno sobre câncer de mama é muito baixo ou zero. Os pesquisadores da Universidade de Oxford no Reino Unido analisaram os dados de 800.000 mulheres a partir de três estudos que avaliavam o efeito do trabalho noturno sobre o câncer de mama. Os cientistas britânicos não constataram um aumento de câncer de mama em mulheres que trabalham à noite, mesmo se elas trabalhavam durante a noite por muitos anos. Eles também realizaram uma meta-análise, análise de estudos, desta vez envolvendo 1,4 milhões de mulheres a partir de 10 estudos diferentes e chegou à mesma conclusão, o impacto do trabalho noturno sobre câncer de mama provou ser muito baixo ou zero.

Sintomas

O câncer de mama apresenta sinais e sintomas que quando detectados precocemente, aumentam as chances de cura da doença. Os sintomas mais comuns são:

Sintomas câncer de mama

– Nódulo mamário ou um espessamento de parte da mama que a deixe diferente do tecido em volta;

– Secreção de sangue ou algum outro líquido pelo mamilo;

– Mudança no formato ou tamanho da mama;

– Mudança na pele da mama, como aparecimento de ondulações ou covas;

– Inversão do mamilo para dentro da mama;

– Descamação da pele dos mamilos;

– Vermelhidão ou corrosão da pele da mama, semelhante à casca de uma laranja;

– Mudanças de cor, reentrâncias ou enrugamentos em uma determinada área da mama;

– Presença de um ou mais nódulos nas axilas;

– Sensação de calor, rubor ou inchaço na mama.

É importante ressaltar que nem todo nódulo mamário é um câncer de mama. Cerca de 4 dentre 5 casos de nódulos mamários que são diagnosticados são benignos. Entretanto, é sempre importante que um médico faça o diagnóstico correto.

Os sintomas de câncer de mama masculino são bem semelhantes ao feminino e na suspeita, um médico sempre deve ser consultado.

Diagnóstico

Diagnóstico câncer de mamaO diagnóstico do câncer de mama, quando feito precocemente, aumenta as chances de cura da doença. É importante que mensalmente o paciente faça o auto-exame em sua casa, na frente do espelho, observando se houve alguma alteração nas mamas, como aparecimento de nódulos, descamação da pele da mama, liberação de secreção pelos mamilos etc. Caso haja alguma anormalidade com o tecido da mama, um médico deverá ser consultado e ele poderá aplicar alguns exames para auxiliar o diagnóstic

– Mamografia: a mamografia é um raio-X das mamas que permite a detecção precoce do câncer, uma vez que esse exame é capaz de mostrar lesões muito pequenas, em sua fase inicial. O exame é realizado no mamógrafo, que comprime a mama com a finalidade de fornecer melhores imagens de raio-X.

– Ultrassom das mamas: nesse exame, ondas sonoras são usadas para produzir imagens do interior da mama.

– Ressonância Magnética: a ressonância magnética tem por função mostrar imagem do interior da mama. Antes do exame, o paciente recebe uma injeção de corante.

– Biópsia: a biópsia remove uma parte das células suspeitas e ajuda a determinar se são realmente malignas ou não. Uma amostra de biópsia também analisa qual o tipo de célula envolvida no câncer de mama, qual o seu estágio de evolução, o grau de agressividade e se a célula possui receptores hormonais ou não.

– Auto-exame: o auto-exame das mamas é feito pelo próprio paciente, mas não deve ser considerado isoladamente como estratégia para detecção precoce do câncer de mama. A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça partedas ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo. ATENÇÃO: o auto-exame não deve substituir os testes convencionais para detecção do câncer de mama.

Uma vez detectado o câncer de mama, o médico pode solicitar mais exames para saber qual o estágio de evolução do tumor. Esses exames incluem:

– Testes de sangue;

– Mamografia da outra mama;

– Raio-X do tórax;

– Exames de ressonância magnética por imagem;

– Escaneamento dos ossos;

– Tomografia computadorizada;

– Tomografia de emissão de pósitrons.

Esses exames ajudam a detectar em qual nível o tumor está e qual o grau de comprometimento de tecidos e órgãos vizinhos.

O câncer de mama tem estágios de 0 a IV dependendo da sua gravidade e grau de invasão.

Estágio 0 O câncer é considerado carcinoma in situ, ou seja, ainda não é invasivo.
Estágio I O tumor é invasivo e possui menos de 2 cm de diâmetro, não se espalhando pelos linfonodos.
Estágio II

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Os linfonodos podem estar envolvidos. Esse estágio pode ainda ser dividido em:Estágio IIa: – o tumor tem menos que 2 cm e se infiltrou para os linfonodos axilares;

– o tumor tem entre 2 e 5 cm mas não atingiu os linfonodos axilares;

– não há evidência de tumor na mama, mas existe tumor nos linfonodos axilares.

Estágio IIb: – o tumor tem entre 2 e 5 cm e atinge linfonodos axilares;

– o tumor é maior que 5 cm mas não atinge linfonodos axilares.

Estágio III O tumor é localmente avançado e pode ou não ter se espalhado para linfonodos e tecidos próximos da mama. Pode ser subdividido em:Estágio IIIa: – tumor menor que 5 cm que se espalhou para linfonodos axilares aderidos uns aosoutros ou a outras estruturas vizinhas;

– O tumor é maior que 5 centímetros, atinge linfonodos axilares os quais podem ou não estar aderidos uns aos outros ou a outras estruturas vizinhas.

Estágio IIIb: o tumor infiltra a parede torácica e causa inchaço , ulceração ou pode ser diagnosticado como câncer de mama inflamatório. Pode ou não ter atingido linfonodos axilares, mas não atinge outros órgãos do corpo.

Estágio IIIc: o tumor de qualquer tamanho que não se espalhou para outras partes do corpo mas atingiu linfonodos acima e abaixo da clavícula ou linfonodos dentro da mama ou abaixo do braço.

Estágio IV O câncer é metastático e pode ter atingido outros órgãos do corpo humano, como pulmões, fígado, cérebro etc.

Complicações

O câncer de mama, quando diagnosticado cedo, aumenta suas chances de cura e evita que o câncer invada outros tecidos e órgãos.

complicação do câncer de mama Uma grave complicação do câncer de mama é a sua capacidade de invadir outros órgãos, ocasionando crescimento tumoral em diversas partes do corpo, como pulmões, rins, fígado, cérebro e ossos. A hipercalcemia é a maior complicação metabólica do câncer de mama, estando normalmente relacionada à presença de metástase óssea (cerca de 80% das pacientes evoluem para metástase óssea). No quadro de hipercalcemia, o paciente apresenta fadiga, náusea, vômitos, constipação, cefaléia, poliúria (necessidade de urinar muitas vezes ao dia) e desidratação. Quando não tratada, o paciente pode ainda apresentar confusão mental, sonolência e coma.

Metástase cerebral também é uma das complicações do câncer de mama, que atinge de 5,9 a 39% dos casos. Nesse caso, o paciente pode apresentar aumento da pressão intracraniana e cefaléia. A compressão medular também pode ser decorrente da metástase cerebral do câncer de mama. Nesse caso, os principais sintomas são dor, fraqueza, disfunção autônoma e diminuição da sensibilidade.

A metástase leptomeníngea (que atinge as meninges) é mais freqüente no carcinoma lobular e os pacientes podem reclamar de cefaléia, diplopia (visão dupla), deficiência auditiva, fraqueza de membros etc.
Outras complicações das metástases do câncer de mama incluem derrame pleural neoplásico, linfagite carcinomatosa (quando a metástase é torácica) e linfedema de braço (obstrução da circulação linfática que causa tumefação de algum órgão).

Tratamentos

Os tratamentos para o câncer de mama são definidos de acordo com o tipo e grau de evolução do tumor, bem como se o tumor é sensível a hormônios e outros aspectos que possam ajudar na melhora da saúde do paciente.

Estratégias cirúrgicas

Estratégias cirúrgicas

Os procedimentos cirúrgicos para o câncer de mama incluem:

– Lumpectomia: nessa cirurgia, é removido o tumor e parte do tecido ao redor da massa tumoral. A lumpectomia é reservada para tumores pequenos e que são facilmente separados do resto do tecido.

– Mastectomia parcial e quadrantectomia: esta cirurgia remove mais tecido ao redor do tumor que a lumpectomia. Na quadranctomia, remove-se ¼ da mama.

– Mastectomia total: nessa cirurgia, remove-se todo o tecido da mama com o tumor. A mastectomia pode envolver a retirada de todo o tecido da mama (tecido gorduroso, ductos, pele, aréola e mamilos) ou também retirada do tecido muscular sob a mama, juntamente com linfonodos axilares.

– Remoção de linfonodos: o câncer de mama pode, por vezes, se espalhar para os linfonodos. O cirurgião determinará se um ou mais linfonodos axilares necessitam ser removidos para evitar que o câncer se espalhe para outros órgãos.

As cirurgias podem ter complicações inerentes à técnica, como sangramentos e infecções.

No caso da remoção total da mama, as mulheres podem optar por reconstrução após a cirurgia. As opções incluem reconstrução com implantes sintéticos ou com o próprio tecido da paciente.

Radioterapia

A radioterapia usa raios altamente energéticos para matar as células do câncer. Normalmente, emprega-se grandes máquinas para lançar radiação na região afetada, entretanto, a radiação pode ser administrada colocando-se um material radioativo dentro do corpo do paciente (braquiterapia).

Radiação externa é normalmente usada após a lumpectomia para cânceres que estão em estágio inicial. Médicos também podem recomendar a radioterapia para a mastectomia total de cânceres que estão em estágio avançado.

Os médicos estão usando cada vez mais testes genéticos para identificar o grau de agressividade do tumor, alguns testes podem identificar até 70 genes, para escolher o tratamento mais adequado em casos de câncer de mama.

Por exemplo, após a cirurgia, o médico pode executar um teste genético para decidir realizar ou não a quimioterapia.

Quimioterapia

Estratégias cirúrgicasNa quimioterapia, utilizam-se medicamentos para matar as células tumorais. Se o câncer tem alta chance de recidiva ou de se espalhar para outras partes do corpo, o médico pode indicar a quimioterapia após a cirurgia de remoção do tumor para diminuir as chances de complicação.
Às vezes medicamentos são administrados antes da cirurgia de tumores grandes, sendo esse procedimento chamado de quimioterapia neoadjuvante. O objetivo desse tratamento é diminuir o tamanho do tumor, tornando sua remoção mais fácil.

A quimioterapia também é indicada para pacientes com metástase.

– Hormonioterapia: esse tipo de tratamento é indicado para tumores que são sensíveis a hormônios femininos: estrógeno e progesterona. Medicamentos dessa classe sã medicamentos que impedem que os hormônios se liguem às células tumorais (tamoxifen); medicamentos que interrompem a produção de estrógenos após a menopausa (inibidores de aromatase como anastrozol, letrozol e exemestano); cirurgia ou medicamentos que interrompem a produção de hormônios pelos ovários.

– Drogas-alvo: esses medicamentos são específicos para anormalidades encontradas nas células tumorais como superexpressão de receptores ou proteínas. Alguns deles sã trastuzumabe, bevacizumabe e lapatinibe.

A quimioterapia pode apresentar muitos efeitos colaterais, como perda de cabelo, redução do peso, diminuição da imunidade, alteração de células do sangue, fadiga, problemas gastrintestinais, dentre outros.

Atualmente há testes clínicos para novas drogas que ajam no câncer de mama e causem menos efeitos colaterais. Além disso, testes feitos com a droga ácido zoledrônico têm sido conduzidos para evitar a recorrência do câncer de mama. Outra estratégia é usar combinações dos fármacos já existentes para contornar problemas de resistência apresentados pelas células tumorais. Por fim, pesquisadores têm estudado a eficácia do uso de altas doses de radiação em pequenas porções da mama durante um curto período para mulheres que passaram por lumpectomia.

Fitoterapia

Fitoterapia câncer de mamaAté agora não há nenhuma planta medicinal indicada para o tratamento contra o câncer de mama. Entretanto um grupo de pesquisadores brasileiros está testando em mulheres o princípio ativo da planta medicinal aveloz (Euphorbia tirucalli). A substância, denominada AM10, mostrou resultados positivos em testes pré-clínicos e possui atividade citotóxica para as células tumorais.
Além dessa planta, pesquisadores do Winship Cancer Institute da Universidade de Emory em Atlanta estão estudando um composto derivado das raízes de uma planta usada na medicina indiana Ayurveda. A molécula, denominada witaferina A apresenta propriedades antitumorais, anti-inflamatórias e radiossenssibilizante.

– A soja ajuda a prevenir o câncer de mama em mulheres que nunca sofreram desta doença e também ajuda a reduzir o risco de recorrência em mulheres já afetadas por esse tipo de câncer.

A soja, rica em isoflavonas, deve idealmente ser consumida na forma de alimentos como tofu ou tempeh orgânico, evitar cápsulas ou suplementos alimentares que não têm o mesmo efeito.

Um estudo chinês mostrou que as mulheres com histórico de câncer de mama que consumirem 11 gramas de proteína de soja por dia podem reduzir o risco de morte e recorrência em cerca de 30%.

– Um estudo publicado em novembro de 2016 na revista especializada JAMA Oncology mostrou que as mulheres com os níveis mais altos de vitamina D tiveram,  em média, uma taxa de sobrevivência de câncer de mama 30% maior em comparação com as mulheres com baixos níveis de vitamina D. Mais de 1600 pessoas foram incluídas neste estudo entre 2006 e 2013. O estudo foi realizado pela Kaiser Permanente em Oakland na Califórnia e pelo Roswell Park Cancer Institute em Nova York.

Dicas

Dicas câncer de mama– O câncer de mama tem cura. Quando detectado precocemente, suas chances de cura são altas. É importante que a mulher sempre faça o auto-exame e consulte regularmente um médico para que ele possa realizar a mamografia. Se você já possui casos de câncer de mama na família, consulte regularmente um médico para que os exames e testes necessários sejam feitos.
– É importante ressaltar que o auto-exame NÃO substitui os exames clínicos convencionais. Mesmo que a mulher não encontre nenhuma alteração nas mamas durante o auto-exame apalpando os seios, um serviço especializado deve ser consultado para que um médico faça o diagnóstico.

– O câncer de mama não é exclusivamente feminino. Embora muito raro em homens antes dos 35 anos de idade, a doença pode atingir o sexo masculino e sua incidência aumenta com a idade. O principal sintoma é aparecimento de um nódulo indolor na região da auréola. Junto com esse sintoma, outros como descamação e retração do mamilo podem aparecer. Portanto, se você é homem fiquei atento com a sua saúde.

câncer de mama dicas – Se você foi diagnosticado com câncer de mama, procure centros de apoio ao paciente para se informar mais sobre a doença. Converse com pacientes que já tiveram a doença e sobreviveram. Mantenha sempre seus amigos e família próximos e procure sempre orientação médica.
Normalmente o tratamento para o câncer de mama traz muitos efeitos colaterais. Converse com o seu médico sobre esses efeitos e peça para que ele lhe oriente com relação ao que fazer para lidar com eles. Terapias alternativas são benéficas para ajudar o paciente a controlar a ansiedade e nervosismo, e elas incluem:

– Exercícios físicos leves, como caminhada, natação e ioga.

– Terapias de relaxamento.

– Técnicas para redução do estresse, como relaxamento muscular, escrita, poesia, teatro, música e grupos de apoio.

É sempre importante ressaltar que o paciente que está sob tratamento para algum tipo de câncer precisa ter atenção redobrada à saúde, para evitar a contração de infecções oportunistas. Mantenha uma dieta sempre saudável e evite excessos.

Prevenção

Algumas atitudes ajudam a prevenir o câncer de mama:

Homeopatia câncer de mama

– Evite o excesso de peso, pois a obesidade aumenta o risco de câncer de mama sobretudo após a menopausa;

– Tenha uma alimentação sempre saudável. Ingira constantemente frutas, verduras e legumes. Muitos vegetais contem antioxidades que reduzem os danos causados ao DNA da célula. Evite ingerir gordura e açúcar (por causar aumento nos níveis de insulina, podem alimentar as células cancerosas) em excesso;

– O consumo de ácidos graxos ômega-3 de peixes gordos, como salmão, atum e sardinhas, uma ou duas vezes por semana pode reduzir o risco de câncer de mama. Na verdade, de acordo com um estudo chinês publicado em junho de 2013 na revista “British Medical Journal”, o consumo de uma a duas porções de peixes gordos (ricos em ômega -3) por semana está associado a uma redução de 14% no risco de câncer de mama.

Os ômegas-3 são ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento e bom funcionamento do corpo humano. Há quatro ácidos que são conhecidos por suas iniciais, EPA, DHA e DPA, que são encontrados principalmente em peixes gordos (salmão, atum, cavala, arenque, sardinha e anchova) e ALA, encontrado em óleos vegetais (nozes, óleo de colza, soja, linho) e, em menor quantidade nas carnes, laticínios e ovos.

Em seu estudo, publicado na revista “British Medical Journal”, os pesquisadores chineses observam, no entanto, que só o ômega-3 de origem marinha tem sido associado a um risco reduzido de câncer de mama, nenhuma “associação significativa” foi observada com os outros ômegas-3;

– Evite o sedentarismo. O esporte e atividade física eliminam toxinas do corpo que podem lesionar celulas e propiciar o aparecimento do câncer;

– Evite o consumo exagerado de álcool, uma vez que o uso do álcool está associado ao aparecimento do câncer de mama;

– A terapia de reposição hormonal pode aumentar os riscos de câncer de mama. Se você já tem histórico familiar de câncer de mama, converse cuidadosamente com seu médico para verificar os potenciais riscos e benefícios da terapia;

– Evite o cigarro, uma vez que o fumo em longo prazo pode aumentar o risco de câncer de mama;

Evite o cigarro

– Mulheres com histórico familiar de câncer de mama e mais de 60 anos podem conversar com seu médico para tomar medicamentos que bloqueiem hormônios, como tamoxifeno e raloxifeno.

Mastectomia preventiva

Mastectomia em mulheres com alto risco de câncer de mama 

As mulheres com alto risco de câncer de mama podem optar pela remoção das mamas, o que é chamado de mastectomia preventiva. A famosa atriz americana de Hollywood Angelina Jolie comunicou em maio de 2013 no jornal “New York Times” que ela havia feito uma mastectomia dos dois seios como medida preventiva. Muitas mulheres da família de Angelina Jolie morreram de câncer de mama, como a sua tia materna, no final de maio de 2013. Ler:Angelina Jolie perdeu sua tia, que morreu de câncer de mama

A mastectomia é uma cirurgia de reconstrução e não uma cirurgia estética, as técnicas cirúrgicas são diferentes. No caso da mastectomia, perde-se a sensibilidade dos seios, pois se retira tecido mamário, já no caso da cirurgia estética não se retira a glândula mamária e se adiciona uma prótese.

A mastectomia de reconstrução pode ter um certo número de complicações (de acordo com um estudo holandês, 35% das mulheres que se submeteram a uma mastectomia dos dois seios, tiveram de ser reoperadas dentro de 5 anos após a cirurgia). Antes de considerar essa operação é muito importante conversar com o seu médico. A mastectomia deve ser reservada para mulheres com alto risco, como a Sra. Angelina Jolie, que apresentava um risco de 87% de desenvolver câncer de mama, de acordo com o comunicado. Após esta cirurgia preventiva o risco caiu para 2% [Fonte: France 5  “C dans l’air”, 27 de maio de 2013].

A remoção preventiva dos ovários é outra opção viável.

Em 24 de março de 2015, na versão online do New York Times, Angelina Jolie anunciou que no início de março 2015 tinha feito uma remoção dos ovários e trompas de falópio com o objetivo de reduzir o risco de desenvolver câncer de ovário. Antes da remoção dos ovários, o risco de desenvolver este tipo de câncer para Angelina Jolie, levando em conta o gene BRCA1, era de 50%. Após a cirurgia, oncologistas acreditam que o risco de desenvolver esse tipo de câncer caiu 80-90% ou mais (fonte: CBSnews.com, acessado em 25 de março de 2015).

Mastectomia após a descoberta do câncer em uma das mamas

De acordo com um estudo americano publicado em maio de 2014, cerca de 70% das mulheres decidem se submeter a uma mastectomia total após a descoberta do câncer em uma das mamas, mesmo havendo um risco muito baixo de desenvolver um tumor no peito que não está doente. “Este é o medo entre as mulheres, o ressurgimento do câncer, que as levou a decidir a mastectomia profilática. O que é absurdo, porque o ato de retirar a mama não afetada  ou reduz o risco de recorrência do tumor na mama afetada”, disse o Dr. Sarah Hawley, professor de medicina do Centro de Câncer da Universidade de Michigan, principal autor do estudo.

Mulheres com história familiar de câncer de mama ou ovário, ou que são portadores de mutações dos genes BRCA1 (caso da Angelina Jolie) ou BRCA2 podem ser recomendadas à remoção do outro seio, porque o risco de desenvolver câncer nestes casos é muito alto. Segundo os pesquisadores, esse grupo representa cerca de 10% de todas as mulheres diagnosticadas com câncer de mama. As outras têm muito pouco risco de desenvolver câncer na outra mama. Este trabalho científico mostrou que entre as mulheres que se submeteram a uma mastectomia dupla, quase 70% não tinham história familiar de câncer de mama ou tinham sido testadas para BRCA1 e BRCA2.

Este estudo foi publicado na revista especializada Journal of the American Medical Assocation (JAMA) Surgery (Revista da Associação Médica de Cirurgia).

– A amamentação prolongada reduz os riscos de câncer de mama. Mulheres que amamentam por mais de 1 ano tem riscos menores de desenvolver a doença;

– Embora você não possa prever o câncer de mama com testes e exames, é sempre importante tê-los em dia para detecção de qualquer anormalidade. Converse sempre com o seu médico sobre quais exames devem ser feitos e o período adequado. Pratique o auto-exame sempre lembrando que ele não substitui exames de sangue e a mamografia;

– As mulheres que comem regularmente alimentos de soja têm um risco menor de desenvolver câncer de mama. Isto foi revelado em um estudo japonês publicado em março de 2008. Mulheres com altos níveis de genisteína, uma isoflavonas contida na soja, são menos propensas ao câncer de mama do que as mulheres com baixos níveis, de acordo com um estudo do Centro Nacional do Câncer, em Tóquio.

O risco de câncer para mulheres com alto nível de genisteína foi três vezes menor do que para aqueles com a menor concentração. Por exemplo, o estudo diz que as mulheres com alto nível de genisteína consumiam 100 gramas de tofu ou 50 gramas de “natto” por dia, em média.

No entanto, o estudo alertou que o consumo excessivo de genisteína, particularmente sob a forma de suplemento dietético, podia inversamente aumentar o risco de câncer de mama (lembrou também que a soja, especialmente sob a forma de suplemento dietético, é contra-indicada em casos de câncer de mama diagnosticados).

Prevenção câncer de mama– Um estudo americano publicado no início de 2014 mostrou que a adoção de uma dieta rica em tomates, com o consumo de pelo menos 25 mg por dia de licopeno (uma substância presente no tomate), por mulheres na pós-menopausa reduz o risco de câncer de mama, devido ao aumento da concentração de adiponectina. Este hormônio está associado com a diminuição do risco de câncer de mama, de acordo com estudos anteriores. O estudo americano foi realizado pelo The Ohio State University Comprehensive Cancer Cente, nos Estados Unidos, e analisou 70 mulheres na pós-menopausa. Todas elas apresentavam um risco de câncer de mama, como casos de câncer na família ou obesidade.

Dieta mediterrânica com azeite para prevenir o câncer de mama

De acordo com um estudo espanhol (chamado PREDIMED) publicado em setembro 2015 na revista JAMA: Internal Medicine, as mulheres que seguiram uma dieta mediterrânea e consumiram mais de 4 colheres de sopa de azeite de oliva prensado a frio por dia tinham 62% menos probabilidade de serem diagnosticadas com câncer de mama quando comparadas àquelas que seguiram uma dieta mediterrânea baixa em gorduras com complementa com nozes. Este estudo envolveu mais de 4.000 mulheres com idades entre 60 e 80, que foram acompanhados por 5 anos. Parte das participantes tinha que seguir uma dieta mediterrânea com uma ingestão diária de nozes, sendo que a outra parte tinha de tomar 4 colheres de sopa de azeite, e uma terceira parte tinha de seguir uma dieta mediterrânea sem suplementação alimentar, mas comendo alimentos de baixo teor em gordura. Entre os 4.000 participantes do estudo seguido por 5 anos, 35 desenvolveram câncer de mama.

Os participantes que seguiram a dieta com nozes adicionais não mostraram redução estatisticamente significativa no risco de câncer de mama. Finalmente, a dieta com suplementação de azeite de oliva foi a única capaz de reduzir significativamente o risco de câncer de mama.

Os pesquisadores acreditam que os antioxidantes que encontramos em grandes quantidades no azeite de oliva prensado a frio são a causa destes efeitos contra o câncer. Os antioxidantes ajudam a matar as células cancerosas e, portanto, parar o crescimento do tumor.

Em um artigo publicado no site da Harvard Medical School, o cientista Daniel Pendick comenta sobre este estudo e observa que estes resultados devem ser confirmados (ou não) em uma amostra maior de participantes, pois de acordo com ele apenas 35 casos de câncer não foram estatisticamente o suficiente para tirar conclusões definitivas.

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Fontes:
Harvard Medical School, JAMA: Internal Medicine, Journal of the American Medical Assocation (JAMA) Surgery, The Wall Street Journal

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Fotolia.com

Atualização:
Este artigo foi modificado em 20.02.2020

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 20.02.2020

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