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Sepse

Definição

Sepse definiçãoA sepse, também conhecida como septicemia ou sépsis, é uma doença que afeta o sistema imunológico. Trata-se de uma condição grave, que é a complicação de uma infecção na maioria dos casos. Normalmente, a função do sistema imunológico é nos proteger contra ataques, tais como agentes infecciosos. Entretanto, em algumas doenças, como a septicemia, este sistema de defesa se volta contra o corpo, condição também conhecida como doença autoimune.

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Definição precisa da sepse (sépsis)
Uma definição da sepse proposta em 2016 por 2 associações científicas europeias (Society of Critical Care Medicine & the European Society of Intensive Care Medicine) é a seguinte: um distúrbio colocando a vida em perigo, provocado por uma resposta desregulada do hospedeiro em face de uma infecção.

Epidemiologia

– Em todo o mundo, estima-se que existam cerca de 28 milhões de casos de sepse por ano, com 8 milhões de mortes.No início de 2018, a Universidade de Pittsburgh, que publicou um estudo sobre esta doença, estimou que 14 milhões de pessoas em todo o mundo sobrevivem à hospitalização por sepse a cada ano.

– Nos Estados Unidos, estima-se que de 1 a 2 milhões de americanos apresentem sépsis todos os anos. Contabiliza-se neste país aproximadamente 500.000 óbitos. De acordo com a emissão da NPR (rádio pública americana) de abril de 2017, o cientista John McDonough estima que há cerca de 2 milhões de casos de sepse a cada ano nos EUA, com uma mortalidade de cerca de 30%. Segundo John McDonough, cerca de 25% das pessoas que sofrem de câncer não morrem de câncer em sim de uma sepsis.

– De acordo com o relatório do ILAS (Instituto Latino Americano de Sepse), estima-se que o Brasil tenha cerca de 400 mil casos de sepse por ano, acarretando 200 mil mortes e elevados custos para o país, o que se torna um grave problema de saúde pública. Em 2003 aconteceram 398.000 casos e 227.000 mortes por choque séptico no Brasil, sempre de acordo com o ILAS.

Um estudo publicado em 18 de janeiro de 2020 na prestigiada revista médica The Lancet (DOI: 10.1016 / S0140-6736 (19) 32989-7) mostrou que a septicemia (sepse) causa uma em cada cinco mortes em todo o mundo, o dobro do que se acreditava anteriormente. Mais de 40% de todos os novos casos ocorrem na primeira infância. Infecções do trato respiratório inferior (como bronquite, bronquiolite, gripe ou pneumonia) estão entre as causas subjacentes mais comuns dessas mortes, segundo os pesquisadores. Países de baixa e média renda, como os africanos, estão de longe entre os mais afetados.

Causas

A septicemia é muitas vezes causada por uma infecção, tal como um vírus ou bactéria. As bactérias que geram pus (também chamadas de germes piogênicos), como os estreptococos e os estafilococos, estão particularmente em risco de causar sepse quando formam focos infecciosos secundários. Outras causas podem levar a sepse como a presença de outra doença autoimune, uma cirurgia (como a lipoaspiração), etc.

Fisiologicamente, a sepse é uma resposta do sistema imunológico a uma infecção de maneira exacerbada e muito longa. Dois tipos de infecções bacterianas que são muitas vezes a causa de sepse, especialmente nos idosos, são a pneumonia e infecções urinárias. Fatores genéticos também podem ser a causa da sepse.

Patofisiologia
De acordo com um estudo publicado em 8 de abril de 2016 na revista especializada American Journal of Pathology, uma proteína chamada SHARPIN, com papel específico na regulação anti-inflamatória, poderia apresentar efeito favorável na luta contra a sepse , conforme indicado por uma pesquisa realizada em ratos e seres humanos. Em pacientes com um baixo nível de SHARPIN, o desenvolvimento de medicamentos que possibilitem aumentar a quantidade desta proteína poderia ter efeito positivo em caso de sepse .  Esta pesquisa foi realizada pela Universidade Goethe (Goethe-Universität) de Frankfurt am Main, na Alemanha.

Algumas doenças como a diverticulite podem levar a complicações como a sepse.

Grupos de risco

Algumas pessoas correm maior risco de desenvolver sepse, como aquelas com mais de 65 anos, que sofrem de diabetes ou de câncer, que tomam medicamentos imunossupressores e que possuem sistema imunológico debilitado (por exemplo, na AIDS). Os bebês também estão em maior risco de sepse do que os adultos, de acordo com a Mayo Clinic.

Idosos e bebês ou crianças muito novas correm maior risco porque o sistema imunológico tende a ser mais fraco nos idosos e não está totalmente desenvolvido em bebês.

Sintomas

Os sintomas podem ser febre alta, fadiga, aumento da frequência cardíaca, respiração rápida, palidez, perda de consciência (síncope), etc. Algumas pessoas com sepse podem sofrer de distúrbios mentais. Caso a sepse não seja adequadamente tratada, a doença pode levar a insuficiência de órgãos como os rins, cérebro ou coração, conduzindo o paciente à morte.

Ao nível bioquímico, uma pessoa que sofre de sepse tem frequentemente uma alta contagem de células brancas do sangue, níveis elevados de marcadores inflamatórios, etc.

Aparição súbita
Os sintomas de sepse muitas vezes aparecem de repente e brutalmente. Por exemplo, uma pessoa com infecção do trato urinário pode apresentar sintomas leves e, de repente, apresentar os sintomas típicos da sepse.

Choque séptico 
Se a sepse não for controlada, pode evoluir para um choque séptico – um estágio grave que ocorre quando a pressão arterial cai e os órgãos (por exemplo, coração, pulmões, rins) param.

Complicações

Estima-se que de 20 a 50% dos pacientes morram em razão de complicações de sépsis. Para os sobreviventes, as sequelas podem ser graves: amputações, lesões pulmonares e renais.
Nos Estados Unidos, a sépsis mata mais que o HIV e que o câncer de mama.

Tratamentos

Os tratamentos para sepse são pouco específicos e se baseiam principalmente na prevenção, como o cuidado de feridas.

Pessoas com sepse podem necessitar de hospitalização.

Medicamentos
Os antibióticos, especialmente os de amplo espectro, podem fazer parte do tratamento.
Além dos antibióticos, outros medicamentos podem ser usados para tratar os sintomas como a hipotensão arterial.
Os tratamentos específicos para sepse ainda não foram comprovados.
Corticosteróides
Quando grandes doses de vasopressores são necessários ou a pressão arterial não responde bem em caso de sepse, a hidrocortisona é frequentemente utilizada pela equipe médica. Nesse caso, o tratamento precoce com hidrocortisona reduz o risco de morte e outros efeitos colaterais, conforme demonstrado em estudo publicado em setembro de 2020 na revista SHOCK® (DOI: 10.1097 / SHK.0000000000001651).

Choque séptico
As pessoas cujo estado de saúde evolui para um choque séptico, muitas vezes necessitam de cuidados em uma unidade de terapia intensiva, onde recebem oxigênio e fluidos IV. Os pacientes também podem precisar de uma máquina para ajudá-los a respirar.

É muito importante tratar as doenças infecciosas, como pneumonia, infecção do trato urinário, meningite, apendicite, furúnculos, dores de dente, paroníquia, para evitar complicações e risco de sepse.

Dicas

Em idosos com casos de cistite e com necessidade frequente de urinar, ou com pneumonia, com tosse intensa e com dificuldades de respirar, é importante procurar atendimento médico imediato para evitar complicação.

Recuperação após hospitalização por sepse (estudo)
Cerca de metade dos pacientes hospitalizados por sepse e que sobreviveram à doença não se recuperaram totalmente, de acordo com um estudo da Universidade de Pittsburgh e da Universidade de Michigan, publicado em 2 de janeiro de 2018 na revista científica Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana) (DOI: 10.1001/jama.2017.17687). Cientistas dos EUA mencionam um estudo que revelou que apenas 43% dos pacientes, que estavam empregados, retornaram ao trabalho após um ano do choque séptico (sepse). Para ajudar os pacientes que sobreviveram à sepse a se recuperarem melhor e para ajudar a equipe médica a gerenciar melhor a doença, os cientistas das universidades de Pittsburgh e Michigan identificaram três aspectos importantes ao revisar os estudos publicados sobre o assunto:
1. Estabeleça os primeiros cuidados de alta qualidade para a sepse, incluindo protocolos rápidos para ajudar o paciente a combater a infecção e a controlar a dor por meio de sedação leve que permita que o paciente esteja acordado e bem orientado diariamente, bem como incentivar a mobilidade precoce durante a hospitalização do paciente.
2. Avaliação pós-alta hospitalar e tratamento que leve os pacientes à reabilitação por meio de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia logo após a alta, e uma orientação rápida para os cuidadores caso novos problemas ou distúrbios se desenvolvam.
3. Triagem de pacientes para doenças que podem estar presentes antes da hospitalização, como hipertensão arterial, e ajuste da terapia medicamentosa pós-alta hospitalar tendo em conta a maior suscetibilidade dos pacientes a novas complicações. Pacientes e cuidadores também devem ser informados e treinados sobre a sepse e os detalhes da sua permanência no hospital.

Fonte:
Universidade de Harvard, Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), 10.1001/jama.2017.17687), Mayo Clinic (dezembro de 2018), The Lancet (DOI: 10.1016 / S0140-6736 (19) 32989-7), SHOCK® (DOI: 10.1097 / SHK.0000000000001651).

Redação: 
Xavier Gruffat (Farmacêutico)

Crédito das fotos:
Fotolia.com

Data da última atualização: 
21.10.2020

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 21.10.2020

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