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Síndrome da fadiga crônica (SFC)

Definição

10 alimentos contra a depressãoA síndrome da fadiga crônica (SFC) é também conhecida como encefalomielite miálgica, um termo preferido pela maioria dos pacientes como afirma a Profa. Maureen R. Hanson, da Cornell University  nos Estados Unidos, em uma entrevista para o Criasaude.com.br em julho de 2016, pois este termo demonstra os sintomas de dor e função anormal do cérebro vivida pela maioria das vítimas desta doença.
De acordo com um estudo publicado em fevereiro 2015 na revista Sciences Advances, a síndrome da fadiga crônica é uma doença biológica e não psicológica. É possível identificar esta doença com marcadores (principalmente citocinas) no sangue. Falamos sobre a síndrome da fadiga crônica quando a fadiga dura mais de 6 meses.
Os pesquisadores testaram os níveis de 51 marcadores do sistema imunológico no plasma de 298 pacientes com esta síndrome e de 348 pessoas saudáveis. Eles descobriram que o sangue dos pacientes que apresentavam esta doença por três anos ou menos continham níveis mais elevados de moléculas chamadas citocinas. No entanto, o sangue de pacientes com a doença há mais de três anos não mostrou esse nível de citocinas. “A ligação parece excepcionalmente forte com uma citocina chamada ‘interferon gamma’, ligada à fadiga depois de muitas infecções virais”, segundo o estudo.

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De acordo com a Columbia University, aproximadamente 90% das pessoas com SFC também sofrem de síndrome do intestino irritável.

Epidemiologia

Nos EUA, 1 a 4 milhões de pessoas sofrem de SFC, pouco mais de 1% da população. As mulheres americanas são de 2 a 4 vezes mais afetadas que os homens, as razões desta diferença entre homens e mulheres ainda não são conhecidas. Em 2015, a National Academy of Medicine estimou que entre 836.000 e 2.5 milhões de americanos sofriam de SFC/EM.

Aparição da doença por faixa etária
A doença aparece principalmente em 2 faixas etárias: nos adolescentes de 15 a 20 anos e nos adultos com idades entre 30 e 35 anos.

Duração da doença
A doença persiste na maior parte do tempo por décadas.
O Prof. José Montoya da Universidade de Stanford (Califórnia), grande especialista em SFC, observou em um comunicado de imprensa de sua universidade, em julho de 2017, que alguns pacientes podem ser curados (remissão) nos primeiros anos, mas raramente o são se a doença persistir por mais de 5 anos.

Nos Estados Unidos, estima-se que 90% das pessoas com SFC/EM não são diagnosticadas.

Causas

As causas não são claramente conhecidas e os tratamentos não são específicos.

– O microbiota intestinal (flora intestinal) pode ser uma causa parcial da SFC. De acordo com um estudo realizado pela Columbia University, a SFC pode estar associada a um desequilíbrio da microbiota. Os cientistas americanos notaram que os níveis de certas bactérias – Faecalibacterium, Roseburia, Dorea, Coprococcus, Clostridium, Ruminococcus et Coprobacillus –  estavam fortemente associados à SFC. Este estudo foi publicado online na revista Microbiome em 26 de abril de 2017.
Leia mais em Sintomas, abaixo.

– Alguns especialistas acreditam que a síndrome da fadiga crônica (SFC) pode ser causada por um vírus (por exemplo, mononucleose, Covid-19, etc.), por estresse, por problemas do sistema imunológico ou mesmo distúrbios hormonais. Estudos descobriram que até 10% das pessoas com os vírus em seu organismo podem desenvolver SFC. Alguns acreditam que essa síndrome seria causada por diferentes fatores.
Observação: os pacientes que sofreram de Covid-19 podem sofrer de síndrome de fadiga crônica (SFC) meses após o início dos primeiros sintomas do coronavírus, conforme observado em um artigo do Wall Street Journal datado de 1 de julho de 2020.

– A síndrome de Sjögren, uma doença autoimune que afeta principalmente as mulheres. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2016 pela Sjögren’s Syndrome Foundation e Harris Interactive que incluiu quase 3.000 pacientes, desses 96% eram mulheres, descobriu que 80% dos pacientes com síndrome de Sjögren também sofriam de fadiga crônica quase toda semana ou mais frequentemente. Cerca de metade dos pacientes com síndrome de Sjögren com olho seco grave (presente em 53% dos pacientes com síndrome de Sjögren na pesquisa mencionada acima) sofriam com fadiga crônica severa.

Ao nível celular
Um estudo publicado em 2017 mostrou que mudanças na química do cérebro – observadas nos níveis de microRNA (ou miRNA) – foram observadas 24 horas após pedalar em uma bicicleta de academia por 25 minutos em pacientes que sofrem de SFC. Os micro-RNAs (em inglês miRNAs) têm a função específica de ligar ou desligar a produção de proteínas das células. Este estudo, conduzido principalmente pelo Centro Médico da Universidade de Georgetown (Georgetown University Medical Center), foi publicado em 10 de novembro de 2017 na revista científica Scientific Reports (DOI: 10.1038/s41598-017-15383-9). Os microRNAs podem atuar como uma assinatura da doença.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco são:

– idade, sabemos que as pessoas por volta dos quarenta ou cinquenta anos são mais afetadas por essa síndrome.

– sexo, a doença é mais comum em mulheres do que em homens.

– stress, sofrer de stress aumenta o risco.

Sintomas

Confirmada a origem infecciosa da Síndrome da Fadiga CrônicaA síndrome da fadiga crônica é caracterizada principalmente por extrema fadiga, dores de cabeça (de um novo tipo, diferente do usual), dificuldade de concentração e dores musculares.
O paciente, por vezes, pode experimentar sintomas do tipo gastrointestinal. Os pesquisadores da Cornell University  conseguiram identificar marcadores biológicos da SFC em bactérias intestinais. A composição bacteriana intestinal, ou microbiota intestinal, dos participantes com síndrome de fadiga crónica (SFC) era diferente em comparação com os participantes saudáveis. Os cientistas têm observado uma diminuição considerável no número de espécies bacterianas. Este estudo foi publicado em 23 de junho de 2016 na revista especializada Microbiome.

Outros sintomas da síndrome de fadiga crônica são a perda de memória, dor de garganta, aumento do volume dos gânglios linfáticos, dor nas articulações sem sinais de inflamação, um sono que não é reparador ou um estado de exaustão que dura mais de 24 horas após o exercício físico ou mental.

Esteja ciente de que os sintomas podem variar de um indivíduo para outro.

Diagnóstico

Como observado pela Clínica Mayo, em um livro publicado em 2016 (Guia de Saúde de A a Z), não há nenhum teste de diagnóstico específico para a síndrome da fadiga crônica. O paciente e o médico, portanto, deveram realizar vários testes diferentes. Outras doenças que levam à fadiga, como a mononucleose ou a doença de Lyme, devem ser excluídas.

O diagnóstico nem sempre é fácil, porque você tem que excluir outras doenças com sintomas semelhantes, como: anemia ou hipotireoidismo.

Os cientistas como os da Universidade de Stanford (Califórnia), no entanto, estão tentando desenvolver mais exames diagnósticos para identificar especificamente os biomarcadores, notadamente as citocinas.

Tratamentos

Existem diferentes tratamentos para a síndrome da fadiga crônica como:

Medicamentos
– Estes incluem principalmente antidepressivos para melhorar o sono e agir contra a dor.

– O uso de antivirais, antiinflamatórios e medicamentos que agem no sistema imune por vezes leva a melhoras sintomáticas na SFC.

Psicoterapia
– Mesmo a causa psicológica sendo rejeitada por alguns cientistas (veja em Definição, acima), a psicoterapia pode ajudar a tratar esta síndrome.

Exercícios físicos
– A prática de exercício físico pode melhorar os sintomas, um estudo publicado em 2016 pela Universidade da Califórnia em San Diego mostrou o efeito anti-inflamatório do exercício físico.

Leia nosso artigo para descobrir outras opções de tratamentos: Confirmada a origem infecciosa da Síndrome da Fadiga Crônica

Plantas medicinais (fitoterapia)

– O ginseng, como medida complementar.

– O alho (consumir 2 dentes de alho por dia), para combater infecções, especialmente virais. Estas são uma possível causa do SFC.

– O astragalus (Astragalus membranaceus), pelo seu efeito imunoestimulante.

Dicas & Prevenção

Algumas dicas podem ajudar em casos de síndrome da fadiga crônica, como:

– Tente relaxar quando puder e aprenda a gerir o stress. A prática da meditação ou yoga pode ajudar a combater o estresse.

– Tente dormir bem. Isto inclui diminuir o café e o álcool.

– Beba muita água, se possível 8 copos por dia (a menos que haja contraindicação médica). A desidratação associada à SFC pode levar a sintomas como tontura e também aumentar a fadiga.

– Tomar coenzima Q10 pode ajudar com SFC.

Leia também as dicas em nosso arquivo completo sobre a fadiga

Fonte & Referência:
Mayo Clinic, Cornell University,  Scientific Reports (DOI: 10.1038/s41598-017-15383-9), The Wall Street Journal.

Pessoa responsável e envolvida na escrita deste arquivo:
Xavier Gruffat (farmacêutico e editor-chefe da Criasaude.com.br).

Update:
11.08.2020.

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 11.08.2020

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