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Transtorno bipolar

Resumo sobre transtorno bipolar

O transtorno (ou psicose) maníaco-depressiva é uma doença psiquiátrica também conhecida como “transtorno bipolar do humor” ou simplesmente “transtorno bipolar”.

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Os sintomas do transtorno bipolar são diferentes de um indivíduo para o outro, uma vez que há diferentes tipos de doença, conhecidos como transtorno bipolar do tipo I e II. As doenças são diferenciadas de acordo com o número e alternância de episódios maníacos e depressivos.

Antigamente, os pacientes com essa doença eram considerados loucos e internados em manicômios. Felizmente, hoje existem medicamentos que podem reduzir bastante as crises, intensidade e duração. Os pacientes podem muito bem viver uma vida normal, desde que tomem a medicação corretamente e regularmente.

Quando os medicamentos são ineficazes, o médico pode utilizar uma combinação de drogas, por exemplo. Em casos extremos, o médico pode lançar mão da eletroconvulsoterapia. Apesar da grande controvérsia em torno desta terapia, essa técnica foi muito utilizada quando não se tinha alternativas medicamentosas disponíveis.

Ao paciente, é importante explicar que ele não está louco e ressaltar a importância de se utilizar a medicação corretamente. As drogas, além de reduzir a frequência e intensidade das crises, reduz o risco de complicações, como pensamentos suicidas.

Definição transtorno bipolar

O transtorno maníaco-depressivo ou transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica caracterizada por alterações de humor, motivo pelo qual a doença é também conhecida como transtorno de humor. O paciente passa por fases que são características de mania (euforia) e depressão. Há também fases mistas em intervalos irregulares, onde o paciente é não é nem maníaco nem depressivo.

Na verdade, existem dois tipos de transtorno bipolar, chamados de I e II. Estes tipos diferem na intensidade da fase maníaca e a sua duração.

Transtorno Bipolar I

O transtorno bipolar I é caracterizado por fases de mania ou mistas que aparecem regularmente. A fase depressiva pode estar presente ou não. Embora a fase depressiva não necessariamente esteja presente, a doença se devolve durante a vida do paciente sem depressão.

Transtorno Bipolar II

No caso de doença bipolar II, o paciente passa por fases depressivas e de hipomania.

A fase maníaca dura, pelo menos, uma semana, com uma mudança no comportamento social, bem como a presença de, pelo menos, quatro dos seguintes sintomas:

– Comportamento excessivo, sem noção de limite.

– Agitação.

– Autoestima inflada, sensação de grandeza.

– Ideias férteis, muita criatividade.

– Diminuição da necessidade de sono, insônia rebelde.

– Facilidade de contato, mas exagerada.

– Distração.

A fase de hipomania assemelha a fase maníaca, exceto para a intensidade. Na verdade, a fase de hipomania não afeta o funcionamento social. Além disso, são necessários pelo menos 4 dias.

A fase mista, como o próprio nome sugere combina os sintomas da mania e da depressão.

A fase depressiva é caracterizada por uma diminuição da atividade física e mental, fadiga, perda do prazer em fazer as atividades diárias. Grande tristeza invade o paciente, que começa a ter desejos de suicídio. A fase depressiva pode começar insidiosamente e sem aviso, na virada de uma fase maníaca.

É importante notar que o paciente irá também, nas suas fases maníaco-depressivas, ter fases neutras ou sem nenhum sintoma.

Você ainda pode observar o caso particular de rápidos ciclos de transtorno bipolar. A perturbação bipolar é caracterizada pela ocorrência de quatro episódios maníacos por ano, pelo menos. Neste caso, o tratamento de escolha será diferente. Em vez disso, o médico usará carbamazepina, uma vez que os sais de lítio são ineficazes em rápida ciclagem de transtorno bipolar.

Causas transtono bipolar

As causas do transtorno bipolar não são conhecidas. Contudo, existe um fator genético. Parece que a expressão ou não-expressão de certos genes provoca o desenvolvimento de doença bipolar. Isso teria impacto sobre a transmissão de impulsos nervosos por neurotransmissores, bem como hormônios. O médico também pesquisa a história familiar dos pacientes antes de fazer um diagnóstico de psicose maníaco-depressiva.

De fato, aqueles com um membro da família em primeiro grau que sofre de transtorno bipolar, têm 10 vezes mais chances de desenvolver a doença, quando comparados ao resto da população. O risco de sofrer de transtorno bipolar é de cerca de 2% na população geral. Assim, em pessoas com história familiar, o risco pode aumentar para 20%.

Note que fatores ambientais não são uma causa em si, mas favorecem o aparecimento da doença em pessoas já favoráveis. Esses fatores podem ser estresse, falta de sono, o consumo de substâncias estimulantes e/ou ilegais, como drogas e bebidas alcoólicas em excesso. Momentos difíceis da vida, como luto, dificuldades de relacionamento, privação social ou profissional, emocional e agressão sexual podem precipitar o aparecimento da desordem em pessoas vulneráveis.

Um grande problema é o fato de que durante a fase depressiva, a falta de autoestima, pode levar o paciente a consumir mais álcool ou mesmo drogas, o que provoca depressão profunda.

Há mais homens do que mulheres com depressão maníaca.

Inflamação, causa da depressão

Alguns pesquisadores acreditam que a depressão e notadamente a maníaco-depressão pode ter, em alguns pacientes, uma origem inflamatória. Na realidade, os cientistas observaram que 40% dos pacientes psiquiátricos (incluindo os com maníaco-depressão) tinham níveis excessivos de moléculas típicas de uma reação inflamatória (por ex. citocinas, proteína C-reativa) no seu sangue.

É por isso que os psiquiatras não hesitam em prescrever medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) como a aspirina ou o celecoxib para completar o tratamento de doenças psiquiátricas, como a depressão.

Grupos de risco transtorno bipolar

Pessoas em risco de desenvolver psicose maníaco-depressiva incluem aquelas que têm um membro da família já está sofrendo da doença, uma vez que há um fator genético envolvido no desenvolvimento da desordem.

Outros fatores de risco incluem o social, profissional e familiar. Ou seja, a história de vida da pessoa. O que ela passou (morte, estupro), situações estressantes (sobrecarga no trabalho), etc. Todos estes eventos desencadearão a doença em pessoas geneticamente dispostas a ao transtorno bipolar. Note que esses fatores não são as causas da doença, mas gatilhos.

É importante notar que a negação da doença pelo paciente, atrasa os cuidados, agravando ainda mais a doença. O rápido estabelecimento de tratamento com medicamentos e aconselhamento reduz significativamente a duração e a intensidade das crises tanto maníacas quanto depressivas. Como resultado, há melhora na qualidade de vida da pessoa, bem como a qualidade de vida para a sua família. Além disso, ele evita comorbidades (abuso de álcool, abuso de drogas) e complicações da doença, como o risco de suicídio, entre outros. Portanto, antes de julgar uma pessoa, certifique-se de que ela não sofre de transtorno bipolar, por exemplo.

Sintomas transtorno bipolar

Durante o transtorno bipolar, o paciente passa por diferentes episódios maníacos e depressivos. O paciente vive períodos neutros também. Estes episódios neutros são intervalos livres em que o paciente não é nem maníaco nem depressivo.

Fases maníacas duram, pelo menos, uma semana, e podem incluir os seguintes sintomas:

– Diminuição da necessidade de sono; insônia.

– Agitação.

– Ideias de grandeza, autoestima inflada.

– Facilidade de contato, ruptura social.

– Ideias férteis, grande criatividade.

– Distração.

– Perda excessiva de limites de comportamento social.

– Alucinações, delírios.

O comportamento excessivo pode resultar em intenso estado de euforia (felicidade pura) ou de outra forma de irritabilidade.

A hipomania dura mais de 4 dias. Alucinações começam a desaparecer.

Fases depressivas são caracterizados pelos seguintes sintomas:

– Grande e crescente tristeza inexplicável.

– Desespero, tristeza.

– Contínua auto-depreciação; auto-culpa exagerada.

– Dificuldade em se mover, para seguir em frente (retardo motor).

– Dificuldade em encontrar novas ideias (retardamento criativo).

– Dificuldade em adormecer e acordar cedo.

– Dificuldade e pouca vontade de comer.

– Dificuldade em falar, de se expressar, de ser compreendido.

– Falta de dinamicidade.

– Ideação suicida.

No transtorno bipolar I, o paciente passa por episódios maníacos recorrentes com ou sem episódios depressivos.

No caso do transtorno bipolar II, o paciente passa por hipomania com episódios depressivos.

Se os episódios maníaco causa profunda dor emocional, o paciente pode ter pensamentos suicidas. As tentativas de suicídio pode ser espontâneas, bem como previamente pensadas. Também é possível que os pacientes cometem homicídio tentando salvar seus entes queridos e depois cometer suicídio. Esta é a ideia de salvar suas famílias.

Diagnóstico transtorno bipolar

O diagnóstico do transtorno bipolar envolve a coleta dos sintomas apresentados pelo paciente. O médico analisa as queixas do paciente e tenta primeiro determinar alternativas para os distúrbios intelectuais, somáticos ou psicóticos.

Claramente, o médico vai tentar ver as diferentes causas possíveis para os sintomas.

Após estudar os sintomas do paciente, o médico poderá descartar a possibilidade de outras doenças e assegurar o diagnóstico de transtorno bipolar.

Com relação aos sintomas do transtorno maníaco-depressivo, há muitas características balanço de humor de um extremo a outro, da mania à depressão profunda. Como estes episódios ocorrem geralmente um após o outro, em intervalos irregulares, o médico deve ser vigilante e alertar a esses sinais. Além dos sintomas de mania e depressão, o médico também vai considerar vícios (álcool, drogas), transtornos alimentares, insônia e distúrbios digestivos como prisão de ventre e outros.

O médico também vai levar em conta a história da família, uma vez que a psicose maníaco-depressiva pode ser hereditária, embora ainda não esteja totalmente explicada cientificamente. É importante que o médico olha a história de doenças, bem como outros sinais como anorexia, e tentativa de suicídio, distúrbios de comportamento, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou distúrbios alimentares.

Complicações transtorno bipolar

No caso de distúrbio bipolar, a função social do paciente é a principal parte afetada. Não negligencie os aspectos fisiológicos, tais como qualidade do sono, comida ou o ciclo menstrual em mulheres.

A principal complicação da depressão maníaca é o desejo suicida e o risco de homicídio de parentes na ideia que o paciente tem de salvar o meio ambiente de si mesmo. O homicídio é geralmente seguido pelo suicídio do paciente. O suicídio pode ser cuidadosamente premeditado ou ocorrer espontaneamente.

Somado a isso, há algumas comorbidades associadas. Pessoas que sofrem de psicose maníaco-depressiva podem consumir álcool, estimulantes e outras drogas ilícitas, agravando os quadros de depressão profunda, euforia, alucinações, etc.

O paciente muitas vezes se sente angustiado. Isso faz com que ele se torne um hipocondríaco (sempre com medo de estar doente, pegando todos os vírus e bactérias do mundo). Esta profunda ansiedade pode piorar e levar a um estado de delírio alucinatório.

Na fase depressiva, o paciente pode ficar desnutrido por causa de sua rejeição da dieta e, com isso, perder peso. Anemia pode ocorrer devido à falta de ingestão de nutrientes. É possível que o paciente se torna anoréxico. Distúrbios urinários também podem ocorrer devido à desidratação. Isto, claro, está relacionado com o distúrbio alimentar.

Sua dificuldade em adormecer e acordar leva o paciente para uma depressão ainda mais profunda. A insônia é um indício para o médico fazer o diagnóstico. A melhoria do sono é também um marcador para avaliar a melhoria da condição do paciente.

Em mulheres, há complicações no ciclo menstrual, sendo que a amenorreia (ausência de menstruação) é comum.

Nos homens, assim como nas mulheres, pode ocorrer diminuição da libido.

Tratamentos transtorno bipolar

O tratamento consiste em:

– Tratar as fases maníaco-depressivas da doença.

– Prevenir a recaída dos episódios maníacos e depressivos.

– Prevenir complicações, como o risco de suicídio.

A medicação reduz significativamente o período de mania. Este último a partir de 6 meses a 6 semanas em gerais.

Dependendo da gravidade dos episódios maníacos e depressivos, o médico utilizará vários medicamentos, chamados de psicóticos. Quando a intensidade da fase maníaca é muito forte, ela pode se tornar uma situação de emergência médica e requer hospitalização. Quando o tratamento medicamentoso é ineficaz, o médico pode usar outros fármacos ou fazer combinações dos mesmos. Quando mesmo isso não apresenta resultado, eletroconvulsoterapia.

Medicamentos contra o transtorno bipolar

Existem vários medicamentos contra o transtorno maníaco-depressivo:

– Os medicamentos estabilizadores do humor, como sais de lítio, o valproato de sódio, carbamazepina e lamotrigina.

– Os antipsicóticos atípicos como a olanzapina, o aripiprazol, risperidona ou asenapina.

Note que o valproato de sódio, a carbamazepina e a lamotrigina são utilizados em epilepsia.

A primeira escolha no tratamento são os sais de lítio, em vez de carbamazepina, por exemplo. No entanto, quando o transtorno bipolar é de ciclagem rápida, o médico prescreverá como primeira linha a carbamazepina, uma vez que os sais de lítio são ineficazes.

Essas drogas têm alguns efeitos secundários graves, razão pela qual monitoramento diferente será oferecido ao paciente para evitar a toxicidade, o ataque do fígado, por exemplo.

A fase depressiva é tratada, mas um antidepressivo nunca é usado sozinho, de modo a não exacerbar as fases de mania.

Eletroconvulsoterapia

A eletroconvulsoterapia é realizada no hospital, sob anestesia geral. Ela ocorre em cerca de 1 mês a 1 mês e meio, com três sessões por semana. O tratamento envolve a aplicação de uma corrente elétrica (muito conhecido com o nome eletrochoque). Estas descargas elétricas são usadas para acalmar pacientes durante episódios maníacos. Este tratamento já foi generalizado no passado, uma vez que os médicos tinham poucas drogas.

Tratamento da depressão à base de anti-inflamatórios

Como indicado em causas, a maníaco-depressão pode ter uma origem inflamatória em cerca de 40% dos pacientes. Somente aqueles que apresentarem quantidade anormal de moléculas inflamatórias (citocinas, proteína C-reativa) no sangue podem ter proveito do efeito anti-inflamatório de alguns medicamentos. Em outras palavras, em doentes que não têm moléculas inflamatórias em excesso no sangue, um tratamento anti-inflamatório é ineficaz.

Os tratamentos usados para tratar a maníaco-depressão, em indivíduos com um perfil inflamatório, são à base de anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) como aspirina e celecoxib. Em alguns casos, os médicos têm observado que após alguns dias de tratamento com AINEs, os sintomas depressivos reduzem significativamente. Os AINEs podem ser associados aos tratamentos convencionais, como o lítio.

Dicas transtorno bipolar

Durante a psicose maníaco-depressiva, se você está na fase maníaca ou depressiva, é importante aceitar sua doença e tomar a medicação corretamente. Isto é tão importante quanto o tratamento em si e tem por objetivo melhorar a qualidade de vida do paciente, e também prevenir o ataque de mania ou depressão profunda e permitir-lhe uma vida normal.

Também é importante que o paciente e seu circulo social entendam a doença e suas diferentes fases (mania, hipomania, depressão, intervalo sem sintomas), a fim de apoiar e incentivar.

A pessoa com o transtorno bipolar não é louca. Embora as causas da doença ainda não estejam bem definidas, é importante aceitar sua condição e tomar a sua medicação. A adesão ao tratamento é um fator chave para o sucesso.

Além disso, se um tratamento não parece se adequar a ele, por causa da baixa eficiência ou muitos efeitos colaterais, é absolutamente essencial conversar com seu psiquiatra para mudar a medicação. Não é necessário ter efeitos secundários, e eles normalmente desaparecem com o tempo. A dosagem adequada do fármaco deve ser discutida e estabelecida entre o doente e o médico.

Prevenção transtorno bipolar

Não é possível evitar o transtorno bipolar, porque as causas da doença ainda não estão totalmente elucidadas. No entanto, os fatores genéticos podem ser uma das causas da doença bipolar. Assim, se um membro da família sofre ou sofreu de distúrbio bipolar, é importante observar e reconhecer rapidamente os sintomas da doença, de modo que o paciente possa ser rapidamente tratado.

A fim de não aumentar o tempo de sofrimento do paciente, é essencial que as pessoas em torno do paciente entendam a doença e o ajudem. Um tratamento rápido, seja médico ou psicológico, é fator chave para evitar a ocorrência de crises e diminuir sua intensidade. A pessoa, então, pode levar uma vida normal.

A adequada ingestão dos medicamentos, melhora rapidamente a condição do paciente, reduzindo as fases maníacas e/ou depressivos para algumas, em vez de meses. O tratamento também evita as complicações da doença, tais como anorexia ou risco de suicídio.

Além do tratamento medicamentoso, é muito aconselhável se submeter a psicoterapia e educar adequadamente o paciente e sua família, para que todos compreendam a doença e suas consequências.

Assim, uma boa gestão da pessoa doente e uma boa educação também vão prevenir comorbidades (abuso de álcool, drogas ilícitas) e evitar que o paciente caia mais ainda em seu transtorno bipolar. A medicação e informação andam de mãos dadas na gestão de pessoa maníaco-depressiva.

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Observação da redação: este artigo foi modificado em 05.10.2017

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