Entenda melhor o que é a febre chikungunya, de acordo com os estudos mais recentes

PUBLICIDADE

Entenda melhor o que é a febre chikungunya, de acordo com os estudos mais recentesSÂO FRANCISCO, EUAA febre chikungunya é uma doença viral que pode causar dores intensas, especialmente nas articulações. Seu nome vem da língua da Tanzânia makondée que significa “doença do homem curvado” ou “doença que quebra os ossos”. Refere-se à atitude da pessoa infectada que sofre de dor nas articulações e é obrigada a adotar uma postura curvada.

Entenda melhor o que é a febre chikungunya, de acordo com os estudos mais recentesO Criasaude teve a oportunidade de acompanhar, no início de novembro de 2015, uma conferência sobre a doença no maior e mais prestigiado congresso mundial de reumatologia, o congresso do American College of Rheumatology (ACR), realizado em São Francisco (Califórnia).

PUBLICIDADE

Causas da doença

PUBLICIDADE

A chikungunya provém de um vírus chamado CHIKV arbovírus. A doença é transmitida por mosquitos fêmeas do Aedes, nomeadamente Aedes aegypti e Aedes albopictus. O Aedes aegypti também é responsável pela transmissão da dengue.

Explicação bioquímica

O vírus provoca intensa reação inflamatória, resultando em altos níveis de TNF, IL6, IL13 e outras interleucinas. Estas moléculas estão presentes em processos inflamatórios como a chikungunya, e também em outras condições reumáticas, tais como a artrite reumatoide. Devido a isso, o diagnóstico de chikungunya nem sempre é fácil, por causa de sintomas semelhantes aos da artrite reumatoide.

Sintomas

O vírus provoca dores nas articulações e febre, muitas vezes acima de 39°C. Estas dores penalizam fortemente o paciente na realização das tarefas diárias, como pegar um objeto. Outros sintomas da chikungunya são as dores de cabeça, dores no corpo e manchas vermelhas na pele. Os sintomas aparecem de repente, e melhoram após duas a três semanas na maioria dos pacientes.

Não apenas uma doença tropical

Os mosquitos que transmitem a chikungunya estão localizados principalmente na África, América Latina e Ásia, ou seja, em regiões tropicais. No entanto, nos últimos anos, casos de chikungunya foram reportados na França (2010), Itália (2007) e nos Estados Unidos, como na Flórida, em regiões com clima mais temperado. O aquecimento global e o aumento do turismo (mobilidade facilitada entre os países) parecem ser responsáveis pela “globalização” dessa doença reumatológica.

A chikungunya como uma doença reumatológica

Segundo o Dr. Arvind Chopra, médico e diretor do Centro de Doenças Reumáticas em Pune, Índia, palestrante da reunião anual da ACR em São Francisco (Califórnia), a chikungunya pode ser uma doença difícil de tratar. “A maioria de nós nem sequer sabia escrever o termo chikungunya, uma doença que nós tínhamos acabado de ouvir e esquecido rapidamente, pois nunca a tínhamos visto”, disse o Dr. Chopra que viveu uma epidemia de chikungunya na Índia em 2006 com mais de um milhão de pessoas afetadas. Ele continua: “Três ou quatro meses após o início da epidemia, fomos surpreendidos com pacientes com vários sintomas reumatológicos, como dor nas articulações, dor nas costas e síndromes inflamatórias semelhantes à poliartrite reumatoide e espondiloartrite”. O Dr. Chopra publicou numerosos estudos científicos sobre chikungunya. Em 2015, a febre chikungunya ainda está presente na Índia, mas em menor grau do que durante a epidemia de 2006.

Ainda segundo o Dr. Chopra, a chikungunya é a doença mais dolorosa que ele conhece.

Tratamentos

Como não existe um tratamento direcionado contra a chikungunya, as medidas terapêuticas são adotadas principalmente para lutar contra os sintomas de dor, com o uso de analgésicos. Hidratação adequada também é essencial no combate à doença.

Update: 03.06.2016. Texto escrito por Xavier Gruffat (farmacêutico). Declaração de responsabilidade: esta atividade não é sancionada por, e nem faz parte do American College of Rheumatology (This activity is not sanctioned by, nor a part of, the American College of Rheumatology).

Fontes: Apresentação realizada 08 de novembro 2015 por Dr. Chopra, da Universidade de Pune (Índia), na reunião anual do American College of Rheumatology (ACR), em San Francisco (Califórnia). Declaração de responsabilidade: esta atividade não é sancionada por, e nem faz parte do American College of Rheumatology (This activity is not sanctioned by, nor a part of, the American College of Rheumatology). Ministério da Saúde

PUBLICIDADE

Observação da redação: este artigo foi modificado em 04.06.2016