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Plantas medicinais que podem ser cultivadas no seu jardim ou varanda

Se você é um jardineiro experiente, você mesmo pode semear as sementes, na maior parte dos casos no outono ou primavera. Para os novatos, ou aqueles que não têm muito tempo, a maneira mais fácil é compra mudas de plantas em estabelecimentos especializados e então replantá-las no jardim ou em um vaso grande.
Cultivar plantas medicinais tem várias vantagens. Em primeiro lugar, o tratamento de doenças de baixa gravidade com plantas pode ser excelente para a saúde, o chá de hortelã-pimenta é reconhecido pela ciência devido a sua eficácia contra a síndrome do intestino irritável.
Além dos efeitos medicinais, o tratamento com plantas permite economizar, um xarope contra a tosse à base de tomilho frequentemente apresenta a mesma eficácia que os xaropes vendidos em farmácias que custam muito mais cara, geralmente.

Finalmente, a jardinagem pode ser um ótimo passatempo e uma boa maneira de lutar contra o estresse.

Organização do seu jardim de plantas medicinais
Algumas plantas medicinais, tal como discutido neste ebook, têm características diferentes, algumas precisam de muito sol, solo seco e arenoso; outras preferem
sombra, solo úmido e argiloso. Note que algumas plantas suportam condições mistas.
Devido às necessidades de cada planta, pode ser útil organizar as plantas em seu jardim utilizando alguns critérios, aqui estão algumas ideias:

Plantas que precisam de luz solar, solo arenoso, seco e bem drenado
Tomilho, alecrim, lavanda, sálvia, endro, arruda, manjerona, estragão.

Plantas que precisam de luz solar, um solo argiloso, ligeiramente ou pouco úmido
Boldo, hortelã, erva-cidreira (prefere sombra) e manjericão.

Observação: Evite plantar tomilho ao lado de orégano.

Plantas em vasos
Algumas plantas medicinais crescem muito bem em vasos, como manjericão, poejo, capim-limão, tomilho, hortelã-pimenta.

Outros também crescem em jardineiras, mas muitas vezes requerem um pote grande como alecrim.

No caso de plantas em vasos, a água da rega deve ser capaz de secar. Verifique se o vaso está bem furado embaixo para que a água consiga fluir para um prato ou outro vaso. Atenção, não deixe água acumulada nos pratos dos vasos, esvazie sempre ou coloque areia. A água parada pode levar a proliferação do mosquito da dengue e de outras doenças.

Boas dicas para cultivar plantas em vasos (irrigação e adubação)
Em adição a uma rega regular (uma vez por dia no verão, é bom) para as plantas que necessitam de uma grande quantidade de água, é recomendável adicionar, uma vez por semana (no verão) ou a cada duas semanas (no resto do ano), fertilizantes de origem biológica (ou orgânico). Você pode encontrar estes fertilizantes em lojas especializadas na forma de líquido, pó, etc. Escolha fertilizante não tóxico (em geral claramente indicado na embalagem).

Update: 26.11.2020

Quer saber mais ? Ebook de Criasaude
50 plantas medicinais para serem cultivadas em seu jardim ou varanda

Qual é a quantidade de açúcar adicionado que não deve ser excedida por dia?

WASHINGTON D.C. – Os açúcares adicionados estão presentes em muitos alimentos e, às vezes, em produtos que nem suspeitamos. Isso torna muito fácil o consumo em grandes quantidades, o que é prejudicial à saúde. Sabemos que o consumo excessivo de açúcares leva principalmente à obesidade, uma doença que aumenta o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares como AVC ou infarto do coração, câncer e morte por Covid- 19 Aqui estão nossas dicas para te ajudar a manter uma alimentação balanceada todos os dias.

Açúcares adicionados

Vamos primeiro lembrar que chamamos de “açúcares adicionados” (em inglês: added sugars) todos os açúcares que são adicionados aos alimentos e bebidas pelo fabricante durante o processo industrial, pelo cozinheiro ou pelo consumidor. Os açúcares adicionados são, principalmente, sacarose (açúcar de mesa), glicose, lactose e frutose. Os açúcares adicionados podem ser encontrados em bebidas açucaradas (refrigerante, chá frio, cafés), molhos (ex. molho de tomate), iogurte, sobremesas, cereais matinais, doces, balas, etc.

A ingestão diária recomendada

A OMS recomenda uma dose máxima de 6 colheres de chá de açúcar por dia (1 colher de chá = cerca de 4 g). Esta quantidade corresponde a necessidade média de energia de um adulto cuja atividade é moderada. Na verdade, o açúcar, transformado em glicose durante a digestão, desempenha um papel de combustível para o bom funcionamento do organismo, especialmente o cérebro. É por esta razão que é essencial, mesmo que não seja o único a ocupar esse papel, já que outros nutrientes, como proteínas e lipídios, também fornecem energia para o corpo. Quanto mais energia gastamos, mais calorias o corpo precisa para suportar esses esforços. Em crianças, é aconselhável não exceder 3 colheres de chá por dia.

Note-se que, no início dos anos 2000 (já em 2002), a OMS recomendou uma ingestão diária de 50 g de açúcar. O objetivo não era exceder 10% da ingestão calórica diária de açúcar. Com as novas recomendações da OMS para consumir 25 g de açúcar por dia, o objetivo não é exceder 5% da ingestão diária de calorias.

Nos Estados Unidos, em setembro de 2020, um comitê federal (federal committe) de diretrizes dietéticas dos EUA composto por 20 médicos e acadêmicos recomendou que os americanos consumissem no máximo 6% de açúcares adicionados por dia, menos que os 10% recomendado nas diretrizes anteriores (2020)1.

Exceções: frutas e leite

A dose recomendada de 25g por dia de açúcar não inclui os açúcares contidos nos frutos se eles são consumidos por inteiro porque  os açúcares estão envolvidos da fibra, acreditam que esse açúcar não é prejudicial. Por outro lado, os sucos de frutas devem ser contados nestes 25 g. Os açúcares encontrados no leite como a lactose também são excluídos desta soma máxima de açúcar por dia de 25 g.

O que acontece em caso de excesso? 22 colheres de chá por dia!

Nos Estados Unidos, a Associação Americana do Coração (American Heart Association), que é uma instituição de referência em cardiologia, recomenda uma dose diária máxima de 24g (cerca de 6 colheres de chá) para mulheres e de 36g (cerca de 9 colheres de chá) para homens. No entanto, o consumo médio da população americana excede muito essa base e gira em torno de 88g (cerca de 80 g no Brasil), ou cerca de 22 colheres de chá por dia. Esse excesso é parcialmente explicado pelo fato de que o açúcar é encontrado em muitos alimentos, naturais, mas principalmente processados e industrializados. Portanto, torna-se muito fácil de consumir, às vezes sem se dar conta disso. Em geral, não são frutas e vegetais, mas é o açúcar adicionado ou açúcar livre que predomina neste consumo excessivo. Absorvido em grandes quantidades, o açúcar promove a produção e o acúmulo de gordura no organismo e pode ser a causa de obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas. No nível metabólico, se o açúcar não é transformado imediatamente em energia, ele se transforma em gordura, especialmente no fígado.

Por que os alimentos industriais contêm muito açúcar?

Existem várias razões para o uso significativo de açúcares em alimentos industriais. A melhoria da conservação, uma ação antimicrobiana (especialmente para carnes) e a correção do sabor dos alimentos são 3 elementos importantes para os industriais. Mas provavelmente o principal motivo é para fins de marketing, ou seja, fidelização do cliente. Como o açúcar é muito viciante, quanto mais alimentos contém açúcar, mais o consumidor será tentado a comprá-lo com freqüência, o que aumenta mecanicamente as vendas da indústria agroalimentar.

Como manter o equilíbrio na dieta?

Para manter uma dieta saudável, é melhor dar preferência à ingestão de alimentos de origem natural. O teor de fibra e água nesses alimentos ajuda a limitar a absorção de açúcar. Note, no entanto, que os sucos de frutas naturais não são recomendados, porque eles contêm muito açúcar, prefira o consumo de frutas inteiras (por exemplo, laranja, limão) ricas em fibras. Ao consumir alimentos industrializados ou processados, deve-se ter o cuidado de observar a quantidade de açúcar em cada alimento ou bebida. Atenção, o açúcar às vezes é escondido atrás de nomes desconhecidos como: xarope de agave, eritritol, mel, glicose, sacarose, frutose, lactose, etc. Estes nomes são frequentes. Estas são técnicas de comercialização utilizadas pela indústria agroalimentar para não usar o termo “açúcar”.
Além de alimentos naturais, açúcar de mesa ou sacarose e doces, outros produtos altamente consumidos, como sorvetes, bebidas, até mesmo suco natural de frutas como já vimos, iogurtes de frutas, conservas, pratos preparados como pizzas e molho de tomate, contêm açúcar e aumentam a quantidade consumida por dia.

Algumas dicas

Para reduzir o consumo de açúcar, aqui estão algumas dicas para adotar diariamente:
– Se possível, “não beba calorias”. Você deve absolutamente evitar refrigerantes e outras bebidas muito doces.
– Se você beber café, por exemplo, tente beber café sem açúcar. Pode ser estranho na primeira vez, mas depois você pode se acostumar. Se em vez de você beber 3 xícaras de café por dia com uma colher de açúcar, você beber uma xícara sem açúcar, a cada vez, já são alguns gramas de açúcar por dia a menos. Idem para os chás.
– Não adoce a salada de frutas, escolha frutas bastante maduras.
– Em vez de comprar bebidas engarrafadas de 1,5 litros, dê preferência a latas pequenas ou garrafas pequenas para diminuir o consumo de açúcar. Mas, como vimos, o ideal é não tomar refrigerantes ou outras bebidas muito doces, mesmo em pequenas quantidades.
– Para os iogurtes, em vez de comprar iogurtes com frutas prefira os iogurtes sem açúcar e sem outros aditivos (ex. mel ou baunilha), em seguida, adicione a fruta (ex. morango) ao pote.

22.11.2020 (update). Pela equipe editorial de Criasaude.com.br (supervisão científica: Xavier Gruffat, farmacêutico). Fontes: OMS, France 5, The Wall Street Journal.
Créditos fotográficos: Fotolia.com, Criasaude.com.br

Entrevista com um professor sobre gota, uma doença muito dolorosa

EXCLUSIVO NO SITE CRIASAUDE

WASHGINTON D.C.A gota é uma forma de artrite inflamatória muito dolorosa. Criasaude.com.br (e Creapharma.ch) pôde entrevistar o professor de medicina Herbert S. B. Baraf (foto) da George Washington University School of Medicine dos Estados Unidos, um especialista em gota que nos ajuda a entender melhor a doença e, em particular, os diferentes medicamentos disponíveis. Este professor americano, que foi homenageado em 2014 pelo American College of Rheumatology (ACR), nos explica, por exemplo, que a gota é na verdade duas desordens diferentes. 

Criasaude.com.br – Por que a gota é tão dolorosa?
Prof. Baraf – Não sei se posso lhe dar uma razão precisa, mas certamente é uma doença bastante dolorosa. A dor é o resultado de uma intensa reação inflamatória desencadeada pela excreção de cristais na articulação afetada. A articulação incha, fica vermelha e geralmente é extremamente sensível até mesmo ao menor contato. Quando uma crise de gota afeta os pés, geralmente o dedo grande do pé, que é onde geralmente ocorrem os primeiros ataques de artrite gotosa (ndlr. gota), a pressão dos lençóis ou mesmo de alguém andando na mesma sala pode causar um grande ataque de dor.

Para a dor causada pela gota durante a famosa crise, qual medicamento você prescreve ou recomenda mais?
Há três classes de medicamentos que podem ser úteis para uma pessoa que está sofrendo uma crise (ou ataque) de gota. A primeira é a colchicina, que é utilizada há mais de 200 anos. Os AINEs são a segunda classe de medicamentos, todos eles podem ser muito úteis (indometacina, celecoxib, ibuprofeno e naproxeno são bem conhecidos e frequentemente prescritos AINEs). Finalmente, os corticosteróides, em forma de comprimidos, injetados intramuscularmente ou diretamente na articulação inflamada, podem controlar um crise de gota.

O alopurinol ainda é a melhor droga para prevenir a gota ou você sugere outras drogas (moléculas)?
Acho útil pensar na gota como duas desordens ou condições. A primeira é a artrite e a segunda é um distúrbio metabólico que causa um aumento nos níveis de ácido úrico no sangue. Como o ácido úrico não é muito solúvel no sangue (não se dissolve facilmente) quando os níveis sanguíneos estão altos, os cristais de ácido úrico são depositados nas articulações onde se acumulam. Isto acontece silenciosamente durante meses e anos. O primeiro surto de artrite é o resultado deste acúmulo. Alopurinol é usado para ajudar a remover esses depósitos de cristais. O febuxostat é um segundo medicamento oral comumente usado para baixar o ácido úrico. Ambos são eficazes, especialmente quando o médico do paciente monitora ou controla o nível de ácido úrico no sangue, ajustando a dose do medicamento para baixar o valor o suficiente para permitir que os cristais se dissolvam para que possam ser excretados pelos rins na urina.

A gota é uma doença bem estudada e documentada, mas existe alguma nova informação interessante sobre a gota que tenha surgido nos últimos 3 anos?
Há sempre novas e interessantes informações sobre a gota. O tratamento mais recente, a pegloticase, foi introduzido há mais de 10 anos. É uma enzima que converte ácido úrico por contato em uma substância que é facilmente excretada na urina. É utilizado para pacientes com gota particularmente forte e é administrado por infusão intravenosa. A pegloticase, entretanto, frequentemente estimula o sistema imunológico de uma pessoa a produzir anticorpos. Esses anticorpos fazem com que o medicamento pare e podem até causar reações alérgicas ao medicamento. Metade dos pacientes tratados com pegloticase perdem sua resposta ao medicamento antes que ele tenha a chance de trabalhar. Sabemos que ao adicionar medicamentos que suprimem a resposta imunológica e a formação de anticorpos, o medicamento pode ser eficaz em uma proporção maior de pacientes tratados. Finalmente, há um novo medicamento, também uma enzima que ajuda a eliminar o ácido úrico, que está sendo estudado atualmente. Leia também sobre tratamentos para a gota

Quais são as principais razões (ou “culpados”) da gota, particularmente nos Estados Unidos?
O aumento do ácido úrico que provoca a gota pode ser devido a vários fatores. A genética tem um papel importante na forma como os rins eliminam o ácido úrico. Os medicamentos diuréticos dados a pacientes com doenças cardíacas e renais podem aumentar o nível de ácido úrico no sangue. Níveis elevados de ácido úrico são freqüentemente vistos em pessoas com excesso de peso ou diabéticas. À medida que nossa população envelhece, cada vez mais pessoas desenvolvem altos níveis de ácido úrico e depois gota.

Sabemos por que os homens são mais afetados do que as mulheres?
Os homens têm níveis mais altos de ácido úrico no sangue. Os hormônios femininos mantêm o ácido úrico mais baixo nas mulheres e protegem contra a gota. Na menopausa, os níveis de estrogênio diminuem nas mulheres e o ácido úrico sérico aumenta. As mulheres depois da menopausa começam a desenvolver a gota ao mesmo ritmo que os homens. É claro que os homens podem começar a desenvolver a gota na faixa dos 20 e 30 anos, o que é muito incomum para as mulheres e, como resultado, há muito mais homens do que mulheres com gota em geral.

Os atletas correm um risco maior de desenvolver gota do que os maratonistas (algumas fontes falam de um risco 5 vezes maior), sabemos por quê?
Eu nunca tinha visto esta associação antes. Não sei se é verdade e se é o caso, além de repetidos traumas nos pés, não tenho uma explicação para você.

Finalmente, além da medicação, que bom conselho você daria para evitar a gota?
Manter seu peso sob controle e evitar o consumo excessivo de álcool são os melhores conselhos. O aumento dos níveis de ácido úrico no sangue, entretanto, deve-se em grande parte a defeitos genéticos nos rins que alteram a forma como as pessoas eliminam o ácido úrico.

Descubra também o dossiê completo sobre gota do Criasaude.com.br

3 de novembro de 2020. A entrevista foi conduzida em inglês entre o final de outubro e o início de novembro de 2020 por Xavier Gruffat (farmacêutico) para Creapharma.ch. Creapharma.ch agradece ao Prof. Baraf pelo seu tempo. Veja a entrevista original em inglês aqui : Interview with an expert on gout, with Prof. Baraf Créditos das fotografias: Fotolia.com/Adobe Stock, Divulgaçõ (professor)

7 alimentos ricos em ferro

O ferro é um dos elementos vestigiais mais essenciais para o corpo. Uma queda nos níveis de ferro pode reduzir tanto a capacidade física como intelectual. O seu papel principal é transportar oxigénio dos pulmões para os vários órgãos, mas também está envolvido na formação de glóbulos vermelhos. O ferro só está presente em pequenas quantidades no corpo, razão pela qual é essencial incluir alimentos ricos em ferro no menu. A falta de ferro também pode levar a anemia, especialmente a anemia por deficiência de ferro. O ferro é absorvido através do tubo digestivo, e pode vir em duas formas: ferro ferro hêmico como na carne e peixe ou marisco melhor absorvido do que o ferro não ferro hêmico como nos vegetais e produtos lácteos. Aqui estão 7 alimentos a serem preferidos para uma ingestão equilibrada de ferro. Se for vegetariano, vá directamente para o ponto 4.

Ferro hêmico (ferro facilmente absorvido pelo sistema gastrointestinal)

1. Miudezas. Os alimentos mais ricos em ferro são miudezas, e mais especificamente pudim preto. Uma porção de 100 g de morcela preta contém até 22,8 mg de ferro, o que cobre as necessidades diárias de ferro de um adulto. Para prevenir a deficiência de ferro, é portanto aconselhável consumir morcela aproximadamente a cada quinze dias. Para aqueles que não gostam de morcela, há também rins de borrego, que contêm cerca de 12 g por 100 g. O fígado de vitela é também uma das miudezas mais ricas em ferro. Uma fatia de 100 g de fígado de vitela contém cerca de 7,9 mg de ferro.

2. Carne vermelha. Uma porção de 100 g de carne de vaca fornece ao corpo cerca de 4 mg de ferro. A carne de cavalo contém 5 mg de ferro, a mesma quantidade que a carne de cavalo. Se gosta de caça, deve escolher o veado, uma vez que contém cerca de 3 mg por 100 g.

Tenha cuidado, porém, com o consumo de ferro de carne vermelha. Um estudo realizado em 2017 pela Escola Médica Duke-NUS em Singapura mostrou que o consumo de carne e aves de capoeira aumentava o risco de diabetes (tipo 2). O ferro, na sua forma heme, que se encontra em quantidades significativas na carne e aves de capoeira, pode explicar em parte este risco acrescido de diabetes. Este estudo foi publicado a 22 de Agosto de 2017 no American Journal of Epidemiology.

3. Mariscos 
Os mariscos estão entre os alimentos mais ricos em ferro. De acordo com a agência nacional de segurança alimentar, 100 g de marisco contêm cerca de 15 mg de ferro. As amêijoas têm um elevado teor de ferro. 100 g de amêijoas, cerca de 13 unidades de tamanho médio, contêm 13 mg de ferro. Se preferir mexilhões, esteja ciente de que por cada 100 g de mexilhões, pode obter 5,47 g de ferro. Ostras, atum e camarão também são ricos em ferro. Estes mariscos e peixes, como a carne, contêm ferro heme, mas as plantas que contêm ferro não heme não contêm.

Ferro não hêmico (ferro menos facilmente absorvido pelo sistema gastrointestinal)

4. Espinafres
Depois das miudezas, o alimento que fornece mais ferro ao corpo é o espinafre. Ao contrário de outros vegetais que devem ser consumidos crus para não perderem as suas propriedades nutricionais, recomenda-se a ingestão de espinafres cozidos. É quando é cozinhado que é mais rico em ferro. 100 g de espinafres cozidos contêm cerca de 15,7 g de ferro. Para aumentar a absorção de ferro de legumes como os espinafres, coma ao mesmo tempo alimentos ricos em vitamina C, como o tomate.

5. Cacau
Cacau é outro alimento rico em ferro. Em 100 g de cacau em pó, sem adição de açúcar, há 10,9 mg de ferro. Se gosta de chocolate, favorece aqueles que são ricos em cacau, eles são os mais ricos em ferro. Uma barra de 100 g de chocolate preto 70% contém 10,7 mg de ferro.

6. Leguminosas (por exemplo, feijões)
As leguminosas são ricas em ferro. Uma vez cozinhadas, as lentilhas secas contêm 8mg/100g, em comparação com 7mg por 100g para feijão branco. O feijão amarelo cru contém também 7 mg por 100 g.
É sempre preferível o ferro de legumes. O tofu também contém uma quantidade significativa de ferro.

7. Sementes de girassol
Algumas sementes como as sementes de girassol são também ricas em ferro. Em geral, 100 g desta semente podem conter entre 4,3 e 6,4 mg de ferro.

Bónus. Também é possível encontrar quantidades significativas de ferro em spirulina e ovo.

Actualizado a 23 de Outubro de 2020. Por Seheno Harinjato, da redacção de Creapharma.ch. Controlo científico: Xavier Gruffat (farmacêutico). Fontes (entre outras): Prevention (revista americana de saúde). Créditos das fotografias: Fotolia.com/Adobe Stock

10 alimentos anti-envelhecimento

SÃO PAULOExistem alimentos que contribuem para retardar o envelhecimento da pele. Estes produtos anti-envelhecimento naturais distinguem-se pelo seu conteúdo em fitonutrientes, minerais e vitaminas que ajudam a preservar a longevidade, ao mesmo tempo que contribuem para uma melhor saúde. Aqui está uma selecção de 10 alimentos que pode incluir nos seus menus e que são conhecidos pelos seus efeitos rejuvenescedores.

1. Couve
O repolho (couve) tem muitos benefícios para a saúde. Embora os brócolos sejam um alimento importante pelo seu conteúdo vitamínico e propriedades anti-cancerígenas, todas as variedades de couve contribuem para retardar os efeitos do tempo na pele. Da couve branca à couve vermelha e às couves de Bruxelas, estes alimentos são ricos em antioxidantes e ajudam eficazmente a combater as rugas. Um estudo publicado na revista Cancer BMC (DOI: 10.1186/1471-2407-14-591) mostra, além disso, que o isotiocianato de fenetil (PEITC) contido na couve tem um efeito anti-inflamatório e quimiopreventivo contra vários cancros como o cancro do cólon, próstata, mama, colo do útero, ovário ou pâncreas. Recomenda-se não cozer em demasia as couves para preservar todos os nutrientes benéficos para a saúde.

2. Alho
Conhecido pela sua capacidade de fortalecer o sistema imunitário e proteger contra certos tipos de cancro, o alho desempenha também um importante papel anti-envelhecimento. Graças ao seu conteúdo antioxidante, este alimento ajuda a combater os radicais livres, que são a causa do stress oxidativo.

3. Peixes gordos
Os peixes gordos como o salmão, cavala ou arenque devem ser preferidos numa dieta anti-envelhecimento. Além das proteínas, contêm ácidos gordos essenciais como o ómega-3 e participam na renovação das células cutâneas. São também excelentes fornecedores de antioxidantes e pode prepará-los com outros alimentos rejuvenescedores, tais como cenouras, para obter o máximo de benefícios.

4. Abacate
Ingrediente favorecido pela indústria cosmética, o abacate tem muitos benefícios para a saúde, particularmente para a beleza da pele e do cabelo. O seu conteúdo em vitaminas B, C e E torna-o um alimento essencial para retardar o envelhecimento prematuro da pele. As suas propriedades anti-inflamatórias provêm principalmente dos ácidos gordos mono-insaturados que contém, os quais contribuem eficazmente para nutrir a pele a partir do interior. Ao activar o colagénio, este alimento ajuda a hidratar, nutrir e suavizar a pele, o que protege contra o aparecimento de rugas. Pode comer directamente o abacate ou preparar uma máscara para aplicar sobre a pele.

5. Nozes
Para manter a sua pele jovem e saudável, as nozes são uma boa escolha. Este alimento é rico em vitamina E, selénio, zinco e ómega-3. Graças ao seu teor em ácidos gordos monoinsaturados e antioxidantes, ajuda a manter a elasticidade da pele e a proteger as células dos danos dos tecidos. Como aperitivos, sobremesas em bolos e tartes ou como recheio de uma salada, os frutos secos são bons para a pele, coração e cérebro. Além disso, um estudo publicado na revista The journal of nutrition, Health & Aging (DOI: 10.1007/s12603-018-1122-5) mostra que o elevado consumo de nozes a longo prazo ajuda a melhorar o desempenho cognitivo, especialmente nas pessoas idosas.

6. Tomate
Os tomates são uma excelente fonte de licopeno, um antioxidante que pertence à família dos carotenóides. Ajuda a reduzir o colesterol e protege a pele contra os radicais livres e o stress oxidativo, que causam o envelhecimento prematuro da pele. O seu conteúdo em vitaminas e oligoelementos torna-o um aliado saudável para ser consumido diariamente. O licopeno é amplamente utilizado em produtos cosméticos concebidos para reduzir as rugas e nutrir a pele. O licopeno tem a particularidade de ser libertado graças ao efeito do calor, pelo que a cozedura ajuda a aumentar o seu conteúdo.

7. Cenoura
Particularmente indicada para prevenir o envelhecimento da vista, a cenoura também tem muitos benefícios para a pele. O seu conteúdo de carotenóides, poderosos antioxidantes, luteína e zeaxantina, torna-o um alimento essencial para a saúde dos olhos e da pele. Além disso, as cenouras melhoram o tom da pele e têm um óptimo aspecto graças ao efeito do beta-caroteno. O consumo de sumo de cenoura é portanto recomendado para um bronzeado bem sucedido.

8. Chá verde
O chá verde tem propriedades desintoxicantes. Enquanto afasta as toxinas e reduz a gordura corporal, ajuda a hidratar a pele e a combater o envelhecimento cutâneo. Os minerais e os oligoelementos contidos no chá ajudam a manter a elasticidade da pele para preservar a sua juventude. Além disso, os flavonóides do chá ajudam a reduzir o risco de ossos frágeis.

9. Citrinos
Os citrinos são ricos em vitamina C, um nutriente que promove a síntese de colagénio. O elevado consumo de laranjas, grapefruits (toranjas) ou limões ajuda a reparar o tecido e a manter a elasticidade da pele.

10. Kiwi
Grande fornecedor de vitamina C, o kiwi tem propriedades antioxidantes. Este fruto protege assim contra o desenvolvimento de radicais livres, a fonte do envelhecimento prematuro da pele. Graças ao seu elevado teor de vitamina C, 100 g de kiwi fornece quase 75% da dose diária recomendada.

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Referências & Fontes :
The journal of nutrition, Health & aging, Cancer BMC

Fotos: 
Fotolia.com, Criasaude.com.br, Adobe Stock/© 2020 Pixabay

Última atualização:
12.10.2020

Veja este artigo também em francês, em nosso site Creapharma.ch

12 alimentos que previnem o câncer de mama

SÃO PAULOOutubro é o mês de luta mundial contra o câncer de mama, sendo, por isso, conhecido como “Outubro Rosa”. A idéia nasceu em 1990 nos Estados Unidos, em Nova York, e depois gradualmente se espalhou pelo mundo.
Cerca de 1 em cada 8 mulheres desenvolverá câncer de mama em sua vida, este é de longe o câncer mais comum nas mulheres. Felizmente, com o progresso da medicina, a doença é sempre melhor tratada com uma taxa de sobrevivência de 5 anos em 2020 nos Estados Unidos de cerca de 90%, segundo dados da American Cancer Society (ACS), esta taxa de sobrevivência é baseada em estatísticas de mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 2009 e 2015. Se o câncer for detectado em uma fase localizada, a taxa de sobrevivência de 5 anos atinge 99% nos Estados Unidos, novamente de acordo com a ACS. Em países mais pobres que os países de alta renda, como os Estados Unidos, Canadá ou Europa Ocidental, que são referidos como países de baixa ou média renda, a taxa média de sobrevivência de 5 anos é menor. As razões para isto são principalmente uma triagem deficiente e tardia demais.

A prevenção é uma etapa importante no combate ao câncer de mama. Embora nem todos os fatores que levem à progressão da doença sejam conhecidos, sabe-se que a alimentação desempenha um papel importante tanto na prevenção quanto na promoção da doença. Pensando nisso, o Criasaude criou uma lista de alimentos e hábitos alimentares que ajudam a prevenir o câncer de mama.

1. Peixes ricos em ômega-3 e ômega-6. Peixes como sardinha, salmão, truta, bacalhau e outros peixes de águas frias são ricas em ácidos graxos essenciais, os chamados ômega-3 e ômega-6. Esses componentes reduzem o mau colesterol (LDL) e elevam a taxa do colesterol bom (HDL), além de reduzirem também os triglicerídeos. O colesterol elevado é fator de risco para desenvolvimento do câncer de mama, além de causar outras doenças do sistema cardiovascular.

2. Cereais. Os cereais integrais como a aveia, linhaça, chia, quinoa, etc, são também ricos em ácidos graxos poli-insaturados que reduzem o LDL. Além disso, esses alimentos são excelente fonte de fibras que reduzem a absorção de gordura, ajudam a eliminar toxinas e melhoram o trânsito intestinal. O acúmulo de toxinas e radicais livres no corpo é um dos fatores associados ao dano celular que leva ao desenvolvimento do câncer.

3. Frutas vermelhas. Morango, amora, mirtilo (blueberry) e framboesa são excelente fonte de antioxidantes que eliminam os radicais livres do organismo. O acúmulo de radicais livres causa danos ao DNA das células, levando a mutações que provocam o câncer. O consumo diário de frutas vermelhas é recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

4. Cenoura. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mulheres que consumiram cenoura constantemente reduziram o risco de desenvolvimento de câncer de mama em até 17%. A cenoura é rica em beta-caroteno e precursores da vitamina A, esses nutrientes agem como antioxidantes e protegem o DNA da célula contra lesões que causam o câncer.

5. Brócolis. Esse vegetal é rico em sulforafano, componente que elimina carcinógenos do organismo. Além de prevenir o câncer de mama, o brócolis também é indicado na prevenção de diversos outros cânceres. Além disso, o vegetal é rico em vitaminas, minerais, fibras e tem baixas calorias.

6. Cogumelos. De acordo com um estudo publicado em 2010 na revista científica Nutrition and Cancer, o consumo de cogumelos está associado a menor taxa de desenvolvimento de câncer de mama em mulheres na pré-menopausa. O efeito é associado à presença do antioxidante L-ergotioneína que garante proteção contra o câncer.

7. Romã. Segundo pesquisadores do Beckman Research Institute, nos Estados Unidos, as sementes da romã são ricas em ácido elágico. Esse componente parece inibir enzimas que desempenham papel na geração do câncer de mama. Além disso, a romã é rica em anti-oxidante e flavonoides.

8. Feijão e lentilha. Um estudo feito com mulheres americanas de ascendência asiática mostrou que o consumo de lentilhas e feijão reduz o desenvolvimento de câncer de mama. Essas leguminosas são ricas em folato, fibras, ferro e outros nutrientes que ajudam a manter a saúde das células.

9. Espinafre. Mulheres na pré-menopausa que consomem espinafre regularmente têm menos incidência de câncer de mama, de acordo com o estudo publicado no American Journal of Epidemiology, em 2011. O efeito protetor é associado ao folato e à presença de vitamina B.

10. Ovos. Esse alimento barato é rico em colina, e é associado a 24% de redução de câncer de mama de acordo com um estudo feito em mais de 3000 mulheres. A colina também pode ser encontrada em peixes, frango, carnes, trigo e no brócolis.

11. Tomate. Um estudo americano publicado no início de 2014 mostrou que a adoção de uma dieta rica em tomates, com o consumo de pelo menos 25 mg por dia de licopeno (uma substância presente no tomate), por mulheres na pós-menopausa reduz o risco de câncer de mama, devido ao aumento da concentração de adiponectina. Este hormônio está associado com a diminuição do risco de câncer de mama, de acordo com estudos anteriores. O estudo americano foi realizado pelo The Ohio State University Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos, e analisou 70 mulheres na pós-menopausa. Todas elas apresentavam um risco de câncer de mama, como casos de câncer na família ou obesidade.

12. Azeite de oliva. Um estudo espanhol publicado em 2015 mostrou que uma dieta mediterrânica com um consumo diário de 4 colheres de sopa de azeite de oliva é eficaz na redução do risco de câncer de mama. Leia mais nas observações abaixo.

É sempre importante que além de ter uma dieta balanceada, a pratica de atividades físicas é benéfica e comprovada na redução do risco de câncer.

Artigo atualizado em 12.10.2020 por Xavier Gruffat. Fotos: Fotolia.com – Creapharma.ch. Fontes: mencionadas no artigo (por exemplo, American Cancer Society).

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Prêmio Nobel 2020 – A genética do “CRISPR” ao câncer, explica a especialista em genética – Dra. Julia di Iulio

SAN DIEGOEscutamos cada vez mais falarem sobre a genética nos meios de comunicação, seja na luta contra o câncer ou na prevenção de doenças raras. Mas esta ciência relativamente nova se torna cada vez mais complexa de se compreender, mesmo para os cientistas. Para ver as coisas mais claramente, o Criasaude teve a oportunidade de entrevistar a Dra. Julia di Iulio (foto), uma especialista em genética que atualmente trabalha na Human Longevity Inc., uma empresa vanguardista na área da genética sediada em San Diego na Califórnia, e co-fundada pelo famoso cientista americano J. Craig Venter. A Dra di Iulio é um farmacêutica que cresceu no Brasil e na Suíça. Ela estudou farmácia na Suíça na Universidade de Lausanne em Genebra, realizou seu doutorado no Lausanne University Hospital (CHUV) e depois cruzou o Atlântico em 2013 para se juntar à renomada Harvard Medical School, em Boston, onde se especializou em genética. Em 2017, fizemos-lhe perguntas principalmente sobre notícias recentes, especialmente sobre CRISPR. Em outubro de 2020, soubemos que o Prêmio Nobel de Química havia sido concedido à francesa Emmanuelle Charpentier e à americana Jennifer Doudna. Estas duas geneticistas desenvolveram “tesouras moleculares” (CRISPR) capazes de modificar os genes humanos, um avanço revolucionário.

AVISO, entrevista realizada em 2017, o artigo foi ligeiramente atualizado após o Prêmio Nobel de Química em outubro de 2020.

Criasaude.com.br – Pode ser lido em um artigo da Bloomberg Businessweek de 01 de junho de 2017 (referências na parte inferior do artigo) que a tecnologia de edição de genes CRISPR, em interação com a proteína cas9 (em inglês falamos de Crispr-Cas9) é a maior descoberta do século 21 em termos de impacto sobre o futuro da raça humana. Mas o que é o CRISPR? Como explicar esta tecnologia de forma simples para o público em geral?
Dra. Julia di Iulio – Antes de explicar a tecnologia “CRISPR”, penso que é necessário introduzir o conceito de “genoma” e “DNA”, ambos os termos referem-se ao código genético de um individuo. Quando eu explico aos meus pais o que eu faço muitas vezes utilizo a analogia de um livro. Em língua francesa, o alfabeto tem 26 letras, a combinação dessas letras podem formar palavras e frases. De forma similar, o código genético, ou DNA, tem um alfabeto que contém quatro letras, e o arranjo das letras permite escrever frases, que são os nossos genes. O genoma é um conjunto destas frases, e pode então ser comparado a um livro cujo conteúdo pode ser visto como um manual de instruções para o bom funcionamento de todas as células do corpo.
Se uma das instruções deste livro não está correta (por causa de um erro ortográfico, por exemplo), a tecnologia CRISPR permite modificar ou eliminar uma palavra que compromete a instrução. Em mais detalhe, esta técnica age em 2 etapas: (1) a palavra de interesse é pesquisada ao longo de todo o livro, e (2) uma vez que é localizada, ela será modificada ou excluída. Como você pode imaginar, quando a palavra em questão é corrigida, o significado das instruções do livro podem mudar drasticamente. Imagine que o livro contém a frase “eu trabalho limpando casas” e que a CRISPR é feita para detectar a palavra ‘casas’ e substituir por ‘caras’. A frase assume um significado totalmente novo “eu trabalho limpando caras”!

Em um livro (referenciado na parte inferior do artigo) que ela co-escreveu, a Dra. Jennifer Doudna, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley que é uma dos 2 cientistas que publicaram o primeiro artigo científico sobre tecnologia Crispr, se pergunta se: “Ela não criou um monstro?”. Um pouco como a tecnologia nuclear que pode ser usada para fins úteis (ex. eletricidade) ou destrutiva (ex. guerra). Sabemos que os nazistas eram grandes fãs de genética durante a 2ª Guerra Mundial, com notavelmente a eugenia. Você vê algum risco de uso indevido da Crispr? Se sim, como esses riscos podem ser minimizados ou maximizados?
Sim, é claro, pode haver riscos se esta tecnologia for mal utilizada. Mas, na minha visão, as pessoas mal-intencionadas, infelizmente, sempre encontrarão uma maneira de prejudicar independente de quais sejam os meios, geralmente prefiro focar no lado positivo. Neste caso, penso que com esta tecnologia muitas doenças podem ser curadas e prevenidas na próxima década.

Apenas em relação à Crispr, no início de agosto de 2017 os pesquisadores norte-americanos da Oregon Health and Science University disseram que conseguiram reparar um gene deficiente diretamente em um embrião usando o método Crispr. Este gene defeituoso é responsável pela doença cardíaca matando jovens atletas. O experimento foi realizado em laboratório, os embriões modificados com sucesso não foram implantados ou permitidos se desenvolverem. Este estudo publicado na Nature abre a porta para uma edição (modificação) de genes diretamente no nível embrionário para o melhor, como a prevenção de doenças genéticas; mas também para o pior, como a eugenia. O que você acha das questões éticas levantadas por este estudo revolucionário?
A interpretação dos resultados deste estudo ainda é controversa. No entanto, sejam esses resultados reais ou não hoje, provavelmente serão em um futuro próximo. Penso que o principal desafio ético será determinar quais doenças serão consideradas perigosas o suficiente para serem tratadas dessa maneira. O risco é que esta técnica se torne tão fácil de implementar e seja utilizada de forma abusiva para modificar, por exemplo, caracteres físicos em vez de doenças genéticas. No entanto, este desvio é improvável, pois a grande maioria das características físicas (como a cor dos olhos) é resultado da combinação ou interação de várias frases do livro e não apenas uma palavra como se pensava no passado.
Em resumo, se no futuro as autoridades permitirem a implantação de embriões modificados, serão necessários regulamentos rigorosos para evitar qualquer uso excessivo.

Eu li em um artigo do Wall Street Journal em 4 de julho de 2017 que a Crispr também pode diagnosticar doenças como, por exemplo, uma infestação humana do vírus Zika. Eu admito ter um pouco de dificuldade em entender como a Crispr pode ser utilizada como um método de diagnóstico, você pode nos dar mais explicações?
A tecnologia Crispr pode ser ligeiramente transformada para que a palavra de interesse, em vez de ser modificada ou excluída como mencionado acima, seja “estabilizada” ou a página do livro que a contém seja marcada com um “post-it fluorescente”. Se o objetivo é diagnosticar o Zika vírus, é possível escolher uma palavra que esteja presente apenas nas instruções fornecidas pelo vírus e não pelas do hospedeiro (o humano). Em outras palavras, a palavra de busca virá de outro idioma (o do Zika vírus) e o livro terá um post-it fluorescente somente se essa palavra do idioma estrangeiro for encontrada. Esta estratégia, portanto, permite detectar uma célula humana infectada com o Zika vírus.

Com cerca de 50 trilhões de células em um ser humano, como você se certifica de que a tecnologia Crispr atinja todas essas células?
Eu acho que a maioria das aplicações exigirá que o Crispr seja entregue localmente em vez de generalizado. Na verdade, muitas funções celulares são utilizadas apenas em certos lugares do nosso corpo, e é por isso que temos tantos tipos de células diferentes (por exemplo, as células dos olhos são diferentes das células do estômago, porque embora contenham o mesmo livro de instruções, eles não seguem o mesmo conjunto de instruções). Portanto, é inútil modificar uma determinada instrução na célula se for conhecido antecipadamente que essa célula não precisa desta instrução para funcionar. Explico esse fenômeno com mais detalhes na próxima pergunta.

Você pode explicar em poucas palavras o que é a epigenética?
Todas as células do corpo humano contêm o mesmo genoma, ou seja, o mesmo livro com as mesmas palavras. No entanto, como discutido acima, nossas células podem ter funções muito diferentes umas das outras (por exemplo, o papel das células musculares é claramente distinto do das células cerebrais). Isso significa que as instruções escritas no livro devem, de uma forma ou de outra, ser interpretadas ou lidas especificamente por cada tipo de célula. E isso é possível graças à epigenética. Se considerarmos que o genoma é o livro que contém todas as palavras usadas para escrever as instruções, a epigenética pode ser vista como a pontuação. Mudar a pontuação de uma frase pode alterar profundamente seu significado, mesmo que as palavras permaneçam iguais. Como exemplo, “Vamos comer, vovó” e “Vamos comer vovó” são duas frases semelhantes, mas interpretadas de uma maneira totalmente diferente. Outro exemplo de modificação do livro pela pontuação é a introdução de parênteses. Os parênteses em torno de uma frase no livro indicam à célula que não há necessidade de seguir uma instrução.

Às vezes é esquecido, mas o câncer é uma doença genética, me diga se estiver errado. Isso significa que as células cancerígenas se desenvolvem especialmente durante erros na divisão celular. Como você explica que a genética realmente não conseguiu colocar no mercado tratamentos contra o câncer?
O câncer é realmente o resultado de erros ortográficos no livro que contém as instruções. Na maioria das vezes, essas falhas aparecem em dois tipos de frases: (1) instruções que sinalizam para a célula que seria bom esperar antes de dividir e criar novas células e (2) instruções que exigem que a célula releia o livro e corrija qualquer erro ortográfico se houver algum. Portanto, é um círculo vicioso, porque a célula não só continua a dividir quando não deveria (o que cria um conjunto de células que não obedecem às instruções), mas também tendem a conter mais erros ortográficos (porque eles não se corrigem mais) e, portanto, a probabilidade de alterar outras instruções aumenta!
Os erros ortográficos podem ser herdados, isto é, eles podem ser transmitidos a um indivíduo por um de seus pais, então dizemos que alguém tem uma predisposição ao câncer. No entanto, na maioria das vezes, essas falhas são “adquiridas” durante a vida, especialmente através de fatores externos, como a exposição a raios UV. Por exemplo, quando você deixa um livro ao sol, a tinta pode ficar mais clara e pode ficar mais difícil de ler certas frases. Existe uma reação semelhante, análoga a essa, que acontece em nossas células da pele: os raios UV podem alterar as letras do código genético e, portanto, as instruções do livro.
A dificuldade em tratar o câncer vem do fato que cada câncer é diferente. Mesmo se alguém utiliza o termo genérico “câncer”, de fato, os erros ortográficos que levam a um certo tipo de câncer não ocorrem necessariamente na mesma palavra em indivíduos diferentes. E para complicar as coisas ainda mais, um tumor pode ser “heterogêneo”, o que significa que contém diversos erros ortográficos. A chamada terapia “direcionada” parece ser uma estratégia básica para superar o câncer. Recentemente, pesquisadores norte-americanos desenvolveram um tratamento que envolve o uso de células imunes de um paciente, modificando-as para que elas reconheçam especificamente células cancerígenas nesse mesmo indivíduo (o medicamento Kymriah®, da empresa suíça Novartis). Esta terapia que acaba de ser aprovada nos Estados Unidos é um exemplo de uma medicina personalizada.

Sempre se fala de farmacogenômica como um conceito de medicina personalizada, seja para ajudar o médico a escolher um medicamento mais efetivo (por exemplo, sabemos que certos medicamentos como os antidepressivos funcionam em algumas pessoas e não outras) ou para prevenir alguns efeitos colaterais, às vezes graves, de certos medicamentos como sinvastatina ou carbamazepina. Por exemplo, algumas pessoas que tomam sinvastatina (uma estatina) e têm o gene SLCO1B1 são 17 vezes mais propensas a ter uma inflamação muscular grave. Você sendo uma farmacêutica e que está familiarizada com os medicamentos, qual a sua visão sobre farmacogenômica? Atualmente a impressão é que, em geral, na Europa e nos Estados Unidos esta idéia é considerada boa, mas ainda pouco aplicada em grande escala ou de forma sistemática, você compartilha essa análise? Não deveria o farmacêutico ou o médico oferecer sistematicamente um teste genético para cada medicamento administrado?
Penso (e espero) que a farmacogenômica vai revolucionar o sistema de saúde. Somos TODOS diferentes e esse conceito é surpreendentemente pouco levado em consideração no sistema de saúde, embora isso pareça óbvio em muitas outras áreas (por exemplo, quando compramos roupas não podemos imaginar ir a uma loja onde eles vendem apenas um tamanho).
Os resultados não só são benéficos para a pessoa que recebe o tratamento medicamentoso, ou seja, com menos efeitos colaterais é mais provável que o medicamento seja eficaz, portanto, melhor aderência ao tratamento (o que pode ajudar a prevenir a resistência ao tratamento e, portanto, falhas terapêuticas). Além disso, a medicina personalizada pode reduzir os custos da saúde em grande escala. De fato, o custo inicial dos testes genéticos é compensado a longo prazo, considerando (i) o número de hospitalizações devido a efeitos colaterais que serão evitadas, (ii) o número de consultas médicas que serão evitadas se o paciente receber tratamento direto e não precisar voltar para o médico para mudar o tratamento, (iii) a quantidade de medicamentos que serão economizados se identificarmos, graças ao teste genético, os indivíduos que necessitam de uma dosagem mais baixa e (iv) o número de medicamentos que falharam na fase pré-clínica porque não passaram nos testes de eficácia, quando na verdade eles podem ser perfeitamente eficazes para uma parcela da população (que pode ser identificada através de testes genéticos).
O meu argumento final para o uso da farmacogenômica em larga escala é que quanto mais indivíduos receberem testes genéticos, maior a chance de encontrar novas associações entre a genética e a resposta à medicamentos. E quanto mais compreendermos a genética, podemos orientar as decisões farmacogenômicas melhor, e assim por diante.

Julia di Iulio gostaria de agradecer Stefania di Iulio, Angela Ciuffi e Kim Pelak pela revisão e discussões que a ajudaram a responder as perguntas o mais claro possível.

Entrevista realizada por e-mail por Xavier Gruffat (Criasaude.com.br/Creapharma.ch) entre agosto e setembro de 2017. A introdução foi atualizada em 7 de outubro de 2020, após o Prêmio Nobel de Química. Créditos fotográficos: Fotolia.com, página do LinkedIn de Julia di Iulio para sua foto

Foto de San Diego, onde ela trabalha

Referências das perguntas:
– Artigo de Bloomberg Businessweek : https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-06-01/one-of-crispr-s-creators-faces-her-fears
– Livro da Dra. Jennifer Doudna e do Dr. Samuel Sternberg :  A Crack in Creation: Gene Editing and the Unthinkable Power to Control Evolution
– « The Patient Will See You Now », pelo Dr. Eric Topol, 2015, Basic Books, New York.

10 dicas para evitar as doenças mais comuns do inverno

O inverno é a estação mais fria do ano e normalmente as baixas temperaturas trazem um clima mais seco no sul do país e chuvoso no norte. Com isso, muitas doenças são comuns nessa época do ano, como resfriados, gripes e até micoses. Leia abaixo nossas dicas para evitar as doenças mais comuns to inverno e aproveitar o que essa estação tem de melhor.
1. Hidrate-se constantemente. O inverno pode ser muito seco em diversas regiões do país e, devido a isso, surgem doenças decorrentes do ressecamento das vias aéreas. Coloque bacias de água ou toalhas molhadas nos cômodos da casa para umidificar o ambiente. Essa medida evita doenças como bronquite,pneumoniarinite, alergias, etc.

2. Alimente-se bem. Normalmente as pessoas no inverno tendem a comer comidas mais gordurosas para se esquentarem e se esquecem das frutas e vegetais. Tente ingerir de 5-7 porções de vegetais durante o dia, pois eles contêm vitaminas, minerais e antioxidantes que fortalecem o sistema imune. Dê atenção especial à vitamina C, encontrada em laranjas e frutas cítricas, e ao zinco, presente em mariscos, carnes e cereais.

3. Aqueça bem a garganta. Para isso, chás e bebidas quentes é a melhor indicação. O uso de cachecóis também é indicado. Esses hábitos, além de prevenir as dores de garganta, podem ajudar a combater outras doenças, como os resfriados e amigdalites.

4. Evite usar sapatos fechados ou meias o dia todo. Manter os pés sem ventilação propicia o crescimento de fungos que causam micose. Quando possível, prefira usar chinelos para arejar os pés. Isso evita o pé de atleta e micoses nas unhas.

5. Evite tomar banhos muito quentes. Além de ressecar a pele, o vapor quente mal seco se acumula na pele, favorece o crescimento de fungos e o surgimento da micose. Além disso, ao invés de usar roupas fechadas sintéticas, opte por usar roupas de algodão que absorvem a umidade. Essa prática ajuda a prevenir a pitiríase versicolor (também conhecida como micose de praia ou pano branco).

6. Mantenha as roupas de cama sempre limpas. Caso precise usar cobertores e edredons guardados, lave-os antes. Prefira secar as roupas ao sol. Isso evita doenças como rinite alérgica e asma.

7. Vacine-se contra a gripe. Nessa época do ano, as pessoas tendem a ficar mais juntas em ambientes fechados para se manterem aquecidas. Isso facilita a transmissão de vírus. Para isso, mantenha-se em dia com relação à sua vacina.

8. Evite ficar em ambientes fechados. Como dito anteriormente, a transmissão de vírus e bactérias é favorecida. Evite também estar perto de fumantes ou fumar, pois isso irrita as mucosas nasais e vias aéreas. Isso evita o aparecimento de meningites  e doenças respiratórias.

9. Exercite-se regularmente. Atividades aeróbicas como nadar, correr ou simplesmente andar ajudam a eliminar toxinas que enfraquecem o sistema respiratório e aumentam a capacidade respiratória. Algumas atividades são excelentes para combater a bronquite e outras doenças respiratórias.

10. Use soro fisiológico para umidificar as narinas. Ele também tem a importante função de lavar o nariz e as vias aéreas. Essa medida ajuda a prevenir otitesinusite e outras doenças das vias aéreas.

Com essas dicas você poderá aproveitar o friozinho do inverno de maneira muito mais saudável!

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Adobe Stock/Fotolia, Criasaude.com.br

Última atualização:
12.10.2020

10 dicas para fortalecer sua imunidade e resistência

SÃO PAULOO sistema imune do nosso corpo é responsável por nos proteger de diversas infecções provenientes das mais diferentes fontes. Ter uma imunidade fortalecida não é só importante no inverno, mas também durante todo ano e ao longo da vida. Veja essas nossas dicas que te ajudarão a ser mais resistente.

1. Alimente-se bem. O sistema imune é composto por células e anticorpos que estão em constante renovação e as proteínas, carboidratos e lipídeos são fundamentais para a formação desses componentes. Tenha uma dieta balanceada que englobe os diversos nutrientes. Tente ingerir uma média de 5 porções de frutas, verduras e legumes por dia. Se possível, inclua o gengibre em suas refeições ou tome na forma de chás. Essa raiz tem demonstrado ser eficaz no combate a infecções.

2. Dê valor ao zinco. Este mineral é fundamental na imunidade. O zinco é encontrado em carnes vermelhas, ostras, cogumelos e grãos. O cálcio é outro mineral muito importante e é encontrado em derivados do leite e vegetais de folhas verde escuras.

3. Evite o estresse. Ficar nervoso e ansioso faz com que nosso organismo libere hormônios, os corticosteróides, que são conhecidos por sua atividade imunossupressora. Tente relaxar e encarar as situações difíceis de uma forma menos estressante. Exercícios físicos ajudam a reduzir os níveis de estresse e melhoram a saúde global do organismo.

4. Durma bem. O sono é um dos fatores mais importantes para a saúde do organismo. Noites mal dormidas ou poucas horas de sono normalmente aumentam o nível de estresse do organismo e reduzem a imunidade. Tente dormir de 7 a 8 horas por noite. Se você tem problemas para dormir. Veja nossas dicas para combater a insônia

5. Consuma vitaminas. Algumas delas são essenciais para o fortalecimento da imunidade, como a vitamina C (encontrada em laranjas e frutas cítricas), vitamina A (encontrada em cenouras e abóbora) e vitamina E (encontrada em grãos, milho e canola).

6. Ingira quantidades adequadas de ômega 3. Esse ácido graxo essencial é um forte aliado do sistema imune e ajuda a prevenir diversas doenças, como doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer. O ômega 3 é encontrado em peixes (como o salmão) e em azeite e azeitonas.

7. Beba muita água. Além dela ajudar na renovação celular, a água lubrifica as vias aéreas e evita que infecções e alergias atinjam o corpo. Tente consumir pelo menos 2 litros de água por dia.

8. Mantenha bons hábitos de higiene. Lave sempre as mãos antes das refeições ou após o uso do banheiro, escove sempre os dentes e tome banhos regularmente. Estar sempre limpo afasta diversas doenças e infecções.

9. Evite exageros de qualquer forma. Isso inclui exageros alimentares (consumo excessivo de gordura, etc), consumo de álcool, drogas, cigarro, exercícios físicos extenuantes ou noites sem dormir. Exageros são prejudiciais para o corpo humano e faz com que a imunidade seja reduzida.

10. Evite uso desnecessário de medicamentos. Muitos medicamentos, como os corticosteróides, são imunossupressores e reduzem a produção de células do sistema imune e também de anticorpos. O uso de antibióticos sem necessidade também é prejudicial por pode aumentar a resistência de bactérias.

Muitas das dicas para melhorar a imunidade estão relacionadas com hábitos de vida e alimentação. Melhorar a sua imunidade e resistência à doenças depende só de você.

10.03.2020 (Update). Por Criasaude.com.br. Fotos: Fotolia.com, Criasaude.com.br

5 plantas medicinais com propriedades anti-inflamatórias

A natureza é cheia de plantas com propriedades úteis para o ser humano, daí o conceito de plantas medicinais. Descubra abaixo 5 plantas com propriedades anti-inflamatórias que ajudam a reduzir a dor. Deve-se saber que a inflamação é uma resposta natural do organismo frente a uma agressão, como uma doença, uma infecção ou uma lesão, e pode se manifestar por meio de dor, calor, vermelhidão e inchaço da área. Uma inflamação aguda é muitas vezes útil para alertar o organismo do perigo, mas uma inflamação crônica, ao contrário, é prejudicial ao corpo. Algumas plantas ricas em antioxidantes (por exemplo, flavonóides) podem ajudar a combater a inflamação crônica.

1. Gengibre
O gengibre (Zingiber officinalis) é uma planta da família zingiberaceae. Esta planta contém compostos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes tais como os gingeróis, paradóis e shogaóis. É por esta razão que é particularmente eficaz no alívio da dor causada pela artrite e outras doenças reumáticas inflamatórias. Para aproveitar ao máximo as propriedades do gengibre, recomenda-se que se coma fresco. O consumo diário de gengibre não causa efeitos secundários específicos, mas pode resultar em diarréia leve ou sensação de queimação no estômago. Estes sintomas eventualmente desaparecem quando o corpo se adaptar ao gengibre.

2. Aroeira
A aroeira ou aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius) vem de uma árvore nativa do Peru. Os índios da América do Sul a utilizam há muito tempo por suas virtudes naturais. Hoje, é conhecida pelos seus benefícios musculares e articulares. Disponível na forma de óleo essencial, a aroeira destina-se principalmente ao uso externo. Misturado com um pouco de óleo vegetal, é frequentemente usado como um óleo de massagem para tratamento da dor relacionada à artrite e à osteoartrite. Também é eficaz no tratamento de dores e outros traumatismos articulares. O óleo essencial extraído desta planta medicinal ajuda os atletas a se prepararem para o esforço físico. A aroeira também é eficaz no tratamento de crises de gota e dores de dente.
Observe também que, no Brasil, esta planta é uma das poucas plantas medicinais oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), planta indicada especialmente durante infecções fúngicas por Candida.

3. Chá verde
O chá verde (Camellia sinensis) deve suas propriedades anti-inflamatórias à sua riqueza em polifenóis, incluindo a catequina, uma substância com poder antioxidante cerca de 200 vezes maior do que a vitamina E. Vários estudos mostraram que o chá verde é um excelente analgésico e anti-inflamatório. É especialmente eficaz no tratamento de doenças inflamatórias, particularmente na redução ou mesmo cessação da ruptura da cartilagem que esse tipo de doença causa. Para aproveitar ao máximo as virtudes do chá verde, é aconselhável deixar infundir por 3 a 5 minutos. Beba este chá de uma a várias vezes por dia.

4. Açafrão-da-terra
O açafrão-da-terra (Curcuma aromatica, Curcuma longa) tem sido usado há muito tempo na Índia e na China para tratar doenças inflamatórias crônicas. Testes in vitro e em animais demonstraram que este tempero é eficaz no tratamento de pancreatite, artrite reumatóide ou mesmo da colite ulcerativa. Em pessoas com osteoartrite, o tratamento a base de açafrão-da-terra fornece efeitos comparáveis aos anti-inflamatórios convencionais como o ibuprofeno. Os extratos padronizados desta planta medicinal também reduzem os sintomas do intestino irritável e melhoram o conforto das pessoas que sofrem dessa doença. O consumo de açafrão-da-terra também ajuda a prevenir a ocorrência de doenças inflamatórias do fígado e do intestino, como obstrução da via biliar e hepatite.

5. Azeite de oliva
O azeite de oliva é rico em oleocantal, um composto que tem as mesmas propriedades terapêuticas do ibuprofeno, um anti-inflamatório comumente usado. Quatro colheres de sopa de azeite de oliva correspondem a cerca de 10% da dose necessária para combater a dor. A longo prazo, o consumo regular de azeite de oliva ajuda a reduzir o risco de desenvolver muitos tipos de câncer e também doença de Alzheimer.

Update: 29.02.2020. Pela equipe editorial do Criasaude.com.br. Supervisão científica: Xavier Gruffat (farmacêutico).
Créditos fotográficos: Fotolia.com, Creapharma.ch