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Esquizofrenia

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Resumo sobre esquizofrenia

EsquizofreniaA esquizofrenia é a psicose severa que acomete adultos jovens caracterizada pela desintegração da personalidade e perda do contato com a realidade.

Manifesta-se por episódios agudos de psicose que podem incluir alucinações, delírios e diversos sintomas crônicos resultantes de problemas emocionais, intelectuais e psicomotores.

As causas dessa doença complexa ainda são controversas mas ela é considerada, pelo menos parcialmente, hereditária.

Então, se ambos os pais são afetados, estima-se que o risco da criança ser esquizofrênica seja entre 40% e 68%.

Pesquisadores canadenses demonstraram em 2010 o papel das mutações genéticas que podem predispor certas pessoas à esquiizofrenia.

Os principais tratamentos para a esquizofrenia podem ser medicamentosos (neurolépticos ou antidrepressivos) e/ou psicoterapia.




Entrevista com psicóloga sobre esquizofrenia

Confira a entrevista a respeito da esquizofrenia com a psicóloga Gabriela Sumi (www.evh-clinica.com.br).

Entrevista com psicóloga sobre esquizofrenia

Criasaude: O que é esquizofrenia?

Gabriela Sumi: É uma das principais síndromes psicóticas caracterizada por alucinações e delírios, pensamentos e discurso desorganizados , distanciamento afetivo e disfunções sociais que  influenciam nas habilidades interpessoais e produtivas.

Os pacientes esquizofrênicos sofrem de uma alteração na relação eu-mundo, onde há habitualmente uma interpretação falsa de percepções ou experiências. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas (persecutórios, referenciais, somáticos, religiosos, ou grandiosos). 

Os delírios persecutórios são mais comuns. A pessoa acredita estar sendo seguida, enganada, espionada ou ridicularizada. As alucinações em qualquer modalidade sensorial também são bastante comuns, principalmente as alucinações auditivas, onde o paciente ouve vozes conhecidas ou desconhecidas dando-lhe comandos.

Outra característica marcante no paciente esquizofrênico é a desorganização do pensamento e do comportamento.  Em alguns casos, os pacientes sentem que seus pensamentos são ouvidos pelos outros ou que são extraídos de sua mente como se fossem roubados. Em casos mais graves a desorganização do pensamento pode levar a repetição de palavras  ou até mesmo ao mutismo.

Em relação à desorganização do comportamento, os pacientes podem ter dificuldade em demonstrar afetividade no contato interpessoal, isolando-se do convívio social.  A sua vontade em realizar atividades tanto em casa como no trabalho também pode ser diminuída, assim como o cuidado consigo mesmo e higiene. Em alguns casos o paciente pode chegar a apresentar movimentos lentificados e dificuldade em realizar movimentos simples.

Quais são as causas da esquizofrenia?

Assim como muitas outras doenças mentais, não há estudos determinantes sobre a causa da esquizofrenia, mas acredita-se que seja a combinação de fatores genéticos e ambientais.

Os fatores ambientais que mais influenciam são aqueles que ocorrem precocemente no desenvolvimento cerebral, como gestação, parto e primeira infância. Os fatores podem ser físicos, como infecções, traumatismos ou psicológicos, como traumas, depressão materna ou perda parental precoce.

Algumas teorias, como a psicanálise, acreditam que a ausência ou deficiência de relações saudáveis no vínculo mãe-bebê, como ausência de gratificação verbal, contato físico e visual na fase oral do desenvolvimento psicológico seria um fator importante na aquisição da esquizofrenia

Fatores sociais também podem propiciar o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Muitos pacientes apresentam os primeiros sintomas após passarem por períodos de estresse, depressão ou conflitos.



Esquizofrenia tem cura?

Não. A esquizofrenia é uma doença mental crônica. Seu tratamento visa o controle dos sintomas e a reintegração do paciente na sociedade.

Qual é o tratamento?

O tratamento é realizado através de medicamentos antipsicóticos ou neurolepticos. A maioria dos pacientes precisa utilizar os medicamentos pelo resto da vida, na fase aguda para aliviar os sintomas e no período entre as crises para evitar recaídas. É necessário que o paciente faça um acompanhamento periódico com o médico para regular a dosagem dos medicamentos.

É muito importante que juntamente com o tratamento medicamentoso o paciente faça o acompanhamento psicoterapêutico. Pois muitos sintomas podem persistir após a crise dificultando a sua atuação no meio social e familiar, é ai que o psicólogos como eu entram para contribuir ao tratamento.

O principal objetivo da psicoterapia é restabelecer o contato do paciente com a realidade, dar um sentido a experiência de vida, identificar fatores estressantes, desenvolver a capacidade em identificar e lidar melhor com sensações e sentimentos, autonomia , diminuição do isolamento, apoio e orientação aos familiares que sofrem com a condição do paciente.

Qual deve ser a postura dos familiares com os pacientes esquizofrênicos?

A família sofre influencias significativas a partir dos primeiros sintomas da esquizofrenia em algum membro. Sofrem com o comportamento frio, indiferente e hostil do paciente que é agravado com o preconceito e discriminação da sociedade.

A participação dos familiares no tratamento e reintegração deste paciente é essencial. É muito importante que os familiares busquem informações sobre a doença e principalmente sobre os sintomas para que não façam interpretações errôneas sobre o comportamento do paciente. Atitudes hostis, criticas ou de superproteção prejudicam o paciente. Apoio e compreensão ajudam o paciente a desenvolver uma vida independente e os auxiliam a conviver melhor com a doença.

Em alguns casos é aconselhado aos familiares recorrerem ao acompanhamento psicoterápico.

Todos os esquizofrênicos são violentos?

A maioria dos esquizofrênicos não apresenta comportamento violento ou perigoso, menos de 20% apresentam este tipo de comportamento.

Quando em crise, o paciente pode apresentar comportamentos agressivos, tanto fisicamente quanto verbalmente, pois se sentem ameaçados por seus delírios ou alucinações. É importante lembrar, que os pacientes sentem essa ameaça como sendo real, neste momento é necessário que a família converse de forma tranqüila, sem provocá-lo.

Em casos extremos de agressividade é necessário que o paciente seja contido ou levado para um serviço de saúde para garantir a integridade dos familiares e do próprio paciente.

É possível que um esquizofrênico tenha uma vida normal? Trabalhe, tenha filhos, mantenha uma família, realize atividades corriqueiras como dirigir?

Fora da crise, o esquizofrênico leva uma vida normal, como qualquer outra pessoa. Consegue desempenhar toda e qualquer atividade que uma pessoa sem esquizofrenia realiza como dirigir, trabalhar, cuidar dos filhos e etc. Porém, a grande maioria dos esquizofrênicos possui dificuldades em fazer contatos sociais e devem ser incentivados a participar de atividades em grupos, mas relacionamentos estressantes devem ser evitados.

Nos casos mais controlados de esquizofrenia, o paciente fica longos períodos sem manifestar os sintomas, o importante é não se descuidar neste momento, tanto o paciente como a família, pois aos primeiros sinais de recaída o paciente deve procurar um médico para avaliação.

É muito importante que o paciente cumpra os seus papeis tanto na família quanto na sociedade para que ele desenvolva sua autonomia e sinta-se pertencente à sociedade.

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Última atualização:
19.12.2014

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Última atualização do site: 01.07.2015