Bife ou química: o futuro está no campo | Criasaude

Bife ou química: o futuro está no campo

Bife ou química: o futuro está no campoPARIS – O futuro será vegetal. Assim como a soja, consumida como bife e outras formas, a França aposta em ervilhas e alfafa, com proteínas extraídas de culturas ainda negligenciadas nos campos, para alimentar pessoas e animais.

“O que os Estados Unidos foram capazes de fazer com a soja, nós queremos fazer com as ervilhas, tremoço, fava …”, resume Denis Chéreau, piloto do programa “Improve” (em português: Melhorar), uma plataforma de inovação que funciona como um centro de pesquisa, na Picardia – França.

Denis Chéreau acaba de ser confirmado para mais de um ano neste projeto de valorização das proteínas vegetais, em parceria com quatro grupos industriais (Téréos, Sofiprotéol, Siclaé e In Vivo), o INRA (Instituto de pesquisa agropecuária) e o Comissário de Investimentos.

O Instituto de compartilhamento de proteína vegetal visa um depósito de potencialmente 28 milhões de toneladas de proteína vegetal, e para seu promotor, o futuro é ilimitado: de bifes de tremoço a alimentos para cães e gatos diabéticos, filtros UV, cremes antirrugas, química verde em cosméticos: o futuro está no campo.

Reduzir as importações

O primeiro benefício em curto prazo será o de desenvolver as culturas oleoproteaginosas e proteaginosas, para reduzir as importações de alimentos para animais, principalmente a soja OGM proveniente da América do Sul.

Apesar dos esforços da última década, a França importa na verdade ainda quase metade das suas necessidades (contra 70% há uma década).

Faça essas culturas rentáveis

Mas para convencer os agricultores a cultivar ervilhas ou tremoços ao invés de trigo ou milho, melhores cotados no mercado, ainda seria necessário valorizar estas culturas para torná-las tão rentáveis quanto, lembra Jean-François Rous, Diretor de Inovação da Sofiprotéol.

“Temos apenas 130 mil hectares de ervilhas contra 420 mil em 2011, perdemos três quartos porque não eram economicamente sustentáveis. Desenvolvendo aplicações valiosas, os produtores as seguirão”, complementou.

O essencial para os ganhos, segundo ele, é passar para melhores rotações de variedades e um trabalho de “cobertura permanente” (os campos não estarem vazios entre as colheitas). Também é o objetivo do “Produzir outra forma” e do futuro “Mapa Proteico” previsto para o final do ano, nota o ministro da Agricultura da França.

Otimizar as oleaginosas

Outro desafio, segundo Sr. Rous, será o de otimizar o cultivo das oleaginosas como a colza e o girassol, em grande escala: respectivamente 1,6 milhões de hectares de colza, ou 5 milhões de toneladas em média, e 700.000 de hectares para o girassol.

Uma vez que o óleo é extraído, a mistura das fibras restante é utilizada para a alimentação dos animais. São bolos ricos em proteína, bem digerido pelo gado, mas não por porcos ou aves, explicou.

“Precisamos encontrar um procedimento de desfibrar os bolos. Então o homem pode chegar a uma extração de proteína quase pura, como o tofu”.

Grande desafio do século 21

Este é outro grande desafio do agronegócio para o século. A ONU prevê uma população de 9,7 bilhões de pessoas para 2025. “Como vamos fazer sem mudar os hábitos alimentares?”, pergunta Denis Chéreau.

Uma população enriquecida consome mais proteína animal. Como vemos na China, na Índia e na maioria dos países emergentes da Ásia, que estão passando para uma dieta de carne, um símbolo de sucesso.

“Dois terços das produções agrícolas são consumidas pelos animais para a produção de proteínas, em comparação com apenas 18% pelos seres humanos”. Melhoras virão, segundo ele, começando pela identificação dos efeitos fisiológicos benéficos de proteínas vegetais, a fim de aumentar a sua utilização na alimentação humana.

“Atualmente, 60 a 70% das proteínas consumidas pelos ocidentais são de origem animal, mas os nutricionistas aconselham um equilíbrio de 50-50”, disse o especialista. Simplesmente, ele disse, “quando você come um bife, esperamos certo sabor. A soja é capaz de fazê-lo, devemos fazê-lo” para outras plantas. O projeto Improve também planeja trabalhar com líderes – mais de quarenta engenheiros e técnicos.

Leia também: Soja

Criasaude.com.br, 19 de agosto de 2013.
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Observação da redação: este artigo foi modificado em 25.09.2017

 

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