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Excesso de vitamina B12 pode causar acne

Excesso de vitamina B12 pode causar acneLOS ANGELESA acne é um problema recorrente em adolescentes e em alguns adultos. Embora o aparecimento da acne normalmente não esteja associado a nenhuma condição patológica grave, sua presença pode trazer constrangimento e problemas psicológicos em algumas pessoas. Um recente estudo realizado pela University of California Los Angeles (UCLA) nos Estados Unidos associou a vitamina B12 ao aparecimento da acne e sua proliferação.

O estudo em detalhes

O estudo foi publicado na edição de 24 de Junho de 2015 na revista científica Science Translational Medicine, coordenado pelo dermatologista Dr. Noah Craft.

De acordo com os resultados do estudo, a vitamina B12 faz com que as bactérias normalmente encontradas na pele comecem a produzir agentes químicos que causam aparecimento da acne. A bactéria em questão, encontrada tanto em pessoas com e sem acne, é aPropionibacterium acnes. A diferença é que em pessoas com acne, essa bactéria tem metabolismo diferenciado. Os pesquisadores encontraram 109 genes que são mais ativos nas bactérias de pessoas com acne e 27 genes menos ativos.

Os pesquisadores deram suplementos de vitamina B12 para 10 indivíduos sem acne, e um deles desenvolveu acne 1 semana depois. Esse estudo fornece uma possível explicação para um fato que os cientistas já coheciam mas não entendiam o porquê, que a vitamina B12 causa acne.

O problema da acne

A acne é um problema comum da adolescência e é causada por uma inflamação dos folículos pilossebáceos, normalmente associada à uma bactéria. Embora mais comum nos adolescentes, a condição pode persistir na fase adulta e parece ser mais comum nos homens que nas mulheres.

Sua fisiopatologia é complexa e envolve diversos fatores, como idade, alimentação, fatores genéticos, variações de taxas hormonais, estado emocional e fatores ambientais. Algumas doenças genéticas também facilitam o aparecimento da acne. Ela é mais comum em áreas de grande oleosidade, como a zona T do rosto e nas costas.

Muitos tratamentos são baseados na limpeza e esfoliação da pele com agentes como ácido salicílico, ácido glicólico e derivados da vitamina A. Em alguns casos, o uso de antibióticos tópicos e orais é necessário para combater a proliferação das bactérias.

A vitamina B12

Excesso de vitamina B12 pode causar acneA vitamina B12, também conhecida como cianocobalamina, é cofator importante para diversas funções no organismo. Seu consumo é necessário para o metabolismo de ácidos nucleicos das células do sangue, prevenção de problemas cardíacos e derrame cerebral, manutenção do sistema nervoso e prevenção da anemia megaloblástica.
A deficiência de vitamina B12 tem sido associada a problemas de memória e falta de concentração, fadiga e problemas musculares, problemas circulatórios e no sistema nervoso central (como alucinações e paranoia), e problemas hematológicos. As principais fontes de vitamina B12 incluem fígado, atum, salmão, carne, leite e ovos.
Embora o seu consumo seja fundamental para o ser humano, o estudo realizado pela UCLA mostrou que o excesso favorece o aparecimento da acne. O uso sem recomendação nutricional ou médica de suplementos alimentares ricos em vitamina B12 pode levar a efeitos colaterais indesejáveis. Além disso, seu excesso pode levar a alterações nos linfócitos e no baço. Portanto, o melhor a se fazer é verificar se realmente a suplementação com vitamina B12 é necessária.

Leia também: 10 dicas para combater a acne A dieta para uma pele bonita

29 de junho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: Sciencemag.org. Fotos: Fotolia.com.

 

Novo medicamento mostra ser eficaz contra a obesidade

Novo medicamento mostra ser eficaz contra a obesidadeBOSTON, EUANas últimas décadas, a obesidade se tornou uma epidemia global que afeta diversas sociedades em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O aumento de casos de obesidade está intimamente correlacionado com o estilo de vida sedentário e aumento da disponibilidade, muitas vezes a baixo custo, de alimentos e bebidas altamente calóricos mas que proporcionam pouca saciedade. Muito mais que uma questão estética, a obesidade aumenta o risco de diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão e até alguns tipos de câncer.

Com o crescimento da obesidade mundial e os riscos que o aumento de peso exagerado podem causar, diversos tratamentos têm sido propostos. Apesar da eficácia que muitos fármacos apresentam em reduzir o peso, especialmente quando associados à cirurgia bariátrica, diversos estudos mostram que a perda de peso nem sempre é sustentada pelos pacientes, que eventualmente voltam a engordar. Além disso, os medicamentos contra a obesidade apresentam uso limitado devido aos seus efeitos colaterais, sobretudo no uso em longo prazo. A busca por novos agentes anti-obesidade que sejam mais eficazes e seguros é, portanto, um dos objetivos da ciência atualmente.

O prestigiado periódico científico New England Journal of Medicine publicou, na edição de Julho de 2015, um estudo no qual uma molécula foi testada contra a obesidade. A molécula em questão é um análogo peptídico do glucagon que estimula a secreção de insulina, reduz os níveis de glucagon pós-alimentação, retarda o esvaziamento gástrico e reduz o apetite.

O estudo em detalhes

Novo medicamento mostra ser eficaz contra a obesidadeA molécula testada foi a liraglutida, já usada para combater a diabetes tipo 2. O estudo foi duplo-cego, randomizado e conduzido pelo Dr. Xavier Pi-Sunyer durante 56 semanas com mais de 3700 pacientes nos 6 continente, que receberam placebo ou liraglutida na dose de 3 mg por dia. A agência americana que regula os medicamentos, FDA (Food and Drug Administration) aprovou a liraglutida como o primeiro agente análogo do glucagon na redução do peso de pacientes com IMC igual ou maior que 30.
Após a 56ª semana de estudo, os pacientes que receberam liraglutida apresentaram perda média de 8,4 kg versus 2,8 kg nos pacientes que receberam placebo. Os pacientes que interromperam o uso do medicamento após a semana 56 ganharam, em média, 2,9 kg em 12 semanas.
Além dos resultados positivos da liraglutida na redução do peso, os pacientes que fizeram uso desse medicamento apresentaram melhor controle dos níveis de glicose no sangue e insulina no sangue, melhor perfil de marcadores de doenças cardiovasculares e, no geral, melhor qualidade de vida. Como resultado, o estudo mostra que a liraglutida, na dose de 3 mg por dia, é um importante aliado na perda de peso em pacientes com obesidade ou sobrepeso.

Achamos uma cura para a obesidade?

Embora o resultados com a liraglutida sejam animadores, os pesquisadores alertam que esse agente não é uma cura definitiva para a obesidade. Muitos pacientes com obesidade, mesmo após tratamento com medicamentos, podem voltar a engordar e ter doenças como diabetes e pressão alta. Além disso, os pesquisadores ainda não sabem por quanto tempo a liraglutida precisará ser administrada, e estudos mais longos (de 2 anos de duração) estão em andamento.

A melhor estratégia contra a obesidade

De acordo com diversos profissionais da saúde, a melhor abordagem para combater a obesidade é uma estratégia multiprofissional, com a participação de médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Pesquisas mostram que a perda de peso baseada apenas em uma abordagem (exercício físico ou medicamentos) é muitas vezes ineficaz, fazendo com que os pacientes voltem a ganhar peso. Nutricionistas também apontam que somente foco em dieta não conduz à perda eficaz de peso.

O melhor a se fazer então é combinar estratégias para uma perda eficaz e saudável de peso. O uso de medicamentos para a obesidade deve ser prescrito e monitorado por médicos e nutricionistas, e suas doses ajustadas ao longo do tratamento. Outro aspecto importante a se considerar é o lado psicológico. Muitas pessoas querem perder peso rapidamente e acabam se submetendo a dietas exageradas e pouco saudáveis. Após alcançado o objetivo, o paciente volta a engordar o que tinha perdido, entrando no efeito “sanfona”. É importate ter paciência e perseverança no processo de emagrecimento, para uma perda sustentável de peso.

Leia também: Tratamento multidisciplinar para a obesidade no Brasil

06 de Julho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: NEJM.org. Fotos: Fotolia.com.

 

Pesquisa mostra que americanos não comem vegetais suficiente

Pesquisa mostra que americanos não comem vegetais suficienteATLANTA, EUAVocê come frutas e legumes em quantidades suficientes? Uma análise do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) concluiu que apenas 13,1% dos adultos americanos comem quantidades adequadas de frutas e apenas 8,9% comem vegetais o suficiente. A análise é resultado de uma pesquisa recente que investiga os hábitos alimentares dos americanos.

A importância dos vegetais

Comer mais frutas e legumes aumenta a ingestão de nutrientes essenciais e reduz o risco de doenças cardíacas, derrames e alguns tipos de câncer. Frutas e legumes também ajudam a controlar o peso do corpo quando consumidos no lugar de alimentos com alto teor de calorias, observam os autores do relatório, Dr. Latetia V. Moore, do CDC, e Dr. Frances E. Thompson, do Instituto Nacional do Câncer.

Para esta análise, os autores usaram dados de 2013 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais que englobou 373.580 entrevistados. Os entrevistados responderam perguntas sobre os tipos de frutas e legumes que comem e com qual frequência. As categorias incluem: suco 100% de frutas, frutas inteiras, feijões secos, vegetais verde-escuros, vegetais alaranjados e outros vegetais.

Os autores compararam as respostas às diretrizes que indicam que os adultos que fazem menos de 30 minutos de atividade física moderada por dia devem consumir o equivalente a 1,5-2,0 xícaras de frutas e 2-3 xícaras de legumes diariamente. Os adultos que são fisicamente mais ativos devem consumir mais vegetais para suprir suas necessidades calóricas.

A situação no Brasil

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE em 2014 mostrou que cerca de 60% dos alimentos com maior teor de gordura fazem parte da alimentação diária da população. A pesquisa foi realizada entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014 com 63 mil pessoas em todo o país.

O percentual de adultos que consumiram 5 ou mais porções diárias de frutas e hortaliças foi de 37,3%. Este percentual variou de 28,2%, na Região Nordeste, a 42,8% na Sudeste e 43,9% na Centro-Oeste. As mulheres (39,4%), em média, consumiam mais estes alimentos que os homens (34,8%). De uma formal geral, o consumo de frutas e hortaliças mostrava aumento com a idade e com

o grau de escolaridade. A proporção de pessoas que referiram consumo de carne ou frango com excesso de gordura foi 37,2%, variou entre 29,7% na Região Nordeste e 45,7% na Centro-Oeste. O consumo foi maior entre os homens (47,2%), entre os mais jovens e os menos escolarizados.

Nessa pesquisa, o consumo de alimentos considerados não saudáveis como bolachas, refrigerantes e doces foi de 21,7% e a tendência é que esse hábito diminua com o aumento da idade.

Qual a quantidade de vegetais devemos consumir por dia

Um estudo publicado em 2014 no periódico Journal of Epidemiology & Community Health, feito por pesquisadores da Universidade College London, na Inglaterra, mostrou que o ideal é consumir 7 porções de frutas e vegetais por dia. De acordo com os resultados dessa pesquisa, esse hábito alimentar reduz em 42% o risco de morte em qualquer idade.

Os pesquisadores ainda apontaram que ingerir esta quantidade de frutas e vegetais reduziu o risco de morte por câncer e doenças do coração em 25% e 31%, respectivamente. Os cientistas também concluíram que os vegetais são mais benéficos à saúde que do que as frutas (uma porção por dia diminuiu o risco em 16%, ante 4% da fruta).

É importante ressaltar que os hábitos alimentares devem estar associados à atividade física diária.

13 de Julho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: Ministério da Saúde, IBGE, CDC.gov. Fotos: Fotolia.com.

 

Índice glicêmico

Índice glicêmicoSÃO PAULOO índice glicêmico é uma medida que tem aparecido muito ultimamente em notícias relacionadas à saúde. Muitas pessoas, entretanto, não sabem o que é o índice glicêmico ou como interpretar esse valor. Leia nosso artigo para saber do papel do índice glicêmico na saúde e como manter uma dieta equilibrada.

O que é o índice glicêmico?

O índice glicêmico (ou IG) é uma medida de quanto o conteúdo de açúcar presente num alimento aumenta os níveis de glicose no sangue, também chamado de glicemia. Em outras palavras, o IG mede a velocidade com que os açúcares do alimento alcançam a corrente sanguínea após sua ingestão.

Conhecer a glicemia e seu aumento no corpo é importante, porque um aumento significativo da glicose do sangue conduz a uma secreção elevada de insulina pelo pâncreas.   Uma concentração muito elevada de insulina pode, eventualmente, provocar danos no organismo e principalmente aumentar o risco cardiovascular, além de aumentar o risco de sofrer de diabetes tipo 2. Deve ser mencionado que a insulina possui um objetivo particular de reduzir a glicose do sangue.

Um outro indice, cada vez mais utilizada na nutrição, é a carga glicêmica. Este índice permite levar em conta a quantidade e qualidade (apenas o índice glicêmico) dos carboidratos encontrados em uma porção de um alimento.

Controlar a glicemia é importante em diversas situações, como em pacientes com diabetes, pessoas em dieta de emagrecimento ou praticantes de esporte. Em linhas gerais, a glicemia não deve nem aumentar demais, nem cair demais. No primeiro caso, níveis altos de glicose no sangue predispõe o aparecimento de diabetes. No caso da glicemia cair muito, há o grave risco de que órgãos não recebam nutrientes suficientes para realizar suas funções.

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, a glicemia em jejum deve ser menor que 110 mg de glicose por dL de sangue e, após as refeições, menor que 145 mg/dL. Em nenhum momento, a glicemia deve ser menor que 80 mg/dL, pois abaixo desse valor, a pessoa está em hipoglicemia. Valores acima dos de referência para jejum e após a alimentação podem representar início de diabetes.

Portanto, conhecer o IG ajuda a fazer escolhas certas de alimentos e manter uma dieta saudável e equilibrada, evitando quedas bruscas de açúcar no sangue ou elevações.

O índice glicêmico e os alimentos

Índice glicêmico

Os alimentos contêm diferentes quantidades de açúcar em sua composição. Além disso, a velocidade com a qual esse açúcar entra na corrente sanguínea varia de acordo com o tipo de alimento. Assim, alimentos com alto teor de fibras têm índice glicêmico menor, ou seja, o açúcar entra na corrente sanguínea mais lentamente e eleva pouco a glicemia.

A escala para medir o índice glicêmico baseia-se em porcentagem, tendo como referência a glicose ou o pão branco como 100%. Assim, um alimento com índice glicêmico de 25, por exemplo, tem capacidade de apenas 25% de elevar a glicemia, quando comparado ao pão branco.

Os alimentos podem ser classificados em 3 categorias de acordo com o seu IG:

– Índice glicêmico baixo: menor ou igual a 55.

– Índice glicêmico moderado: entre 56 e 69.

– Índice glicêmico alto: acima de 70.

Diversos fatores influenciam no índice glicêmico de um alimento. O conteúdo de fibras, gordura e proteínas, bem como o grau de maturação de frutas e vegetais são alguns dos elementos que entram na complexa equação do índice glicêmico.

Em linhas gerais, alguns dos fatores são:

Índice glicêmico– Grau de maturação e armazenamento: quanto mais maduro uma fruta e vegetal, maior seu índice glicêmico.
– Processamento: quanto mais processado o alimento, maior o seu índice glicêmico. Dessa forma, alimentos integrais têm, geralmente, menor IG que suas versões processadas.
– Método de cozimento e preparo: durante o processo de cozimento, os açúcares ficam mais fáceis de serem digeridos, o que contribui para o aumento do índice glicêmico dos alimentos.
– Fatores biológicos e genéticos: além de todos os fatores relacionados aos alimentos, a habilidade de digeri-los também conta no aumento da glicemia. Algumas pessoas metabolizam carboidratos mais rapidamente, o que faz com que a glicemia aumente mais rápido. Em contrapartida, outras pessoas digerem alimentos mais lentamente, o que reduz o índice glicêmico dos alimentos.

O índice glicêmico de alguns alimentos

Para ter uma dieta balanceada, é importante conhecer o índice glicêmico dos alimentos. A lista a seguir não tem intenção de ser completa, mas apenas de fornecer uma breve visão de como o IG varia nos diferentes alimentos que consumimos.

Índice glicêmico baixo

– Amendoim (21)

– Soja (23)

– Cenoura (35)

– Leite integral (39)

– Leite desnatado (46)

– Maça (52)

– Pera (54)

Índice glicêmico médio

– Laranja (62)

– Uva passa (64)

– Arroz parboilizado (68)

– Feijão cozido (69)

Índice glicêmico alto

– Suco de laranja (74)

– Batata doce (77)

– Aveia (78)

– Manga (80)

– Arroz branco (81)

Índice glicêmico

– Banana (83)

– Sorvete (84)

– Biscoitos (90)

– Milho (98)

– Pão branco (100)

– Batata cozida (121)

Dica importante

Muitas pessoas acham que uma dieta saudável deve ser feita à base de alimentos de baixo índice glicêmico somente. Entretanto, a ingestão de alimentos de alto índice glicêmico também é importante, sobretudo nas refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). Eles impedem que a glicemia do sangue caia abruptamente, causando hipoglicemia. Além disso, alimentos com índice glicêmico médio e alto e rico em fibras (como arroz, feijão, batata doce) dão sensação de saciedade e controlam o apetite entre as refeições.

Leia também: 10 alimentos ideais para diabéticos12 alimentos ricos em fibras

06 de Abril de 2015 (update: 15.07.2015). Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fotos: Criasaude e Fotolia.com.

 

A importância dos probióticos na dieta

A importância dos probióticos na dietaSÃO PAULOVocê certamente já deve ter ouvido falar dos alimentos probióticos. Nos últimos anos, produtos assim denominados ganharam as prateleiras dos supermercados e as mesas dos consumidores. Além disso, os probióticos estão sempre na mídia como alimentos saudáveis a serem inclusos na alimentação. Entretanto, nem todos sabem da importância desses alimentos e nem como encontra-los.

O que são os probióticos?

O termo probiótico vem do grego e significa “pró-vida”. Antigamente, probióticos eram definidos como microrganismos que, quando ingeridos, ajudam a regular a flora intestinal. Com o passar dos anos, a definição foi sendo modificada e, atualmente, um probiótico é um alimento ou suplemento alimentar contendo microrganismos vivos que trazem benefícios ao consumidor.

As bactérias contidas nos probióticos são resistentes à ação do suco gástrico e conseguem chegar intactas ao intestino. Lá, elas ajudam no processo digestório e regulam a flora intestinal. Os exemplos mais comuns de bactérias probióticas são os Lactobacillus, os Streptococcus e as Bifidobactérias.

Quais os benefícios dos probióticos?

A importância dos probióticos na dieta

Ao longo dos anos, nosso entendimento da flora intestinal e do papel da alimentação em sua regulação aumentou muito. Diversos estudos mostram que manter uma flora intestinal saudável traz diversos benefícios à saúde e pode ajudar a prevenir algumas doenças crônicas, como diabetes e alguns tipos de câncer do trato digestório. Devido a isso, os probióticos ganharam importância como alimentos que ajudam a equilibrar a flora intestinal.

O consumo desses alimentos traz benefícios como:

– Melhora na digestão e prevenção de constipação.

– Melhora na acidez gástrica, prevenindo gastrites e úlceras.

– Aumenta a absorção de vitaminas e nutrientes, como vitaminas do complexo B, aminoácidos essenciais, cálcio e ferro.

– Fortalece o sistema imune do organismo, pois estimula a produção de macrófagos.

– Diminui a quantidade de bactérias patogênicas e protege a mucosa intestinal, prevenindo doenças como excesso de gases, colite e diverticulite.

Além desses benefícios, os probióticos são particularmente importantes em pacientes fazendo tratamento com antibióticos. Esses medicamentos destroem a flora intestinal, sendo necessário o consumo de probióticos para repô-la.

Outro importante benefício é na prevenção de certos tipos de cânceres. Um estudo publicado no periódico científico The American Journal of Clinical Nutrition, coordenado pela pesquisadora Ingrid Wollowski, mostrou que as bactérias contidas nos probióticos ajudam a prevenir mutações genéticas que levam ao desenvolvimento de tumores, sobretudo os que causam câncer de cólon.

Alimentos probióticos

A importância dos probióticos na dietaHoje em dia existem muitos alimentos probióticos vendidos em lojas especiais, supermercados e até em farmácias. Entretanto, existem probióticos naturais que você pode incluir em sua dieta.
Dentre os mais comuns, estão os laticínios e derivados, como leite, iogurtes, kefir, queijos, coalhada, leite fermentado, e outros derivados.
Estudos também estão sendo conduzidos com outros alimentos com potencial probiótico, como a soja e produtos fermentados (misô, tofu, tempeh), carnes, peixes e extratos de sementes e vegetais.
Além de consumir os probióticos, é importante ter uma alimentação saudável e balanceada. De nada adianta consumir probióticos se o restante da dieta não favorece o crescimento de bactérias benéficas.

A dose de probiótico também muda conforme a faixa etária. Em adultos, a dose recomendada é de 5 bilhões de unidades formadoras de colônias (UFC), por dia, por pelo menos 5 dias. Isso corresponde à ingestão de 2 a 3 iogurtes por dia com probióticos. Para crianças, os especialistas ainda não estabeleceram uma quantidade exata, mas estudos mostram que os probióticos já podem ser inseridos na alimentação da criança a partir dos 18 meses de vida.

Probióticos x Prebióticos: qual a diferença?

Outro termo comumente encontrado é “prebiótico”. Os prebióticos são fibras que servem de alimento para as bactérias benéficas do intestino. Dois exemplos dessas fibras são os frutooligosacarídeos (FOS) e a inulina. Os alimentos com FOS são de origem vegetal e incluem tomates, cebola, banana, cevada, aveia, trigo e até o mel. Já a inulina pode ser encontrada na cebola, aspargos e na raíz de chicória.

20 de Julho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: The American Journal of Clinical Nutrition. Fotos: Fotolia.com.

 

Gordura corporal pode estimular o stress

Gordura corporal pode estimular o stressFLÓRIDA, EUA O efeito do cérebro em outras partes do corpo é algo que há muito tempo foi estabelecido. Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade de Flórida descobriu que o corpo também influencia no comportamento do cérebro: a gordura corporal pode enviar sinais que afetam a maneira como o cérebro lida com o estresse e o metabolismo.

O estudo em detalhe

A pesquisa foi publicada na revista científica Psychoneuroendocrinology, na edição de junho de 2015. Embora a natureza exata destes sinais e o mecanismo de ação ainda não sejam inteiramente conhecidos, os pesquisadores dizem que tal caminho existe e é necessário conhecer mais a respeito para quebrar um famoso ciclo vicioso: o estresse provoca o desejo de comer mais, o que pode levar à obesidade. A gordura extra, por sua vez, pode prejudicar a capacidade do corpo em enviar sinais de saciedade para o cérebro e desligar a resposta ao stress.

Segundo James Herman, um dos autores da pesquisa e professor do Departamento de Psiquiatria e Neurociências da Universidade de Cincinnati, os resultados são importantes e únicos, pois eles mostram que não é simplesmente o cérebro que comanda a forma como o corpo responde ao stress.

Os pesquisadores citam a importância de incluir outras partes do corpo, e não só o cérebro, no controle das emoções e do comportamento. Esse estudo sugere que o metabolismo, por exemplo, exerce um efeito muito maior do que se pensava anteriormente e que o conteúdo de gordura corporal tem papel importante nas funções cerebrais e comportamentais.

Os pesquisadores descobriram que um receptor glicocorticoide no tecido adiposo pode afetar a maneira como o cérebro controla o stress e o metabolismo. Inicialmente, sinais propagados pelo receptor podem agir como salva-vidas, direcionando o cérebro para regular o balanço de energia e influenciar as respostas ao stress de uma forma benéfica, ajudando o corpo a lidar com ele.

Os pesquisadores descobriram que os hormônios esteroides conhecidos como glicocorticoides ativam os receptores no tecido adiposo de uma maneira que afeta um componente principal da resposta ao stress metabólico. Usando modelos de ratos, os cientistas encontraram uma ligação única entre a sinalização no tecido adiposo e a resposta do cérebro ao stress e metabolismo. Entender esse mecanismo em detalhes é de suma importância, pois isso pode ajudar a combater a epidemia global de obesidade.

Os cientistas querem agora entender os detalhes dessa sinalização gordura-cérebro para poder interromper esse ciclo que leva ao consumo excessivo de alimentos, sobretudo os ricos em gordura e açúcar.

Leia também: 12 alimentos que combatem o estresse e a ansiedade

02 de Agosto de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: News University of Florida. Fotos: Fotolia.com.

 

Novo fármaco promissor mata o câncer estimulando a produção de proteínas

Novo fármaco promissor mata o câncer estimulando a produção de proteínasCAMBRIDGE, MA, EUAUma nova droga que superestimula a produção de proteínas cruciais para o crescimento do tumor é a nova estratégia para tratar uma ampla gama de cânceres. As células tumorais estão em rápida divisão celular, de maneira que essa abordagem estressa as células. Essas conclusões foram apontadas por pesquisadores norte-americanos e publicadas no jornal científico Cancel Cell no último dia 10 de agosto de 2015. Os cientistas testaram a droga em um rato e mostraram que o tratamento é eficaz em modelo de câncer de câncer de mama e eficiente em uma ampla gama de células tumorais humanas.

A eficácia da nova droga

Segundo o co-autor do estudo David Lonard do Bayor College of Medicine, antes nenhuma droga que estimulasse uma proteína tumoral tinha sido desenvolvida ou proposta para terapia do câncer. Essa nova droga funciona em vários tipos de tumor e mostra resultados encorajadores na batalha contra a doença.

As células cancerosas adquirem mutações em oncogenes – genes que podem transformar células normais em células tumorais – dessa forma, muitas pesquisas focam na identificação de genes que sejam alvos para novas terapias. Os membros da família do receptor de esteróides (SRC) são especialmente promissores como alvos terapêuticos, porque estas proteínas participam de processos importantes no desenvolvimento do tumor e na sua capacidade de se espalhar para outros órgãos.

Novo fármaco promissor mata o câncer estimulando a produção de proteínasLonard e o outro autor do estudo, Bert O’Malley, levantaram a hipótese de que alguns compostos poderiam matar células tumorais não por inibir, mas por estimular proteínas SRC. Eles pensaram que a estimulação do SRC pode ser tão eficaz quanto a sua inibição, uma vez que gera desequilíbrio no ciclo celular.
Para testar essa ideia, eles rastrearam centenas de milhares de compostos para identificar um ativador potente do SRC chamado MCB-613. Este composto matou tumores de mama, próstata, pulmão e fígado, poupando células normais, e com pouca toxicidade em camundongos.

Esse desbalanço fez com que as células tumorais produzissem uma grande quantidade de proteínas, gerando um estresse celular e acúmulo de proteínas com função anômalas. Essa estimulação excessiva de reciclagem leva ao acúmulo moléculas tóxicas que matam a célula.

Em entrevista à revista Cell, O’Malley se declarou otimista com essa nova droga e acredita que ela entrará em estudo clínico para melhorar a vida de muitos pacientes.

O tratamento do câncer

Em maio de 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 16 novos medicamentos na lista de medicamentos essenciais para tratamento do câncer. Com isso, a OMS considera 46 fármacos como medicamentos prioritários para tratamento da doença e devem ser oferecidos pelo sistema público de saúde de todos os países.

Essa nova lista inclui alguns medicamentos genéricos, mas também de alguns de alto custo, como o trastuzumab, o imatinib e o rituximab, que são usados para tratamento de câncer de mama, mieloide crônica e linfoma, respectivamente. A lista também conta com fármacos para o câncer em fase avançada e disseminada (metástase).

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vários dos medicamentos recém-incluídos na lista, mas alguns são restritos a tratamentos específicos. O trastuzumab é um exemplo, pois é usado apenas no pós-cirúrgico, para prevenir que a doença volte.

A epidemia de câncer

De acordo com a OMS, o câncer mata cada vez mais. Dos 14 milhões de novos casos registrados em 2014, 8 milhões resultaram em morte. Segundo o levantamento, 60% das mortes ocorreram na África, Ásia e América do Sul.

Ainda segundo a OMS, os casos devem aumentar em 70% nos próximos 20 anos, saltando para 22 milhões de casos por ano. Entre homens, os cinco tipos mais comuns da doença são os de pulmão, da próstata, colorretal, do estômago e de fígado. Entre as mulheres, os principais tipos são os de mama, colorretal, de pulmão, cérvix e estômago.

As estatísticas ainda apontam que m terço das mortes por câncer é resultado de cinco riscos comportamentais e alimentares: alto índice de massa corporal (IMC), baixo consumo de frutas e verduras, falta de atividade física, uso de tabaco e consumo de álcool.

O tabaco aparece como principal fator de risco para câncer, uma vez que responde por cerca de 30% das mortes pela doença e por 70% das mortes por câncer de pulmão em todo o mundo.

17 de agosto de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP) Fontes: Cell Press Newsroom, OMS. Fotos: Fotolia.com.

 

Substância encontrada na pimenta mostra efeitos promissores contra obesidade

Substância encontrada na pimenta mostra efeitos promissores contra obesidadeADELAIDE, AUSTRÁLIAPesquisadores da Universidade de Adelaide na Austrália descobriram que uma dieta rica em gorduras pode prejudicar receptores importantes localizados no estômago que enviam ao cérebro sinais de saciedade. Para reverter esse efeito, os cientistas investigaram a ação da pimenta malagueta nesses receptores. Os dados do estudo foram publicados na revista científica Plos ONE no dia 19 de agosto de 2015.

O efeito da pimenta nos receptores

Os pesquisadores do Centro de Nutrição e Doenças Gastrointestinais da Universidade de Adelaide investigaram a ação de uma substância encontrada na pimenta malagueta nos receptores TRPV1 localizados no estômago. O foco da investigação foi na sensação de saciedade sentida após a ingestão de alimentos.

De acordo com a autora principal da pesquisa, a Professora Amanda Page, o estômago se estende quando está cheio, o que ativa sinais nervosos que diz ao cérebro que você já comeu o suficiente. A ativação desses receptores é mediada pelo receptor TRPV1, que por sua vez é ativado por uma substância encontrada na pimenta, a capsaicina.

Estudos anteriores já mostravam que a capsaicina, encontrada principalmente nas pimentas chilli do gênero Capsaicum, reduz a quantidade de alimentos ingerida. O que esse estudo esclarece é que a sensação de saciedade é estimulada por receptores TRPV1. A remoção desse receptor, ou a dessensibilização do mesmo com alimentos gordurosos, faz com que a sensação de saciedade demore mais para acontecer, o que faz com que a pessoa ingira mais alimentos, resultando em ganho de peso.

Além da possibilidade de incluir pimenta nos pratos diários para aumentar a sensação de saciedade, a Professora Amanda Page fala que os resultados podem levar à descoberta de novos medicamentos que ajam no receptor TRPV1 e combatam a epidemia de obesidade.

Segundo o doutor Kentish, médico da Faculdade de Medicina da Universidade de Adelaide, os pesquisadores agora tentam descobrir se é possível reverter o efeito negativo de uma dieta rica em gorduras.

O uso da pimenta em dietas

Substância encontrada na pimenta mostra efeitos promissores contra obesidade

As propriedades terapêuticas da pimenta têm sido estudadas há muito tempo. A capsaicina é a substância responsável pelo ardor produzido pelas pimentas e, além de estimular os receptores TRPV1, ela libera endorfina, neurotransmissor que dá sensação de prazer e saciedade. Além disso, pimentas como a malagueta, dedo-de-moça e chilli são ricas em vitamina A, do complexo B e C, cálcio, ferro, antioxidantes e substâncias anti-inflamatórias.

As pimentas também são conhecidas por serem alimentos termogênicos, ou seja, que aceleram o metabolismo. A inclusão de alimentos termogênicos na dieta acelera a queima de gordura e auxilia no processo de emagrecimento.

Os efeitos benéficos da capsaicina vão além da queima de gordura e aumento da saciedade. A ação antioxidante dessa molécula é duas vezes mais potente que a da vitamina C. Além disso, cremes à base de capsaicina estão disponíveis para tratamento de dores musculares e reumáticas. A capsaicina ainda ajuda na digestão, é um expectorante e tem ação vasodilatadora e relaxante dos vasos, o que reduz o risco de doenças cardiovasculares obstrutivas, como a aterosclerose.

No Brasil, há diversas variedades de pimenta, sendo que as mais comumente cultivadas são a pimenta malagueta, pimenta dedo-de-moça, pimenta cumari, pimenta de cheiro e pimenta doce. Elas podem ser usadas para temperar alimentos tanto doces quanto salgados.

Leia também: 12 alimentos que ajudam a emagrecerTermogênicos: riscos, benefícios e termogênicos naturais

24 de agosto de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá(farmacêutico USP). Fontes: News University of Adelaide. Fotos: Fotolia.com.

 

Estudo mostra ligação entre baixos níveis de vitamina D e esclerose múltipla

Estudo mostra ligação entre baixos níveis de vitamina D e esclerose múltiplaMIAMI, EUAUm estudo genético divulgado no dia 25 de Agosto mostrou uma ligação entre os baixos níveis de vitamina D e maior risco de desenvolvimento de esclerose múltipla (EM). Esta ligação fornece novas alternativas para tratamento da doença que, atualmente, não tem cura e é de difícil prevenção.
Estudos anteriores já haviam mostrado uma ligação entre os níveis de vitamina D, que é gerada pela luz ou ingerida em certos alimentos, e a esclerose múltipla, uma doença autoimune degenerativa que afeta o sistema nervoso central e a medula espinhal. Entretanto, esses mesmos estudos não demonstraram que baixos níveis de vitamina D levavam à EM, e mostravam apenas que os doentes tendiam a se expor menos à luz solar.

Risco duas vezes maior

Estudo mostra ligação entre baixos níveis de vitamina D e esclerose múltiplaO estudo publicado foi publicado no jornal científico PLOS e conduzido pelo Dr. Brent Richards, da Universidade McGill, no Canadá. Os dados analisaram níveis de vitamina D geneticamente baixos e a probabilidade de desenvolver EM em 14 498 pacientes com a doença e 24 091 pessoas saudáveis.
As pessoas com níveis mais baixos de vitamina D tinham um risco duas vezes maior de desenvolver EM, normalmente diagnosticado entre as idades de 20 e 50 anos.
“Os bebês que nascem com genes associados com a deficiência de vitamina D foram duas vezes mais propensos a desenvolver EM em fase adulta “, diz o Dr. Benjamin Jacobs, diretor da da pediatria do Hospital Royal National Orthopedic, em Londres.

Segundo o Dr. Jacobs, que não contribuiu para o estudo, a descoberta relatada no estudo é significativa. Isso mostra que a vitamina D participa de interações genéticas complexas e que sua deficiência pode levar ao surgimento de diversas síndromes.

Uso preventivo de vitamina D

De acordo com o Dr. Jacobs, ainda não se sabe se a suplementação com vitamina D em crianças reduzirá o risco de desenvolvimento de EM, entretanto, estudos clínicos estão em andamento para testar essa hipótese.

A EM é uma doença crônica que afeta cerca de 2,3 milhões de pessoas no mundo, alterando a visão e a fala, causando tremores, fadiga extrema, problemas de memória e paralisia.

A esclerose múltipla no Brasil

De acordo com Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e o Ministério da Saúde, a doença atinge 35 mil pessoas no Brasil, sendo que a incidência é maior no Sul e Sudeste do país. No dia 30 de agosto, comemora-se o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla.

A doença ainda é pouco conhecida do público e muito associada a outros problemas mentais, como demência, mal de Alzheimer ou até mesmo esquizofrenia. A falta de informação da população leva ao atraso no diagnóstico e no tratamento, além de gerar preconceito entre familiares e conhecidos do paciente.

A EM é uma doença autoimune em que anticorpos do próprio paciente atacam a bainha de mielina, que é o revestimento dos neurônios. A bainha de mielina tem função importante na condução dos impulsos nervosos e sem esse isolamento, o impulso é comprometido, de maneira a prejudicar funções do corpo.

Normalmente a perda da visão em um dos olhos é um dos primeiros sintomas. Seguem a isso formigamento em membros, perda de movimento e problemas de memória. O diagnóstico é feito por um neurologista, que realiza diversos exames para excluir outras possíveis causas.

A doença não tem cura e os tratamentos buscam melhorar as funções fisiológicas do paciente (movimento, formigamento, etc). Embora os novos medicamentos não curem a doença, eles modificam sua evolução, ou seja, reduzem os ataques agudos da EM, restabelecem funções do paciente e retardar a neurodegeneração. Porém, sua eficácia é limitada e alvo de intensos estudos clínicos.

Leia também: Carência de vitamina D associada ao AlzheimerVitamina D para a saúde do cérebro

30 de agosto de 2015. Texto originalmente escrito por Xavier Gruffat (farmacêutico), traduzido e modificado por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: PLOS, ABN e Ministério da Saúde. Fotos: Fotolia.com.

 

Quem dorme pouco tem 4 vezes mais chance de pegar um resfriado

Quem dorme pouco tem 4 vezes mais chance de pegar um resfriadoSÃO FRANCISCO, EUAUm novo estudo conduzido por um pesquisador do sono da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) comprova aquilo que os pais e avós vêm dizendo há séculos: para evitar doenças, certifique-se de dormir o suficiente.
O grupo de pesquisa, que inclui pesquisadores da Carnegie Mellon University e University of Pittsburgh Medical Center, descobriu que pessoas que dormem seis horas por noite ou menos são quatro vezes mais propensas a pegar um resfriado quando expostas ao vírus, em comparação com aqueles dormem pelo menos 7 horas por noite.
Este é o primeiro estudo a usar medidas objetivas do sono para associar os hábitos circadianos com a propensão de doenças, de acordo com o Dr. Aric Prather, professor assistente de psiquiatria da UCSF e principal autor do estudo. Os resultados ressaltam a importância que o sono tem na manutenção da nossa saúde.

Quem dorme pouco tem 4 vezes mais chance de pegar um resfriadoDe acordo com do Dr. Prather, a curta duração do sono foi o fator mais importante na probabilidade de se pegar um resfriado. “Não importa a idade dos pacientes, seu nível de estresse, sua raça, nível de escolaridade, renda, presença ou não de tabagismo. Com todos esses fatores levados em consideração, a duração do sono foi mais importante”.
O estudo intitulado “Behaviorally assessed sleep and susceptibility to the common cold”, foi publicado na edição on line de setembro da revista científica Sleep.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos consideram o sono insuficiente uma epidemia de saúde pública, ligando a má qualidade do sono com acidentes de carro, acidentes industriais e erros médicos. De acordo com uma pesquisa de 2013 nos EUA, um em cada cinco americanos têm menos de seis horas de sono.

Os cientistas sabem há muito tempo que o sono é importante para a nossa saúde, e poucas horas de sono estão associadas a doenças crônicas, e até mesmo aumento da suscetibilidade de morte prematura. Estudos anteriores do Dr. Prather mostraram que pessoas que dormem menos horas são menos protegidas contra doenças, mesmo após receber uma vacina. Outros estudos confirmaram que o sono é um dos fatores que regulam os níveis de células T, responsáveis pela defesa do corpo.

O estudo em detalhes

Quem dorme pouco tem 4 vezes mais chance de pegar um resfriadoOs pesquisadores recrutaram 164 voluntários da área de Pittsburgh, entre 2007 e 2011, e administraram neles o vírus da gripe comum. Os pacientes foram submetidos a dois meses de exames de saúde, entrevistas e questionários para estabelecer linhas de base para fatores como estresse, temperamento e uso de álcool e cigarro. Os pesquisadores também mediram os hábitos de sono normais dos participantes uma semana antes da inoculação do vírus da gripe comum.
Eles descobriram que os indivíduos que dormiram menos de seis horas por noite na semana anterior foram 4,2 vezes mais propensos a ficaram doentes em comparação com aqueles que dormiram mais de sete horas. Já aqueles que dormiram menos de cinco horas, foram 4,5 vezes mais suscetíveis a contraírem a doença.
Segundo a Fundação Nacional do Sono nos EUA, a quantidade de horas dormidas varia conforme a faixa etária. Recém-nascidos necessitam de 14 a 17 horas de sono por dia. Bebês de quatro a onze meses precisam de 12 a 15 horas de sono por dia. Conforme a idade aumenta, a necessidade de sono diminui. Crianças de um a 5 anos de idade precisam dormir de 10 a 14 horas; dos 6 aos 13 anos, a recomendação é de 9 a 11 horas; dos 14 aos 17 anos, 8 a 9 horas de sono são suficientes. Adultos de 18 a 64 anos deveriam dormir de 7 a 9 horas por dia, e idosos acima de 64 anos precisam de 7 a 8 horas de sono por dia.

A qualidade do sono do brasileiro

Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 43% dos brasileiros sofrem de algum distúrbio do sono. Os distúrbios mais comuns são: apneia, bruxismo, ronco, insônia, sonambulismo e terror noturno.

As crianças também podem apresentar distúrbios como terror noturno e pesadelos.

Leia também: 10 dicas para mandar a insônia para longe

06 de setembro de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá(farmacêutico USP). Fontes: UCSF News Center, Associação Brasileira do Sono. Fotos: Fotolia.com.