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Tratamento multidisciplinar para a obesidade no Brasil

Tratamento multidisciplinar para a obesidade no BrasilSÃO PAULONo passado, a obesidade era tratada sem nenhuma colaboração entre os diferentes profissionais da saúde. Nos últimos anos, entretanto, a medicina e a ciência têm se adaptado para realizar um trabalho cada vez mais multidisciplinar, ou seja, visando associar o trabalho do médico, do nutricionista, do psicólogo e do educador físico na luta contra a obesidade. Essas informações são de um simpósio realizado no dia 4 de junho, em São Paulo, no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. O Criasaude resume os principais pontos discutidos.

Nenhuma receita milagrosa

Para a Professora Ana Dâmasco, especialista em exercício físico, não há milagre na luta contra a obesidade. Ela ainda ressalta a importância do trabalho multidisciplinar no tratamento. É importante individualizar a prática de exercício físico para cada paciente.

De acordo com a Professora Glauce Lamoglie de C. Sanches, é importante não se esquecer do aspecto psicológico na perda de peso. Apenas foco em nutrição (dieta) não conduz à perda de peso em todos os casos. É importante realizar exercícios físicos regulares e acompanhar o estado psicológico do paciente, reforçando a motivação.

Esta conferência também destacou a importância da educação alimentar para crianças e exercício físico regular, uma vez que a obesidade infantil tem se tornado um problema de saúde pública.

Exercício físico e alimentação

Para a Professora Fabiana Evangelista, outra especialista no assunto, a perda de peso só com base na prática de exercício físico muitas vezes não é muito eficaz, como mostrado na literatura médica. Para perder peso, é importante combinar a prática de exercícios físicos com uma dieta adequada. Mais uma vez, o trabalho multidisciplinar é essencial na luta contra a obesidade. Um ponto crucial é lutar contra a adiposidade e o excesso de gordura, personalizando o atendimento para cada paciente.

Excesso de peso e obesidade em crianças

Outro ponto observado nesse simpósio é o elevado número de crianças obesas ou com excesso de peso no Estado de São Paulo. A luta contra este problema também é baseada em uma abordagem multidisciplinar, incluindo o trabalho com nutricionistas e professores de educação física. Um ponto importante é fazer o diagnóstico da situação, como por exemplo, levantar o número de crianças obesas ou com excesso de peso em escolas. Em seguida, é importante tomar medidas como reforçar o aconselhamento nutricional para crianças, propondo, por exemplo, 1 hora por semana de uma aula de educação alimentar.

Genética e obesidade

Finalmente, um palestrante fez uma pergunta interessante sobre a influência dos genes na obesidade. De acordo com a Professora Ana Dâmasco, os fatores que influenciam a obesidade são complexos, com vários genes envolvidos, além de fatores ambientais. Por enquanto, é necessário cautela antes de iniciar um tratamento nutricional ou uma atividade física baseados apenas no perfil genético do paciente. Essa é, entretanto, uma área muito promissora para estudos futuros.

07 de junho de 2015. Texto escrito por Xavier Gruffat (farmacêutico) e traduzido por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Nota: Xavier Gruffat participou desta conferência nos dias 4 e 6 de junho, sendo um dos maiores e mais respeitados congressos médicos na América Latina. Este artigo refere-se ao simpósio realizado em 4 de junho de 2015, 14:00-14:45 com o nome de Colóquio: Estratégias interdisciplinares para o tratamento da obesidade.

 

O cuidado com a alimentação durante o inverno ajuda a emagrecer e a combater doenças

O cuidado com a alimentação durante o inverno ajuda a emagrecer e a combater doençasSÃO PAULO No inverno, devido às baixas temperaturas, as pessoas tendem a se alimentar de comidas mais calóricas e praticar menos atividades físicas. Como consequência, o aumento de peso parece ser inevitável durante essa estação do ano. Entretanto, segundo nutricionistas, o inverno é a melhor época do ano para perder o peso, pois o metabolismo fica mais acelerado para aquecer o corpo. Portanto, quem vive brigando com a balança pode aproveitar o inverno para perder alguns quilos. 

Aumento do metabolismo

Estudos apontam que o metabolismo do corpo aumenta em temperaturas mais baixas. A finalidade desse aumento no metabolismo é gerar mais calor para o corpo através do gasto de energia. Como consequência, a fome aumenta para repor a energia perdia, e é aí que mora o perigo. A tendência é comer mais calorias que o corpo pode gastar para gerar calor, resultando em acúmulo de gordura. Embora o aumento do apetite no inverno seja normal, nutricionistas indicam que é possível criar estratégias para não engordar.

Evite alimentos gordurosos e cremosos

É comum as pessoas comerem sopas cremosas e fondues durante essa época do ano. A estratégia é evitar alimentos gordurosos como queijos, cremes, pizzas, fondues, chocolates e outras delícias comuns nessa época. Substitua as sopas cremosas por caldos de legumes, por exemplo. Prefira queijos brancos aos queijos integrais e evite a ingestão em excesso de açúcar refinado. Evite também gordura animal em excesso, como bacon, embutidos e carnes vermelhas.

Outra dica importante é fazer várias refeições diárias, de 5 a 6. Isso ajuda a manter o metabolismo sempre acelerado, evita os excessos de fome e prolonga a sensação de saciedade. A ideia é ter 3 refeições principais (café, almoço e jantar) e 2 ou 3 refeições menores e mais leves.

Aumente a ingestão de proteínas

Estudos mostram que quanto maior a ingestão de proteínas, maior é a saciedade. Um estudo publicado em 2005 na revista científica American Journal of Clinical Nutrition provou que aumentar a ingestão de proteínas de 15% para 30% reduziu o consumo diário de calorias em cerca de 440 kcal. Isso acontece porque as proteínas são digeridas mais lentamente, o que aumenta o período de saciedade.

Dê preferência para carnes magras, como aves e peixes. Prefira os grelhados ou cozidos às preparações fritas em óleo. Uma boa dica é incluir sementes oleaginosas na sua dieta, pois elas são ricas em proteínas e gorduras poli-insaturadas.

Invista em vegetais

É comum no inverno as pessoas deixarem de lado folhas, legumes e frutas. Entretanto, é extremamente importante que esses alimentos sejam incluídos na refeição. Além de conterem minerais e vitaminas, os vegetais também são ricos em fibras, o que aumenta a saciedade, reduz a absorção de gorduras e melhora o trânsito intestinal.

Uma boa maneira de preparar os vegetais é cozinhá-los no vapor ou refogá-los. Dessa maneira, eles são aquecidos e se tornam mais interessantes para comer. Cuidado com preparações como purês e suflês, pois elas normalmente levam muita gordura e creme. As frutas também podem ser usadas para substituir doces feitos com açúcar refinado. Ao invés de utilizar cremes gordurosos em bolos e tortas, use frutas como morango, maçã e até mesmo a banana. Outra dica é assar as frutas ao forno e salpicar canela, mel ou açúcar mascavo.

Não se esqueça dos chás

Os chás são importantes aliados da dieta. Além de aquecerem o corpo, muitos chás aceleram o metabolismo e combatem radicais livres. Alguns chás particularmente importantes são o chá verde, chá preto, chá de gengibre, chá de hibisco e chás de ervas (hortelã, boldo, dente de leão, etc…).

Hidrate o corpo

Além de tomar chás e sopas de legumes, é importante manter a hidratação alta durante o inverno. A tendência é que as pessoas sintam menos sede devido à pouca transpiração. Entretanto, beber muita água é fundamental para manter o metabolismo acelerado e o corpo hidratado.

A água, além de ajudar no processo de emagrecimento, hidrata o corpo, evitando ressecamento da pele e do cabelo, comuns durante o inverno. Muitas vezes o que pensamos ser fome é na verdade sede e pode ser facilmente sanado com um copo de água. A ingestão de líquidos também hidrata e lubrifica as vias aéreas superiores que estão expostas ao ar frio do inverno. A hidratação da traqueia e garganta ajuda a evitar doenças respiratórias como gripe e resfriados.

Pratique atividades físicas

Nada aquece mais o corpo que o exercício físico. A prática de esportes, além de ajudar na eliminação dos quilinhos indesejados, aumenta o metabolismo e ajuda a manter o corpo aquecido por muito tempo.

Escolha sua atividade preferida para facilitar a adesão e saia do sedentarismo comum do inverno. Estudos mostram que quanto maior a massa muscular, mais fácil é a queima de gordura. Além disso, os músculos são ricos em mitocôndrias que são responsáveis pelo metabolismo do corpo e por gerar calor mesmo em repouso.

Considerações finais

Embora seja difícil manter uma dieta saudável e praticar atividade física durante o inverno, há muitas vantagens para o corpo manter hábitos não sedentários. E não se esqueça que o inverno dura apenas 3 meses e logo após as estações mais quentes do ano vêm.

15 de junho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: American Journal of Clinical Nutrition. Fotos: Fotolia.com.

 

Crise de gota, entrevista com o médico Dr. Alexander Dumusc

LAUSANNEO Criasaude teve a oportunidade de entrevistar, em fevereiro 2015, o Dr. Alexander Dumusc, diretor clínico adjunto do serviço de reumatologia do hospital ortopédico do Centro Hospitalar Universitário Vaudois (CHUV) em Lausanne, Suíça. O CHUV é um hospital com uma ótima reputação internacional.

Crise de gota, entrevista com o médico Dr. Alexander Dumusc

Criasaude – A maioria dos pacientes se queixam de dor terrível no momento da gota, qual(is) medicamento(s) você prescreve para aliviar a dor?

Dr Dumusc – Uma crise de gota é realmente muito dolorosa. Existem vários possíveis tratamentos para uma crise de gota. A escolha do tratamento depende das outras doenças que o paciente sofre. Os tratamentos mais utilizados são os anti-inflamatórios não-esteroidais (naproxeno, indometacina, diclofenaco, ibuprofeno, …). Outros medicamentos utilizados são a colchicina ou cortisona. Em casos muito especiais, tratamentos biológicos (anti IL-1) às vezes são usados em centros de referência.

O medicamento mais prescrito no mundo inteiro para prevenir a ocorrência de crises de gota é o alopurinol, você da preferência a este tratamento ou usa outra terapia medicamentosa?

Em 2015, o alopurinol continua a ser o tratamento de escolha para a prevenção de crises agudas de gota em pacientes que sofrem de níveis de ácido úrico muito elevado. Outros tratamentos, como febuxostato são muitas vezes utilizados para os pacientes resistentes.

Em relação ao alopurinol, os estudos têm mostrado que muitas pessoas que sofrem de gota não tomam ou deixaram de tomar os medicamentos, apesar de uma prescrição do médico. É verdade que o alopurinol é muitas vezes um tratamento contínuo ao longo da vida e precisa de alguma disciplina. Como aumentar a adesão terapêutica (compliance em inglês) do alopurinol entre a população? Sabemos também que a baixa adesão pode sobrecarregar desnecessariamente os serviços de emergência, qual é a sua opinião?

A adesão terapêutica é um grande problema no caso da gota, que é uma doença crónica, principalmente no uso do alopurinol. De fato, os pacientes muitas vezes sofrem de várias outras doenças e devem tomar muitos medicamentos, o que reduz a aderência terapêutica. É importante lembrar que a interrupção abrupta do tratamento com alopurinol pode desencadear uma crise de gota.

A educação do paciente a respeito da doença é essencial. Se o paciente compreende o conceito de tratamento de prevenção das crises de gota e do tratamento da crise em si, é um ganho em autonomia e a aderência terapêutica aumenta.

Você tem alguns bons conselhos práticos de prevenção para os pacientes que sofrem regularmente de crises de gota?

Para os pacientes que sofrem de crises de gota regularmente é recomendada uma consulta com um reumatologista. Este especialista irá avaliar a possível indicação para iniciar um tratamento preventivo para crises de gota ou adaptá-lo. Ele também pode adaptar o tratamento habitual do paciente tentando remover alguns medicamentos que favorecem as crises de gota.

O paciente pode agir em sua própria alimentação para reduzir o risco de crises de gota. É recomendado consumir bebidas sem açúcar (sem frutose) e sem álcool (especialmente cerveja e destilados), além de se hidratar o suficiente. Evite comer carne, aves (especialmente a pele), vísceras, peixes e frutos do mar. Os produtos lácteos têm um efeito favorável contra as crises, reduzindo os níveis de ácido úrico no sangue.

Nós sabemos que os homens são mais afetados do que as mulheres pela gota. No entanto, é possível observar, como certos estudos internacionais têm apontado um aumento no número de mulheres afetadas pela gota nos últimos anos?

Na verdade a gota afeta majoritariamente os homens. Na prática clínica, não vejo um claro aumento do número de mulheres com gota, mas esta situação não é rara, especialmente em hospitais.

Os medicamentos atualmente comercializados agem principalmente sobre os sintomas, ou quando é utilizado para a prevenção deve ser usado quase por toda a vida. Será que um dia poderemos descobrir um medicamento capaz de curar definitivamente a gota?

A gota é favorecida por fatores ambientais (diabetes, obesidade, medicamentos, …) e genéticas (mutações de genes relacionados com o metabolismo do ácido úrico). É apenas uma consequência de níveis muito elevados de ácido úrico e sua cristalização. Podemos trabalhar na redução dos níveis de ácido úrico no sangue ou diminuindo sua produção, tanto promovendo a sua eliminação como tratando a crise de forma tão eficiente quanto possível em casos de cristalização (crise). A cura definitiva para a gota não é esperada por agora.

17.05.2015. Por Xavier Gruffat (Criasaude).

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O perigo da gordura trans para a saúde

O perigo da gordura trans para a saúdeSÃO PAULONo dia 16 de junho de 2015, os Estados Unidos baniram o uso da gordura trans nos alimentos. De acordo com Agência de Administração de Medicamentos e Alimentos, FDA, o uso de gorduras trans não é seguro para a saúde e produtos que contenham esse componente em sua composição devem ser retirados do mercado em até 3 anos. Desde de 2006, os produtos foram obrigados a incluir informações sobre o conteúdo de gordura nos rótulos, mas só agora uma lei proibiu alimentos com essa substância.

Entenda a gordura trans

Na natureza, as gorduras formadas por ácidos graxos insaturados estão normalmente na configuração cis. As gorduras trans são raramente encontradas naturalmente, mas elas são produzidas a partir de gorduras vegetais que são hidrogenadas em processos industriais. Seu uso na indústria alimentícia é muito difundido, pois as gorduras trans dão melhor aspecto aos alimentos e aumentam o prazo de validade.

Óleos vegetais líquidos quando submetidos à hidrogenação catalítica em processos industriais, adquirem a configuração trans e tornam-se gorduras sólidas. Esse aspecto firme é muito apreciado na indústria de alimentos para dar consistência, textura e sabor aos alimentos.

Problemas de saúde associados à gordura trans

Embora a gordura trans apresente benefícios na fabricação de alimentos, o seu consumo está associado a diversos problemas de saúde. Estudos apontam que o consumo de alimentos com gordura trans aumenta o chamado colesterol ruim (LDL) e reduz o colesterol bom (HDL), além de aumentar a gordura abdominal (visceral), obesidade e aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes.

Essas doenças aumentam o risco de doenças cardiovasculares como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, problemas de circulação, dentre outros. Estudos também apontam que a obesidade e diabetes favorecem o aparecimento de alguns tipos de câncer e propiciam o surgimento do mal de Alzheimer. Um estudo americano publicado na revista científica PLOS One ainda apontou que o consumo de gorduras trans pode estar associado a problemas de memorias em homens de até 45 anos de idade.

Onde as gorduras trans são encontradas?

Esse tipo de gordura é amplamente encontrado com comidas industrializadas e fast-food. A lista de alimentos com gorduras trans é enorme, mas aqui está uma lista com alguns exemplos:

– Comida de fast-food.

– Biscoitos (doces e salgados), pães e bolos industrializados.

– Misturas para preparar bolos, pães e biscoitos.

– Pipoca de micro-ondas.

– Alimentos congelados.

– Margarina, maionese e manteiga vegetal, além de outros produtos com gordura vegetal hidrogenada.

– Molhos prontos para salada.

– Recheios e coberturas para bolos (glacê, chantilly, etc).

– Doces industrializados e sorvete de massa.

– Chocolates em barra e bombons.

– Massas folheadas e salgadinhos de pacotes.

– Sopas e cremes instantâneos industrializados.

Esses alimentos, além de conterem gorduras trans, também contêm alto teor de açúcar refinado, colesterol, conservantes e sódio.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o consumo de gorduras trans não deve ser maior que 2 g por dia. Hoje em dia, muitos produtos escrevem no rótulo se possuem ou não gorduras trans. Entretanto, é difícil controlar o seu consumo diário. Nutricionistas e médicos recomendam o consumo moderado de alimentos processados e aumentar o consumo diário de alimentos naturais e orgânicos, como vegetais, grãos integrais e frutas oleaginosas.

A situação no Brasil

No Brasil, desde 1° de agosto de 2006, fabricantes de alimentos são obrigados a declarar no rótulo dos produtos a quantidade de gordura trans. Essa medida foi sancionada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Entretanto, a legislação contem uma brecha que permite que produtos com menos de 0,2 g de gordura trans por porção não declarem essa informação no rótulo.

Além disso, a gordura trans pode estar “disfarçada” de outros nomes. Alguns normalmente encontrados são:

– Gordura

– Gordura vegetal (parcialmente hidrogenada)

– Gordura hidrogenada

– Creme vegetal

– Óleo vegetal (parcialmente) hidrogenado

– Margarina e margarina vegetal

Não há dados sobre o consumo de gordura trans no Brasil. Entretanto, os dados sobre a obesidade e sobrepeso no país não são animadores. Segundo uma pesquisa divulgada em abril pelo Ministério da Saúde, 52,5% dos brasileiros está na faixa do sobrepeso. Destes, 17,9% são obesos. A taxa de sobrepeso é maior nos homens que nas mulheres, 56,5% versus 49,1%, respectivamente. O aumento do sobrepeso é resultado de um padrão de vida mais sedentário e consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar.

Dicas para evitar a gordura trans

A gordura trans é amplamente utilizada em alimentos. No Brasil ainda não existe uma lei como nos Estados Unidos que proíba o uso da gordura na indústria alimentícia. É preciso, portanto, ficar atento aos alimentos que contenham a substância.

É sempre importante lembrar que os fabricantes não precisam declarar a informação de presença de gordura trans se essa quantidade for inferior a 0,2 g por porção. Isso não quer dizer, entretanto, que um alimento está isento da gordura trans. Um pacote de biscoito de 150 g, por exemplo, as informações nutricionais são referentes a uma porção do produto, ou seja, cerca de 30 g de biscoito. Se nessas 30 g, ou cerca de 3 biscoitos, a quantidade de gordura trans não exceder 0,2 g, o fabricante não é obrigado a colocar essa informação. Entretanto, ao se comer o pacote inteiro, a pessoa poderá estar ingerindo quase 1 g de gordura trans sem saber.

O exemplo acima mostra que, embora os alimentos declarem possuir 0 g de gordura trans, isso pode não ser verdade.

A melhor sugestão é ingerir alimentos pouco processados e naturais. Substitua doces industrializados por frutas, evite usar margarina e gorduras vegetais e prefira azeite de oliva.

Leia também: Tratamento multidisciplinar para a obesidade no Brasil

21 de junho de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: FDA, PLOS One. Fotos: Fotolia.com.

 

Perda de peso pode ajudar a melhorar os sintomas da menopausa

Perda de peso pode ajudar a melhorar os sintomas da menopausaSÃO PAULO, SPA menopausa é uma condição que afeta as mulheres e surge em média depois dos 50 anos de idade. Ela é caracterizada por uma redução da secreção dos hormônios femininos, o estrógeno e a progesterona. O primeiro sinal do começo da menopausa é a ausência de menstruação por cerca de 12 meses consecutivos. Após esse período, o corpo da mulher passa por diversas alterações, como ganho de peso, aumento do risco de osteoporose, secura da mucosa vaginal e, talvez o mais prevalente e característico, as ondas de calor.

Embora estudos científicos reportem que o início da menopausa dependa de fatores socioculturais e também biológicos (como dieta, nível de atividade física, etc), os sintomas que acompanham essa fase pertubam as mulheres de maneira praticamente unânime. As ondas de calor, também chamadas de fogachos, surgem normalmente à noite, e são acompanhadas de intenso suor, que produz frio intenso após cada episódio de calor.

Recentemente, um estudo publicado na revista científica internacional Menopause mostrou que a perda de peso pode ajudar a controlar as ondas de calor da menopausa. O estudo foi conduzido com 40 mulheres com sobrepeso ou obesidade com, pelo menos, 4 episódios de fogachos por dia. Parte das pacientes foi então aleatoriamente alocadas num programa de redução de peso, que incluiu redução da ingestão calórica, aumento da atividade física e sessões de grupo para estimular a continuação no programa. Esse grupo foi comparado a um grupo controle, que não participou do programa de redução de peso.

No geral, as mulheres que participaram do programa de redução de peso apresentaram menos episódios fogachos menos severos. Além disso, o estudo concluiu que quanto maior a perda de peso, maior a redução das ondas de calor. Embora o estudo tenha sido feito com um número pequeno de mulheres, os resultados parecem indicar para uma possível terapia alternativa complementar à reposição hormonal.

Médicos recomendam fazer atividades físicas e manter uma dieta saudável, rica em vitaminas, cálcio, e com pouca gordura, de preferência poli-insaturada, derivada de peixes (salmão, atum, sardinha). Além de reduzir a incidência de fogachos, outros sintomas são também aliviados, como a osteoporose e a ansiedade.

Você quer saber mais sobre o assunto, como os tratamentos convencionais e alternativos? Leia nossa página sobre aMenopausa.

21 de Julho de 2014. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (Farmacêutico). Fonte: Menopause e The North American Menopause Society.

Expectativa de vida no brasil aumentou, diz ONU

Expectativa de vida no brasil aumentou, diz onuBRASÍLIA, DF – Numa determinada população, o número médio de anos que um indivíduo vive é conhecido como expectativa ou esperança de vida. Esse é um dos índices mais usados por órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, para medir a qualidade de vida de um país ou região. Além disso, a expectativa de vida é também usada para inferir sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De acordo com a Organização Mundial de Saúde em 2013, o país com a maior expectativa de vida foi Mônaco, com média de 87,3 anos, seguido de Japão (84,6 anos) e Andorra (84,2 anos).

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a expectativa de vida no Brasil aumentou 17,9% entre 1980 e 2013, passando de 62,7 para 73,9 anos, um aumento real de 11,2 anos. O avanço foi apontado no Relatório de Desenvolvimento Humano 2014 divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o crescimento foi possível em razão das medidas de combate à desnutrição, redução da mortalidade materna e infantil, ampliação do acesso a vacinas e medicamentos gratuitos, melhoria do atendimento às mães e bebês, enfrentamento das doenças crônico-degenerativas e das chamadas mortes violentas, entre outras ações na área de atenção básica e urgência e emergência.

O ministro ainda reforçou a redução na mortalidade infantil e destacou redução de 70% entre 1980 e 2012. Essa redução, no entanto, não foi igual. A queda foi maior no Norte e no Nordeste, onde era muito mais acentuada.

O relatório colocou o Brasil na 79ª posição do ranking do IDH entre 187 países, com um valor de 0,744 (categoria de Alto Desenvolvimento Humano), indicando aumento de 36,4% entre 1980 e 2013. O índice está acima da média de 0,735 para os países do grupo de Alto Desenvolvimento Humano e acima da média de 0,740 para os países da América Latina e Caribe.

Também houve crescimento na expectativa da vida nos últimos anos: em 2010, a estimativa era de 73,1 anos, já em 2013, passou para 73,9 anos. Os resultados seriam ainda melhores se o PNUD utilizasse dados atualizados para a elaboração do relatório. De acordo com dados recentes já disponíveis do IBGE de 2013, a esperança de vida ao nascer seria de 74,8 anos. Se fossem considerados esses números a outros dados defasados, como o de escolaridade, o país sairia da 79ª posição para a 67ª.

De acordo com a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, mais importante do que analisar o posto no ranking é considerar o verdadeiro IDH do país. “A gente passaria de 0,744 para 0,764, que é o avanço real, como está o Brasil hoje. Vários países têm seus indicadores com estatísticas atualizadas, similares às brasileiras, que estavam disponíveis e podiam ser utilizadas. O Brasil vem se esforçando em melhorar essa captação de dados por organismos internacionais. Não estamos tratando de dados alternativos ou não reconhecidos”, afirmou.

O relatório mostra que as desigualdades no Brasil estão diminuindo. O IDH do Brasil ajustado à desigualdade (IDHAD) ficou em 0,542 em 2013, com uma perda de 27% em relação ao IDH. Essa perda vem caindo ao longo dos últimos anos: era de 29,6% em 2006. Das três dimensões analisadas no IDHAD, a desigualdade na expectativa de vida ao nascer é a menor, com um índice de 14,5%, seguido da desigualdade na educação (24,7%) e da desigualdade na renda (39,7%).

Para o ministro da Educação, Henrique Paim, o relatório mostra que, em relação à expectativa de anos de estudo, o Brasil está melhor que os outros membros do BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) e nações vizinhas, como o Chile. “Isso revela que há um esforço do país do ponto de vista de inclusão, de melhoria da frequência escolar. Esse processo está reconhecido no relatório”, observou.

28 de Julho de 2014. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (Farmacêutico). Fontes: Ministério da Saúde e United Nations Statistics Division

Estudo diz que paracetamol não é eficaz na dor lombar aguda

Estudo diz que paracetamol não é eficaz na dor lombar agudaSYDNEY, AUSTRÁLIAO paracetamol com seus nomes de marca (Tylenol, Parador, Dorico, etc) e genéricos é claramente um dos medicamentos mais conhecidos e utilizados em todo o mundo. Ele é usado com sucesso contra as dores de cabeça, febre e muitas doenças que causam dor, tais como a osteoartrite.

O paracetamol, quando usados ​​em doses terapêuticas, tem a vantagem de produzir poucos efeitos colaterais. Outros analgésicos da família dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), tais comoibuprofeno ou aspirina, são muitas vezes irritantes para o estômago.

Muitos médicos seguem as recomendações médicas (guidelines) e, muitas vezes prescrevem o paracetamol para lombalgia aguda. A dor lombar é uma doença muito comum que afeta as vértebras lombares que estão na parte inferior da coluna vertebral.

Como nenhum estudo sério tinha mostrado até agora a eficácia do paracetamol contra a dor lombar aguda, pesquisadores australianos procuraram comparar o efeito do paracetamol frente ao placebo.

Método

Os cientistas realizaram um estudo comparando o paracetamol ao placebo em diferentes centros médicos (estudo multicêntrico) em Sydney. O estudo foi duplo-cego (nem os participantes nem os médicos sabiam se o paracetamol ou o placebo foram prescritos) de forma randomizada (participantes foram aleatoriamente sorteados para receber a droga ou o placebo), de novembro de 2009 a março de 2013. Cada pessoa recebeu 4 gramas de paracetamol por dia ou placebo. Os participantes sofriam de dor nas costas com sua origem principalmente devido à má postura ou falta de exercício.

Resultados

Os pesquisadores australianos não observaram diferenças entre o paracetamol ou o placebo. Aqueles que tomaram paracetamol levaram em média 17 dias para aliviar a dor e os que tomaram placebo, em média, 16 dias. Em outras palavras, o tempo de recuperação foi estatisticamente idêntico entre paracetamol e placebo.

Dr. Chris Williams, que liderou esta pesquisa, acredita que os mecanismos de dor nas costas são diferentes de outras doenças dolorosas e esta é uma área em que precisamos de mais estudos.

Exercícios físicos em vez de paracetamol

Além de medicação, os médicos aconselham o exercício físico regular, como alongamento, aplicação de calor ou frio (bolsas quentes ou frias), ou então certo terapias ditas físicas, como massagens terapêuticas para tratar a lombalgia.

Sabemos que a prática de exercícios funciona para tratar a dor nas costas. Em vez de ficar na cama, é aconselhável sair para uma caminhada ou fazer exercícios de musculação. Este estudo foi financiado pelo governo australiano e pela filial australiana da empresa farmacêutica de origem britânica GlaxoSmithKline (GSK).

05 de Agosto de 2014. Texto originalmente escrito por Xavier Gruffat (farmacêutico) e traduzido por Matheus Malta de Sá  (farmacêutico). Fonte: The Lancet, CBSNews.com

Vacina contra hepatite a será oferecida a crianças

Vacina contra hepatite a será oferecida a criançasBRASÍLIA, DFVocê sabia que a hepatite Atambém pode atingir crianças? Pois é verdade. A hepatite é causada por um vírus que atinge tanto adultos quanto crianças, sendo que os tipos A, B e C são os mais comuns, mas existem também os tipos D e E. O vírus do tipo A passa para as fezes e é transmitido de uma pessoa infectada a outra. A criança, por exemplo, pode ser infectada ao colocar a mão em algo contaminado, e depois, colocar na boca. Condições precárias de higiene, assim como alimentos mal lavados, facilitam a transmissão.

O Ministério da Saúde passou a oferecer a vacina contra a hepatite A para crianças. A meta é imunizar 95% do público-alvo, cerca de três milhões de crianças – na faixa etária de um até dois anos incompletos – no período de 12 meses.  Com isso, o Brasil passa a oferecer, gratuitamente, 14 vacinas de rotina, garantindo todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O objetivo é prevenir e controlar a hepatite A e, dessa forma, imunizar, gradativamente, toda a população. O esquema vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, prevê uma dose única da vacina.

Para o início da vacinação, estados e municípios já receberam 1,2 milhão de doses. Outros lotes da vacina serão encaminhados, ainda este ano e no decorrer de 2015, para atender 100% do público-alvo. A data para início da vacinação será definida por cada estado.

A vacina contra a hepatite A deve ser incorporada aos programas nacionais de imunização, na medida em que as condições de saneamento básico de um país começam a melhorar e o contato das pessoas com o vírus passa a ocorrer mais tarde, na fase adulta, propiciando o surgimento de mais casos da forma grave da doença.

As doses para o início da vacinação já foram enviadas para todas as secretarias estaduais de saúde, assim como os materiais instrucionais para a correta aplicação na população. A vacina contra a hepatite A é segura e praticamente isenta de reações, mas pode provocar vermelhidão e inchaço no local da aplicação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a hepatite A é uma doença fatal em mais de 2% dos doentes acima dos 40 anos de idade, e em 4% das pessoas acima dos 60 anos de idade. Os sintomas iniciais nem sempre estão presentes, mas caso apareçam, eles incluem febre, cansaço, perda de peso, náuseas, vômitos, dores abdominais, urina escura e dores articulares. Para saber mais, acesse nossa página sobre a hepatite A.

11 de Agosto de 2014. Texto escrito por Matheus Malta de Sá. Fonte: Ministério da Saúde e Organização Mundia da Saúde.

Como melhorar o aprendizado

Como melhorar o aprendizadoSÃO PAULOAprender faz parte da vida. Em todas as fases da vida, estamos expostos a novas experiências, que exigem nossa capacidade de reter o conhecimento adquirido de maneira eficaz, ou seja, aprender. Seja uma nova língua, um esporte, ou uma matéria na escola, é importante saber como melhoras as funções do cérebro e tornar o aprendizado mais eficiente. Pensando nisso, preparamos esse artigo com dicas para melhorar o aprendizado.

Como o cérebro aprende?

Antes de melhorar a capacidade de aprendizado, é importante saber como o cérebro aprende novas informações. Essa é uma pergunta que não está totalmente esclarecida e tem intrigado neurocientistas durante anos. Os mecanismos de aprendizado pelo cérebro são complexos e envolvem muitos fatores que ainda não são totalmente conhecidos.

Alguns dos fatores mais estudados que influenciam o aprendizado são a memória, o interesse e a atenção. Em linhas gerais, estratégias que melhorem a memória, que despertem o interesse e a atenção da pessoa, aceleram o aprendizado do assunto em questão. Dentro desse cenário, cientistas dão algumas dicas para melhorar a capacidade do cérebro em reter informação.

  1. Organização. Organização na hora dos estudos ou do aprendizado de uma tarefa é fundamental para que o cérebro absorva a informação. A melhor dica é saber como você se sente mais confortável e qual o tipo de organização você prefere. Focar em uma atividade por vez ao invés de fazer muitas ao mesmo tempo também ajuda na organização.
  2. Frequência ou repetição. Cientistas têm demonstrado que o cérebro retém melhor uma informação quando esta é repetida ou praticada várias vezes. Em linhas gerais, quanto mais uma pessoa realiza uma tarefa, mais o seu cérebro armazena essa informação e aprende a realizar a função. Isso acontece, pois os caminhos neuronais criados precisam ser fortalecidos, e isso acontece mediante repetição.
  3. Intensidade. Além da frequência, é importante também a intensidade do estudo ou da prática a ser aprendida. Isso significa que quanto mais dedicação e rigor nos estudos, mais eficaz é o aprendizado. Em outras palavras: mais vale estudar 30 minutos por dia com afinco, do que 2 horas de maneira relapsa.
  4. Atenção. Outro fator importante é a atenção dispensada durante o processo de aprendizado. Focar na tarefa realizada e dedicar-se o máximo possível são elementos cruciais para se aprender algo. Estudos apontam que informações que não chamam a nossa atenção tendem a ser esquecidas com mais facilidade.
  5. Motivação e interesse. Cientistas têm mostrado que para o aprendizado ser eficaz é importante que o aprendiz esteja motivado a absorver determinada informação. Para isso, é importante que a pessoa entenda a importância de determinado assunto para desenvolver interesse por ele. Estudos mostram que pessoas aprendem mais rápido aquelas habilidades das quais elas se interessam mais.
  6. Estabeleça conexões entre os assuntos. Uma maneira eficaz de turbinar o aprendizado é estabelecer conexões com situações que são familiares. Neurocientistas afirmam que devemos lançar mão das conexões neuronais fortes já existentes na hora de aprender algo novo. Isso mostra a importância em integrar os assuntos, ao invés de ensiná-los separadamente. Nesse sentido, é sempre importante se questionar qual a relevância daquele assunto para o seu cotidiano, qual o motivo em aprender aquilo e como essa nova habilidade muda a sua maneira de pensar.
  7. Aprenda coisas novas constantemente. Nesse sentido, o cérebro é como um músculo que precisamos exercitar sempre. Quanto mais aprendemos coisas novas, mais fácil fica a capacidade do cérebro em formar conexões, ou seja, continuar aprendendo. É importante explorar as diversas áreas do conhecimento humano e estar em contato com assuntos diferentes, como artes, línguas, esportes, ciências, política, etc. Outra dica importante é aprender de maneiras variadas, usando diferentes métodos. Ao invés de estudar um livro apenas lendo, tente escutá-lo, pois isso estimula a audição e desencadeia diferentes respostas neuronais.
  8. Entenda como você aprende melhor. Algumas pessoas aprender melhor escutando, outras, lendo. Saber como é a maneira mais eficaz para você é importante na hora dos estudos. Reconhecer os hábitos de estudo e suas potencialidades ajuda nesse processo.
  9. Pratique o que você aprendeu. A prática é uma forma de repetir o que foi estudado na teoria, reforçando os circuitos neuronais recém-criados. Mesmo em situações abstratas, é possível praticar o conhecimento adquirido de alguma forma, como, por exemplo, ensinando outras pessoas.
  10. Estimule a memória. Existe uma relação muito íntima entre memória e aprendizado, de maneira que quanto melhor for a memória de uma pessoa, mais eficaz é o aprendizado de algum assunto. Existem diversas técnicas para melhorar a memorização como sublinhar textos, fazer anotações do assunto estudado, usar mapas mentais e desenhos, dentre outros.

O estilo de vida e o aprendizado

Como melhorar o aprendizadoRecentemente cientistas têm descoberto que o estilo de vida influencia na capacidade do cérebro em formar conexões neuronais. Levar uma vida saudável, praticando esportes e se alimentando bem ajuda na capacidade do cérebro absorber informação. Estudos mostram que pessoas que praticam atividade física têm melhor atividade cerebral, melhor vascularização e oxigenação dos tecidos nervosos, o que melhora a aprendizagem.
A dieta também tem papel importante nesse processo. Certos alimentos melhoram as funções cognitivas do cérebro. A lista de alimentos que se prestam a esse fim é grande, mas alguns exemplos incluem:

– Peixes de águas frias ricos em ômega 3, como o salmão.

– Alimentos ricos em vitaminas do complexo B, como aveia (vitamina B1), amêndoas e arroz (vitamina B2), amendoim e brócolis (vitamina B3), banana e gérmen de trigo (vitamina B6), dentre outros.

– Alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas, caju, acerola, dentre outros.

– Alimentos ricos em fósforo e magnésio, como sementes de girassol, peixes, tofu e leguminosas.

Azeite de oliva, devido ao seu rico teor em ácidos graxos poli-insaturados.

– Frutas vermelhas, pois são ricas em antioxidantes, carotenoides, vitamina E e selênio, que ajudam a evitar danos nas células nervosas.

– Kiwi e maçã, ricos em fisetina, que estimula a formação de conexões nervosas.

– Alimentos ricos em vitamina D, como o óleo de fígado de bacalhau, pois estimula a regeneração neuronal e ajuda na fixação de cálcio, elemento importante para a memória.

– Alimentos ricos em cálcio, como leite e derivados, pois o cálcio é um elemento importante nas transmissões neuronais.

– Ovo, pois é rico em colina, precursor do neurotransmissor acetilcolina, que tem funções de transmissão de impulsos nervosos, formação e regeneração celular.

Tente praticar essas dicas para turbinar o seu aprendizado.

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21 de Abril de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fotos: Criasaude e Fotolia.com.

 

A América Latina lidera a “epidemia” mundial de cesariana

A América Latina lidera a "epidemia" mundial de cesarianaSANTIAGO DO CHILEO medo da dor, falta de controle durante o parto, aumento das chances de viver… A América Latina lidera o ranking de casos de cesarianas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Na região, segundo a OMS, 38,9% dos nascimentos são resultados de uma cesariana, bem acima do recomendado de 10 a 15%. E este número está aumentando, colocando em risco milhares de mães e recém-nascidos.
“Nada justifica essa enorme quantidade de cesarianas”, disse Bremen de Mucio à AFP, médico e especialista em saúde sexual e reprodutiva da OMS para a América Latina.
O maior número de cesarianas é realizado no Brasil, onde quase 56% dos partos do sistema público foram cesarianas no ano de 2011. Já no caso dos partos realizados com plano de saúde, cerca de 85% são cesareas. Os resultados ainda mostram que as cesarianas são mais frequentes entre as adolescentes, resultado que preocupa os pesquisadores.

Na Europa, onde o parto natural é mais valorizado e muitas vezes realizado sob a supervisão de uma parteira em vez de um médico, a taxa é de 24%, contra 33% nos EUA, de acordo com um relatório publicado em 2014 pela OMS.

Os países pobres

Países muito pobres, como o Haiti, têm níveis muito baixos (5,5%), devido à dificuldade de acesso aos cuidados de saúde. Em outros países, cuja grande maioria da população é de origem indígena, o parto natural é favorecido. Entretanto, mesmo nessas localidades, o parto cesariano vem ganhando espaço.

Na Bolívia, as cesarianas aumentaram de 14,6% para 19% entre 2008 e 2012. No Peru, o número subiu de 15,8% para 25%. Na República Dominicana, os partos cesáreos atingem 44% dos nascimentos, na Colômbia 43%, no México 39% e no Chile 37%.

“Em muitos países em desenvolvimento e desenvolvidos há realmente uma epidemia de cesarianas, mesmo quando não é necessário”, criticou recentemente o Dr. Marleen Temmerman, diretor do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS, em Genebra.

Agora, após esta intervenção, o risco de morte materna é multiplicado por oito, e o risco do recém-nascido de desenvolver uma doença respiratória é multiplicado por 120.

Múltiplos fatores

Embora a situação seja clara, a explicação não é tanto. “Há muitos fatores, e é esse o problema ao tentar resolver esta situação”, disse Bremen de Mucio.

“O aumento não tem nada a ver com uma necessidade médica, mas sim com a equipe médica está mais preocupada com o seu conforto do que com o bem-estar das mulheres”, diz Ana Quiros, diretora do centro de informação e serviço Saúde na Nicarágua, que tem uma das mais altas taxas de cesarianas na América Central (30%).

“Mesmo quando o preço é o mesmo, o tempo que leva que uma cesariana será sempre mais rentável que um parto natural profissional”, acrescenta o Dr. De Mucio. O parto pode durar até 24 horas. Ao mesmo tempo, podemos fazer várias cesarianas, disse.

A crescente integração das mulheres no mercado de trabalho, o forte crescimento econômico na região nos últimos 15 anos, o medo da dor durante um parto tradicional, e gravidez tardia são também fatores que levam ao aumento do número de cesarianas.

Medo e dor

“Eu escolhi dar à luz ao meu filho por cesariana, porque eu estava com medo do parto natural. Especialmente da dor e de sofrer por muito tempo”, reflete Luana Martines, 26, designer de interiores no Rio de Janeiro que deu à luz em uma clínica particular.

O excesso de precaução da equipe médica e das famílias para minimizar os riscos judiciais joga contra o parto natural. Em todo mundo, a prática de ginecologia é a mais sujeita a processos legais.

“Sob o pretexto da segurança, muitos médicos dizem: ‘Eu não posso deixar que as mulheres deem à luz na minha clínica depois das 14:00, porque neste momento já não há nenhum especialista. Dessa forma, eu tenho de fazê-las dar a luz antes ‘”, relata Dr. De Mucio.

Medidas como a obrigatoriedade de uma segunda opinião médica ou fornecimento de melhores informações às pacientes sobre os riscos, são, no momento, ineficazes.

27 de Abril de 2015. Texto traduzido por  Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fonte: AFP, e Creapharma.ch (Criasaude em francês). Fotos: Criasaude e Fotolia.com.