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Suplementos de cálcio não fortalecem os ossos

CálcioAUCKLAND, NOVA ZELÂNDIA – Um novo estudo mostrou que suplementos de cálcio ou laticínios não previnem fraturas ou retarda a osteoporose. O novo estudo constatou que pessoas acima de 50 anos não ficam com os ossos mais fortes ao tomar suplementos com cálcio ou ingerir mais leite ou derivados ao longo do dia.

O estudo em detalhes
A pesquisa foi realizada pela Universidade de Auckland na Nova Zelância. O Dr. Ian Reid e colegas compilaram dados da literatura científica de diversos estudos ao redor do mundo para verificar o que eles apontavam sobre o consumo de cálcio de fortalecimento dos ossos. Os resultados saíram na revista científica British Medical Journal e apontam que ingerir suplementos de cálcio, além de ser desnecessário, pode prejudicar a saúde. Isso acontece pois o excesso de cálcio, que não vai para o fortalecimento dos ossos, pode se acumular nas artérias causando problemas cardíacos, ou nos rins, gerando pedras nos rins.

A maioria dos estudos coletados pelos pesquisadores mostrou que pessoas acima dos 50 anos não se beneficiam dos suplementos de cálcio ou do cálcio extra ingerido em alimentos. Segundo o Dr. Reid, pessoas ingerindo suplementos de cálcio tiveram as mesmas chances de sofrerem fraturas que pacientes que não tomavam nenhum tipo de suplemento.

Em 2012, um órgão do governo americano, o US Preventive Services Task Force, lançou um comunicado dizendo não haver evidências suficientes que justifiquem o consumo de suplementos de cálcio e vitamina D na prevenção de fraturas dos ossos ou osteoporose.

A controvérsia do consumo de cálcio
Mulheres acima dos 50 anos de idade são recomendadas a ingerirem 1200 mg de cálcio por dia, e abaixo dos 50 anos, 1000 mg por dia. Os homens acima dos 50 anos são recomendados a tomarem 1000 mg de cálcio por dia, sendo que homens acima dos 70 anos precisam de 1200 mg por dia. Além disso, a ingestão de vitamina D (também produzida pela luz do sol no corpo humano) ajuda a absorver o cálcio.

Entretanto, diversos estudos mostram não haver diferenças na incidência de fraturas entre pessoas que fazem uso de suplementação de cálcio e das que não fazem. Dados apontam, entretanto, que o consumo em excesso aumenta o risco de pedras nos rins e problemas gastrintestinais.

Uma das principais fontes de cálcio é o leite e derivados. O Dr. Karl Michaelsson, da Universidade de Uppsala na Suécia, liderou um estudo que investigou o consumo de leite e a relação com fraturas ósseas. Os dados foram surpreendentes e mostraram que pessoas que bebiam mais leite por dia tinham mais fraturas do que aquelas que bebiam pouco leite.

O que fazer para melhorar a saúde dos ossos?
Médicos apontam que a prática de exercícios físicos é uma excelente alternativa para manter a saúde dos ossos. Atividades como caminhada, corrida, tênis, musculação, dança, dentre outros, ajudam a aumentar a densidade óssea.

A atividade física tem sido especialmente recomendada para mulheres na pré-menopausa e após a menopausa. Mulheres nessa fase têm perda da densidade óssea devido a alterações hormonais e, devido a isso, a prática de esportes é encorajada.

Além de melhorar a densidade óssea, a prática esportiva melhora a massa muscular, a força dos tendões e o equilíbrio, o que por sua vez, previne quedas e fraturas. Evitar álcool e cigarro também ajuda a fortalecer os ossos.

13 de outubro de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: BMJ.com, NBCNews.com. Fotos: Fotolia.com

10 dicas para combater a acne

Lave sempre o rostoO verão é uma estação caracterizada por altas temperaturas e grande umidade. Isso propicia a sudorese intensa que pode resultar no aparecimento das terríveis espinhas, ou acnes. A limpeza da pele, sobretudo a do rosto, é essencial. Entretanto, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o excesso de higiene pode aumentar o aparecimento das espinhas. Saiba como driblar esse problema e manter uma pele linda durante a estação.

1. Lave sempre o rosto. A acne surge quando impurezas entopem os poros, que então inflamam. Existem diversos produtos específicos para a limpeza da pele, sobretudo a do rosto. Dê preferencia aos produtos que não ressecam a pele e que tenham como principio ativo ácido salicílico, triclosana ou zinco. ATENÇÃO: o excesso de limpeza irrita a pele, aumenta a produção de sebo e propicia o aparecimento de espinhas. Lave o rosto cerca de 3 vezes ao dia.

Evite o excesso de maquiagem2. Evite o excesso de maquiagem. No verão, as pessoas transpiram mais e produzem mais sebo. A maquiagem entope os poros e causa inflamação. Prefira maquiagens leves e que não agridam sua pele. Lembre sempre de removê-la antes de dormir.
3. Evite a exposição excessiva ao sol. Tomar sol é importante para produção de vitamina D e inclusive na melhora das espinhas. Entretanto, exposição excessiva deixa a pele sensível e faz com que ela produza mais sebo. Dessa forma, os poros podem se entupir com mais facilidade, causando a acne. Prefira tomar sol nos períodos apropriados (antes das 10 da manhã e após às 16h) e sempre use protetor solar.

4. Pratique exercícios físicos. O verão é época de férias e muitas pessoas esquecem as atividades físicas. Os esportes melhoram a circulação do sangue, ajudam a eliminar toxinas e oxigena a pele.

Beba muita água5. Tenha uma alimentação balanceada. O consumo exagerado de açúcar, gorduras, refrigerantes, etc piora o quadro de acne. Opte por legumes, verduras, frutas, cereais e carnes magras (como peixe). Dê atenção especial aos produtos com vitamina A, como cenoura, abóbora e folhas verdes.
6. Beba muita água. É indicado que a pessoa consuma de 2-3 litros de água por dia. A água, além de hidratar os órgãos (incluindo a pele), ajuda a eliminar as toxinas que podem causar espinhas e cravos.

7. Evite ambientes com alta umidade. Isso inclui clubes noturnos ou ambientes muito abafados. O excesso de umidade piora os quadros de acne. Caso você se exponha a um ambiente muito úmido, lave o rosto assim que puder para eliminar o excesso de sebo e sujeira.

Não esprema as espinhas.8. Não esprema as espinhas. Além de não ajudar na sua melhora, espremer a acne pode deixar cicatrizes que são difíceis de serem retiradas.
9. Evite o uso excessivo de produtos abrasivos. Isso incluir esfoliantes e outros produtos que agridem a pele. Eles aumentam a produção de sebo quando usados em excesso. Converse com o seu dermatologista para saber qual a frequência de uso desses produtos.
10. Se você usa algum produto contra a acne, use protetor solar. Muitos dos medicamentos indicados para as espinhas são à base de ácido (retinóico, azelaico, salicílico, glicólico, etc) e deixam a pele muito sensível. O uso desses produtos sem protetor solar pode causar queimaduras e manchas irreversíveis na pele. Sempre que estiver em tratamento, use um produto com FPS adequado à sua pele.

Com essas dicas você vai conseguir reduzir a acne não só no verão, mas no ano todo!

Leia mais sobre o assunto acne em nossa página especial: Acne.

Foto: © Svetlana Fedoseeva – Criasaude.com

A polêmica sobre a fosfoetanolamina

SÃO PAULO – A droga conhecida como fosfoetanolamina ganhou os noticiários nas últimas semanas. A substância distribuída na USP (Universidade de São Paulo) no campus de São Carlos promete curar o câncer. Entretanto, não há provas científicas de que isso aconteça, além de sua distribuição ser ilegal.

A polêmica

A substância, também chamada de fosfo, é sintetizada na USP São Carlos no laboratório do químico e professor aposentado Gilberto Chierice. Segundo ele, a substância cura o câncer, entretanto, ela não passou por nenhum teste clínico em humanos. A droga foi testada em ratos e algumas células humanas, mas não há dados suficientes que justifiquem o seu uso, pois não foram feitos testes de toxicidade e eficácia em pacientes com a doença.

Além da falta de estudos comprovando sua eficácia e segurança, a fosfoetanolamina não é reconhecida na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como um medicamento, e sua distribuição ou comercialização não estão aprovados.

A USP São Carlos proibiu a distribuição das cápsulas em junho de 2014, entretanto, uma decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, liberou sua distribuição temporariamente em 06 de outubro de 2015. Dessa forma, pacientes com câncer que quisessem consumir a substância, podem consegui-la gratuitamente no campus da universidade. Entretanto, a ANVISA alerta que o seu consumo pode causar danos à saúde, uma vez que não há testes suficientes sobre essa molécula.

Em declaração pública, a USP afirma que a fosfoetanolamina não é um remédio e que a mesma não desenvolveu estudos clínicos sobre a molécula. Portanto, cabe ao médico assumir a responsabilidade legal de sua prescrição.

O câncer e as terapias alternativas

O câncer é uma das doenças mais mortais da humanidade, para a qual ainda não existe uma cura definitiva. Alguns tipos de câncer, normalmente quando diagnosticados precocemente, apresentam alta taxa de cura. Entretanto, boa parte dos pacientes com tumores malignos morre por causa da doença.

Uma vez que os tratamentos convencionais não conseguem conter a evolução do câncer, é natural ver pacientes recorrendo a tratamentos alternativos, muitos dos quais não têm comprovações científicas. Segundo a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, cerca de 80% dos pacientes com câncer fazem uso de algum tratamento alternativo. Embora muitos desses tratamentos sejam inofensivos, diversos pacientes optam por abrir mão dos tratamentos convencionais (quimioterapia, radioterapia e cirurgia) para fazer uso de terapias sem dados clínicos robustos.

E é exatamente aí onde está o problema. Pacientes que poderiam ter boas chances de cura se seguissem os tratamentos convencionais, acabam por piorar uma vez que abandonam a terapia indicada pelos seus médicos.

As etapas de produção de um medicamento

O desenvolvimento de um medicamento é um processo longo, elaborado, custoso e que envolve diversos profissionais. Inicialmente, moléculas são testadas em células e animais, nas etapas chamadas de “Estudos Pré-Clínicos”. Durante essa fase, o potencial tóxico da molécula é minuciosamente investigado, como sua capacidade de causar mutações, teratogenicidade, entre outras.

Uma vez que a molécula prove ser segura em animais e células, ela começa a ser testada em humanos, na fase chamada de “Estudos Clínicos”, divididas em 3 fases. Durante esse período, a droga passa por diversos testes para testar segurança, eficácia, dosagem, dentre outros. Após a droga apresentar segurança e eficácia nessa fase, ela começa a ser comercializada. A última fase, chamada de fase 4 ou “Estudo Pós-Clínico” investiga a eficácia da droga já sendo comercializada e efeitos em longo prazo na população.

O período total de desenvolvimento de um medicamento, desde sua concepção no laboratório até sua comercialização, pode chegar a 15 anos e ter um custo de milhões de dólares. A substância distribuída pela USP não passou pelas fases de testes clínicos em pacientes e, portanto, não recebeu aprovação legal para sua comercialização.

19 de outubro de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico). Fonte: Anvisa, USP.br. Fotos: Fotolia.com

Como adaptar o organismo ao horário de verão

sono-velhiceSÃO PAULO – O conceito do horário de verão consiste em adiantar os relógios em uma hora para melhor aproveitar a luz solar e economizar energia. O primeiro país a adotar essa tática foi a Alemanha, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, como medida para economizar carvão. Atualmente, diversos países do mundo adotam o horário de verão com o mesmo intuito: economia de energia elétrica. Dentre eles estão os Estados Unidos, Canadá, diversos países da Europa ocidental e central, parte da Austrália, países da Escandinávia, alguns países do norte da África, dentre outros.

Entretanto, o horário de verão não tem efeito benéfico em todas as pessoas. De acordo com o National Sleep Foundation nos Estados Unidos, muitas pessoas são suscetíveis à perda de uma hora de sono, de maneira que isso causa impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos. Outro estudo publicado na Neuroscience Letters constatou que as pessoas que perdem uma hora de sono tem sua qualidade reduzida, mesmo após o fim do horário de verão. De acordo com um estudo do American Journal of Cardiology, durante o horário de verão há picos de ataques cardíacos, pois a falta de sono aumenta o estresse durante o dia. De acordo com um estudo publicado durante um congresso de cardiologia em Washington, nos EUA no final de março, a mudança para o horário de verão aumenta o número deinfarto do miocárdio em 25% na segunda-feira após o ajuste do horário. Mais uma vez, o responsável por esse aumento de incidência é a perda de 1 hora de sono.

Entretanto, o horário de verão tem efeitos benéficos no corpo. Um estudo de 2014 publicado na revista científica International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity concluiu que durante esse período, crianças de 5 a 16 anos tendem a fazer mais atividade físicas durante o dia. A provável explicação é a maior duração do dia, o que as estimula a serem mais ativas.

Cuidados a se tomar durante o período

Se você é suscetível à perda de uma hora de sono, especialistas recomendam que, durante os primeiros dias do horário de verão, a pessoa que tem problemas para dormir evite estimulantes, como café e produtos com cafeína (como chá verde, chá preto e certos refrigerantes), chocolate (sobretudo o amargo), etc. Além disso, é importante criar um ambiente calmo, tranquilo e agradável antes de dormir.

Um estudo publicado em 2012 na revista científica Journal of Applied Psychology mostrou que durante os primeiros dias do horário de verão, as pessoas tendem a ficar mais tempo na internet e na televisão. Isso não é benéfico caso você tenha problemas para dormir. A recomendação é que a pessoa desligue aparelhos eletrônicos cerca de 1 hora antes de ir para a cama.

A alimentação também desempenha um papel importante no ciclo de sono das pessoas, e pode ser um auxiliar no reequilíbrio do corpo durante o horário de verão. Faça refeições leves à noite e dê preferência a alimentos que estimulem o sono, como banana e produtos lácteos. Durante a manhã, prefira refeições mais substanciosas para te dar energia no começo do dia, horário no qual as pessoas normalmente estão mais sonolentas. A atividade física é também recomendada, pois garante bem-estar físico e mental.

Essas recomendações também valem para pessoas que viajam para outros fusos horários ou mudam de turnos de trabalho.

O horário de verão no Brasil

No Brasil, o horário de verão é adotado anualmente desde 1985 nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Norte e o Nordeste, por estarem mais próximos à linha do Equador, não adotam ao horário de verão, uma vez que os dias têm praticamente a mesma duração ao longo do ano.

Quer conhecer outras dicas para regular o seu sono? Leia mais em: 10 dicas para mandar a insônia para longe – 11 alimentos para uma boa noite de sono

18 de Outubro de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico). Fontes: International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, Journal of Applied Psuchology, National Sleep Foundation, Neuroscience Letters, The American Journal of Cardiology. Fotos: Fotolia.com

Dengue: casos aumentam no Sudeste do país

Dengue: casos aumentam no Sudeste do paísSÃO PAULOOs casos de dengue aumentaram muito no ano de 2015. Segundo o Ministério da Saúde, Janeiro de 2015 apresentou um aumento de 57% dos casos com relação ao mesmo mês de 2014. Um dos motivos para esse grande aumento é a crise hídrica, que atinge principalmente a região Sudeste. Com a redução do abastecimento, muitas pessoas estão acumulando água em baldes e caixas d’água, o que favorece a proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

Entenda a dengue

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Atualmente há 4 sorotipos do vírus no Brasil, DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4, sendo este último a variedade mais recentemente introduzida. O mosquito está adaptado a regiões quentes e úmidas e carrega o vírus e o transmite ao sugar o sangue do paciente. Ele põe seus ovos em água limpa e parada e de preferência ao abrido da luz. Além da dengue, o mosquito também transmite outras doenças como a febre chikungunya e a febre amarela.

Após a picada, o período de incubação (tempo entre a exposição e aparecimento dos sintomas) varia entre 3 e 14 dias, sendo que eles normalmente aparecem dentro da primeira semana de contágio. Os sintomas característicos incluem febre alta de início súbito, dores musculares e articulares, fadiga, forte dor de cabeça e possíveis erupções cutâneas. Embora muitos pacientes melhorem espontaneamente após alguns dias, algumas pessoas evoluem para um caso mais grave, a dengue hemorrágica que pode ser fatal. Nesse estágio, o paciente apresenta sangramentos gastrintestinais e em mucosas.

O tratamento visa à melhora dos sintomas com uso de antitérmicos, analgésicos e líquidos para repor a desidratação. Se a pessoa tem suspeita de dengue, ela não deve consumir produtos à base de ácido acetilsalicílico (como a aspirina), uma vez que esse composto pode aumentar a hemorragia.

Aumento dos casos no Sudeste

O aumento dos casos de dengue no Sudeste tem sido alarmante. De acordo com dados do Ministério da Saúde, houve aumento de 64% dos casos somente na cidade de São Paulo. Uma cidade do Estado de São Paulo particularmente afetada pela dengue é Sorocaba, no interior do estado. Já foram registrados cerca de 22 mil casos neste ano, o que tem causado grande transtorno para a rede pública de saúde que não consegue atender a todos os pacientes. Ao todo, o Estado de São Paulo já concentra mais da metade dos casos de dengue de todo o país em 2015. O governo assume que o aumento da incidência é devido ao armazenamento de água feito de maneira não adequada.

Dengue nas outras regiões do país

Outros estados em alerta de dengue incluem o Acre, que apresenta a maior incidência da doença com 695,4 casos a cada 100 mil habitantes, seguido de Goiás (401 casos a cada 100 mil habitantes). De acordo com o Ministério da Saúde, Cuiabá é a única capital brasileira em situação de risco, entretanto outras 18 estão em situação de alerta: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.

Prevenção

A maneira mais eficiente de prevenir a dengue é evitar o acumulo de água limpa, sobretudo em locais abrigados da luz. Alguns locais reservatórios do mosquito da dengue incluem calhas, caixas d’água, pratos de vasos de plantas, pneus, baldes, latas vazias, garrafas, piscinas, dentre outros.

Verifique semanalmente no seu quintal ou jardim se não há nenhum local que possa acumular água da chuva. Se você está juntando água, certifique-se de sempre fechar o reservatório e evitar que ele fique exposto. No caso de piscinas, use produtos de limpeza e, sempre que possível, cubra a superfície.

Agentes sanitários das prefeituras municipais estão passando na casa dos cidadãos para alertar sobre a dengue e dar dicas de como interromper o ciclo de vida do mosquito. Se você tem alguma dúvida sobre esse assunto, dirija-se à unidade básica de saúde do seu bairro.

Leia também: 10 dicas para combater a dengue10 dúvidas sobre a dengue

23 de Março de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fonte: Ministério da Saúde. Fotos: Criasaude e Fotolia.com.

 

Gorduras e colesterol não são tão ruins quanto pensávamos

Gorduras e colesterol não são tão ruins quanto pensávamosZURICHA nutrição é uma ciência que evolui de acordo com novos estudos. A ciência muitas vezes traz certa contradição, uma vez que a verdade de um momento não é a mesma alguns anos ou décadas mais tarde. Este é o caso das gorduras e do colesterol. Atualmente, mais e mais pesquisadores e especialistas acreditam que a caça aos produtos ricos em gordura e colesterol tem feito mais mal do que bem e isto seria parcialmente responsável pela epidemia de obesidade global. De fato, sabemos que é o açúcar o principal responsável pelo acúmulo de gordura no corpo. Desta forma, o grande vilão não são as gorduras, mas sim os carboidratos, como refrigerantes, doces e sanduíches de pão branco e hambúrgueres.

Um pouco de história: os anos 50

A caça à gordura começou na década de 1950 nos Estados Unidos e mais tarde influenciou o mundo científico e, então, o mundo inteiro. Em 1952, o pesquisador Ancel Benjamin Keys da Universidade de Minnesota (norte dos EUA) publicou um estudo e desenvolveu uma teoria de que a gordura saturada causava mais eventos cardiovasculares, incluindo morte. Segundo ele, quanto mais nós consumimos gordura saturada, maior é o risco de mortalidade.

Em 2015, alguns especialistas em nutrição com alguns estudos põem em questão a visão de “demonização” de gordura. O problema é que as pessoas tentam substituir a gordura por outras coisas, ou seja, as pessoas que tentaram minimizar alimentos ricos em gorduras, são automaticamente levadas a consumir alimentos ricos em açúcar e proteína. Como discutido abaixo, as gorduras saturadas não aumentam notadamente o colesterol, mas, assim como o açúcar, podem levar ao aumento do peso, gerando um dilema. Muitos nutricionistas, com uma visão pragmática, começaram a perceber que a gordura não é o inimigo número 1 da boa saúde e um peso ideal.

De acordo com Nina Teichholz, uma jornalista americana que publicou o best-seller nos EUA “The Big Fat Surprise” (tradução: “A Grande e Gorda Surpresa”): “A ideia de que o consumo de gorduras ruins ou gorduras saturadas leva a doenças cardiovasculares ou complicações não pôde ser comprovada”.

Um grande estudo britânico lançado em março de 2014 lhe dá parcialmente razão. Esta pesquisa mostrou que os ácidos graxos saturados não são tão prejudiciais quanto se pensava anteriormente para o sistema cardiovascular. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido retomaram dados de 72 estudos anteriores, com cerca de 600.000 pessoas em todo o mundo. De acordo com estes cientistas, o consumo de gordura saturada tem pouco impacto sobre o aparecimento de doenças cardiovasculares. Além disso, os pesquisadores mostraram que o ômega-3 e ômega-6 não teriam tantos efeitos benéficos à saúde.

Garantia de ganho de peso

O que levou os pesquisadores a essa mudança de paradigma foi o fato de que o açúcar se transforma em gordura no corpo, enquanto queima menos rapidamente que gordura. Isto quer dizer que o corpo é capaz de queimar mais facilmente a gordura que os açúcares.

Embora o ganho de peso seja complexo, o consumo excessivo de açúcares em comparação com gorduras (lipídios) provavelmente contribuiu para a atual epidemia de obesidade, um fenômeno quase global que não está reservado apenas aos países alta renda. Pode-se dizer que os refrigerantes, hambúrgueres (pão branco) e outros doces são, provavelmente, piores vilões para a saúde global do que as gorduras saturadas.

Um experimento em animais mostrou que aqueles que consumiram 30% ou mais de carboidrato no total de calorias ingeridas por dia aumentaram de peso. Quando os investigadores diminuíram a proporção de carboidratos para 15%, os animais mantiveram o peso.

Menos proibições, mais pragmatismo

Pesquisadores e especialistas em nutrição estão tentando se distanciar dos estudos dos anos 50 de Ancel Benjamin Keys e ter uma visão menos radical que não envolva a proibição total de certos alimentos.

Para esses cientistas, assim como a jornalista Nina Teichholz, temos de começar a comer sem nos sentirmos culpados alimentos como ovos, queijo, manteiga ou carne vermelha, como foi feito antes dos estudos dos anos 50. Estes alimentos são nutritivos e rapidamente dão uma sensação de saciedade, o que ajuda a manter e até perder peso.

O regime ideal: a dieta mediterrânea

O ideal seria adotar uma dieta vegetariana ou uma dieta mediterrânea, isto é rica em frutas, legumes, peixe e gorduras insaturadas a partir de fontes vegetais, tais como azeite. Mas se você for como a maioria das pessoas e gostar de produtos de origem animal, incluindo produtos lácteos, não adianta não comer carne vermelha e beber diversos copos de refrigerante por dia.

Note, porém, que alguns cientistas continuam a criticar o consumo de gorduras saturadas, principalmente de origem animal, uma vez que eles elevam o colesterol LDL (mau colesterol). Entretanto, esse não é o caso de gorduras insaturadas como as de origem vegetal. De acordo com um grupo de peritos do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, o ideal seria a consumir um máximo de 8% de gordura saturada por dia e preferir gorduras insaturadas, como ômega-3 e ômega-6, encontrados em peixes e azeite.

Cuidado com as gorduras trans

Os pesquisadores são unânimes contra o consumo de gorduras trans, isto é ácidos graxos com ligações duplas trans. Pode-se encontrar esse tipo de gordura em produtos industrializados como em algumas margarinas. Estes ácidos graxos podem aumentar o risco de diabetes tipo 2 e certas doenças cardiovasculares. Nos EUA, as gorduras trans são proibidas.

E o colesterol?

O colesterol encontrado nos alimentos não é mais uma ameaça para a saúde humana. No futuro, os alimentos vendidos nos Estados Unidos devem deixar de incluir avisos indicando alto teor de colesterol. Estas novas orientações foram publicadas no dia 19 de fevereiro de 2015 por um órgão público vinculado ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Até agora, recomenda-se não consumir mais de 300 mg de colesterol por dia, o que corresponde a cerca de 100 gramas de manteiga, 2 ovos pequenos ou bife 300 gr. A ciência está novamente dizendo que pão com manteiga não faz mais mal à saúde.

04 de Maio de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: NZZ, CBSNews, Creapharma.fr. Fotos: © Fotolia.com.

 

A dieta para uma pele bonita

A dieta para uma pele bonitaSÃO PAULOA pele é o espelho da nossa saúde interna, portanto cuidar dela também significa cuidar do nosso corpo como um todo. Problemas da pele como acne, cravos, secura, excesso de oleosidade, coceira, dentre outros, podem ser resolvidos com a adoção de hábitos mais saudáveis como a prática de esportes e alimentação balanceada. Pensando nisso, o Criasaude fez uma lista com dicas de alimentos que melhoram a saúde da pele e que podem ser incluídos na sua dieta.

Pele acneica e oleosa

A pele acneica e com excesso de oleosidade precisa de cuidados especiais, como limpeza adequada e uso de produtos que combatam a acne. A alimentação pode ajudar a combater as acnes e limpar a pele. Alimentos ricos em ômega-3 como salmão, sardinha, atum, sementes de chia, abacate, semente de linhaça e nozes ajudam a prevenir o aparecimento de espinhas. Isso porque estudos mostram que o ômega-3 controla a produção de leucotrienos B4, molécula que aumenta a produção de sebo e causa a reação inflamatória que gera a acne.

Alimentos ricos em vitamina A também são recomendados, pois essa vitamina regula a produção de sebo pelas glândulas sebáceas. Você pode encontrar a vitamina A em frutas e legumes alaranjados, como abóbora, cenoura, pêssego, damascos, e também em folhas verdes escuras, como couve e espinafre.

O zinco é outro nutriente que combate a acne, pois tem ação anti-inflamatória. Esse mineral pode ser encontrado em frutos do mar, ostras e na castanha-do-pará.

Pele seca

A pele seca necessita de hidratação frequente com agentes suaves e que reponham a água perdida. Com relação à dieta, alimentos hidratantes são recomendados. Invista em frutas cítricas, ricas em vitamina C, que ajuda a repor os nutrientes perdidos pela pele, além de ser um poderoso antioxidante. Frutas como pera, maçã, melancia, melão, mamão, dentre outras, são altamente hidratantes e recomendados.

Consuma também castanhas, nozes, avelãs e outras frutas secas oleaginosas, pois são ricas em vitamina E, nutriente que ajuda na manutenção da pele.

Pele flácida

Para a flacidez, uma dieta rica em colágeno pode ajudar a manter a firmeza da pele. O colágeno é encontrado em carnes e gelatina. Além disso, invista em alimentos com vitamina C, pois esse nutriente é fundamental na formação das fibras elásticas e colágenas que sustentam a pele.

Os antioxidantes também são muito recomendados, pois combatem os radicais livres que degradam o colágeno da pele. Frutas vermelhas, açaí, chá verde, tomate, uvas, abacate, alho e cebola são excelentes fontes de antioxidantes como as catequinas, vitamina A, C e E. O ovo é outra importante fonte do antioxidante selênio, além de ser rico em zinco, proteínas e outras vitaminas.

Beba água

Independentemente do seu tipo de pele, médicos e dermatologistas são unânimes num ponto: beber água é fundamental para a saúde da pele. Ao ingerir água, você dilui e elimina toxinas e radicais livres que danificam a pele. Além disso, a água hidrata, repõe minerais perdidos ao longo do dia e aumenta o fluxo sanguíneo que leva nutrientes para as células da pele de todo o corpo. O ideal é beber, pelo menos, 2 litros de água por dia.

Pratique esportes

Uma forma saudável de manter a pele sempre bonita é praticar atividades físicas. O esporte ajuda a eliminar toxinas através da transpiração. Além disso, a prática aumenta a circulação sanguínea que leva oxigênio e nutrientes para as células. Mas tenha em mente que o suor produzido durante as atividades físicas podem causar inflamações dos poros e irritações, portanto, é importante tomar um banho logo após a prática esportiva.

Durma bem

De acordo com pesquisas científicas, pessoas com problemas para dormir sofrem mais de estresse, o que aumenta a liberação de cortisol, um hormônio que pode levar problemas na estrutura e função da pele, favorecendo o aparecimento de irritações e acnes. O ideal é dormir de 7 a 8 horas por noite.

Os inimigos da pele bonita

Assim como alguns alimentos ajudam você a ter uma pele bonita, outros fazem o contrário e aumentam a incidência de acnes, irritações e outros incômodos. Evite consumir alimentos ricos em gordura e carboidratos simples, pois eles aumentam os níveis de insulina e cortisol, favorecendo a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, propiciando sua oclusão. Produtos industrializados como doces, refrigerantes, bebidas adoçadas, pães, carnes embutidas e enlatados devem ser deixados de lado.

Além disso, produtos com alto índice glicêmico produzem toxinas que danificam as fibras colágenas da pele, acelerando a flacidez. O segredo é investir em alimentos menos processados como grãos integrais, leguminosas, frutas, folhas, verduras e legumes.

Leia também: 10 dicas para combater a acne10 dicas para ter uma pele sempre bonita

11 de Maio de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fotos: Fotos: Criasaude e Fotolia.com.

 

Para viver mais, é importante se levantar e andar por 2 minutos a cada hora

O que você aprenderá nesse artigo

Para viver mais, é importante se levantar e andar por 2 minutos a cada hora– Andar por 2 minutos a cada hora aumenta a expectativa de vida.
– Conselhos práticos para te ajudar a se levantar e andar a cada hora de trabalho.
SALT LAKE CITY Um novo estudo mostrou que se levantar e andar durante dois minutos a cada hora pode melhorar a saúde de pessoas sedentárias, incluindo lutar contra os efeitos nocivos causados por ficar muito tempo sentado. Caminhando 2 minutos reduziu o risco de morte em mais de 30% entre os participantes do estudo. Sabe-se que ficar sentado por muito tempo aumenta o risco de mortalidade.

Ficar sentado, o “tabagismo” da nossa geração

Vários estudos anteriores mostraram que ficar muito tempo sentado durante o dia aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer (incluindo câncer colorretal). Também foi observado aumento do risco de morte precoce.

Em 2013, o famoso blog de economia Harvard Business Review lançou um artigo de grande sucesso de audiência escrito por Nilofer Merchant: “Ficar sentado está se tornando o fumo em nossa geração” (“Sitting is the smoking of our generation”). De fato, com o aumento das horas trabalhadas em nossas sociedades ocidentais, os problemas de saúde só tendem a piorar. Foi-se o tempo em que a maioria dos trabalhadores ficava em pé, seja na fazenda, fábrica ou mercearia.

O estudo em detalhe

Pesquisadores americanos da Universidade de Utah, em Salt Lake City, examinaram dados de 3626 participantes. Eles usaram um dispositivo de medição de atividade física ao longo do dia, fornecendo aos pesquisadores informações sobre a atividade física desses participantes. O rastreamento durou três anos e, ao final deste acompanhamento 137 pessoas morreram.

Os pesquisadores de Utah observaram que os participantes que se levantaram e andaram durante uma média de 2 minutos por hora tiveram uma taxa de mortalidade 33% menor do que a população em geral. Para aqueles que sofrem de doença renal crônica, a queda da mortalidade foi de 41%.

Esta pesquisa, no entanto, deve ser confirmada por outros estudos conduzidos em uma população maior, como observado pelos próprios autores.

Este estudo foi publicado em 30 de abril de 2015 no jornal online Clinical Journal of the American Society of Nephrology.

Mesmo pequenas mudanças

Para o Dr. Tom Greene, diretor de um centro de estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Utah e principal autor do estudo: “Fazer exercício físico é excelente, mas a realidade é que muitas vezes é difícil praticar exercícios de maneira intensa (por exemplo, é difícil praticar musculação no ambiente de trabalho, por exemplo). Nosso estudo mostra que mesmo pequenas mudanças podem ter um grande impacto”.

150 minutos de exercício moderado a intenso por semana

Recomenda-se realizar pelo menos 150 minutos de atividade moderada a vigorosa ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana. Ou seja, andar em um ritmo rápido pouco mais de 20 minutos todos os dias ou 40 minutos a cada 2 dias, ou ainda correr em uma alta taxa por 40 minutos 2 vezes por semana. Estas recomendações devem ser mantidas.

O que este estudo mostra é a importância de contrabalançar os efeitos nocivos de um estilo de vida sedentário (ficar sentado muito tempo). Além disso, é também aconselhável se levantar e andar durante 2 minutos a cada hora. Trabalhar em pé seria ainda melhor, mas como veremos a seguir, isso nem sempre é possível por razões de custo e conforto.

Escrivaninhas moduláveis

Cada vez mais e mais empresas, especialmente em tecnologia, oferecem aos seus funcionários escrivaninhas flexíveis, onde é possível trabalhar em pé. Ou seja, esses móveis podem ir para cima e para baixo para que a pessoa possa trabalhar enquanto está sentada ou em pé. Infelizmente essas escrivaninhas são caras. Se você, como a maioria dos trabalhadores, gosta de uma mesa e uma cadeira simples, considere levantar-se a cada hora e caminhar 2 minutos para beber um pouco de água, por exemplo. Você provavelmente também precisará ir ao banheiro, outra oportunidade de andar na próxima hora.

Conselhos práticos

Se você trabalha em um computador, este site www.tomato-timer.com (que atualmente só funciona no Google Chrome) é um cronômetro e vai inspirá-lo a fazer pausas regulares. Neste caso não é a cada 2 minutos por horas, mas 5 minutos a cada 30 minutos. Essa é também uma ferramenta ideal para aumentar sua produtividade, basta abrir o site e pressione o botão verde “Iniciar” para começar a contagem dos 25 minutos. Após 25 minutos você ouve um som e faz uma pausa de 5 minutos. O ciclo pode começar de novo quantas vezes for necessário.

18 de Maio de 2015. Texto traduzido por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: Resumo do estudo, Medscape.com – Fotos: Fotolia.com.

 

Febre zika chega ao Estado de SP

Febre zika chega ao Estado de SPSÃO PAULOA doença ainda é pouco conhecida no Brasil, mas a febre zika é semelhante à dengue e transmitida pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. O caso aconteceu no Estado de São Paulo e foi confirmado pela Secretaria de Saúde do Estado. A doença acometeu um morador de Sumaré de 52 anos de idade e o diagnóstico foi feito no Instituto Adolfo Lutz, referência para doenças infecciosas.

Entenda a doença

A febre zika é causada pelo vírus Zika da família Flaviviridae. O vírus é comumente encontrado em países da África e também na Malásia e na Micronésia. O primeiro caso foi reportado em 1947 na floresta Zika, na Uganda, e originou o nome da doença. Em 1978 houve um pequeno surto agudo na Indonésia.

Os sintomas variam normalmente de leves a moderados e duram de 2 a 7 dias. Eles incluem dores nas juntas, dores musculares, febre, rash cutâneo (manchas avermelhadas na pele) que normalmente se inicia na face, inchaço e dor atrás dos olhos. Assim como a dengue, o tratamento é sintomático e inclui uso de antipiréticos, analgésicos (como paracetamol) e hidratação. Não há vacinas para a doença. Até agora, não há registro de mortes provocadas pela doença.

A transmissão é feita através da picada do mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue, a febre chikungunya e febre amarela em cidades. Em 2009, o professor Brian Foy da Colorado State University, Estados Unidos, provou que o vírus também pode ser transmitido por relação sexual entre humanos após infectar sua esposa. Não há, entretanto, casos conhecidos de transmissão em mulheres grávidas.

A febre zika no Brasil

O caso de São Paulo não é o primeiro no Brasil. No dia 14 de Maio de 2015, o Ministério da Saúde confirmou a circulação do vírus no país, restrito, até então, à região Nordeste, com 8 casos na Bahia e 8 no Rio Grande do Norte. O Ministro da Saúde, Arthur Chioro, ainda falou que há a possibilidade de 1200 pessoas estarem infectadas pelo vírus.

Apesar dos números, o ministro disse não haver motivos para a preocupação. A doença é benigna, apresentando normalmente sintomas leves como febre baixa, e de curta duração, evoluindo para a cura. O foco do país continua ainda a ser o combate à dengue, que é uma doença mais grave e pode levar à morte.

Combate ao mosquito Aedes aegypti

Apesar dos sintomas leves da febre zika e evolução para a cura em cerca de 1 semana, o combate ao mosquito se intensificou. Além dessa doença, o mosquito também transmite a dengue, que é potencialmente fatal, além dos sintomas serem muito mais graves.

O Ministério da Saúde continua recomendando medidas para evitar a proliferação do mosquito, incluindo:

– Evitar acúmulo de água limpa em cisternas, piscinas, vasos de plantas, pneus, garrafas, etc.

– Manter caixas d’água fechadas.

– Lavar semanalmente baldes, galões, calhas e outros recipientes que podem acumular água.

– Colocar lixos em sacos plásticos, mantendo a lixeira bem fechada.

Só esse ano, o país registrou mais de 745 mil casos de dengue até 18 de abril, sendo São Paulo o estado mais atingido com mais de 400 mil casos. Foram confirmadas 229 mortes nas 15 primeiras semanas de 2015 por causa da dengue, número 44,9% superior com relação ao mesmo período no ano passado.

25 de Maio de 2015. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: Ministério da Saúde. Fotos: Fotolia.com.

Consumir azeite de oliva e nozes ajuda no bom funcionamento do cérebro de idosos

Consumir azeite de oliva e nozes ajuda no bom funcionamento do cérebro de idososBARCELONA Pesquisadores espanhóis mostraram que comer mais azeite e nozes, dois alimentos ricos em gordura vegetal e base da dieta mediterrânea, permite aumentar o desempenho do cérebro em idosos, uma vez que o cérebro precisa de gorduras boas para o bom funcionamento dos neurônios. Com um suplemento de azeite ou de nozes é possível retardar o declínio cognitivo em idosos, como observado pelo principal autor do estudo, Dr. Emilio Ros do Hospital Clínico de Barcelona.
Estudos anteriores demonstram que os oxidantes são prejudiciais para o cérebro e, em particular, promovem demências, tais como a doença de Alzheimer. Estudos mostraram que a inclusão da dieta mediterrânea, rica em substâncias antioxidantes, pode adiar o declínio cognitivo, mas os pesquisadores espanhóis não tinham evidência clínicas para comprovar tal fato. A equipe médica do Dr. Ros testou se a dieta mediterrânea rica em óleos vegetais permitia melhorar o funcionamento do cérebro.

A dieta mediterrânica

A dieta mediterrânea é baseada no consumo regular e alto de frutas frescas e vegetais, grãos, sementes, nozes, peixes e azeite de oliva. Esta dieta inclui baixo consumo de carne vermelha. Cada vez para mais médicos e cientistas, esta é a melhor dieta a seguir para uma boa saúde.

O estudo em detalhe

Para realizar o estudo, os cientistas recrutaram catalães entre 2003 e 2009, sendo ao todo 447 voluntários (homens e mulheres) morando em Barcelona e sem nenhum comprometimento cognitivo, como demência. Entretanto, todos os participantes do estudo tinham um risco cardiovascular elevado. A idade média dos participantes foi de 67 anos. No início e no fim do estudo, cada participante teve de realizar uma avaliação neuropsicológica, sendo que ao final do estudo, o teste foi realizado em 334 de 447 participantes.

Três grupos

O estudo foi randomizado. Isto significa que, por sorteio, cada participante foi obrigado a seguir uma dieta mediterrânea suplementada com 1 litro de azeite de oliva extra-virgem por semana, 30 gramas de nozes (incluindo amêndoas) ou mais por dia, ou mais a seguir uma dieta normal, sem consumir mais azeite ou nozes. Neste último grupo, os cientistas recomendaram que eles não consumissem uma grande quantidade de gordura. Três grupos foram assim formados. Em média, os participantes seguiram esta dieta por 4 anos.

Resultados

Para uma população de idosos, os pesquisadores espanhóis chegaram à conclusão que adicionar à dieta habitual 1 litro de azeite por semana ou 30 gramas de nozes ajuda a melhorar as funções cognitivas do cérebro. Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores realizaram bateria de testes nos participantes, incluindo testes de memória e reflexão.

Este estudo foi publicado 11 de maio de 2015 na revista JAMA Internal Medicine.

Ganho da bainha de mielina

Os neurônios são cercados pela bainha de mielina, que é rica em gordura e proteínas. A bainha de mielina protege os neurônios e promove a interação entre as células. O cérebro precisa de gordura que vem de alimentos para manter e assegurar o bom funcionamento destas bainhas. Estima-se que a maior parte dessa gordura é saudável, tal como o ácido oleico encontrado no azeite de oliva, e ajuda o cérebro funcionar bem. O ômega-3, encontrado em nozes e no peixe, também desempenha um papel importante na estrutura da bainha de mielina.

Conselhos práticos de nutrição

Recomenda-se consumir todos os dias nozes e amêndoas ou cozinhar com azeite de oliva. Uma dica útil é substituir ao máximo a gordura pelo azeite

Questão ética

O problema com esse tipo de estudo é que, caso a dieta mediterrânea realmente proteja contra doenças cardiovasculares e demências, como a doença de Alzheimer, é eticamente questionável não recomendar que todos os participantes consumissem esses alimentos. Em outras palavras, os participantes do terceiro grupo (que não consumiram azeite ou nozes) irão, talvez, morrer de doença cardiovascular ou atualmente sofrem de Alzheimer. A realização deste tipo de estudo, portanto, não é tão fácil e pode levantar questões éticas por parte dos pesquisadores.

Leia também: Pessoas idosas – o azeite de oliva pode prevenir um AVC

01 de Junho de 2015. Texto traduzido por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fonte: JAMA Internal Medicine, CBSNews. Fotos: Fotolia.com.