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Microcefalia e Zika, entrevista com Dr. Kevin A. Shapiro

SAN FRANCISCO – Entrevista com Dr. Kevin A. Shapiro médico neurologista pediátrico, formado na Harvard University, atualmente professor da University of California San Francisco (UCSF).

Entrevista com Dr. Kevin A. Shapiro médico neurologista pediátricoO que é microcefalia?
Microcefalia literalmente significa “cabeça pequena”. Ela normalmente ocorre quando há um problema no início do desenvolvimento cerebral, fazendo com que o crânio não se desenvolva por completo para o seu tamanho normal.
Sua ocorrência é rara, sendo de 2-12 casos a cada 10,000 nascimentos nos Estados Unidos. Há ainda casos de microcefalia graves, onde o cérebro da criança é menos ainda que o habitual. Essa condição é severa e pode resultar em morte ao nascer ou logo após o parto.

O que o governo americano está falando sobre a relação com zika virus?

O Centers for Disease Control (CDC), órgão americano responsável pela saúde pública, acredita que há fortes evidências que relacionam a infecção por zika víruso ao surgimento da microcefalia. Por exemplo, um recente artigo publicado no periódico científico New England Journal of Medicine, mostrou que o zika vírus estava presente no tecido nervoso cerebral de um feto com microcefalia, embora esse feto não tenha apresentado outros problemas de nascimento. O CDC ainda ressalta que estudos adicionais são necessários para determinar qual o grau de associação entre a infecção por zika vírus e a microcefalia. Recentemente, o governo recomendou que grávidas se protejam para evitar a picada do mosquito transmissor. O artigo científico pode ser encontrado no seguinte site: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa1600651

Há outros vírus que causam a doença?

Sim, há outros tipos de infecção que podem causar microcefalia. Elas incluem infecções por citomegalovírus, toxoplasmose e rubéola. Além disso, a microcefalia pode ser provocada por causas genéticas ou exposição a toxinas, como álcool e drogas durante a gravidez. Há também casos de microcefalia causados por dados ao cérebro no momento do parto.

Quais problemas a microcefalia pode causar na pessoa?

Isso depende do grau da microcefalia. Mais comumente, há retardo no desenvolvimento intelectual como resultado do tamanho reduzido do cérebro. A microcefalia também pode estar associada a um aumento dos casos de convulsões, especialmente se o cérebro tem outras anormalidades além do tamanho reduzido. Pessoas com microcefalia usualmente têm problemas de audição, visão, movimento, deglutição, equilíbrio e fala.

Não há cura para a microcefalia e essa é uma condição que deve ser monitorada durante toda a vida do paciente.

Polêmica: larvicida usado pelo governo poderia ser real causa da microcefalia

Uma recente polêmica surgiu apontando que a real causa da microcefalia seria o uso do larvicida piriproxifen, usado pelo governo em reservatórios de água para matar as larvas do mosquito Aedes aeypti. Um estudo publicado pela organização médica argentina Physicians in the Crop-Sprayed Towns aponta essa correlação com base nos próprios dados divulgados pelo governo brasileiro. Em matéria publicada no New York Times em 3 de fevereiro de 2016, dos 404 casos confirmados de microcefalia, apenas 17 deles apresentaram resultado positivo para o zika vírus.

Além disso, dados da Colômbia mostram que das 3177 mulheres grávidas com zika vírus, em nenhuma delas foi registrado caso de microcefalia no feto.

Fontes: Physicians in the Crop-Sprayed Towns, The New York Times e GMWatch – The Ecologist

Estudo revela que pouca atividade física pode estar relacionada a tamanho menor do cérebro

MINNEAPOLIS, EUAPouca atividade física na meia-idade pode estar ligada a um tamanho menor do cérebro 20 anos mais tarde, de acordo com um estudo publicado na edição on-line de 10 de fevereiro de 2016 na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.

De acordo com a autora do estudo, Nicole Spartano, da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA, há uma correlação direta entre pessoas sedentárias e o volume cerebral décadas mais tarde, o que indica envelhecimento cerebral acelerado.

O estudo em detalhes

Estudo revela que pouca atividade física pode estar relacionada a tamanho menor do cérebroPara o estudo, 1583 pessoas se inscreveram no Framingham Heart Study e fizeram o teste da esteira, com uma idade média de 40 anos e sem demência ou doença cardíaca. Os pacientes retornaram duas décadas mais tarde para o mesmo exame, juntamente com ressonância magnética do cérebro. Os pesquisadores também analisaram os resultados quando os participantes que desenvolveram doença cardíaca desenvolveram doença cardíaca ou começaram a tomar beta-bloqueadores para controlar problemas de pressão arterial ou do coração; este grupo tinha 1.094 pessoas.
Os participantes tinham uma capacidade de exercício média estimada de 39 mL/kg/ min, o que também é conhecido como o pico de VO2, ou a quantidade máxima de oxigênio que corpo é capaz de utilizar em um minuto. A capacidade de exercício foi estimada utilizando o tempo que participantes foram capazes de se exercitarem sobre a esteira antes de sua frequência cardíaca atingir um determinado nível. Para cada oito unidades a menos que os participantes realizassem no teste da esteira, o volume cerebral era menor, equivalente a dois anos de envelhecimento mais acelerado. Quando as pessoas com doença cardíaca ou aquelas que tomavam betabloqueadores foram excluídos, cada oito unidades de desempenho físico menor foi associada a uma redução de volume cerebral igual a um ano de envelhecimento acelerado.

O estudo também mostrou que pessoas cuja pressão e frequência cardíaca de sangue subiam a uma taxa mais elevada durante o exercício também foram mais propensas a ter volumes cerebrais menores. Spartano disse que pessoas com baixa aptidão física muitas vezes têm de pressão arterial e frequência cardíaca maiores quando praticam exercício físico em comparação com as pessoas com melhores condições.

Spartano observou que o estudo é observacional e não prova que pouca atividade física provoca uma perda de volume cerebral. O estudo mostra tão simplesmente que há uma associação.

Embora o estudo não seja em grande escala, estes resultados sugerem que exercícios na meia-idade podem ser particularmente importantes para os muitos milhões de pessoas ao redor do mundo que já têm evidência de doença cardíaca.

O estudo foi apoiado pelo National Heart, Lung and Blood Institute, e os Institutos Nacionais de Saúde e da American Heart Association.

15 de fevereiro de 2016. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: American Academy of Neurology. Fotos: Fotolia.com

Alimentos para a gota

N2320/doencas/gotaPurinas de origem vegetal sim, mas não de origem animal
O excesso de ácido úrico no sangue pode levar ao ataque de gota muito dolorosa. Como o ácido úrico é um produto da degradação das purinas, é importante consumir a menor quantidade deles (os de origem animal). Purinas são produzidas a partir do metabolismo do DNA encontrado no núcleo das células animais e vegetais.
Entre as purinas, há as de origem animal e vegetal.

Vários estudos científicos demonstraram que o consumo de purinas animais aumenta o risco de sofrer de gota.

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Os alimentos ricos em purinas de origem animal e que deverão ser evitados, são:

– Carne vermelha, carne de porco e cordeiro

– Alguns órgãos, como o fígado, rins e pâncreas

– Frutos do mar, camarão, lagosta, mexilhões, anchovas e sardinhas

O álcool também deve ser anulado porque aumenta os níveis de ácido úrico no sangue, reduzindo a eliminação renal da substância.

Em contrapartida, as purinas animais não demonstraram em estudos científicos risco aumentado de gota.

Note-se que os produtos lácteos, as quais podem conter purinas, parecem reduzir bastante o risco de gota.

Alimentos de baixo teor em purinas, que são recomendados para o consumo, são:

– Os produtos lácteos com baixo teor calórico (por exemplo, lights e desnatados).

– Legumes e frutas

– Frutos oleaginosos (castanhas, nozes,etc)

– Cereais

Evite alimentos ricos em frutose, especialmente de origem industrial

Estudos científicos têm mostrado uma correlação entre uma dieta rica em frutose e a gota. A frutose é um açúcar encontrado naturalmente em frutas, legumes e mel. Frutose, sob a forma de xarope de milho, é frequentemente adicionada a muitos alimentos e bebidas, como é o caso nos Estados Unidos. Muitas vezes encontra-se a frutose em grandes quantidades em refrigerantes e outras bebidas açucaradas.

Para limitar a gota, é aconselhável evitar os seguintes alimentos e bebidas:

– Bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos

– Cereais, pão industrial, sorvete e doces

– Fast food e outras comidas rápidas (junk food)

Algumas frutas também contêm uma elevada concentração de frutose, e recomenda-se restringir o consumo de cerca de 1 ou 2 porções por dia. Os frutos em questão são:

– Maçãs, pêssegos, cerejas (alguns estudos têm mostrado, no entanto, um efeito positivo sobre a gota), tâmaras, peras, uvas, ameixas.

Para limitar a doença, é também necessário reduzir o consumo de açúcar de sal.

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Fiocruz detecta vírus zika em saliva e urina de pacientes

Fiocruz detecta vírus zika em saliva e urina de pacientesRIO DE JANEIROA Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado o Ministério da Saúde, divulgou nesta sexta-feira a constatação da presença do vírus zika ativo (com potencial de provocar a infecção) em amostras de saliva e de urina de pacientes.

Fiocruz detecta vírus zika em saliva e urina de pacientesPara a pesquisa, foram analisadas amostras referentes a dois pacientes e as coletas realizadas durante a apresentação de sintomas compatíveis com o vírus zika. A presença do material genético do vírus foi confirmada pela técnica de RT-PCR em Tempo Real. Também foi realizado o sequenciamento parcial do genoma do vírus.
A evidência, no entanto, não é suficiente para afirmar que a presença do vírus na saliva pode infectar outras pessoas. Serão necessários outros estudos para analisar, por exemplo, qual o tempo de sobrevivência do vírus zika e, após passar pelos sucos gástricos, se tem capacidade de infectar as pessoas.
A recomendação, neste momento, é da cautela e de prevenção, com orientações conhecidas para outras doenças, como evitar compartilhar objetos de uso pessoal (escovas de dente e copos, por exemplo) e lavar as mãos. Os maiores cuidados devem ser tomados pelas grávidas, que já devem se proteger contra o mosquito Aedes aegypti.

Transmissão sexual do vírus

No dia 6 de fevereiro de 2016, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA afirmou que o vírus zika pode ser transmitido por contato sexual. O boletim emitido pelo órgão constata que transmissão sexual do zika é possível, e é uma preocupação principalmente durante a gravidez. Além disso, o CDC sugere que casais que estejam esperando um bebê usem camisinha ou não façam sexo durante toda a gravidez. Dessa forma, homens infectados com o vírus da doença são transmissores para as mulheres.

O caso mais recente reportado pelo CDC ocorreu no Texas, onde um laboratório confirmou o primeiro caso de zika vírus em um não viajante, ou seja, uma pessoa que não pode ter sido picada por um mosquito. Dessa forma, suspeita-se que a transmissão tenha sido sexual.

Em um caso reportado na literatura, o zika vírus foi encontrado no sêmen do paciente. Em outro, um cientista que havia estado em uma área de contaminação por zika teria infectado sua mulher ao voltar aos EUA.

Tratamento e vacina

Ainda não há tratamento para o zika vírus, que tem potencial de causar microcefalia em crianças caso seja contraído durante a gravidez. A ligação entre a microcefalia e a infecção ganhou destaque mundial e vários laboratórios iniciaram a corrida para descobrir uma vacina contra o zika.

Cientistas franceses da Sanofi-Pasteur divulgaram na última semana um projeto para desenvolvimento de uma vacina contra o zika vírus, usando amostras coletadas na Polinésia Francesa e na ilha de Martinica. A vacina vai usar a mesma tecnologia empregada em vacinas contra outras doenças, como a dengue. Outros países também estão na corrida para o desenvolvimento de uma vacina, como a Espanha e a Inglaterra.

O primeiro caso do zika vírus em uma grávida da Europa foi encontrado em uma paciente da Catalunha, na Espanha, que viajou para a Colômbia.

07.02.2016. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: Ministério da Saúde, BBC. Fotos: Fotolia.com

Estudo revela que o cérebro de crianças obesas funciona de maneira diferente

Estudo revela que o cérebro de crianças obesas funciona de maneira diferenteNASHVILLE, TENNESSEE, EUAA obesidade infantil é um problema crescente na sociedade moderna, tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento. Um estudo recente da Universidade de Vanderbilt Medical Center mostrou que o cérebro de crianças que são obesas funciona de forma diferente do cérebro das crianças com peso saudável, apresentando um desequilíbrio entre a “procura” e a “recusa” de alimentos.

A combinação de dieta alimentar e exercícios físicos pode não ser suficiente para restaurar o peso normal ou prevenir que crianças com sobrepeso se tornem obesas, concluem os pesquisadores. Talvez seja necessário mudar como o cérebro funciona nesses pacientes.

O estudo em detalhes

Estudo revela que o cérebro de crianças obesas funciona de maneira diferenteEm um artigo publicado em 21 de janeiro de 2016 na revista científica Heliyon, os pesquisadores sugerem que estar atento às necessidades do corpo, estando consciente do que se ingere e do que se precisa, pode ser uma forma de incentivar a alimentação saudável e perda de peso em crianças.
“Os adultos e também as crianças, estão preparados para comer mais”, disse o autor sênior do estudo Dr. Kevin Niswender. “Isso é ótimo do ponto de vista evolutivo. Entretanto, no mundo de hoje, essa prática acaba por colocar as crianças em risco de obesidade, uma vez que alimentos ricos em energia estão cada vez mais disponíveis.”
O co-autor do estudo, o pesquisador sênior Ronan Cowan, afirma que a prática de pensar ativamente no que se está comendo e nas necessidades do corpo poderia recalibrar o desequilíbrio nas conexões do cérebro associadas com a obesidade infantil.
A obesidade infantil nos Estados Unidos quase dobrou durante os últimos 30 anos, e entre adolescentes triplicou. Em 2010, um terço das crianças norte-americanas foram considerados obesas ou com sobrepeso.

O estudo incluiu 38 crianças, cinco consideradas obesas e seis que estavam com sobrepeso. Seus comportamentos alimentares foram avaliados através de um questionário, e a função cerebral foi avaliada usando ressonância magnética nuclear (RMN).

Três regiões do cérebro de adultos são potentes moduladores dos hábitos alimentares: o núcleo accumbens, associado a comportamentos motivados por recompensa; o polo frontal, associado com a impulsividade; e o lobo parietal inferior, associado com a inibição de respostas ou a anulação excessos. Os pesquisadores utilizaram RMN para determinar o equilíbrio de conectividade neural entre essas regiões.

Eles descobriram que, com o aumento de peso entre as crianças, a conectividade entre os impulsos inibitórios do lobo parietal inferior e os impulsos de recompensa do núcleo accumbens diminui, enquanto a conectividade entre o núcleo accumbens e o polo frontal associado à impulsividade, aumenta.

Isto sugere que a obesidade em si e comportamentos alimentares pouco saudáveis poderiam refletir um desequilíbrio na conectividade de áreas do cérebro associadas com inibição de respostas, impulsividade e recompensa.

A prática da atenção plena pode aumentar os impulsos inibitórios e diminuir os de recompensa e impulsividade. Os pesquisadores notaram que em adultos, essa prática apresentou resultados variados, reforçando a ideia da perda da plasticidade cerebral com o passar da idade. Isso apoia a importância da identificação precoce de crianças em risco de obesidade, bem como a necessidade de desenvolver novos métodos para tratar e prevenir essa epidemia.

A obesidade infantil no Brasil

O Brasil apresenta dados preocupantes sobre a obesidade. De acordo com um levantamento feito em 2015 pelo Ministério da Saúde, em 15 anos o país pode se tornar um dos mais obesos do mundo. O estudo revelou que 32,3% das crianças menores de 2 anos tomam refrigerantes, comem biscoitos e produtos industrializados como bolos prontos. Com relação a obesidade, a pesquisa mostrou que 16,6% dos meninos são obesos, ao passo que 11,8% das meninas atingem essa marca.

Além disso, dados mostram que de 30 a 45% dos pais não sabem reconhecer quando os filhos estão com sobrepeso, o que atrasa a tomada de alguma decisão para reverter o quadro. Médicos, nutricionistas e educadores físicos aconselham que pais e professores fiquem atentos à dieta das crianças e que as ensinem a cultivar hábitos alimentares e de vida saudáveis.

01 de fevereiro de 2016. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: Vanderbilt University Medical Center Reporter, Ministério da Saúde. Fotos: Fotolia.com

Confirmada a origem infecciosa da Síndrome da Fadiga Crônica

Confirmada a origem infecciosa da Síndrome da Fadiga CrônicaSÃO FRANCISCO, EUAMuitos pacientes com a Síndrome da Fadiga Crônica têm dificuldade em identificar a causa de seu sofrimento. Vários estudos nos últimos dois anos estão agora a evoluir e apontar para uma causa infecciosa, pelo menos para alguns pacientes.

Sintomas

Os principais sintomas da Síndrome da Fadiga Crônica são o cansaço muito marcado durante a manhã, problemas de concentração, dores de cabeça, distúrbios do sono ou ainda dores musculares. Fala-se de Síndrome da Fadiga Crônica quando os sintomas ocorrem por mais de 6 meses.

Números pouco precisos

Somente nos Estados Unidos, de 1 a 4 milhões de pessoas sofrem da síndrome, ou pouco mais de 1% da população se levarmos em conta 4 milhões de pessoas. As mulheres americanas são 2-4 vezes mais afetadas que os homens, mas não se sabe por que há essa diferença entre os sexos. Constata-se, portanto, que mesmo nos Estados Unidos, país conhecido por seus estudos científicos rigorosos, os dados permanecem vagos e imprecisos, prova de que essa condição continua sendo pouco levada a serio pela comunidade médica.

No Brasil, não há dados suficientes sobre o número de pacientes afetados, mas médicos já constataram que isso afeta o rendimento escolar e a produtividade no trabalho dos afetados.

Novas pistas

Entretanto, a situação parece estar mudando de acordo com os trabalhos realizados nos últimos meses, em particular os da famosa Universidade de Stanford, ao sul de São Francisco, na Califórnia. O Prof. Jose Montoya e sua equipe, do Centro Médico da Universidade, têm demonstrado uma possível origem infecciosa da Síndrome da Fadiga Crônica. Eles observaram em vários pacientes com a condição concentrações anormais de vírus ou de bactérias no sangue, bem como os sinais inflamatórios atípicos. Esta pesquisa de vanguarda abre novas perspectivas de tratamento.

Caso de sucesso

Confirmada a origem infecciosa da Síndrome da Fadiga CrônicaUma paciente que sofria por mais de 4 anos da síndrome, a ponto de ter qualidade de vida profissional e pessoal muito reduzida, pode ser tratada com sucesso com uma mistura de medicamentos antivirais, antibióticos, anti-inflamatórios e imunomoduladores. Pode-se ver que a abordagem seguida pelo Prof. Montoya tem em várias frentes.
Segundo uma matéria da revista norte-americana Oprah Winfrey que relata este caso clínico, a paciente foi capaz de melhorar significativamente o seu estilo de vida, mesmo que ao final de 2015, ela não estivesse totalmente curada. De acordo com a história, esta mulher não conseguiu retomar a sua posição de gestão em uma grande multinacional, mas foi capaz de criar uma família que, segundo ela, é uma situação inimaginável para os que sofrem da síndrome, provando que a doença destrói completamente a energia vital de quem a tem.

Várias causas infecciosas

De acordo com o Dr. Mady Hornig, da Escola de Saúde Pública de Mailman da Columbia University, também nos EUA, e que trabalha com o Prof. Montoya sobre esta síndrome, muitos patógenos poderiam ser a causa da doença. No entanto, pesquisadores observaram que nem todos os casos da síndrome estão relacionados a agentes infecciosos. Em outras palavras, em apenas uma parte dos pacientes, a causa é infecciosa. Os resultados poderiam levar à introdução de novos tratamentos, especialmente à base de probióticos.

Síndrome finalmente levada a serio

Em 2015, o Instituto de Medicina americano chamou a Síndrome da Fadiga Crônica de uma doença “grave, crônica, complexa e sistêmica”. No passado e ainda hoje, esta síndrome foi e ainda é considerada pela maioria dos médicos como uma doença psicossomática, ou seja, exigindo uma abordagem psicológica e não farmacológica ou mista. De acordo com um estudo publicado em fevereiro de 2015, na revista Sciences Advances, a Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença biológica, e não psicológica. Para os pesquisadores, é possível identificar esta doença com marcadores (incluindo citocinas) no sangue.

25 de janeiro de 2016. Artigo escrito por Xavier Gruffat (farmacêutico) e traduzido por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: ATS, Oprah Magazine. Fotos: Fotolia.com

10 malefícios do excesso de álcool

10 malefícios do excesso de álcoolSÃO PAULO – O consumo exagerado de álcool, em qualquer idade da vida, traz consequências graves ao corpo e mente do ser humano. Infelizmente o abuso de bebida alcoólica é um dos vícios mais comuns e pode acabar com a saúde, destruir famílias e por em risco a vida do usuário e de todas as pessoas ao seu redor. Para evitar o abuso, é importante conhecer as consequências do alcoolismo. Veja nossa lista e mantenha-se informado.

1. Acidentes de carro. O álcool altera a percepção da realidade e impede que o usuário tenha reflexos rápidos e coordenação, habilidades essenciais para quem dirige. Dessa forma, acidentes de carro são muitas vezes inevitáveis quando a pessoa está embriagada. Se beber, não dirija.

2. Agressão física. O álcool faz com que muitas pessoas percam a inibição e tornem-se corajosas e violentas. Estatísticas apontam que em cerca de 15 a 66% das agressões físicas graves e homicídios, tanto o agressor, a vítima ou ambos, tinham ingerido bebida alcoólica. Isso gera problemas de saúde como fraturas e traumas.

3. Cirrose hepática. O fígado metaboliza o álcool e quando exposto a doses altas sofre danos em seus tecidos, aumentando a taxa de aparição de cirrose. A cirrose pode ser uma condição fatal para o portador.

4. Gastrite e problemas gastrintestinais. O álcool irrita as mucosas do trato gastrintestinal e está associado a várias doenças desse aparelho, como gastrite, úlceras, varizes esofageanas e câncer de lábios, boca, faringe, laringe, esôfago e fígado.

5. Diabetes tipo 2. Também conhecida como diabetes mellitus tipo 2, a doença pode ser desencadeada pelo abuso de álcool. O álcool impede os efeitos benéficos da insulina e evita que o açúcar entre dentro da célula. Além disso, ele faz com que os níveis de gordura no sangue aumentem, assim como o apetite.

6. Doenças vasculares. Com o aumento de triglicérides (gordura) no sangue, aumenta-se também o risco de doenças vasculares, como acidente vascular cerebral, infarto de pequenos vasos, infarto do miocárdio e varizes.

7. Abuso de outras substâncias. O álcool aumenta a suscetibilidade do consumo de outras drogas, como cigarro, maconha, cocaína, craque, ecstasy, etc. Essas drogas atrapalham a percepção e senso da realidade, causando distúrbios psíquicos que põem em risco a vida do paciente.

8. Problemas durante a gestação. O uso de álcool durante a gravidez traz diversas consequências para a mãe e a vida do bebê, como risco de aborto, aumento das chances de nascimento prematuro e mal formação fetal, que causa problemas na formação do rosto, crescimento, comportamento e até retardo mental na criança.

9. Síndrome de Wernicke-Korsakov. Essa síndrome é causada pela deficiência de vitamina B1. O uso excessivo de álcool causa problemas na absorção dessa vitamina e sua carência está associada a amnésia, problemas de memória e desorientação temporo-espacial.

10. Pancreatite. Essa inflamação no pâncreas pode ser letal e é causada pelo abuso de álcool. A ingestão de bebidas alcoólicas por tempo prolongado causa lesões no tecido do pâncreas que é substituído por tecido fibroso, atrofiando o órgão. Sem função, diversas funções metabólicas do pâncreas ficam prejudicas, podendo inclusive causar diabetes.

É importante combater o abuso do álcool e reduzir a mortalidade. Para isso, oriente e converse com seus amigos e alerte-os sobre os riscos.

Zika vírus confirmado em paciente dos EUA

Dengue: casos aumentam no Sudeste do paísNOVA YORK, EUAOs Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos confirmaram um caso de zika vírus em um viajante do Texas, que recentemente retornou da América Latina, segundo reportagem da rede de televisão KHOU, afiliada da CBS em Houston.

De acordo com um comunicado do centro de saúde Harris County Public Health & Environmental Services, o paciente desenvolveu sintomas muitas vezes associados com a infecção por zika vírus, incluindo febre, erupção cutânea e dor nas articulações.

O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti

A doença foi identificada pela primeira vez nas Américas menos de dois anos atrás e se espalhou rapidamente pela América do Sul e Central. Desde o primeiro caso local de zika detectado no Brasil em maio de 2015, as autoridades de saúde estimam que entre 440 mil e 1,3 milhão de pessoas possam ter contraído o vírus.

Vários casos foram detectados no México, em novembro, e o primeiro caso em Porto Rico foi relatado no começo de 2016.

Os cientistas brasileiros dizem que há ligação entre as infecções e um pequeno aumento recente nos casos de microcefalia, uma condição na qual os bebês nascem anormalmente com cabeças pequenas, que muitas vezes leva a retardo mental.

Mais de 2.700 bebês no Brasil nasceram com microcefalia em 2015, ante menos de 150 em 2014. As autoridades de saúde não dizem acreditar que o aumento está ligado ao surto repentino do vírus zika, mas especialistas internacionais advertem que é muito cedo para ter certeza e observam que a condição pode ter muitas outras causas.

De acordo com o CDC, na maioria dos pacientes a doença zika é relativamente leve, com sintomas que duram de vários dias a uma semana. Grave doença requerendo hospitalização é incomum e mortes são raras. Não existe vacina para evitar a doença e nenhum medicamento foi desenvolvido para sua cura.

O CDC recomenda que todas as pessoas, especialmente mulheres grávidas, que estão viajando para áreas onde o vírus zika é encontrado, tomem precauções para evitar picadas de mosquito para reduzir o risco de infecção, bem como outros vírus transmitidas por mosquitos, como a dengue e chikungunya.

Primeiro caso de microcefalia por zika nos EUA

Na sexta-feira, dia 15 de janeiro, um comunicado do hospital de Oahu, no Havaí, confirmou que um bebê nasceu com microcefalia e a mãe estava contaminada com o vírus zika. A mãe contraiu a doença enquanto morava no Brasil, e o vírus foi transmitido pela placenta à criança.

O CDC divulgou um comunicado alertando que mulheres grávidas evitem viajar locais afetados pelo zika vírus, incluindo o Brasil, Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Suriname, Venezuela e Porto Rico. O alerta também se estende para mulheres em idade reprodutiva, especialmente aquelas que pretendem engravidar.

Análises de fetos mortos após o nascimento confirmaram a presença do vírus no tecido cerebral e também na placenta da mãe e, segundo os cientistas, essa é uma forte evidência da relação entre a infecção pelo zika e o desenvolvimento de microcefalia.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Riberão Preto desenvolveram um método diagnóstico que relaciona o zika vírus à microcefalia. O teste está ainda em análise na Faculdade de Medicina, mas consiste na detecção de anticorpos na mãe e no bebê.

O último relatório do Ministério da Saúde, do dia 11 de janeiro, apontou 3530 possíveis casos de microcefalia ligados ao zika em recém nascidos de todo país.

18 de janeiro de 2016. Texto escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico USP). Fontes: CBSNews, Center for Disease Control and Prevention, Ministério da Saúde, USP

Brasil é o terceiro país a aprovar a vacina contra a dengue, após México e as Filipinas

SÃO PAULOA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil acaba de liberar uma vacina contra a dengue, doença que assola o país sobretudo nas épocas chuvosas (primavera e verão).

Entenda a dengue
Dengue: casos aumentam no Sudeste do paísA dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O mosquito deposita seus ovos em locais de água limpa e parada que normalmente se acumula durante as chuvas. Ao picar, a saliva do mosquito (contento o vírus da dengue) entra em contato com a circulação sanguínea do paciente, causando o contágio. Os sintomas clássicos da dengue incluem dores musculares, febre alta, dores nas juntas, vômitos, enjoos, cansaço, etc. Em casos mais graves, como na recorrência da doença, há sangramentos em mucosas e órgãos internos, ocasionando a dengue hemorrágica.

O tratamento padrão da dengue visa a redução dos sintomas através de antipiréticos, analgésicos e hidratação constante. O uso de medicamentos à base de ácido acetilsalicílico, como aspirina, é contraindicado nos casos de suspeita de dengue, uma vez que eles facilitam a hemorragia.

A vacina contra a dengue
Durante muito tempo se cogitou numa vacina contra a dengue. No dia 28 de dezembro de 2015, a ANVISA aprovou o registro da Dengvaxia do laboratório Sanofi Pasteur. Os resultados clínicos mostraram que a vacina é eficaz contra os 4 sorotipos da doença (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4), prevenindo 80% das hospitalizações por causa da doença, além de prevenir até 93% dos casos graves de dengue.

Além do Brasil, a vacina também é registrada no México e nas Filipinas, locais onde a dengue também é prevalente. A aprovação da vacina é resultado de 2 décadas de pesquisa em 15 países, resultando em 25 estudos clínicos sobre a eficácia e segurança desse medicamento, com mais de 40 mil voluntários. O Brasil participou da fase III do estudo clínico que teve término no ano de 2014. Os resultados de segurança e eficácia foram publicados no periódico científico de grande prestígio, New England Journal of Medicine, em julho de 2015, ressaltando os resultados duradouros da vacina.

O uso da vacina
A vacina está indicada para pessoas de 9 a 45 anos de idade. Segundo o laboratório, fora dessa faixa etária, a eficácia da vacina é baixa e, portanto, seu uso não é recomendado. A vacina também é contraindicada para gestantes e pessoas com baixa imunidade. Embora idosos, gestantes e crianças abaixo de 9 anos não sejam pacientes indicados para a vacinação, a proteção que eles terão será indireta. Como para transmitir a doença o mosquito precisa picar um paciente infectado com o vírus da dengue, uma vez que o número de indivíduos contaminados diminui, a transmissão também é reduzida.

Nos estudos clínicos, embora a vacina tenha reduzido 80% das hospitalizações causadas pela dengue, a proteção que ela fornece é de cerca de 65,6%, considerada não muito alta. A grande vantagem dessa vacina é que ela garante proteção contra todos os 4 sorotipos da doença, prevenindo o paciente que adquiriu a dengue tipo 1 de contrair a dengue tipo 4, por exemplo. Dessa forma, embora a proteção não seja tão alta, ela é capaz de prevenir casos graves da doença, como a dengue hemorrágica.

Ao todo, o paciente deve tomar 3 doses, com intervalo de 6 meses entre elas, o que faz com que a proteção total ocorra só após 1 ano. Entretanto, logo após a primeira dose, a eficácia da vacina já é observada e o paciente já tem uma certa proteção. A vacina é aprovada para quem já teve a doença e também para quem nunca teve dengue.

As autoridades em saúde ainda estão estudando a inserção da vacina no programa nacional de vacinação, uma vez que o seu custo é elevado: cerca de R$ 80,00 a dose.

É importante ressaltar que a vacina da dengue não garante proteção a outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, como a febre chikungunya e o zika vírus. Atualmente, não há nenhuma vacina para essas duas doenças citadas.

05 de janeiro de 2016. Artigo escrito por Matheus Malta de Sá (farmacêutico, USP). Fontes: Sanofi Pasteur, The Wall Street Journal.

Musculação: qual o melhor horário para malhar?

Musculação: qual o melhor horário para malhar?O treino de musculação é aliado importante na perda de peso. Estudos mostram que além de promover a perda calórica durante o treino, a musculação mantém seu metabolismo acelerado, fazendo que mesmo após o seu término, o corpo continue queimando calorias. Além disso, quanto maior o volume muscular, maior é o consumo de calorias pelos músculos. Em outras palavras, quanto mais musculoso o corpo for, mais fácil será para perder peso.
Além de vantagens na perda de gordura, a musculação também condiciona o corpo para outras atividades físicas. A maioria dos esportes prescreve a musculação como atividade básica para fortalecimento dos músculos, condicionamento físico, proteção das articulações e saúde dos tendões e ossos. As vantagens de fazer exercícios de musculação são várias, mas é importante que eles sejam feitos de maneira correta para bom funcionamento do corpo, evitando lesões desnecessárias.
Nesse sentido, uma questão recorrente diz respeito ao período para se fazer os exercícios: manhã, tarde ou noite?

De acordo com o professor da Escola de Saúde Pública da Universidade da Carolina do Sul, Russel Pete, o melhor horário para fazer musculação é aquele no qual você pode fazer com maior consistência. Se você tem disponibilidade para malhar de manhã de forma frequente, esse é o melhor horário para você. Em contrapartida, se você pode apenas ir durante à noite, esse é o seu período de exercício. Cada horário tem vantagens para o corpo e você pode explorar o melhor de cada um.

Manhã

Segundo estudos, malhar pela manhã pode ser o melhor para ganho de massa muscular. Isso se dá devido ao fato dos níveis de insulina e cortisol serem mais altos pela manhã. Como resultado, a incorporação de proteínas nos músculos é maior. Além disso, o corpo tem mais tempo para se recuperar até o próximo exercício na manhã seguinte.

Entretanto, preste atenção à alimentação e tenha certeza de estar bem alimentado antes de malhar. Tomar um café da manhã reforçado, com carboidratos de liberação lenta, é o ideal para ter energia para os exercícios.

Tarde

A vantagem em se malhar à tarde é o tempo. Muitas pessoas usam a pausa para o almoço para malhar. Outra vantagem é que à tarde, a pessoa está mais alimentada, o que significa que o risco de hipoglicemia durante o treino é menor. Além disso, os níveis de insulina e cortisol ainda estão altos, o que garante força durante os treinos.

A temperatura corporal também atinge o seu pico no final da tarde, e estudos indicam que esse é o melhor horário para treinos de musculação que foquem na perda de peso

Noite

Estudos apontam que quem faz atividade física à noite tende a ter menos insônia. Entretanto, em muitas pessoas, esse efeito pode ser contrário e causar a perda de sono, devido à liberação de endorfina. Se você vai à academia à noite, espere de 2 a 3 horas antes de dormir e, após a rotina de treinos, faça exercícios de alongamento e respiração para relaxar o corpo.

A grande vantagem em se malhar à noite é o tempo. Ao final do dia, as pessoas normalmente têm mais tempo para se exercitarem e fazem isso de maneira mais consistente. Elas também vão para a academia mais alimentadas, o que garante aumento de força durante os treinos.

Independente do horário que você tem disponível para malhar lembre-se de fazer de maneira consistente, seguindo uma agenda. Os treinos também não precisam ser longos, sendo que rotinas de 1h-1h30 são ideais para ganho muscular. Lembre-se também de sempre consultar um profissional de educação física e um nutricionista para adequar seu treino e sua dieta à sua rotina diária.

Update: 26.11.2020. Fontes: American Heart Association, Fotos: Criasaude.com.br