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Antidepressivo pode reduzir risco de internação por Covid em mais de 30%

SÃO PAULO Um novo estudo publicado em 27 de outubro de 2021 na Lancet Global Health (DOI: 10.1016/S2214-109X(21)00448-4) mostrou que a fluvoxamina foi capaz de reduzir as admissões hospitalares em pacientes Covid-19 com risco de formas graves em uma média de pouco mais de 30%. A fluvoxamina (no Brasil: no Maleato de fluvoxamina Abbott e Luvox1 é tomada no início dos sintomas da Covid-192, por isso age como uma terapia, não como uma prevenção (o estudo não olhou para seu uso preventivo). No Brasil, os medicamentos com fluvoxamina só são vendidos com receita médica e o uso contra a Covid-19 só deve ser feito com orientação médica. 

Estudo Canadá-Brasileiro

Os autores do estudo realizaram testes em 11 cidades de Minas Gerais no Brasil para avaliar se o medicamento impede a hospitalização de pacientes Covid-19 que o recebem precocemente. Os pesquisadores trabalharam com um grupo de 1.497 brasileiros não vacinados, com teste PCR positivo para a doença. O estudo envolveu mais de 700 pacientes tomando fluvoxamina, comparado a um número equivalente de pacientes com placebo, e sem que os cuidadores soubessem qual tratamento eles estavam administrando (duplo-cego). Esses pacientes tinham pelo menos um fator de risco: ter mais de 50 anos, fumar, ter diabetes ou não estar sendo vacinados. A idade média dos participantes foi de 50 anos, e 58% eram do sexo feminino. 

Resultados

Os pesquisadores descobriram que pacientes que receberam fluvoxamina tinham 32% menos chances de serem hospitalizados do que aqueles do grupo placebo (que não receberam o antidepressivo). Para pacientes que seguiram exatamente as recomendações – em inglês isto é chamado de per-protocol population3 – tomando fluvoxamina (100 mg duas vezes ao dia) ou placebo por pelo menos 8 dias durante um período de tratamento de 10 dias reduziu as admissões hospitalares em 66% e a mortalidade em 91% com 1 morte no grupo fluvoxamina e 12 mortes no grupo placebo. Esta é mais ou menos a mesma taxa de redução de mortalidade das vacinas Covid-19 messenger RNA. O professor Edward Mills da Universidade McMaster no Canadá é um dos autores do estudo. Os resultados apresentados em 27 de outubro de 2021 foram tão significativos que o comitê de monitoramento dos dados do estudo decidiu parar a pesquisa, pois não havia mais nenhum benefício em continuar o estudo4.

Comentários

Em artigo publicado no periódico, o pesquisador Otavio Berwanger, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, ressaltou a importância do estudo, mas advertiu que mais ensaios devem ser feitos antes do uso consistente no tratamento da Covid-195.

Possível mecanismo

A fluvoxamina é um antidepressivo, mas também é um antiinflamatório. Inflamação e reação exagerada do sistema imunológico são características da grave infecção por Covid, o que pode explicar porque ela parece ser útil.

Outros estudos sobre a fluvoxamina

Outros pequenos estudos publicados no final de 2020 e 2021 mostraram a possível eficácia da fluvoxamina contra a Covid-196. Estes incluem um estudo publicado no JAMA (DOI: 10.1001/jama.2020.22760) em novembro de 2020 no qual 80 pacientes receberam fluvoxamina imediatamente após serem diagnosticados com Covid-19 e 72 receberam um placebo após o diagnóstico7. No grupo que recebeu fluvoxamina, nenhum dos pacientes sofreu dos sintomas típicos da Covid-19, como falta de ar ou pneumonia, enquanto que 6 participantes do grupo placebo sofreram. Em outro chamado estudo observacional publicado em fevereiro de 2021 no Open Forum Infectious Diseases (DOI: 10.1093/ofid/ofab050) 65 pessoas escolheram receber fluvoxamina (50 mg duas vezes ao dia) e 48 recusaram. Após 2 semanas, ninguém tomando fluvoxamina foi hospitalizado, enquanto 6 das 48 pessoas que não tomavam o medicamento foram hospitalizadas. Após 14 dias, os sintomas residuais persistiram em nenhuma das 65 pessoas tratadas com fluvoxamina e 60% (29 de 48) das pessoas sob observação.

Outros antidepressivos sob investigação

O professor Edward Mills explicou ao Wall Street Journal em 287 de outubro de 2021 que outros antidepressivos da mesma família (SSRIs), como a fluoxetina, poderiam ter o mesmo efeito positivo sobre a Covid-19. Atualmente estão sendo feitos estudos.

Fontes e Referências: 
Fontes: 
Anvisa, CNN USA, Pharmawiki.ch, Compendium.ch, i.m@il.Offizin (jornal dos farmacêuticos da Universidade da Basiléia, Suíça), The Wall Street Journal, Keystone-ATS, Wired.
Literatura:
“100 wichtige Medikamente” – Infomed (2020)
Referências de estudo:
Lancet Global Health (DOI: 10.1016/S2214-109X(21)00448-4), JAMA (DOI: 10.1001/jama.2020.22760), Open Forum Infectious Diseases (DOI: 10.1093/ofid/ofab050).

Escrito por Xavier Gruffat (Farmacêutico), última atualização: 28.10.2021 (V.1.1). Créditos das fotos: Fotolia.com/Adobe Stock

Como baixar a pressão alta naturalmente e sem medicação?

CLEVELAND – A pressão alta, chamada em linguagem médica de hipertensão arterial, é uma doença cardiovascular muito comum com complicações potencialmente graves como infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e complicações renais, daí a importância de iniciar o tratamento rapidamente e acompanhar a pressão. A maioria das pessoas com pressão arterial alta não tem sinais ou sintomas, embora sua pressão arterial atinja níveis perigosamente altos1. Mas é possível baixar a pressão arterial naturalmente, ou seja, inicialmente sem medicamentos?

A resposta é sim. Existem várias maneiras eficazes de reduzir a pressão arterial sem necessariamente tomar medicamentos, conforme explicado em um vídeo de 2019 pelo Dr. Luke Laffin, da renomada instituição de saúde americana Cleveland Clinic. Para esse cardiologista, e ele sempre diz a seus pacientes, cerca de 70% do bom manejo da hipertensão está relacionado ao estilo de vida (lifestyle) e cerca de 30% é resposta ao uso de medicamentos (hipotensores). Ele explica que pode prescrever 6 ou 7 medicamentos hipotensores, mas se o paciente não mudar seu estilo de vida, o impacto positivo em sua pressão arterial será insuficiente. É claro que existem diferenças de paciente para paciente, o que significa que um paciente pode atingir a pressão arterial ideal apenas seguindo métodos naturais ou de estilo de vida (sem medicação) e outros precisarão complementar o tratamento com medicação. É importante aferir a sua pressão arterial regularmente e consultar um médico se tiver hipertensão.

Os principais métodos naturais ligados ao estilo de vida, resumidos pelo Dr. Laffin, para baixar a pressão arterial incluem a perda de peso (a obesidade é um importante fator de risco), a adoção de uma dieta especial chamada DASH (uma dieta que se assemelha à famosa dieta mediterrânea e que aconselha um baixo consumo de sal e/ou sódio, DASH do inglês Dietary Approach to Stop Hypertension – Abordagem dietética para parar a hipertensão- , ou em francês Approche diététique pour arrêter l’hypertension), além de limitar o consumo de sal, recomenda consumir alimentos ricos em potássio tais como bananas ou linhaça (com algumas exceções, por exemplo, problemas renais), o que pode reduzir os efeitos nocivos do sódio na pressão arterial, reduzir o consumo de álcool (não mais do que uma unidade de álcool por dia para mulheres e não mais do que 2 unidades de álcool para homens, por exemplo, no máximo 2 cervejas ou 2 copos de vinho por dia) e finalmente a prática de exercício físico de forma regular (aproximadamente 150 minutos de exercício moderado ou intenso por semana).

21 de setembro de 2021. Por Xavier Gruffat (farmacêutico). Fonte principal: vídeo da Cleveland Clinic (link funcionando em 21 de setembro de 2021). Fontes secundárias: Mayo Clinic. Crédito fotos: Adobe Stock. Crédito infográfico: Pharmanetis Sàrl (criasaude.com.br).

Seleção de alimentos que são bons para hipertensão (foto de crédito: Adobe Stock)

Riscos do uso indiscriminado de paracetamol

BRASÍLIA O uso indiscriminado de paracetamol pode levar a eventos adversos graves, incluindo hepatite medicamentosa e morte, de acordo com a Anvisa. Uma vez utilizado para alívio de dores e febre, devem ser observadas a dose máxima diária de paracetamol e o intervalo entre as doses recomendado em bula, para cada faixa etária.

Covid-19

O paracetamol vem sendo utilizado para aliviar sintomas de eventos adversos pós-vacinais, como febre e dores de cabeça. Entretanto, a utilização incorreta pode causar eventos adversos graves, incluindo hepatite medicamentosa com desfecho fatal, quando o uso é prolongado ou acima da dose máxima diária.

Deve-se ter em mente que para qualquer medicamento existe um risco associado ao seu consumo. Por isso, é fundamental que o produto seja utilizado de forma correta, seguindo as recomendações de bula e as orientações dos profissionais de saúde.

Recomendações

Deve ser observada a dose máxima diária de paracetamol, conforme a bula do medicamento:
– Adultos e crianças acima de 12 anos: A dose máxima é de 4 gramas em um dia. 
– Crianças entre 2 e 11 anos: Não deve ser utilizado mais de, 50-75 mg/kg, em um dia (24 horas).
– Para crianças abaixo de 11 kg ou 2 anos ou com menos de 20 kg: consulte o médico antes de usar.

VigiMed

A ocorrência de quaisquer eventos adversos, incluindo erros de medicação e near miss, utilizando paracetamol e outros medicamentos deve ser registrada este link do VigiMed. Caso o evento adverso seja identificado em instituição de saúde que tenha serviço de farmacovigilância ou equivalente, o profissional deve notificar ao serviço que, por sua vez, complementa a informação e a registra no VigiMed. As suspeitas de desvios de qualidade (queixas técnicas) devem ser registadas no Notivisa.

As principais reações observadas após a vacinação são dor de cabeça, febre e dor no corpo, que variam de leves a moderadas. Os efeitos colaterais da vacina Covid devem desaparecer em poucos dias.

Progressão dos sintomas 

Após algumas horas, uma pessoa com intoxicação de paracetamol pode não sentir nada ou apenas um mal-estar geral, às vezes com distúrbios gástricos1. De 18 a 72 horas após a ingestão, a condição pode melhorar subjetivamente, mas a análise do sangue mostra distúrbios hepáticos. Após três a quatro dias, ocorre insuficiência hepática (hepatite), vômitos e dor se intensificam, aparece icterícia e os rins podem ser afetados. Finalmente, a partir do quarto dia, são revelados danos ao fígado (ou outro órgão), às vezes exigindo um transplante para evitar a morte.

Antídoto

Em caso de superdosagem ou intoxicação de paracetamol, é necessário consultar um médico imediatamente, pois ele irá prescrever o antídoto do paracetamol: a acetilcisteína (um princípio ativo utilizado habitualmente contra a tosse produtiva) por via parenteral.

14.10.2021. Fonte: Anvisa. Por Xavier Gruffat, farmacêutico (Criasaude.com.br). Foto: Adobe Stock.

7 alimentos para aumentar a imunidade

O sistema imunológico desempenha um papel importante ao permitir que o corpo seja capaz de lutar contra doenças, especialmente as infecciosas (incluindo Covid-19). O sistema imunológico atua em todo o corpo e “caça” ou elimina bactérias, vírus, fungos e outros germes; na linguagem médica, falamos de antígenos. A defesa imunológica do corpo deve, portanto, agir rapidamente para evitar a entrada de corpos estranhos. Descubra 7 alimentos para incluir em seu menu semanal para aumentar a imunidade. A lista abaixo poderia ser enorme, pois muitos alimentos podem agir positivamente no sistema imunológico.

1. Brócolis (e frutas cítricas, todos ricos em vitamina C)

O brócolis é um alimento rico em antioxidantes, vitamina C, B9, E e D. A vitamina C é conhecida por ser um bom meio de proteção contra infecções virais, como os vírus que causam Covid-19 ou resfriados, porque essa vitamina atua na manutenção de linfócitos responsáveis ​​pela imunidade viral. A vitamina C também é encontrada em quantidades significativas em frutas cítricas, como laranja ou limão. A vitamina E tem ação estimuladora do sistema imunológico e propriedades anti-inflamatórias. A vitamina E é encontrada em grandes quantidades no gérmen de trigo (ver também o ponto 7, abaixo). Para permitir que o brócolis retenha todas as suas propriedades, é melhor escolhê-lo bem fresco e preferir um cozimento curto ou a vapor. O brócolis também contém gluconisolatos, após a digestão são transformados em sulforafanos que atuam como agentes antibacterianos. Os carotenóides, em quantidades significativas nos brócolis, têm ação anti-inflamatória, que ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Resumindo, podemos facilmente qualificar o brócolis como um superalimento.

2. Frango

Provedor de vitaminas B3 e B6, o frango fornece energia e ajuda a fortalecer o sistema imunológico. A vitamina B6, também chamada de piridoxina, desempenha um papel essencial na produção de anticorpos e ajuda a manter as mucosas saudáveis. Especula-se que essa vitamina também pode bloquear proteínas inflamatórias chamadas citocinas. Não hesite em preparar uma canja de galinha, que é particularmente benéfica em casos de rinite, resfriados ou gripes.

3. Gengibre

O gengibre tem propriedades tonificantes. Ele estimula a defesa imunológica e é um remédio eficaz contra a fadiga e os vírus. Em caso de rinite, tosse ou resfriado, você pode preparar uma  infusão de gengibre (chá de gengibre) com mel e limão. Basta colocar a água para ferver, juntar as rodelas de gengibre, deixar em infusão alguns minutos antes de adicionar o sumo de meio limão e uma colher de chá de mel. A cebola e o alho são outros remédios fitoterápicos recomendados para aumentar a imunidade.

4. Alho-poró

O alho-poró tem um alto teor de vitamina A. Essa vitamina pode ajudar a fortalecer as barreiras contra os germes, ao mesmo tempo que mantém a pele e as mucosas saudáveis. Este vegetal também contém muitos antioxidantes e vitamina C, compostos que estimulam o sistema imunológico (ver também no ponto 1.). Na hora de comprar o alho-poró, opte por produtos frescos, com folhas bem verdes e caule firme, carnudo e reto.

5. Cogumelos

Os cogumelos são ricos em beta-glucanas, moléculas que ajudam a fortalecer a imunidade e que atuam favoravelmente sobre os macrófagos, células chaves do sistema imunológico. Os cogumelos brancos contêm vitamina D, uma substância orgânica que está envolvida na maturação das células, incluindo aquelas que defendem o corpo contra doenças e infecções. Também existe uma variedade de cogumelos nativa da Ásia, o cogumelo shiitake (Lentinula edodes), conhecido por suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas. A pesquisa mostrou que esta variedade pode ajudar a melhorar a função imunológica.

6. Camarão (e castanha do pará)

O selênio é encontrado em quantidades significativas no camarão. Este micronutriente protege as membranas celulares da oxidação. Ele fortalece o sistema imunológico e desempenha uma função essencial no processo de recuperação, especialmente após uma infecção. O selênio também pode ser encontrado na castanha do pará. O camarão também é uma boa fonte de zinco e vitamina E, essenciais para os processos biológicos e para o equilíbrio das células do sistema imunológico.

7. Trigo (gérmen de trigo)

O germe de trigo pode ajudar a aumentar a imunidade porque contém zinco, um mineral que aumenta a defesa imunológica. O zinco também é encontrado em carnes vermelhas, ostras e cereais. Recomenda-se consumir uma colher de chá de gérmen de trigo todos os dias. O germe de trigo também contém vitamina E, como vimos acima, essa vitamina tem ação estimuladora do sistema imunológico e propriedades anti-inflamatórias. A vitamina E também é encontrada no azeite (óleo de oliva) e em vários grãos.

Bônus. Outro alimento recomendado para estimular o sistema imunológico é o iogurte. Os probióticos contidos no iogurte também podem ajudar a melhorar a imunidade.

Artigo atualizado em 21 de agosto de 2021. Pela redação do Criasaude.com.br (supervisão científica Xavier Gruffat, farmacêutico). Fontes: The Wall Street Journal, revista Vida e Saúde.
Créditos fotográficos: Fotolia.com, Criasaude.com.br. Crédito do infográfico: Criasaude.com.br (Pharmanetis Sàrl).

Perguntas frequentes (FAQs) sobre a variante Delta, que é tão contagiosa quanto a varicela

Última atualização da página: 3 de agosto de 2021 (19:50 – horário de Brasília)

A variante Delta (da SARS-CoV-2) do novo coronavírus que causa o Covid-19 é tão contagiosa quanto a varicela (catapora). Provavelmente tem efeitos mais graves do que seus predecessores (estirpe original do vírus ou outras variantes), e as pessoas infectadas parecem transmiti-lo igualmente quer estejam ou não vacinadas, de acordo com documentos oficiais dos Estados Unidos. Os resultados, baseados em estudos científicos, estão contidos numa apresentação circulada internamente pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a principal agência de saúde dos Estados Unidos. Originalmente revelados pelo Washington Post, os documentos foram pegos por vários meios de comunicação e agências noticiosas e foram acompanhados de um aviso aos responsáveis: “a guerra mudou”. Este relatório questiona objetivamente o dogma do passe de saúde. No Brasil, a variante Delta está circulando relativamente pouco no início de agosto de 2021, embora mais casos estejam sendo relatados, particularmente na cidade de São Paulo. Criasaude.com.br oferece uma revisão da variante Delta na forma de perguntas frequentes (FAQs).

Perguntas frequentes sobre a variante Delta

  • O que é a variante do Delta?

    SARS-CoV-2 é o vírus que causa a Covid-19. SARS-CoV-2 é o nome do vírus, mas há diferentes variantes chamadas problemáticas que têm nomes diferentes. Neste caso, falamos de uma variante do Delta.
    Como todos os vírus, o SARS-CoV-2 sofre uma mutação: quando ele se reproduz no corpo humano, ocorrem erros. A maior parte dessas mutações são inconsequentes, mas algumas podem dar-lhe uma vantagem de sobrevivência.
    A variante Delta também é conhecida como a variante B.1.617 ou “indiana” (como foi originalmente chamada). Essa variante foi detectada na Índia ocidental em outubro de 2020. É descrito como um “duplo mutante”, porque traz duas mutações de preocupação na proteína “Spike” do vírus SARS-CoV-2.

  • A variante do Delta é mais contagiosa?

    Sim, pelo menos duas vezes mais contagiosa do que a cepa Wuhan (China) original do vírus.
    O contágio da variante Delta é 64% maior do que a variante Alfa, que já é 30-70% mais contagiosa do que a variante Covid-19 original ou vírus. Um artigo no The Economist de julho de 2021 estima mesmo que a variante Delta leva a um número reprodutivo na ausência de medidas de proteção (por exemplo, distância social, máscaras) que é cerca do dobro da variante Alfa ou mesmo quase 4 vezes maior do que a cepa original da SARS-CoV-2 identificada no início de 2020 em Wuhan, China.
    Além disso, a carga viral da variante do Delta é muito maior (mais de 1000 vezes) do que a tensão original, segundo um estudo chinês, conforme explicado pelo Wall Street Journal em 30 de julho de 2021. Isso significa que há cerca de 1.000 vezes mais partículas de vírus no sistema respiratório de uma pessoa infectada com a variante Delta, em comparação com uma infectada com a estirpe original.
    Com base em estudos internacionais, o CDC (a principal agência sanitária dos Estados Unidos) estima que o Covid era inicialmente tão contagioso quanto a gripe, mas se tornou comparável à varicela – com uma pessoa infectada com a variante Delta transmitindo-a a uma média de oito outras – ainda abaixo do sarampo. Antes da vacinação contra varicela, disponível desde os anos 90, cerca de 4 milhões de americanos sofriam de varicela a cada ano 1. Isso representou cerca de 70 a 100 mortes por ano de varicela.

  • Quais são os sintomas do Covid-19 com a variante Delta?

    Tudo indica que a variante Delta leva a sintomas que muitas vezes são diferentes de outras variantes ou da estirpe original do SARS-CoV-2. Mas um artigo no Wall Street Journal de 30 de julho de 2021 estimava, com base em dados da Índia, que os sintomas são semelhantes aos da cepa original do vírus (febre, tosse seca, respiração difícil, etc.).
    Para alguns especialistas, os sintomas da variante Delta são mais como os sinais de um resfridado ou febre do feno1 com pouca febre ou anosmia (perda do olfato) mas mais dor de cabeça, nariz escorrendo (frio) ou dor de garganta. Agueusia (perda do gosto) não é mais um dos 10 sintomas mais frequentes da variante Delta 2. Em caso de dúvida, é sempre aconselhável fazer um teste (PCR ou antigênico).

  • Quanto tempo depois da infecção uma pessoa pode desenvolver sintomas?

    Diz-se que a variante Delta tem um tempo de incubação de cerca de 4 dias em vez de 5 a 6 dias para a linhagem original (Wuhan). Isso significa que, em média, 4 dias após a infecção, uma pessoa começará a desenvolver sintomas (a menos que sejam assintomáticos).

  • 💉 As vacinas Covid-19 funcionam contra a variante Delta?

    [resposta atualizada em 3 de agosto de 2021, às 22h30, horário de Brasília].
    Antes de mais nada, lembremos que nenhuma vacina contra o Covid-19 é 100% eficaz contra o risco de hospitalização ou morte, mesmo aquelas desenvolvidas em 2020, especialmente contra a cepa original do vírus SRA-CoV-2.

    Risco de mortalidade e hospitalização 
    Em agosto de 2021, tudo indica que as vacinas do RNA (Pfizer/BioNTech chamada Comirnaty na UE e Moderna chamada Spikevax na UE) e a vacina da AstraZeneca (chamada Vaxzevria na UE) são eficazes contra a variante Delta, pelo menos fornecendo forte proteção (cerca de 90% ou mais) contra o risco de hospitalização e morte (ver estudo israelense abaixo). Em outras palavras, o risco de morrer ou ficar gravemente doente é dividido por dez com uma vacina. No início de agosto de 2021 não temos informações precisas sobre a eficácia da vacina de Coronavac contra a variante Delta, especialmente porque a variante Delta não está circulando muito no Brasil neste momento.
    Dito isto, o canal de televisão americano CBS entrevistou em 1º de agosto de 2021 a Dra. Sharon Alroy-Preis, que é a Diretora dos Serviços de Saúde Pública em Israel. Ela afirmou que: “Antes pensávamos que as pessoas totalmente vacinadas estavam protegidas, mas agora vemos que a eficácia da vacina é de 40%… Os vacinados representam 50% dos casos diários… [A eficácia da vacina] ainda é alta para doenças graves, mas vemos uma diminuição da proteção, especialmente para as pessoas que foram vacinadas antes… E não só vemos mais infecções, mas alguns [incluindo os vacinados especialmente com mais de 60 anos de idade] são casos graves e críticos”. Por essas e outras razões, Israel começou a administrar uma terceira dose da vacina Pfizer Covid-19 aos maiores de 60 anos a partir de 1º de agosto de 2021 (pelo menos aqueles que receberam a segunda dose de vacina há vários meses).
    Transcrição completa aqui

    Risco de infecção
    A eficácia em reduzir o risco de infecção (propagação) parece ser significativamente menor do que com a cepa original do vírus e outras variantes. Isso parece explicar os surtos de Covid-19 em julho de 2021, onde a variante Delta está circulando fortemente, como no Reino Unido ou nos Estados Unidos. Entretanto, é importante que tanto a vacina RNA quanto a AstraZeneca recebam 2 doses da vacina, exceto para pessoas já infectadas no passado (neste caso, uma dose é suficiente).
    Em resumo, o risco de ser infectado pela variante Delta é dividido por pelo menos três com uma vacina contra o Covid-19, especialmente as vacinas contra o RNA, em comparação com as pessoas não vacinadas.

    Estudo israelense de vacina Pfizer/BioNTech com variante Delta (julho de 2021)
    Um chamado estudo em tempo real divulgado pelo Ministério da Saúde de Israel em julho de 2021, baseado principalmente em casos da variante Delta, mostrou que a vacina Pfizer (BioNTech) é 39% eficaz na redução do risco de infecção, 40% eficaz na redução do risco de doença sintomática e 91% eficaz na redução de hospitalização (doença grave) e morte. Esses resultados, que ainda são preliminares segundo o Wall Street Journal de sábado, 24 de julho de 2021, foram obtidos entre 20 de junho de 2021 e 17 de julho de 2021. Durante esse período, a variante do Delta era majoritária em Israel. O governo israelense faz uma observação interessante, no entanto, que ainda não está claro se essa queda de efetividade se deve principalmente à passagem do tempo ou, na verdade, a essa nova variante do Delta. Curiosa e preocupante, antes da chegada da variante Delta em Israel, o mesmo Ministério da Saúde israelense estava falando sobre a vacina Pfizer/BioNTech ser 94% eficaz na redução do risco de infecção e 97% eficaz na redução do risco de hospitalização (doença grave). No dia 24 de julho de 2021, mais de 80% da população adulta israelense estava totalmente vacinada, em grande parte com a vacina Pfizer/BioNTech.

  • 💉 Uma pessoa totalmente vacinada pode reinfectar com a variante Delta?

    Sim, é possível ter pessoas que estão doentes com Covid-19 apesar de uma vacinação completa, a isso se chama uma breakthrough infection (uma infecção que “passou” ou “atravessou” apesar da vacinação).
    Como as vacinas RNA (Pfizer e Moderna), assim como a vacina AstraZeneca, oferecem menos proteção contra o risco de infecção com a variante Delta, uma pessoa totalmente vacinada pode obter novamente o Covid-19. Isso não é muito comum, mas é possível. Documentos dos CDC (a principal agência de saúde dos Estados Unidos) mostraram que as infecções de pessoas vacinadas não são tão raras como se pensava anteriormente, com 35.000 infecções sintomáticas por semana entre os 162 milhões de americanos vacinados, de acordo com um relatório da AFP publicado no final de julho de 2021. É provavelmente por essa razão que, desde agosto de 2021, Israel vem aconselhando 3 doses de sua vacina para pessoas de 60 anos. É preciso lembrar que as vacinas RNA e AstraZeneca ainda oferecem forte proteção (mais de 90%) contra o risco de hospitalização e morte.
    Em geral, uma pessoa reinfectada com o Covid-19 teria sintomas mais leves do que quando foi infectada pela primeira vez naturalmente, como o The Wall Street Journal explicou em sua edição de 30 de julho de 2021, com base em análises iniciais.

  • 💉 Uma pessoa totalmente vacinada pode carregar tanto vírus (da variante Delta) quanto uma pessoa não vacinada?

    [resposta atualizada em 3 de agosto de 2021, às 21h46, horário de Brasília].
    A resposta é sim, pelo menos se nos basearmos em um estudo americano que data de julho de 2021.
    De fato, um relatório feito em Cape Cod (Massachusetts) no início de julho de 2021 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostrou que pessoas totalmente vacinadas transportavam tanto vírus quanto pessoas não vacinadas.
    O CDC informou que 127 pessoas vacinadas contra a variante Delta tinham cargas virais semelhantes a pessoas não vacinadas ou parcialmente vacinadas. A variante Delta foi encontrada em grandes quantidades nas mucosas da garganta e do nariz, tanto em indivíduos vacinados como não vacinados. No entanto, houve poucas hospitalizações (sete até hoje) e nenhuma morte relacionada com o surto do Cabo Cod, de acordo com o site de notícias local Masslive.com.
    O estudo levou o CDC a reiterar sua recomendação de usar máscaras em alguns locais, inclusive para pessoas totalmente vacinadas.

  • A maioria das pessoas hospitalizadas não é vacinada?

    Sim (especialmente nos Estados Unidos e na França, um pouco menos em Israel – veja abaixo).
    – Nos Estados Unidos, o CDC estima que quase todos (mais de 90%) dos hospitalizados não foram vacinados, ou pelo menos não foram totalmente vacinados. Nos Estados Unidos, a variante do Delta representava mais de 80% dos casos no final de julho de 2021.
    – Na França, onde a variante do Delta também circula em maioria, o número é ligeiramente inferior ao dos Estados Unidos. De fato, quase 85% dos pacientes hospitalizados (em hospitais convencionais ou em cuidados críticos) não foram vacinados, segundo um estudo do Drees, que levou em conta os dados coletados entre 31 de maio e 11 de julho de 20211.
    – Em Israel, como também visto em uma pergunta acima, o principal canal de televisão dos Estados Unidos, CBS, entrevistou o diretor dos Serviços de Saúde Pública em Israel em 1 de agosto de 2021. Ela disse que, “antes pensávamos que as pessoas totalmente vacinadas estavam protegidas, mas agora vemos que a eficácia da vacina é de 40%… As vacinadas representam 50% dos casos diários… E não vemos que mais infecções, mas algumas [inclusive vacinadas] são casos graves e críticos”.

  • O passe verde ou o certificado Covid é uma boa idéia?

    [resposta atualizada em 4 de agosto de 2021].
    A resposta é cada vez mais filosófica, como explica notavelmente um artigo no portal brasileiro R7.com.
    Mas a resposta honesta é provavelmente não, de acordo com o estudo mencionado na pergunta acima (uma pessoa totalmente vacinada pode carregar tanto vírus (variante Delta) quanto uma pessoa não vacinada?) as pessoas vacinadas não diminuem a transmissão do vírus.
    O “passe sanitaire” (nome na França), o certificado Covid-19 (nome na Suíça) ou o “green pass” (nome na Itália) estão se tornando cada vez mais importantes em alguns países europeus em agosto de 2021 e nos EUA (Nova York). Na cidade de Nova Iorque, ela deveria tornar-se obrigatória em setembro de 2021.
    O que é o passe de saúde?
    Em resumo, o passe de saúde é válido – permite a entrada em um lugar ou meio de transporte – quando uma pessoa está totalmente vacinada (alguns países ou regiões permitem o passe após uma vacinação incompleta como em Nova York), teve a doença no passado (geralmente fixada por um limite de tempo) ou pode ter apresentado um teste negativo ao Covid-19 nos últimos dias.
    Esse passe de saúde pode ter sido originalmente uma boa idéia, baseada em parte em estudos que mostraram que as pessoas vacinadas eram significativamente menos contagiosas. Entretanto, esse novo relatório americano do CDC mostrou que as pessoas vacinadas podem transmitir o vírus tanto quanto as pessoas não vacinadas.
    Portanto, um passe de saúde em seu estado atual que leve em conta a vacinação é desnecessário. Talvez um retorno a um sistema de teste negativo possa ser útil, mas não esqueçamos que o tempo de incubação do vírus é de 4 a 6 dias, de modo que uma pessoa infectada pelo vírus pode fazer um teste negativo, especialmente nas primeiras horas após a infecção, e depois apresentar um teste negativo (chamado falso negativo).
    Tudo indica que teremos que viver com esse vírus durante meses ou mesmo anos.
    Epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) no Brasil Eliseu Waldman explica claramente ao R7.com: “Agora que todos estão vacinados [no dia em que todos estão vacinados], será que podemos voltar ao normal? Não. As medidas gerais de proteção, máscaras, remoção, desinfecção, terão que ser mantidas por muito tempo até que a “poeira” assente. E veja que impacto as variantes que aparecem terão”.

    Por que alguns governos (França, Itália, Nova Iorque…) estão empurrando esse passe de saúde?
    Não se pode excluir, como o prefeito da cidade de Nova York M. O projeto de lei de Blasio da CNN TV de 4 de agosto de 2021, que planeja impor um passe de saúde em setembro de 2021, tem como objetivo, sobretudo, incentivar o número máximo de pessoas a serem vacinadas. Porque realizar numerosos PCR ou testes antigênicos, às vezes dolorosos e caros (se não gratuitos), para obter o passe não é o ideal. Como resultado, muitos cidadãos vão ser vacinados simplesmente para poder ir a diferentes lugares de lazer. Filosoficamente é um pouco infantilizante, mesmo que se possa entender a idéia (reduzir o número de mortes de pessoas vacinadas).

    Sem questionamento da vacinação
    O relatório do CDC americano publicado no final de julho de 2021 não questiona a utilidade da vacinação. O CDC assinala que uma pessoa vacinada contra a Covid-19 tem 10 vezes menos risco de morrer da doença do que uma pessoa não vacinada (o que equivale a dizer que a vacina é 90% eficaz contra a morte). Mas agora, com essas novas informações, as pessoas estão vacinando mais para si mesmas e mais ou muito menos para a solidariedade, porque, como vimos, a vacinação não reduz a transmissão do vírus ou apenas ligeiramente.

  • Artigo atualizado em 3 de agosto de 2021 (V1.2). Por Xavier Gruffat. Várias fontes foram usadas: The Wall Street Journal, The Economist, R7.com, Folha de S.Paulo, CNN, AFP e Keystone-ATS (o sócio da Creapharma.ch, Pharmapro.ch é cliente da Keystone-ATS).

    9 dicas para manter a hidratação no inverno

    9 dicas para manter a hidratação no invernoO inverno está longe de terminar e o tempo seco ainda persiste em muitas cidades brasileiras. A umidade relativa, em alguns locais, tem piorado a qualidade do ar, que acumula mais e mais poluentes, e tem causado até mesmo incêndios. Nessas épocas de secura, é extremamente importante se hidratar constantemente e adotar medidas para evitar doenças oportunistas. Veja algumas dicas:

    1. Beba líquidos constantemente. O ideal é que se ingira cerca de 2-3 litros de água por dia. Dê preferência a sucos naturais de frutas a refrigerantes e outras bebidas açucaradas. ATENÇÃO: não beba tudo de uma vez só. O organismo tem um limite de absorção de água. Prefira dar pequenas goladas constantemente a beber muito líquido de uma vez só.

    2. Umidifique os ambientes no qual você circula. Para isso, use toalhas molhadas ou bacias/baldes cheios de água. O uso de umidificadores de ar e aparelhos específicos também ajuda bastante. Lembre-se: manter as vias aéreas sempre hidratadas evita doenças respiratórias como rinitesinusite, faringite e gripes.

    3. Proteja as regiões do corpo mais sensíveis à desidratação. Lábios, nariz e olhos são particularmente suscetíveis a perder água. Para os lábios, use batons ou protetores labiais (como manteiga de cacau). Para o nariz, hidrate-os constantemente com soro fisiológico. Para os olhos, além do soro fisiológico, há colírios e lágrimas artificiais que ajudam a manter a lubrificação e evita doenças como conjuntivite.

    4. Hidrate a pele. A pele fica exposta ao sol, ao vento e é um dos órgãos que mais se resseca no tempo seco. Dê preferência a produtos à base de uréia, que são altamente hidratantes. Os produtos à base de glicerina também são recomendados.

    9 dicas para manter a hidratação no inverno

    5. Ingira alimentos hidratantes. Inclua no seu dia-a-dia frutas, legumes e verduras que ajudam a manter o equilíbrio hídrico do corpo. Dê preferência a alimentos como melancia, frutas vermelhas, pêssego, abacaxi, abobrinha, pepino, tomate e cenoura. Eles são ricos em vitaminas e minerais que ajudam a manter a hidratação do corpo.

    9 dicas para manter a hidratação no inverno

    6. Evite procedimentos abrasivos para a pele. Durante as estações mais secas do ano, evite fazer peeling ou procedimentos que causem abrasão e irritação na pele. Eles aceleram a desidratação. Caso já tenha realizado, os cuidados são redobrados.

    7. Evite tomar banhos muito quentes e demorados. Eles ressecam a pele. Na hora do banho, dê preferência a sabonetes hidratantes.

    8. Para o rosto, dê preferência aos hidratantes sem óleo. Os produtos chamados “oil-free” hidratam sem deixar a pele com aspecto oleoso. Isso evita o ressecamento sem aumentar as chances de acne.

    9. Evite ficar em ambientes com ar condicionado. A atmosfera formada pelo ar condicionado é muito seca, de forma que resseca principalmente as vias aéreas superiores (nariz, boca, garganta, etc). Isso cria um ambiente propício a infecções, como faringite, laringite, rinite, etc.

    Lembre-se sempre: manter o corpo hidratado evita diversas doenças. Não espere a sede chegar para beber e dê sempre preferência à água ou sucos naturais de frutas.

    Update: 12.07.2021

    O oxímetro de pulso é mais útil do que a febre no rastreamento de Covid-19 em idosos (entrevista)

    As pessoas se acostumaram a ter sua temperatura medida durante a pandemia porque a febre é um indicador chave da Covid-19. A Professora Associada Catherine Van Son (foto abaixo) e a Professora Adjunta de clínica Deborah Eti da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Washington, no entanto, explicam em um artigo, que medir a temperatura é um indicador menos eficaz de infecção em idosos, em vez disso, use um oxímetro de pulso. Este artigo foi publicado em 3 de maio de 2021 na Frontiers in Medicine (DOI: 10.3389/fmed.2021.660886) e afirma que as temperaturas basais são mais baixas nos idosos. Uma temperatura basal mais baixa significa que a febre pode ser negligenciada usando a definição padrão do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de 38,0°C ou superior. Criasaude.com.br pôde perguntar à Prof. Van Son.

    Febre baixa ou nula
    De acordo com o artigo, que é estritamente um comentário (commentary, em inglês) e não um estudo, mais de 30% das pessoas mais velhas (geralmente com mais de 65 anos) com infecções graves têm febre leve ou nenhuma febre. Outros sinais comuns de Covid-19 também podem ser descartados e atribuídos ao envelhecimento, como fadiga, dores no corpo e perda do paladar ou do olfato. A professora Van Son explicou em uma entrevista ao Creapharma.ch que existem vários fatores que podem levar a uma queda na temperatura corporal em idosos. Por exemplo, à medida que envelhecemos, tendemos a perder gordura sob a pele dos braços e das pernas. Além disso, a pele fica mais seca; ambas as mudanças causam perda de calor corporal. Além disso, o metabolismo, que também gera calor, tende a desacelerar com a idade.

    Hipóxia assintomática
    Além disso, alguns pacientes com Covid-19 não apresentam sinais visíveis de baixos níveis de oxigênio, como falta de ar, embora sua saturação de oxigênio seja inferior a 90%. Essa hipóxia assintomática pode estar associada a resultados ou prognóstico extremamente ruins. O Criasaude.com.br perguntou à Prof. Van Son por que essa hipóxia assintomática às vezes ocorria em idosos. Segundo ela, ainda não há uma resposta definitiva, mas vários cientistas ao redor do mundo estão tentando entender esse fenômeno em relação à Covid-19. Eles refletem em particular sobre como o vírus afeta o sistema circulatório e, em seguida, o sistema respiratório. O que é significativo é que mais médicos estão avaliando esse fenômeno, o que pode ajudar os pacientes a receber tratamento mais cedo e ter um melhor prognóstico.

    Medic and patient using finger pulse oximeter. Close-up

    Fácil detecção de mudanças na saturação de oxigênio
    As professoras Van Son e Eti afirmam que o uso de oxímetros de pulso portáteis e baratos deve ser considerado em larga escala na triagem de Covid-19 em idosos, pois esses dispositivos podem detectar mudanças na saturação de oxigênio sem outras indicações de infecção. A detecção da hipóxia assintomática é essencial para prevenir a progressão da infecção e iniciar o tratamento, segundo os autores. As intervenções anteriores poderiam, assim, ajudar os pacientes a evitar procedimentos altamente invasivos e melhorar a alocação de recursos de saúde escassos.

    Na França, a frequência de monitoramento por oxímetro de pulso é de pelo menos 3 vezes em 24 horas, até o 14º dia após o início dos sintomas de Covid-19 ou após a data do teste positivo se o paciente for assintomático.

    Referências e Fontes:
    Comunicado de imprensa da Washington State University College of Nursing em inglês, adaptado em português pela equipe Criasaude.com.br, entrevista por Xavier Gruffat (farmacêutico) com a Prof. Van Son por e-mail em maio de 2021.

    Referência do estudo:
    Frontiers in Medicine (DOI: 10.3389/fmed.2021.660886)

    Pessoas responsáveis ​​e envolvidas na escrita deste arquivo:
    Seheno Harinjato (editor do Criasaude.com.br, responsável pelos infográficos)

    Data da última atualização do arquivo:
    20/05/2021

    Crédito fotos:
    Criasaude.com.br, Adobe Stock, © 2021 Pixaba, foto da Prof. Catherine Van Son (divulgação).

    Crédito infográfico:
    Pharmanetis Sàrl (Creapharma.ch)

    Vacina AstraZeneca (Oxford), Brasil precisa de mais informações depois da morte de uma mulher grávida de 35 anos

    SÃO PAULO Após a morte confirmada de uma mulher grávida de 35 anos em 10 de maio 2021, provavelmente causada pela vacina AstraZeneca (Oxford) desenvolvida no Brasil pela Fiocruz, os brasileiros precisam ter mais informações sobre essa vacina e seus possíveis efeitos colaterais muito sérios, mesmo que sejam raros. Nesta terça-feira (11.05.2021), muitos estados brasileiros, inclusive os de São Paulo e do Rio de Janeiro, anunciaram que suspenderam a vacinação de mulheres grávidas com AstraZeneca. Na segunda-feira à noite, a Anvisa havia recomendado “a suspensão imediata” da vacinação com AstraZeneca para as mulheres grávidas. Há uma falta de dados no Brasil sobre os possíveis efeitos colaterais (para toda a população) e seu efeito em tempo real sobre as mortes causadas pelo Covid-19. No Brasil a vacina AstraZeneca responde por 26% das doses injetadas, segundo a agência noticiosa francesa AFP.

    Dinamarca, Eslováquia e Ontario

    A Dinamarca havia renunciado definitivamente à vacina AstraZeneca contra o Covid-19 por causa de seus “raros” mas “graves” efeitos colaterais, havia anunciado em abril de 2021 suas autoridades sanitárias, tornando o país escandinavo o primeiro a renunciar a ela na Europa. Em 11 de maio de 2021, foi relatado que a Eslováquia estava suspendendo as vacinas com a primeira dose de AstraZeneca. A Eslováquia está examinando o caso de um paciente que morreu de um coágulo de sangue depois de receber essa vacina. No dia 11 de maio de 2021, soube-se também que o populoso Estado canadense de Ontário faria uma pausa na vacinação AstraZeneca devido aos efeitos colaterais relacionados com a trombose ou VITT (em inglês: Vaccine-Induced Immune Thrombotic Thrombocytopenia). Em Ontário, até o momento, foi observada uma taxa de 0,9 casos de VITT por 100.000 doses administradas da vacina AstraZeneca. Mas nos últimos dias, a taxa subiu para 1,7 casos de VITT por 100.000 doses administradas.

    Brasil

    Há uma falta de dados no Brasil sobre os possíveis efeitos colaterais (para toda a população), por exemplo, quantas mortes foram observadas no Brasil por trombose após a ingestão desse medicamento. Em um país pequeno como a Noruega, já houve pelo menos três mortes. Além disso, um estudo clínico mostrou que a vacina AstraZeneca foi 100% eficaz contra a morte e a hospitalização severa, mas não temos informações em tempo real. Ao contrário da vacina Pfizer. Em tempo real, a eficácia contra a morte da vacina Pfizer/BioNTech foi de cerca de 97% em Israel, como Criasaude mencionou. Seria interessante ter acesso com a vacina da AstraZeneca a um grande estudo no Brasil sobre o número de pessoas reinfectadas em tempo real, o número de pessoas hospitalizadas e o número de mortes (se presentes) após uma vacinação completa. Parece que o Instituto Butantan, com sua vacina Coronavac (de Sinovac), está realizando um grande estudo nesse sentido.

    11 de maio de 2021. Fontes: AFP e Keystone-ATS (nosso parceiro de mídia Pharmapro é cliente da Keystone-ATS na Suíça, traduzido para o português), G1, CBC News (Canada). Por Xavier Gruffat (Criasaude.com.br).

    Covid-19: Estudo da vida real em Israel confirma a eficácia da vacina Pfizer

    A vacina Pfizer/BioNTech é mais de 95% eficaz contra o Covid-19, de acordo com um estudo realizado em Israel, o maior jamais realizado na vida real. No entanto, o nível de eficácia cai significativamente quando uma pessoa recebe apenas uma das duas doses. A vacina Pfizer/BioNTech (vacina Cominarty) utiliza o RNA mensageiro.

    Publicado na revista médica The Lancet (DOI: 10.1016/S0140-6736(21)00947-8) em 5 de maio de 2021, esse estudo destaca “os benefícios para a saúde pública de um programa nacional de vacinação”, de acordo com seus autores, cientistas da Pfizer e do governo israelense. Observam que Israel “tem sido o principal motor do declínio das infecções da Covid-19”.

    Cautela

    Entretanto, é preciso ter cautela ao generalizar essas constatações para outras nações, pois a velocidade dos programas de vacinação e a evolução da pandemia diferem de país para país, advertem eles. O estudo é a versão publicada, revisada por outros cientistas independentes, dos resultados iniciais divulgados em março pela Pfizer e pelo Ministério da Saúde de Israel.

    Variante inglês (B.1.1.7)

    Ela se concentra nos dados de saúde coletados entre 24 de janeiro e 3 de abril de 2021, quando 72% da população de Israel acima de 16 anos (quase 5 milhões de pessoas) e 90% dos maiores de 65 anos haviam recebido suas duas doses de vacina Pfizer/BioNTech. A análise se concentrou na eficácia da vacina contra a variante inglesa (chamada B.1.1.7), que é dominante no país.

    “Altamente eficaz”

    O estudo mostra que a vacina é “altamente eficaz” em pessoas maiores de 16 anos sete dias após a segunda dose: ela protege contra 95,3% das infecções, 97,2% das hospitalizações e 96,7% das mortes. Esses níveis de proteção continuam a ser semelhantes nos mais de 85 anos.

    Mas elas caem significativamente quando as pessoas receberam apenas uma das duas doses: 57,7% contra infecção, 75,7% contra hospitalização e 77% contra morte nos mais de 16 anos.

    Este estudo “mostra a importância de uma vacinação completa em adultos”, com duas doses, dizem os autores. Segundo os autores, uma única dose também pode oferecer menos proteção, especialmente com o surgimento de variantes mais resistentes à vacina.

    Durante o período de análise, houve 232.268 infecções confirmadas por Covid-19 em Israel (com 4.481 infecções graves e 1.113 mortes) e quase 95% das amostras testadas eram da variante inglesa. Os pesquisadores assinalam que isso não lhes permitiu estudar a eficácia da vacina contra a variante sul-africana, que também está circulando no país.

    Em fevereiro 2021, um primeiro estudo em grande escala (1,2 milhões de pessoas), realizado em Israel e publicado na revista NEJM, chegou a conclusões semelhantes.

    Criasaude não conseguiu descobrir a situação das pessoas que foram infectadas pelo Covid-19 no passado. Segundo nossas informações, este estudo no The Lancet não especifica essa situação. Em alguns países como a Suíça, apenas uma dose e não duas da vacina Pfizer é recomendada para pessoas já infectadas pelo vírus Covid no passado.

    Brasil

    No Brasil, a vacina Pfizer/BioNTech foi aprovada pela Anvisa. Aos poucos, ela vai ficando disponível para os brasileiros. No início de maio de 2021, principalmente as vacinas Coronavac (Butantan) e Oxford/AstreZeneca (Fiocruz) estavam disponíveis para os brasileiros. No total, o governo brasileiro encomendou 100 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech (conhecida no Brasil principalmente como vacina Pfizer). A vacina Janssen (Johnson & Johsnon) também é aprovada no Brasil, mas esta ainda não disponível.

    6 de maio de 2021. Fontes: AFP e Keystone-ATS (nosso parceiro de mídia Pharmapro é cliente da Keystone-ATS na Suíça, traduzido para o português), Folha de S.Paulo, R7. Por Xavier Gruffat (Criasaude.com.br). Foto: Pfizer. Referência do estudo: The Lancet (DOI: 10.1016/S0140-6736(21)00947-8).

    Covid-19: Vacinação no Chile, uma situação matizada e não tão positiva para Coronavac

    SÃO PAULO O Chile, um país de cerca de 18 milhões de habitantes, está vivendo uma situação paradoxal. Por um lado, é um dos países do mundo que mais vacinou sua população, juntamente com Israel, e por outro lado, a pandemia permanece em um nível muito alto nesta metade de abril de 2021, tanto em termos de novos casos como de mortes. Uma explicação poderia vir da eficácia bastante decepcionante de uma vacina contra a Covid-19 para evitar mortes, a vacina Coronavac (o mesmo que é usado no Brasil). De acordo com o principal jornal chileno El Mercurio (via emol.com), houve 132 novas mortes de Covid-19 em 24 horas no dia 17 de abril de 2021. No Chile, quase 40% da população total recebeu pelo menos uma dose da vacina, de acordo com o Our World in Data. O Chile vacina com duas vacinas, em grande parte com Coronavac – uma vacina inativada – e cerca de 10% com a vacina RNA da Pfizer/BioNTech. Desde o início da pandemia em 2020, o Chile já teve mais de 24.500 mortes de Covid-19. A variante P.1, também conhecida como a variante brasileira ou de Manaus, é responsável por quase 24% dos testes sequenciados no Chile na semana de 12 de abril de 2021.

    Vacina, liberação do governo chileno – apenas 80% – “confusão” no Brasil

    A vacina chinesa Coronavac demonstrou 67% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos de Covid-19 e 80% de eficácia na prevenção de mortes, de acordo com um novo estudo divulgado em 17 de abril de 2021 pelo governo chileno. Cuidado, esses resultados só foram observados 14 dias após a tomada da segunda dose. A vacina Coronavac vem da empresa chinesa Sinovac. O que é interessante e um pouco perturbador neste estudo governamental é que a eficácia na prevenção de mortes é de 80%. Mas, segundo o Wall Street Journal, a eficácia das vacinas na prevenção das mortes por Covid-19 é quase toda 100%. No Brasil, por exemplo, o Instituto Butantan ligado ao governo do Estado de São Paulo, que produz Coronavac na cidade de São Paulo com a empresa chinesa Sinovac, estimou em um pequeno ensaio clínico que a eficácia contra a morte foi simplesmente 100%, um número muito superior e simplesmente perfeito do que as conclusões do governo chileno. Ao contrário do estudo em tempo real realizado no Chile, o ensaio clínico brasileiro teve um seguimento curto. Temos, portanto, números contraditórios entre o Chile e o Brasil. É muito cedo para dizer, mas é possível que a eficácia em tempo real da vacina Coronavac contra a morte no Brasil também não seja 100%, mas infelizmente um pouco mais baixa. No Chile, as pesquisas continuarão a verificar se essa eficácia será mantida ou não ao longo do tempo. Entretanto, em 19 de abril de 2021, a revista Veja Saúde relatou que a eficácia da vacina Coronavac no Brasil contra morte e casos graves estava entre 83,7% e 100%, e não mais 100%. Um estudo sobre mais de 12.000 pessoas deverá ser publicado em breve no The Lancet e mostrar uma eficácia real inferior a 100%.

    Chile – copo meio cheio ou meio vazio

    No Chile, a mídia conservadora, geralmente bastante próxima do governo de Sebastián Piñera (à direita), parece achar positivo o número de 80% para evitar mortes, se quisermos acreditar em um artigo na grande mídia de direita La Tercera ou El Mercurio. No entanto, perguntamo-nos se esse número não é muito baixo e não deveria encorajar o governo chileno a optar muito mais pela vacina Pfizer/BioNTech. É verdade que a vacina Coronavac utilizada no Chile mostrou 85% de eficácia na prevenção de internações e 89% na prevenção de internações em terapia intensiva. Não há dúvida de que a vacina funciona, mas o lado negativo parece ser que ela é 80% eficaz contra a morte, não 100% como se pensava anteriormente. Por exemplo, se um país que tem 500.000 mortes de Covid-19 (os Estados Unidos têm um pouco mais) tivesse iniciado a vacinação com Coronavac no início da pandemia, esse país não teria 500.000 mortes, mas 100.000 mortes. Esse número de 100.000 mortes no exemplo é provavelmente muito alto, especialmente se vacinas melhores como as vacinas RNA estiverem disponíveis. No momento, o Chile não pode publicar resultados sobre a eficácia da vacina Pfizer, por causa da população muito pequena que a utiliza, segundo o site do grande jornal chileno La Tercera.

    Possível conclusão

    Em vez de derrotar completamente o vírus SARS-CoV-2, provavelmente teremos que viver com ele por muitos anos, especialmente com todas essas variantes problemáticas. Pelo menos nos países que não têm a sorte de ter as duas vacinas do ARN disponíveis, como o Brasil.

    Por Xavier Gruffat (farmacêutico suíço – ETH Zurique, MBA – São Paulo – Brasil). 20 de abril de 2021. Fonte: El Mercurio, AFP, RTS, La Tercera, Veja Sáude.
    Este artigo foi publicado pela primeira vez em francês em nosso site Creapharma.ch.