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5 maneiras comprovadas de diminuir naturalmente a pressão arterial

As diretrizes sobre pressão arterial foram publicadas pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association em 2017. De acordo com essas diretrizes, o menor valor para hipertensão baixou para 130/180 mmHg em vez dos 140/90 mmHg de antes. Um estudo realizado por uma equipe da University of Utah Health e publicado na revista Circulation em 19 de novembro de 2018 mostrou que a manutenção desse limiar evita doenças cardiovasculares e torna a vida mais saudável. Existem medicamentos que ajudam a baixar a pressão arterial, mas eles não são livres de efeitos colaterais, especialmente desde que outro estudo publicado em 24 de agosto de 2018 no American Journal of Preventive Medicine revela que a redução da pressão arterial abaixo de 110 mmHg pode causar quedas graves e desmaios em alguns pacientes. Aqui estão 5 maneiras de reduzir naturalmente sua pressão arterial. De fato, uma mudança no estilo de vida é um elemento importante na prevenção e no tratamento da hipertensão.

1. Praticar exercícios físicos regularmente

O exercício físico regular, como caminhada rápida, exercícios cardiovasculares, como aeróbicos ou até mesmo exercícios de resistência, como musculação, facilita a circulação de oxigênio e ajuda o coração a realizar menos esforço para bombear o sangue. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine (DOI: 10.1136/bjsports-2018-099921) mostrou que os exercícios promovem uma redução consistente, embora modesta, da pressão arterial sistólica em hipertensos. É aconselhável fazer uma média de 20 a 30 minutos de exercícios aeróbicos por dia, se possível, para manter um bom nível de pressão arterial. Em seguida, tente novos desafios, tentando aumentar um pouco a velocidade e a distância.

Além de exercícios físicos, atividades de meditação como ioga e tai-chi ajudam a controlar melhor a respiração e, assim, melhor combater o estresse. De fato, o estresse aumenta a frequência cardíaca, que encolhe os vasos sanguíneos e favorece a hipertensão. Alguns minutos de exercícios respiratórios por dia ajudarão você a relaxar e ter um sono melhor.

2. Consumir alimentos ricos em potássio

Alimentos ricos em potássio têm um efeito positivo na redução da pressão arterial. Com a ingestão suficiente deste nutriente, os rins excretam mais sódio pela micção, o que ajuda a baixar a pressão arterial. Fontes preferidas de potássio incluem banana, batata, frutas secas, feijão, peixe, semente de linhaça, alho, abacate e batata-doce. Seguindo essa lógica, recomenda-se reduzir a ingestão de sódio e não exceder 1500 mg por dia para se manter uma boa saúde.

3. Comer chocolate amargo

Um estudo australiano publicado em 2010 (DOI: 10.1186/1741-7015-8-39) mostrou que o chocolate amargo ajuda a baixar a pressão arterial. O cacau, rico em flavonoides, promove o relaxamento dos vasos sanguíneos e estimula a circulação sanguínea. Consumir um pequeno quadrado de chocolate amargo, de preferência entre 60 e 70% de cacau ou mais, cerca de 6 g por dia, pode ajudar a baixar a pressão arterial sem medicação. Cuidado com o excesso, existem outras maneiras de diminuir a pressão arterial, o consumo de chocolate não deve ser seu único recurso.

4. Beber um pouco de álcool (dica apenas para mulheres)

O abuso de álcool é claramente prejudicial à saúde, mas o consumo moderado pode ter o efeito oposto sobre as mulheres. Isto foi revelado em um estudo publicado pelo Boston’s Brigham and Women’s Hospital em 2008 (DOI: 10.1161/HYPERTENSIONAHA.107.104968) que mostrou que o consumo de álcool leve a moderado, ou seja, uma copo ou menos por dia, diminui o risco de hipertensão em mulheres, mas aumenta esse risco em homens.

5. Beber suco de beterraba

De acordo com um estudo de 2016 publicado no Journal of the American College of Cardiology-Heart Failure pelo Wake Forest Baptist em Winston-Salem, Carolina do Norte, beber um copo de suco de beterraba por dia melhora os exercícios aeróbicos e baixa a pressão arterial. Um outro estudo publicado em 2018 na revista científica Journal of Cardiac Failure (10.1016/j.cardfail.2017.09.004) também revelou que o consumo de suco de beterraba foi associado a um aumento significativo na duração do exercício, na máxima potência e no consumo de oxigênio durante a prática de um exercício.

20.03.2019. Pela equipe editorial do Criasuade.com.br (supervisão científica de Xavier Gruffat, farmacêutico). Créditos das fotos: Adobe Stock. Infográfico de crédito: Pharmanetis Sàrl (Creapharma.ch). Ler em francês:
5 façons éprouvées d’abaisser naturellement votre tension artérielle

4 dicas originais para dormir melhor

11 alimentos para uma boa noite de sonoNOVA YORKCom o aumento do uso de celulares (smartphones) muitas vezes utilizados até tarde, tendem a aumentar os distúrbios do sono na sociedade moderna. Sabemos também que o sedentarismo frequente nas empresas de serviços, incluindo trabalhos o dia inteiro em uma mesa, também perturba o sono. Além de certas recomendações tradicionais para dormir melhor, que incluem evitar beber café depois das 15h, descubra 5 dicas originais e eficazes para dormir bem. 

1. Banho. Tome um banho morno à meia luz antes de ir dormir. Essa prática é muito relaxante.
Os banhos quentes também ajudam a reduzir a temperatura do corpo. Na realidade, quando se toma um banho quente o sangue circula mais para superfície do corpo. Ao sair do banho, o sangue esfria e em seguida todo o corpo. Uma temperatura baixa do corpo ajuda a adormecer melhor.

2. Pés-frios.  Às vezes, os distúrbios do adormecimento podem ser originados por causa dos pés-frios, nesse caso não hesite em colocar meias ou chinelos! Você pode também preparar uma bolsa de água quente.

3. Músicas. Escutar músicas como as do compositor Debussy antes de ir dormir. Um estudo de 2016 publicado na revista científica Journal of Alternative and Complementary Medicine mostrou que as pessoas mais velhas que ouviam músicas como do Debussy com 60 a 80 batidas por minuto durante 30 a 45 minutos, adormeceram mais facilmente e também dormiram por mais tempo. Na manhã seguinte, os participantes sentiram mais descansados do que aqueles sem esse tipo de música. Segundo os pesquisadores, esta música tem um efeito relaxante sobre o sistema nervoso e aumenta a liberação de oxitocina, um tipo de hormônio do “bem-estar”. As batidas do ritmo musical perto de 60 correspondem à frequência cardíaca durante o momento do adormecimento.

4. Temperatura. É importante ter uma temperatura adequada no quarto. Uma temperatura de 18,3°C (65 graus Fahrenheit) é recomendada para uma boa noite de sono. Em outras palavras, a maioria das pessoas que possuem termostato deve usa-lo com alguns graus mais baixo do que o habitualmente do que usado em os outros comodos do apartamento ou casa. Estes resultados vêm de um estudo publicado em 2015 na revista científica Current Biology, mostrando surpreendentemente que a temperatura tinha em média mais impacto sobre o sono do que a luz. O que é importante entender é que para um bom adormecimento, o corpo muitas vezes precisa ter uma temperatura mais baixa do que no resto do dia. No verão ou em países quentes, sem ar condicionado, é recomendado o uso de roupas o mais leves possíveis para dormir e ventilar bem. Este estudo foi realizado principalmente por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Ciclos do sono, tipos de sono

Update: 14.03.2019. Ler: insônia

O estado de atenção plena pode facilitar os sintomas da menopausa

ROCHESTER, Minnesota.- A atenção plena pode estar associada a menos sintomas da menopausa para as mulheres, de acordo com um estudo da Mayo Clinic recentemente publicado em Climacteric: The Journal of the International Menopause Society. Os pesquisadores descobriram que a atenção pode auxiliar particularmente as mulheres com menopausa que enfrentam irritabilidade, ansiedade e depressão.

“Neste estudo, descobrimos que as mulheres de meia-idade com índices mais altos de atenção plena sofreram menos sintomas da menopausa,” afirma o internista geral da Mayo Clinic e especialista em saúde da mulher, Dr. Richa Sood, principal autor do estudo. “Essas descobertas sugerem que a atenção plena pode ser uma ferramenta promissora para ajudar as mulheres a diminuírem os sintomas da menopausa e o estresse em geral.”

Atenção plena envolve focar a atenção no momento presente e observar os pensamentos e sensações sem julgamento. Pesquisas anteriores mostraram que praticar a atenção plena pode reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

Todos os dias, cerca de 6.000 mulheres nos EUA atingem a menopausa. Em 2020, espera-se que o número de mulheres com 55 anos de idade ou mais chegue a 46 milhões. Considera-se que uma mulher chegou à menopausa se ela tiver passado um ano sem menstruar. Os sintomas comumente apresentados na menopausa podem incluir ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal e alterações de humor.

O estudo envolveu 1.744 mulheres com idades entre 40 a 65 anos que receberam cuidados na Clínica de Saúde da Mulher da Mayo Clinic em Rochester entre 1 de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2016. As participantes preencheram questionários que classificaram seus sintomas da menopausa, nível percebido de estresse e atenção plena. Os pesquisadores descobriram que as mulheres com pontuações mais altas de atenção plena tinham menos sintomas da menopausa. Quanto maior o nível de estresse percebido de uma mulher, maior o vínculo entre uma maior atenção plena e os sintomas da menopausa diminuídos.

Um resultado surpreendente do estudo é que as pontuações mais altas de atenção plena não estavam associadas às pontuações mais baixas dos sintomas de ondas de calor e de suor noturno, afirma o Dr. Sood. Uma teoria sobre a razão disso é que a quantidade de desconforto sofrido por suores noturnos e ondas de calor pode ter mais a ver com características individuais de personalidade do que com os próprios sintomas. Uma descoberta interessante no estudo, de acordo com o Dr. Sood, foi a associação das pontuações mais altas de atenção plena às pontuações mais baixas dos sintomas de irritabilidade, depressão e ansiedade em mulheres de meia-idade que atingiram a menopausa.

“Embora ainda haja a necessidade de mais estudos, os médicos podem considerar a atenção plena como uma potencial opção de tratamento para mulheres na menopausa”, diz Dr. Sood.

Felizmente, a atenção plena é uma habilidade que pode ser aprendida.

“Essencialmente, o primeiro passo para ficar atento é se conscientizar de que nossas mentes estão no piloto automático a maior parte do tempo”, afirma Sood. “O objetivo durante os momentos de atenção não é esvaziar a mente, mas tornar-se um observador da atividade da mente, sendo gentil consigo mesmo. O segundo passo é criar uma pausa. Respire fundo e preste a atenção ao próprio espaço, pensamentos e emoções sem julgar. A calma resultante ajuda a diminuir o estresse.”

23.01.2019. Fonte: Press Release. Fotos: Adobe Stock.

Mayo Clinic descobre marcadores biológicos que podem servir como guia para o tratamento do câncer de próstata

ROCHESTER, Minnesota. – Alterações genéticas no câncer de próstata de baixo risco, diagnosticado por biópsia com agulha, podem identificar homens que são portadores de câncer nas glândulas prostáticas com risco maior, segundo descoberta feita pela Mayo Clinic. A pesquisa, publicada na edição de janeiro da Mayo Clinic Proceedings, descobriu pela primeira vez que alterações genéticas associadas ao câncer de próstata de risco intermediário e alto também podem estar presentes em alguns casos de câncer de próstata de baixo risco.

O estudo descobriu que o procedimento da biópsia com agulha pode deixar passar o câncer de risco maior, o que aumenta o risco de progressão da doença. Os pesquisadores afirmam que homens diagnosticados com câncer de baixo risco podem se beneficiar de testes adicionais para essas alterações cromossômicas.

“Nós descobrimos novos marcadores moleculares que podem ajudar a guiar os homens nas decisões a respeito do curso de tratamento do câncer de próstata,” afirma o Dr. George Vasmatzis, codiretor do Center for Individualized Medicine Biomarker Discovery Program (programa de descoberta de biomarcadores do centro para medicina individualizada) e autor principal do estudo. “O excesso de tratamento tem sido um problema para o grupo de homens abordado pelo nosso estudo. Nós descobrimos que a presença de alterações genéticas no câncer de baixo risco pode ajudar os homens a decidir se o tratamento ou a vigilância ativa é a melhor opção para eles.”

O câncer de próstata é avaliado pelos padrões e pela pontuação de Gleason, que indica o grau. Os padrões de Gleason estão altamente associados com o risco de progressão da doença. O câncer de próstata com padrão 3 de Gleason é considerado de baixo risco. Os cânceres com padrões 4 e 5 de Gleason têm um risco maior de comportamento agressivo.

Homens que apresentam tumores compostos totalmente pelo padrão 3 de Gleason podem optar pela vigilância ativa. Eles são monitorados atentamente por meio de exames de sangue e biópsias com agulha, conforme necessário. Ou eles podem ser encaminhados para tratamento, como cirurgia e radiação, particularmente se eles apresentarem o padrão 4 ou 5 de Gleason.

Homens com um câncer de baixo risco às vezes optam pela cirurgia porque não querem correr o risco de progressão da doença. O estudo descobriu que os homens que não apresentam essas alterações em seus respectivos cânceres têm um risco menor de carregar a doença agressiva. Esses homens se sentem mais confortáveis para optar pela vigilância ativa. De maneira contrária, se um homem apresenta um tumor de baixo risco que têm essas alterações, ele tem um risco maior de ter uma progressão do câncer. Eles podem considerar o tratamento, incluindo cirurgia.

A pesquisa

Os pesquisadores realizaram o sequenciamento do DNA com uma ferramenta genômica de alta tecnologia conhecida como sequenciamento mate-pair. Essa pesquisa foi realizada em padrões de Gleason específicos a partir de amostras congeladas do câncer de 126 homens que retiraram as glândulas prostáticas. Eles encontraram cinco genes que frequentemente estão alterados nos padrões 4 e 5 de Gleason. Essas alterações foram encontradas com maior frequência no padrão 3 de Gleason associado a padrões de Gleason mais altos, mas não quando o padrão 3 de Gleason era encontrado sozinho.

“O procedimento de biópsia com agulha amostra apenas uma pequena parte do tumor. Não é incomum que um homem com padrão 3 de Gleason segundo as espécimes submetidas à biópsia com agulha seja portador de um câncer de alto grau próximo ao padrão 3 que não foi detectado no procedimento,” afirma o Dr. John Cheville, codiretor do programa de descoberta de marcadores do Center for Individualized Medicine e coautor do estudo. “Portanto, se identificarmos essas alterações em um padrão 3 de Gleason, há uma probabilidade maior de que o padrão 4 de Gleason esteja próximo.”

Os pesquisadores obtiveram as informações genéticas geradas pelo sequenciamento mate-pair e as converteram em um teste chamado “hibridização fluorescente in situ” (FISH), que validou as alterações genéticas nas amostras clínicas. O teste FISH está disponível para pacientes da Mayo.

07.01.2019 – Fonte: Press Release Mayo Clinic.

Perder neurónios pode por vezes não ser assim tão mau

LISBOA – Pela primeira vez, cientistas do Centro Champalimaud (CC), em Lisboa, Portugal, mostraram que a morte neuronal na doença de Alzheimer (DA) pode, na verdade, não ser uma coisa má – pelo contrário, poderá ser a resultado de um mecanismo de controlo de qualidade celular que tenta proteger o cérebro da acumulação de neurónios disfuncionais. Estes resultados, obtidos em moscas-da-fruta geneticamente modificadas para mimetizar os sintomas da DA humana, foram publicados na revista Cell Reports (DOI :
10.1016/j.celrep.2018.11.098).

O mecanismo de controlo de qualidade celular em jogo é chamado de competição celular e serve para selecionar as células mais aptas num dado tecido do corpo através de uma “comparação de vigor celular” (em inglês, fitness comparison) entre cada célula e as suas vizinhas. Como resultado, as células mais aptas desencadeiam o suicídio das suas células vizinhas menos aptas.                                                                       

Recentemente, provou-se que a competição celular é um potente e normal mecanismo de anti-envelhecimento do corpo em geral e do cérebro em particular. “Em 2015, descobrimos que eliminar as células inaptas de um tecido constituía um mecanismo de anti-envelhecimento muito importante para preservar a função dos órgãos”, diz Eduardo Moreno, investigador principal do laboratório de Cell Fitness do CC.

O ponto de partida da equipa para este trabalho foi o facto de essas comparações de vigor celular acontecerem no processo normal de envelhecimento e, seguindo a mesma lógica, poderem estar também envolvidas em doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento acelerado, como as doenças de Alzheimer, Parkinson e Huntington, explica Moreno. “Isto nunca tinha sido testado”, acrescenta. Em colaboração com o laboratório de Células Estaminais e Regeneração de Christa Rhiner, também no CC, os cientistas começaram por observar as características típicas da DA em modelos de mosca-da-fruta da doença.

Para isso, criaram moscas-da-fruta geneticamente manipuladas para expressar no seu cérebro a proteína beta-amilóide humana, que forma agregados no cérebro dos doentes com Alzheimer. A formação de agregados de beta-amilóide no cérebro é um passo crucial no desenvolvimento da DA.

Os investigadores confirmaram então que as moscas transgénicas apresentavam sintomas e características semelhantes às dos doentes humanos: “as moscas apresentavam uma perda da memória de longo prazo, um envelhecimento acelerado do cérebro e problemas de coordenação motora, que pioravam com a idade”, salienta Christa Rhiner, cuja equipa estudou as funções cognitivas e motoras das moscas.

O passo seguinte dos cientistas foi determinar se, nessas moscas, a morte neuronal era de facto activada pelo processo de comparação de qualidade celular – por outras palavras, mostrar “que os neurónios não estavam a morrer por si só, mas a serem eliminados por células vizinhas mais aptas”, ressalta Moreno.

“Quando começámos, o consenso geral era que a morte neuronal é sempre prejudicial. Por isso, ficamos surpreendidos ao descobrir que a morte neuronal pode ser na verdade vantajosa nas fases iniciais da doença”, diz Dina Coelho, primeira autora do estudo. O que aconteceu foi que quando esta cientista bloqueou a morte neuronal no cérebro das moscas, os insectos desenvolveram problemas de memória e problemas de coordenação motora ainda piores, morreram mais cedo e o seu cérebro deteriorou-se mais depressa.

No entanto, quando a cientista estimulou o processo de competição celular, acelerando assim a morte dos neurónios disfuncionais, as moscas que expressavam a proteína beta-amilóide associada à DA tiveram uma recuperação impressionante. “As moscas comportavam-se quase como moscas normais no que diz respeito à formação de memórias, ao comportamento locomotor e à aprendizagem”, diz Rhiner. E mais: esta recuperação deu-se quando as moscas já estavam muito afectadas pela doença.

Isto significa que, na doença de Alzheimer, o mecanismo de anti-envelhecimento em questão continua a funcionar correctamente. E mostra que, de facto, “a morte neuronal protege o cérebro de danos mais generalizados e que, portanto, a perda de neurónios neste caso não é assim tão má. Seria pior não deixar esses neurónios morrer”, enfatiza Moreno. “O nosso resultado mais significativo é que, provavelmente, estamos a pensar de forma errada na doença de Alzheimer. O nosso trabalho sugere que a morte neuronal é benéfica porque remove dos circuitos cerebrais os neurónios afectados por agregados tóxicos de beta-amilóide – e que manter esses neurónios disfuncionais é pior do que perdê-los”, conclui Moreno.

Os novos resultados poderão ter importantes implicações terapêuticas. “Algumas moléculas já foram identificadas como potenciais inibidoras do suicídio celular, e algumas substâncias experimentais que bloqueiam esses inibidores de morte celular – acelerando assim a morte neuronal – existem e estão a ser testadas”, diz Moreno.

Mas o investigador adverte: “este trabalho foi feito em moscas-da-fruta”. Será portanto necessário verificar se os resultados sobre a morte neuronal na doença de Alzheimer são replicáveis nos seres humanos.

26.12.2018 – Fonte: Press Release. DOI:
10.1016/j.celrep.2018.11.098

10 dicas para ver resultado na academia

10 dicas para ver resultado na academiaSÃO PAULO – Muitas pessoas vão à academia, gastam horas por semana fazendo exercícios e não conseguem ver resultado. Como consequência, as pessoas ficam frustradas e acabam abandonando a musculação. Embora fatores genéticos estejam profundamente associados ao ganho de massa muscular, é possível turbinar o seu treino e ver resultados mesmo que seus genes não sejam tão favoráveis. Veja nossas dicas para obter mais resultados na academia e malhar de maneira saudável:

1. Respeite o período de descanso. Tão importante quanto treinar, é a pausa. Isso significa que você deve dar tempo suficiente para o seu músculo descansar e poder se recompor. Esse tempo de repouso varia entre 24 e 48 horas após o exercício. Portanto, não treine o mesmo músculo todos os dias, mas espere pelo menos 1 dia para poder treiná-lo novamente.

2. Varie os exercícios da musculação. Ficar repetindo o mesmo tipo de exercício, não importa o quão pesado e desafiador seja, não faz com que você ganhe massa muscular. Após certo tempo, o corpo se acostuma à rotina de treino e tende a estacionar. Tente variar os exercícios a cada 2 meses. Converse com seu instrutor para saber qual o melhor tipo de exercício e quando mudar sua rotina.

3. Aqueça-se antes de começar a malhar. Preparar os músculos antes de pegar uma carga pesada ajuda a evitar lesões e aumentar o rendimento do exercício, além de alongar as fibras musculares e articulações. Após o treino, não se esqueça de alongar os músculos.

4. Tente ajustar o seu treino a 1 hora. Isso significa que você não precisa ficar horas por dia na academia para ver resultados. Muito pelo contrário: quanto mais longo o treino, maior será a perda muscular, ao invés de ganho. Tente ajudar sua rotina a cerca de 1 hora por dia.

5. Execute o exercício o mais perfeito possível. Tente fazer o movimento da melhor maneira. Isso evita lesões articulares e estiramentos musculares desnecessários. Além disso, quando melhor for o movimento, mais rápido virão os resultados. Converse com o seu instrutor físico para saber como executar corretamente o movimento. ATENÇÃO: Se você não consegue executar o movimento porque a carga está muito pesada, reduza-a. Você não estará tendo nenhum benefício se estiver fazendo o exercício errado.

6. Mantenha o seu treino desafiador. Uma das chaves para ver resultados é sempre manter o seu treino difícil, de forma a forçar os seus músculos cada vez mais. Se você acha que o seu treino está fácil demais ou se tornou monótono, converse com o seu educador físico para que ele monte uma série mais desafiadora.

7. Respeite os limites do seu corpo. Embora seja importante manter o treino sempre pesado e difícil, faça-o de maneira sábia para não se lesionar músculos e articulações. Saiba entender quando o seu corpo estiver lesionado e não vá treinar. Isso também se aplica quando você estiver doente. Em muitos casos, malhar doente só lesiona mais o seu corpo.

8. Tenha uma boa alimentação. Proteínas, carboidratos e gorduras de boa qualidade são essenciais para bons resultados na musculação. Invista em peixes, carnes magras, grãos integrais, azeite de oliva e gorduras de derivadas de sementes, nozes, etc. Evite doces industrializados, refrigerantes, açúcar refinado e derivados. A boa alimentação é parte fundamental da atividade física.

10 dicas para ver resultado na academia9. Beba água. A água é fundamental no processo de recuperação muscular, além de repor sair minerais e hidratar o corpo. Beba água antes, durante e após o treino de musculação. Ingira, pelo menos, 2 litros de água pura por dia.

10. Durma. O sono é importante para o ganho de massa muscular e recuperação do corpo. Tente ter, pelo menos, 7 horas de sono por noite, sem interrupções.

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E, acima de tudo, além dessas dicas, tenha paciência. A musculação é um processo que leva tempo e os músculos não crescem do dia para noite.

Redação:
Por Xavier Gruffat (farmacêutico)

Fotos: 
Adobe Stock

Atualização:
Este artigo foi modificado em 08.11.2018

Óleo de gerânio rosa pode aliviar sintomas nasais dolorosos relacionados ao tratamento de câncer

ROCHESTER (Minnesota, EUA) –  O óleo de gerânio rosa pode ajudar a aliviar os sintomas da vestibulite nasal, uma condição nasal comum e dolorosa relacionada ao tratamento medicamentoso de câncer, de acordo com o resultado de um breve estudo observacional publicado on-line no BMJ Supportive & Palliative Care.

“A vestibulite nasal é um efeito colateral do tratamento medicamentoso de câncer particularmente comum em pacientes tratados com medicamentos denominados taxanos”, afirmou Elizabeth Cathcart-Rake, M.D., autora principal do estudo e residente da Mayo Clinic. “Essas drogas interrompem a divisão celular e dificultam a formação de novos vasos sanguíneos para prevenir o crescimento do tumor.” A Dra. Cathcart-Rake relata que não existem tratamentos disponíveis para esse efeito colateral desagradável da terapia do câncer.

“Nossas descobertas se baseiam nas evidências anedóticas para o uso do óleo de gerânio rosa no tratamento da vestibulite nasal, uma infecção que afeta o forro nasal, deixando-o extremamente sensível e provocando sangramento e formação de crostas.” Apesar das descobertas interessantes, a Dra. Cathcart-Rake adverte que estudos mais abrangentes são necessários para determinar se o óleo é realmente um tratamento viável.

O objetivo dos pesquisadores era descobrir se o óleo poderia aliviar os sintomas da vestibulite nasal em 40 mulheres em quimioterapia para tratamento de câncer de mama entre 2007 e 2017. Mais da metade das pacientes estudadas foram tratadas com taxanos. O tratamento das outras mulheres foi realizado com uma grande variedade de medicamentos específicos para o tratamento do câncer.

Todas as mulheres receberam um spray de óleo de gerânio rosa a base de óleo de gergelim. Elas deveriam usá-lo conforme necessário. As pacientes classificaram a gravidade dos sintomas antes e depois do uso, e também responderam a uma pesquisa sobre a experiência de uso do óleo.

Os sintomas nasais mais comuns foram sangramento (65%) e desconforto (63%). Outros sintomas incluíram ressecamento (30%), formação de crostas (13%) e feridas (25%).

A classificação de gravidade média foi aproximadamente 3 (de 4), correspondendo a “moderadamente grave”. Vinte e uma mulheres responderam à pesquisa. Uma delas não usou o óleo, pois os sintomas foram resolvidos quando ela terminou a quimioterapia.

Das outras 20 participantes, 10 usaram o óleo diariamente, sendo que 45% delas usaram várias vezes ao dia.

Todas as participantes relataram que o óleo aliviou os sintomas. Onze mulheres (55%) indicaram um benefício moderado. Seis mulheres (30%) perceberam um benefício significativo. Duas mulheres (10%) relataram que os sintomas desapareceram completamente.

“O spray nasal de óleo de gerânio rosa a base de gergelim parece ser eficaz para pacientes com vestibulite decorrente da terapia do câncer”, afirmou a Dra. Cathcart-Rake, “no entanto, estudo é de caráter observacional e, por esse motivo, não é capaz de oferecer um resultado definitivo. Outros estudos serão necessários.”

06.11.2018. Fonte: press release. Foto: Fotolia/Adobe Stock

10 dicas para ter um bronzeado perfeito

dicas bronzeado perfeitoO verão está chegando e muitas pessoas aproveitam a estação para irem à praia e se bronzearem. É nesse momento que muitos cometem diversos erros para terem um tom de pele dourado, bonito e duradouro. Veja nossas dicas para ter um belo bronzeado nesse verão com saúde e respeitando sua pele. 

1. Coma alimentos com a cor laranja. Alimentos com a cor laranja são ricos em betacaroteno e vitamina A que aceleram o bronzeamento, mantém a coloração e ainda protege as células da pele. Invista em mamão, cenoura, laranja, abóbora, pêssegos, acerola, mostarda, etc. Folhas verdes escuras como couve, espinafre, escarola, etc também são ricas em vitamina A.

2. Hidrate-se bastante. Um dos maiores erros cometidos pelas pessoas que se expõem muito ao sol é a falta de hidratação. Antes e depois da exposição ao sol, use hidratantes à base de ureia ou lactato de amônio. O calor do sol resseca a pele e faz com que ela descasque mais depressa. Além disso, ingira bastante água e sucos de frutas naturais ao longo do dia.

3. Cuidado com os horários. Outro grande erro que das pessoas é se expor ao sol durante o dia todo, sobretudo nos horários que a incidência é maior (entre 10h e 16h). Tome sol até as 10h ou após as 16h. A exposição prolongada aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de pele.

use protetor solar4. Use protetor solar. Esse produto é fundamental, mesmo para aqueles que querem conquistar o bronze perfeito. O protetor solar irá evitar queimaduras e reduz o risco de desenvolvimento de câncer de pele. Escolha o protetor de acordo com o seu tipo e tom de pele. Clique aqui (Escolha do protetor solar) para orientar sua decisão. ATENÇÃO: não se esqueça do protetor solar para o rosto.

5. Tome banhos com água fria. Aproveite que é verão para refrescar o corpo com um belo banho de água fria. Com a exposição ao sol, a pele fica muito sensível e ardida e os banhos frios ajudam a aliviar essa sensação. Além disso, a água quente resseca a pele, ao passo que a água fria ajuda a hidratar e manter o bronzeado por mais tempo.

6. Use suplementos cosméticos. Hoje em dia há diversos produtos conhecidos como nutricosméticos. Eles são suplementos ricos em determinados elementos que podem ajudar no bronzeamento. Converse com o seu dermatologista e veja se ele lhe receita algum produto à base de olho de cenoura, olho de urucum, dihidroxiacetona, etc.

Tenha cuidado com o tempo de exposição7. Tenha cuidado com o tempo de exposição. Mesmo nos horários de baixa incidência solar, a exposição prolongada pode ser prejudicial à pele. Comece com cerca de 15 minutos de exposição no primeiro dia e vá aumentando gradativamente, cerca de 10 minutos a cada 3 dias. Os resultados do bronzeamento começam a aparecer cerca de 72 horas depois da primeira exposição.
8. Use autobronzeadores. Quando não estiver na praia ou na piscina, os autobronzeadores ajudam a reforçar a cor. Converse com o seu dermatologista para saber qual o tipo de autobronzeador mais indicado para o seu tipo de pele.

9. Não tome sol em dias nublados. O mormaço e abafamento são prejudiciais para a pele pois eles queimam sem que a pessoa perceba. Além disso, eles não ajudam a bronzear e podem atrapalhar o tom da pele.

 Sempre tome uma ducha depois que sair da piscina ou do mar10. Sempre tome uma ducha depois que sair da piscina ou do mar. O sal e os compostos e os produtos químicos da piscina agridem a pele e facilitam a desidratação da epiderme. Em resumo, eles facilitam o descascamento da pele, além de deixa-la mais sensível.
Com essas dicas você terá um bronzeado lindo e saudável por muito mais tempo. Lembre-se sempre de proteger a pele, pois a exposição excessiva ao sol causa envelhecimento precoce e aumenta o risco de câncer de pele. Para mais dicas, acesse nossa página: Sol e Pele.

Foto: © Lvnel – Criasaude.com.br

Estimulação da medula espinhal e fisioterapia ajudam paciente com paralisia a ficar de pé

ROCHESTER (EUA) – A estimulação da medula espinhal e a fisioterapia ajudaram um paciente que estava paralisado desde 2013 a recuperar sua capacidade para ficar de pé e caminhar com ajuda. Os resultados, obtidos em uma parceria de pesquisa entre a Mayo Clinic e a UCLA, foram reportados na Nature Medicine (DOI : 10.1038/s41591-018-0175-7). 

Jered Chinnock walking with assistance

Com um estimulador implantado ativado, o paciente foi capaz de dar passos com um andador de duas rodas enquanto os ajudantes ofereciam uma eventual assistência. Ele fez 113 visitas de reabilitação à Mayo Clinic durante um ano e alcançou êxitos durante as sessões individuais:

  • Distância total: 111 jardas (102 metros) — aproximadamente o comprimento de um campo de futebol
  • Número total de passos: 331
  • Número total de minutos caminhando com ajuda: 16 minutos
  • Velocidade dos passos: 13 jardas por minuto (0,20 metros por segundo)

“Isto nos ensina que aquelas redes de neurônios abaixo de uma medula espinhal lesionada ainda podem funcionar após a paralisia”, afirmou Kendall Lee, M.D., Ph.D., copesquisador principal, neurocirurgião e diretor do Laboratório de neuroengenharia da Mayo Clinic.

No estudo, a medula espinhal do paciente foi estimulada por um eletrodo implantado, permitindo que os neurônios recebessem o sinal de que ele queria ficar de pé ou andar.

“Acredito que seja aqui que o desafio comece, que é compreender como e por que aconteceu e quais pacientes responderão”, disse Kristin Zhao, Ph.D., copesquisador principal e diretor do Laboratório de tecnologia reparadora e assistiva da Mayo Clinic.

Atualmente, por motivos de precaução, o paciente dá passos somente sob a supervisão de uma equipe de pesquisa.

Primeiras descobertas

O paciente, agora com 29 anos, lesionou sua medula espinhal na vértebra torácica no meio das costas em um acidente com uma moto de neve em 2013. Ele foi diagnosticado com perda total da função abaixo da lesão da medula espinhal, o que significa que não seria capaz de se mover ou sentir alguma coisa abaixo da metade de seu torso.

No estudo, que teve início em 2016, o paciente participou de 22 semanas de fisioterapia e teve um eletrodo implantado cirurgicamente pelo Dr. Lee e sua equipe de neurocirurgia da Mayo Clinic.

O implante está localizado no espaço epidural — a porção mais periférica do canal medular — em um ponto específico abaixo da área lesionada. O eletrodo se conecta a um dispositivo gerador de impulsos sob a pele abdominal do paciente e se comunica sem fio com um controlador externo. A Mayo Clinic recebeu permissão da Food and Drug Administration dos EUA para utilizar o dispositivo para uma condição não coberta pelo selo de aprovação da FDA.

Após recuperar da cirurgia, o paciente retornou ao laboratório para sessões de reabilitação e ajustes de estimulação durante as 43 semanas seguintes. Em um artigo de 2017, Mayo Clinic Proceedings (Procedimentos da Mayo Clinic), os autores reportaram suas observações iniciais de acordo com as pesquisas replicadas realizadas na Universidade de Louisville. Essas primeiras descobertas demonstraram que, em duas semanas com o estimulador funcionando, o paciente conseguiu ficar de pé e fazer movimentos de passos intencionalmente enquanto era suspenso por um arnês.

Progresso contínuo

A equipe de pesquisa tentou determinar se o paciente poderia ficar de pé e caminhar com ajuda. Durante 113 sessões de reabilitação, os pesquisadores ajustaram as configurações de estimulação, a assistência dos ajudantes, o suporte do arnês e a velocidade da esteira para permitir maior independência do paciente.

A pesquisa demonstrou que o paciente foi capaz de caminhar sobre o solo utilizando um andador de duas rodas e deu passos na esteira posicionando os seus braços nas barras de suporte para ajudar no equilíbrio. No entanto, quando a estimulação era desligada, o paciente permanecia paralisado.

Na primeira semana, o participante utilizou um arnês para diminuir o risco de queda e para proporcionar mais equilíbrio à parte superior do corpo. Os ajudantes ficavam posicionados na altura dos joelhos e do quadril do paciente para ajudá-lo a ficar de pé, mover suas pernas e transferir seu peso. Uma vez que o paciente não tinha recuperado a sensibilidade, ele utilizou inicialmente espelhos para enxergar suas pernas, e os ajudantes descreviam a posição, o movimento e o equilíbrio das pernas. Na semana 25, ele não precisou de um arnês, e os ajudantes ofereceram apenas uma assistência ocasional. Ao final do período de estudo, o paciente aprendeu a usar todo seu corpo para transferir o peso, manter o equilíbrio e mover para a frente, precisando de pequenas dicas verbais e olhares pontuais para as pernas.

24.09.2019. Fonte: Press Release Mayo Clinic. Nature Medicine (DOI : 10.1038/s41591-018-0175-7). Foto: Mayo Clinic, Fotolia.com

Quase metade dos médicos residentes relatam ter síndrome de burnout

ROCHESTER (EUA) – A síndrome de burnout dos médicos residentes nos EUA é comum e suas maiores taxas estão concentradas em algumas especialidades, de acordo com a pesquisa da Mayo Clinic, OHSU e outros colaboradores. As descobertas serão publicadas na terça-feira, 18 de setembro, no Journal of the American Medical Association. A síndrome de burnout entre os médicos é uma combinação perigosa de exaustão e despersonalização que contribui para que médicos cometam erros ao cuidar de pacientes.

Devemos realizar um check-up anual?

 

O estudo revelou que 45% dos participantes tiveram pelo menos um sintoma importante de burnout, sendo que os especialistas em urologia, neurologia, pronto-socorro e cirurgia geral apresentaram maior risco de apresentar sintomas. Independentemente da especialidade, os altos níveis de ansiedade e baixos níveis de empatia relatados durante a faculdade de medicina foram associados aos sintomas de burnout durante a residência.

“Os dados demonstram grande variabilidade na prevalência do burnout por especialidade clínica. Além disso, demonstram que a ansiedade, o apoio social e a empatia durante a faculdade de medicina estão relacionados aos riscos de burnout durante a residência,” informou Liselotte Dyrbye, M.D., uma pesquisadora clínica da Mayo Clinic e autora principal do artigo.

Os residentes com síndrome de burnout tiveram três vezes mais chances de se arrepender da decisão de cursar medicina. Quando perguntados “se você pudesse escolher sua carreira agora, você escolheria a medicina novamente?”, os residentes nas especialidade de patologia e anestesiologia apresentaram maior probabilidade de responder “definitivamente não” ou “provavelmente não”. Do mesmo modo, quanto mais alto o nível de ansiedade sofrido durante a faculdade, maior a chance de arrependimento da escolha da medicina como carreira.

Uma pesquisa anterior demonstrou que o burnout médico está relacionado ao gênero e à etnia. Residentes que se identificaram como mulheres demonstraram ter um risco maior de apresentar sintomas de burnout, o que condiz com estudos realizados com médicos mais experientes.

Embora a situação difícil enfrentada pelas médicas tenha sido relatada, o estudo ilustrou a situação complicada e menos estudada enfrentada por médicos que se consideram latinos ou hispânicos. Essas pessoas tiveram maior probabilidade de se arrepender da escolha de carreira. Embora o estudo não tenha analisado causas diretas, os autores especulam que os médicos pertencentes a minorias sociais geralmente são pressionados a participar de várias iniciativas de diversidade institucionais, o que sobrecarrega suas rotinas, se comparadas às rotinas de médicos que não pertencem a esses grupos.

Nem todas as conclusões do estudo foram negativas. A maioria dos residentes estão satisfeitos com a escolha de carreira e especialidade. Especificamente, participantes que relataram pontuações altas de empatia durante a faculdade de medicina parecem ter maior resistência à síndrome de burnout durante a residência. Essa conclusão entra em atrito com a narrativa de que médicos precisam ser insensíveis ou emocionalmente distantes para realizar o trabalho. Por sua vez, altas pontuações de empatia durante a faculdade foram associadas à vontade de continuar na mesma especialidade. Além disso, os participantes que relataram receber maior apoio social e emocional durante a faculdade mostraram-se felizes, em geral, com a especialidade escolhida.

Outros estudos sobre a síndrome de burnout focam na prática médica. Este foi o primeiro estudo nacional de acompanhamento longitudinal de médicos em formação, desde o início da faculdade até a residência, para estudar os preditores do burnout. O estudo incluiu quase 3.600 participantes que responderam à pesquisa quando estavam no quarto ano de faculdade e novamente no segundo ano de residência. Este estudo é derivado de um estudo maior com alunos de medicina chamado Cognitive Habits and Growth Evaluation Study (Estudo de avaliação de crescimento e hábitos cognitivos), que monitorou um grupo de alunos desde o primeiro ano de faculdade até o último ano de residência.

Aproximadamente 50 faculdades de medicina participaram da pesquisa. Os residentes foram solicitados a fornecer informações sobre suas especialidades, etnias, débito estudantil e outras características demográficas. Depois disso, eles responderam às pesquisas desenvolvidas para avaliar a ansiedade, o apoio social emocional, a empatia e o burnout.

20.09.2018. Fonte: Press Release Mayo Clinic. Fotos: Fotolia/Adobe Stock